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| | Anarquismo, Individualismo e Coletivismo Por Lauro Monteclaro 23/09/2004 às 18:51 O problema central das teorias anarquistas está muito mais na dificuldade em lidar com a contradição entre individualismo e coletivismo do que numa suposta incapacidade de aplicação de seus princípios à realidade objetiva. A resposta talvez esteja na tecnologia. O que chamamos de anarquismo, sempre transitou numa certa zona nebulosa entre as idéias individualistas, das quais derivou o moderno capitalismo, e os princípios igualitários e coletivistas, presentes principalmente no cristianismo primitivo, das quais derivaram várias modalidades de socialismo.
De fato, sabemos que Pierre-Joseph Proudhon foi bastante influenciado por ambas as idéias. Em uma cronologia de sua vida e obra, somos informados que ele em 1828 se dedica a numerosas leituras. ??Os meus verdadeiros mestres,? declara em 1848 ao amigo J.-A. Langlois, ?quero dizer aqueles fizeram nascer em mim idéias fecundas, são em número de três: a Bíblia em primeiro lugar, Adam Smith em seguida e finalmente Hegel??. (1)
Não devemos nos surpreender que o patriarca supremo do capitalismo e do liberalismo econômico tenha servido de inspiração ao homem que Bakunin designava como ?o mestre de todos nós?.
Na realidade, para a ortodoxia vigente no seu tempo, Adam Smith era um subversivo. Sua idéia básica de que os homens deviam se guiar pelos seus próprios interesses, e de que os regulamentos e governos, só podiam atrapalhar o desenvolvimento da sociedade, desagradavam simultaneamente à igreja e aos incontáveis monarcas despóticos da época.
Mas, notamos que esta é de fato, a mesma conclusão a que chega Proudhon, a diferença é que Smith nunca ousou militar politicamente, sua obra prima ?A Riqueza das Nações?, apesar de criticar abertamente as medidas tomadas por certos monarcas, evita prudentemente criticar os próprios monarcas. Já Proudhon é um homem da revolução francesa.
Para ele, a questão política pode ser discutida abertamente. A propriedade questionada, o direito e mesmo a necessidade dos governantes era matéria em aberto. Essas questões, Smith não podia abordar, por razões óbvias. Suas críticas no entanto, sempre que possível, são dirigidas a todo tipo de privilégio injustificado.
Notamos mesmo que Smith critica sem rodeios as desigualdades econômicas de seu tempo: ?As leis das corporações (de oficio), porém, restringem menos a livre circulação do capital de um local para outro do que a do trabalho; é sempre muito mais fácil a um rico comerciante obter privilégio de comerciar numa cidade corporativizada do que a um pobre artífice trabalhar nela?.(2)
Por outro lado, não podemos deixar de notar que, ao contrário dos seguidores de Smith, como David Ricardo, Proudhon é claramente sensível à sorte dos pobres. Ao contrário de Ricardo, que condena explicitamente qualquer intervenção a favor dos ?perdedores?, os seguidores de Proudhon, principalmente Bakunin, propõe idéias claramente coletivistas.
Não resta dúvida de que as propostas ?mutualistas? e cooperativistas de Proudhon, são uma tentativa de resolver o dilema causado pelas conseqüências do individualismo e as aspirações de fraternidade humana vindas das páginas dos evangelhos.
Daí para á frente, enquanto o liberalismo de Adam Smith é gradativamente apropriado pela burguesia, agora cada vez mais triunfante, o socialismo utópico e de fundo cristão, é apropriado pela elite intelectual também cada vez mais liberta das amarras do passado.
As duas correntes assumem pontos de vista claros. Os liberais defendem a liberdade individual, mesmo que isso sacrifique qualquer princípio de igualdade. Os socialistas ?científicos?, defendem a igualdade a qualquer custo, mesmo que a conseqüência seja a virtual eliminação da liberdade.
Ao romper com Marx, os anarquistas acabam ficando numa posição intermediária. Proudhon ao advertir Marx para que ?não nos tornemos chefes de uma nova intolerância, não nos apresentemos como apóstolos de uma nova religião, mesmo que seja a religião da lógica, a religião da razão?,(3) assume uma indiscutível superioridade moral.
A partir daí, os anarquistas se sentem livres para criticar tanto os rumos do liberalismo econômico e as flagrantes injustiças daí decorrentes, como para denunciar o brutal autoritarismo presente no ?socialismo real?. E o fazem sempre que podem. Em resposta, são cobrados pelo fato de não apresentarem nenhuma proposta concreta, seja para a superação do capitalismo, seja para a implantação de um socialismo libertário.
Os anarquistas lembram que tanto liberais como socialistas criticavam o governo mas agora: ?Todos contam com o governo: os liberais, ostensivamente, para preservarem a liberdade, mas na verdade para impedirem a igualdade; os socialistas, ostensivamente, para preservarem a igualdade, mas na verdade para impedirem a liberdade?.(4)
Mas o que de fato os anarquistas querem? Segundo Nicolas Walter: ?O traço essencial da sociedade que os anarquistas querem, é que ela será o que os seus membros dela quererão fazer. Não obstante, é possível dizer o que a maioria deles gostaria de ver numa sociedade livre, lembrando nós que não há linha oficial, como de modo idêntico não há meio de reconciliar os extremos: o individualismo e o comunismo?. (5)
Em muitos casos os anarquistas se definem de forma solene: ?Somos liberais, mas mais que isso; somos socialistas e mais que isso?.(6) É uma frase e tanto, mas como traduzi-la na prática. É notório que o liberalismo e sua filha dileta, a globalização neoliberal, apenas vem aumentando as desigualdades, gerando desemprego e miséria. O destino do socialismo autoritário dispensa comentários sobre seu retumbante fracasso.
Seria essa a oportunidade histórica do anarquismo? Talvez, mas não se pode deixar de lado o problema de ?reconciliar os extremos?. Para isso é necessário o enfrentamento corajoso do desafio da tecnologia. O socialismo autoritário, ao não conseguir supera-lo, fez com que as populações a ele submetidas, e que eram mantidas na igualdade da pobreza e do racionamento, se lembrassem súbita e desordenadamente da liberdade.
O sistema capitalista global, ao se valer da tecnologia apenas para maximizar os lucros do capital, promove o desemprego crônico em escala planetária, pela substituição maciça de trabalhadores por robôs e computadores. Cedo ou tarde a contradição desse sistema irá se fazer presente, pois se o bom e velho proletariado pode ser substituído como fator de produção, não o pode enquanto consumidor.
Nesse caso, o desafio real é colocar a tecnologia a serviço de todos os membros da comunidade global. Se a tecnologia puder libertar o homem do trabalho ao invés de exclui-lo do processo de produção e priva-lo de renda, a antes insolúvel questão, representada pelo binômio ?igualdade-liberdade?, poderá ser resolvido.
Aqui podemos voltar a afirmação de Adam Smith: ?o desejo de alimento é limitado, em cada homem, pela estreita capacidade do estomago humano, mas o desejo de conforto, de ornamentos da casa, de roupas, de aparelhagem e de mobiliário parece não ter limite ou fronteira certa?. (7)
Ora, os partidários do coletivismo, consideram o Estado imprescindível porque o ser humano precisa comer, ter roupas para se vestir e se agasalhar, ter abrigo para morar, etc. Nisso todos os seres humanos são iguais, donde concluem que os desejos de ?conforto e ornamento?, são desnecessários e anti-sociais.
Os partidários do individualismo argumentam que é justamente no desejo de ?conforto e ornamento? que o ser humano manifesta sua liberdade e sua individualidade. Por isso o Estado deve existir para garantir aos que podem, desfrutar de seu patrimônio e realizar seus desejos sem ser perturbados.
Mas, ao contrário da época em que as teorias políticas convencionais foram formuladas, tanto a satisfação do ?estomago? quanto à de ?conforto e ornamentos?, dependiam de trabalho árduo e monótono de uma parcela imensa da humanidade. Portanto, a igualdade só podia existir caso as necessidades não passassem muito do simples alimento, ou a liberdade de desfrutar de conforto ficasse restrita a muito poucos.
Se a tecnologia puder garantir os meios necessários para satisfazer as necessidades básicas, e ainda algumas superfulas, do ser humano, a igualdade será uma realidade. Por outro lado, o tempo livre e a criatividade, poderão ser usados com toda a liberdade para as demais ambições, que como já indicava Smith ?não parece ter limite ou fronteira certa?. E é muito bom que não tenha mesmo. _________________
Notas:
(1) PROUDHON, Pierre-Joseph ? Do Princípio Federativo ? Ed. Imaginário ? Pág. 21 (2) ?Os Pensadores? ? Abril cultural ? Vol. XXVIII ? Pág. 116 (3) Carta a K. Marx, 17 de Maio de 1846 (4) WALTER, Nicolas - Sobre o Anarquismo (5) Idem. (6) Idem. (7) ?Os Pensadores? ? Abril cultural ? Vol. XXVIII ? Pág. 340
Email:: lauromonteclaro@uol.com.br URL:: http://lauromonteclaro.sites.uol.com.br >>Adicione um comentário Qual é a sua afinal "Lauro Monteclaro" ????? Isso se seu nome for realmente esse, algo que desconfio profundamente.
Porque voce insiste em entrar nesse site e mandar seus textos confusionistas a respeito do anarquismo ???? Lendo seus textos se pode notar que sua intenção é confundir as pessoas que entram aqui e buscam informações sobre anarquismo, e o anarquismo clássico, aquele originalmente anti-capitalista, anti-estatal e anti-autoritário.
Veja essa parte de uma outra mensagem sua, mais antiga: "Note que os defensores da globalização neoliberal também falam em "estado mínimo", "abolição de fronteiras nacionais", "mercado livre", "liberdade individual acima do poder do estado", etc." Agora, preciso lhe perguntar uma coisa importante, porque voce disse que os neoliberais também falam disso ???? Quem mais fala disso ??? Se tiver falando dos anarquistas voce está profundamente enganado e voce deve saber que está criando essa confusão propositalmente. Os anarquistas falam de abolição e destruição completa do Estado, os anarquistas falam da extinção de todas as fronteiras e de seus exércitos que as defendem, os anarquistas falam de uma economia libertária e solidária que se realiza através do apoio mútou e de livres associações de produtores e consumidores, os anarquistas falam da liberdade individual que apenas se completa e é potencializada na liberdade coletiva, social. Se voce não sabe disso, seria bom estudar melhor o assunto, e se sabe é melhor parar de tentar confundir o público.
Mais uma ridicula e abominável parte de sua msg: "A diferença está na questão da propriedade privada, que para Adan Smith é "a própria essência da liberdade", enquanto que para Proudhon, é "um roubo"." Nesse novo texto, mais uma vez e pior do que antes, tenta juntar Proudhon com Adan Smith, um absurdo sem tamanho, qualquer pessoa minimamente informada sabe que tais autores são incompativeis.
Mais uma vez voce aparece tentando confundir as pessoas com seu liberalismo enrustido, porque não confessa que é defensor do liberalismo clássico ???? Defenda sua reais posições e deixe de se camuflar atrás do socialismo anarquista, um movimento histórico em defesa dos trabalhadores e dos oprimidos de todas as sociedades. Realmente para os anarquistas a propriedade privada é um roubo, e é um roubo na medida em que usurpa de toda a maioria da população terras, instrumentos de trabalho, fábricas, mercadorias, alimentos, etc que são e deveriam continuar sendo propriedade coletiva, pois foram produzidas de forma social, coletiva. Se a produção é coletiva, então sua distribuição e aproveitamento também deve ser coletiva.
Seria bom que parasse de se camuflar e de esconder seu verdadeiro pensamento liberal, seria melhor ainda que não tentasse confundir as pessoas com suas difamações e deturpações.
Tirar as frases do contexto, selecionando apenas as que lhe interessa para tentar dar um carater liberal ao anarquismo é de uma canalhisse sem tamanha, tipica de todos os liberais e burgueses.
Espero ter esclarecido minha posição e que voce pense no assunto, mesmo sabendo que sua intenção é propositalmente a de deturpar o anarquismo.  | Caro Robson. Não sabia que os verdadeiros anarquistas deveriam se ater apenas a algum tipo de ?anarquismo clássico?. O que seria isso exatamente? Existe algum livro sagrado que eu deveria conhecer e humildemente obedecer? Note que de fato, além dos liberais, poucos falam de ?estado mínimo? e ?abolição das fronteiras nacionais?. Os fascistas e os socialistas autoritários preferem o estado forte e poderoso. Também adoram fronteiras nacionais, barreiras ao livre comércio, censura, etc. Quando eu disse que Proudhon considerava a propriedade um roubo, por acaso estava só repetindo sua frase mais conhecida. ?O que é a propriedade? A propriedade é roubo!?. No meu texto acima (que você com certeza não se deu ao trabalho de ler) eu digo que: ?É notório que o liberalismo e sua filha dileta, a globalização neoliberal, apenas vem aumentando as desigualdades, gerando desemprego e miséria?. Isso parece a opinião de um neoliberal? Quanto a Proudhon declarar que recebeu influência de Adam Smith, Isso é uma afirmação dele, não minha. Confira a nota (1) e veja de onde a citação foi retirada. Se estiver errado, favor xingar o Francisco Trindade, tradutor e organizador da obra. Para completar, meu site intitulado ?Anarquismo, Hackers e Economia Solidária? está em http://geocities.yahoo.com.br/lauromc mas também pode ser acessado pelo endereço que acompanha o texto. Lá você vai encontrar 19 textos sobre anarquismo e assuntos correlatos. A propósito, no endereço que acompanha o texto você também encontra uns 50 textos, todos de críticas a globalização neoliberal. Agora gostaria que você me mostrasse o que você já escreveu sobre o assunto. Onde está? Talvez conhecendo melhor as suas obras eu deixe de ser liberal...  | Caro Senhor Monteclaro,
Eu que não sou expert em coisa alguma, muito menos em anarquismo, gostaria de saber se o termo "anarco-capitalismo" lhe diz alguma coisa. A mim, ele não diz nada.
O anarquismo tem seus próprios anarquistas dentro si, para provocar, criticar, caotizar. Dificilmente o anarquismo poderá ser redimensionado para a defesa do capitalismo, de seu caráter trans-fronteiriço, da sua busca incessante de extirpar, exaurir e aniquilar o fenômeno vida em toda a sua complexidade e beleza. É por isso, que o anarquista vê anarquismo até nas porralouquicesde um ditador de esquerda, comparada à fria árgúcia do capitalista cheio de fé , cheio de razão.Isto porque a matemática do homicida liberal só prova que em seus planos não há erros. Haverá perdão?
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