Deputado estadual do Amazonas, o Arthur Bisneto pediu ao seu motorista para parar o carro na Praça da Matriz de Eusébio, cidade da Região Metropolitana de Fortaleza, e perguntou a duas adolescentes onde ficava o Cabaré da Tia Bete. As jovens não sabiam informar e, em agradecimento à atenção dispensada, o filho do senador e líder do PSDB no Senado Federal, Arthur Virgílio Neto, baixou o conjunto calças e cueca e mostrou a garupa branca e nua da silva às cearenses. Diante do espetáculo inusitado, as moçoilas ficaram sem fala e, conseqüentemente, não conseguiram dizer um “não há de quê” ou “de nada”.
Encerrado o contato imediato do primeiro grau, o carro saiu em disparada, não se sabe para onde, mas, inconformado com a falta de educação das meninas, Bisneto solicitou ao profissional do volante para retornar à Praça da Matriz e, sob olhares atônitos generalizados, inclusive de um amigo que o acompanhava na busca ao Cabaré, o nobre Deputado desceu do veículo, empunhou o membro flácido e urinou diante de um casal, acariciou o cabelo da mulher e ameaçou seu namorado, dela, com uma garrafa. Não bastasse o atentado em praça pública, ao ser levada ao xilindró, a autoridade legislativa questionou a senhora comerciante, que o acusava de mostrar as nádegas às filhas dela, não só repetindo o gesto da Praça da Matriz mas fazendo uma solicitação inusitada: “Olha aqui pra ver se é a minha mesmo”. No que estava ele naquele xaxado cívico, entrou na sala a Delegada Titular da Delegacia Metropolitana, a doutora Penélope, que, sem entender o que estava em curso, ordenou ao jovem para subir o que descera.
Esta história está na edição desta quarta-feira, 7 de outubro, Dia do Compositor, como destaque do caderno de Política do jornal O Povo, de Fortaleza, onde ainda está escrito que o Bisneto reagiu à solicitação da autoridade com palavrões e a eterna ameaça contra quem não sabia com quem estava falando. E foi mais longe, ao dizer que o relógio do seu pulso daria para comprar os policiais, as viaturas e a própria Delegada, como se houvesse lido as etiquetas na testa de cada um dos presentes e feito uma conta ligeirinha. O periódico não revela que jóia usava o Deputado, mas a doutora Delegada achou que um par de algemas valorizaria ainda mais a peça e mandou colocar uma rodela em cada pulso, uma delas um pouco abaixo da elegante pulseira de couro caramelo do bravo freqüentador do Palácio Rio Branco.
Lembrei-me do baião “No Ceará Não Tem Disso Não”, de Guio de Moraes, que assevera, antes do refrão: “Tenho visto tanta coisa, nesse mundo de meu Deus, coisas que prum cearense, não existe explicação, nem que eu fique aqui dez anos, eu não me acostumo não”. Perguntei andando a alguns pescadores na praia do Mucuripe, a algumas donas de barracas de artesanato na praia do Náutico e a taxistas se acreditavam que o ato do Deputado do Amazonas poderia abalar o refrão conhecido no mundo inteiro. A melhor resposta veio de um pescador: “Moço, a única coisa parecida com uma bunda branca da amazônia que fez morada aqui no Ceará é a bolinha de sorvete de cupuaçu. Tirante ela, garanto que no Ceará não tem disso não”.
