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| | Radiola Livre - primeira rádio livre de BH Por cmi bh 13/11/2004 às 17:29 . O elemento mais espantoso nesse evento é que as pessoas viram-se retiradas de suas especulações mentais sobre rádio para serem arremessadas no "rádio-transe", estado psiquicamente alterado deconsciência desencadeado pela radiofonia livre. Fabulando o públicoradiouvinte, enunciando-se apenas pela voz, puderam virar qualquer coisa que quiseram e deixar as suas identidades modernas dependuradas em algum cabide por aí. Pelas expressões de todos e alguns depoimentos, ficou evidente que houve uma mudança de estado do coletivo, que vinha se reunindo há meses. A ação deixou de de ser racionalmente motivada e agora a busca do "barato" eletromagnético é uma força de coesão e para a adesão de novos aliados. Afetivamente motivada tornou-se irreversível. A primeira Oficina RadiolaLivre resultou da atividade independente do Coletivo RadiolaLivre, formado por pessoas da comunidade universitária da Pampulha, mas sua trajetória é um pouco anterior às conversas desse grupo.Desde que os estudantes da UFMG conseguiram desalojar os militantes profissionais que costumam parasitar o movimento estudantil, nas últimas eleições, a atual gestão (Audácia) vinha sugerindo a criação de uma rádio livre. Embora não houvesse unanimidade e quanto às concepções de radiofonia ou de organização (a chapa é bastante heterogênea), os membros do coletivo de comunicação do DCE começaram a reunir pessoas para a invenção. Rapidamente, o coletivo, sem deixar de reconhecer a iniciativa do DCE, assumiu-se como organização autônoma e horizontal, e passou às gestões junto às organizações estudantis para buscar apoio e realizar a oficina. Depois da Oficina, além do DCE, muitos contatos estão sendo feitos para dar suporte à RadiolaLivre, entre diversas organizações de estudantes, funcionários, professores e moradores dos bairros do entorno do Campus da Ufmg na Pampulha. Algumas organizações já se declararam interessadas e agora o trabalho será ampliar ao máximo os apoios, de maneira a garantir a independência do espaço comunicativo. Esses acontecimentos nos sugerem que há mudanças na lógica da organização da sociedade civil no Brasil (pelo menos na cultura política de parte da classe média). Cada vez menos espaço existe para organizações politico-partidárias usarem das instituições de representação dos estudantes como trampolim político. Se o pretendem fazê-lo, sem dúvida,precisam vestir-se com interesses mais coletivos e públicos, como o da radiofonia livre. Parelelo às manobras retóricas dos aparelhadores tradicionais, difunde-se uma cultura de organização não hierárquica, cujos dispositivos de funcionamento prático vão se aperfeiçoando rapidamente. No caso da UFMG, isso ocorre depois de quase três décadas de pasmaceira no (i)movimento estudantil, garantida pelos aparelhismos e pela espetacularização da política (que tinha sido muito basista nos anos 70). Em boa medida a comunidade universitária lança mão desses novos recursos e da redescoberta de sua criatividade política porque as pressões contra a universidade pública estão se tornando intoleráveis. Não são só as ameaças de uma reforma universitária que pode estar empacotando a universidade para a privatização e sacrificando a autonomia tecnocientífica pública no Brasil aos interesses da ALCA. Os frequentadores do Campus da Pampulha assistem hoje a uma política de funcionalização e destruição da dimensão alegre e festiva da vida univesitária. Justificadas por problemas de segurança na década passada, colocaram-se camaras de segurança, catracas e guardas pedindo identificação em por todo lado. Além disso, a Reitoria proibiu todas as festas públicas e venda de cerveja, e franqueou o acesso à PM, - o que antes era reservado à Polícia Federal e, ainda assim, apenas sob um convite formal. De modo que a Radiola Livre pode ser um recurso inestimável a defesa da universidade pública, gratuita e laica. O Coletivo RadiolaLivre propõe, assim, que a produção de comunicação pelas pessoas (da comunidade univesitária da Pampulha, no caso) possa se tornar uma prática tão cotidiana quanto trabalhar ou se divertir. A RadiolaLivre convida-nos a jogar com esse meio de invenção e descoberta do próprio poder pelas pessoas, entrando em uma brincadeira que escape ao banal trabalho/ consumo/ lazer. Interessado/a? O Coletivo RadiolaLivre reune-se todas as quintas-feiras no ComuniCA (CA do Curso de Comunicação Social), às 17h30, pontualmente. O ComuniCA está situado no terceiro andar do prédio da FAFICH, no Campus da UFMG e está permantemente aberto às pessoas que queiram conhecer o radiotranse, se sintam concernidas e assumam a ação. Informações:
Email:: radiolaufmg@grupos.co.br >>Adicione um comentário òtima a iniciativa da criação de uma rádio livre na UFMG. Esse debate existe há um bom tempo, e a burocracia dos dces sempre atrapalhou. Os estudantes de comunicação brigavam por manter o controle da rádio, pois se julgavam os "capacitados" para tal fim e o DCE, há muito tempo atrelado a UJS não poderia ficar de fora. Então o interesse da maioria era tolhido por vaidades pessoais e por interesses de grupelhos alheios aos estudantes e comunidade da UFMG. Agora o DCE estaria apoiando? Esse DCE, chamado audácia, é composto por vários integrantes do PSTU, do PSOL e alguns paus-mandados que se julgam independentes. Se você é independente, por que se atrelar à entidades falidas. Essa rádio livre só funcionará se essas entidades estudantis(todas iguais, mudando somente as siglas) não se intrometerem, e se esse dce-piada não atravancar o processo. Daqui a pouco aparecem candidatos a vereador, síndico de prédio, ator da malhação, levantando a bandeira de que foi criador da ráio livre da ufmg. Galinha que acompanha pato morre afogada...  | Conhece aquele micro-poema: Não milito Militar me limita ? Pois é. Acho as suas preocupações muito razoáveis, mas não adianta personalizar ou demonizar ninguém em específico: "independentes" não necessariamente são paus-mandados, membros de partidos não necessariamente tem intenção de aparelhamento. As piores vampirizações não são as deliberadas, mas as "automáticas" e "transparentes" como já mostrou bem Hannah Arendt (Eichmann em Jerusalem): o Belzebú é engraçado, mas Condolezza Rice é realmente assustadora, em sua banalidade. A questão de como evitar personalismos, martírios-heroísmos-despotismos, aparelhamentos, não passa pela boa ou má vontade, pela moralidade dos envolvidos. O pluralismo precisa de se armar com dispostivos concretos de promoção da pluralização do acesso aos espaços comunicativos e de rejeição de apropriações particulares ou particularistas do meio de comunicação. Não é fácil, porque aí não tem receita prévia (isso ficou bem claro na exposição dos mudeiros, que acham a Muda ótima, mas irrepetível). O fato é que em geral as pessoas querem se achar tão "livres" que acham que não atuam dentro da lógica preexistente da cultura política (por exemplo: chegar atrasado nas reuniões...), e se eximem de inventar outros dispositivos ou de investigar as inovações/descobertas que emergem por aí. Remoendo sempre o mesmo Marx, o mesmo Gramsci, o mesmo Lukács... sem nem mesmo tentar ler esses caras de um jeito diferente. E sempre querem enquadrar as inovações no puído marxismo-leninismo ou mesmo republicanismo banalizado, para aliviar sua angústia... (Vamos ficar angustiados então! Assumindo a perplexidade, quem sabe não se descobre algo diferente?) É preciso ser não-moderno para mover essa inércia das relações humanas (e humanas-não-humanas)em direção de algumas promessas da modernidade as quais ainda achamos que merecem respeito. A tal da "não apropriabilidade particular do espaço público" não funciona por boa vontade, mas, por exemplo, por um algoritmo computacional de publicação aberta (como o desse çaite) ou através de regras estritas de acesso público, pactuadas de maneira autônoma (como da Rádio de Tróia) Quem diz que precisamos da arbitragem do Estado, se podemos nos arbitrar uns aos outros? Quem prova que conseguimos agir sem criar normas de convergência coletiva da ação? (Que é isso, "acesso público"? Na mídia, foi uma bolação do canal de tv a cabo comunitário de Nueva Iorque - vide George Stoney. Nesse regime de uso do espaço mediático, qualquer um pode fazer um programa, desde que não o use de maneira fascista, mas nenhum particular (pessoa, grupo político) tem poder de controlar o todo. O todo só é controlado enquanto espaço - e não como instrumento -, para resolver questões de manutenção técnica, sobrevivência financeira e, quando dá, promoção de novos usos e usuários)  | Mesmo no horário de verão, já estava escuro. Termino o trabalho da semana automaticamente, sem nenhuma alegria, nenhuma perspectiva para o resto da noite. Exausta! Dois anjos me aparecem: Carol e Macaco, foram me resgatar e oferecer sua boa companhia. É sexta-feira...Comemos sanduíches e depois fomos ao Buteco do ICB. A banda tocava samba. Tinha muita gente. Encontramos pessoas conhecidas, aumentamos nosso grupo. A música animava todo mundo, mas eu sambava dura, que nem uma norte-americana. Quase todos ali deviam ser estudantes. Via-se pelos chinelos, roupas leves e cabelos despenteados. Queria me camuflar, mas seria difícil, talvez ridículo. A despeito do calor, estava de calça comprida e blusa fechada, sandálias de solado alto, nada de minhas queridas franciscanas. O pior, o pior de tudo: os cabelos alisados por chapinha! Praguejei meu próprio mau gosto. Pensei em me molhar no banheiro. Levantei a hipótese de levar um kit com saia curta, bata indiana e havaianas, toda sexta, para o trabalho. Assim como o Louraidan, quando estudante, carregava calça jeans e sapatos fechados, na mochila, para fazer entrevistas. As pessoas dançavam com refinamento, como se alguém, além deles mesmo, os observassem. Resolvo embriagar-me. Mas a fila da cerveja é enorme, imóvel e corruptível (não por mim, que não tenho nenhum amigo próximo ao caixa). Rendo-me à abstinência. "Não sei se estou sofrendo, ou é todo mundo que se diverte". Alguém veio avisar de que tinha uma rádio funcionando na festa. Tive notícia do fato, mas havia me esquecido. Hesitei um pouco. Fui até lá e observei a experiência. Fiquei satisfeita de ver que Gésio e companhia tinham conseguido aquilo. Mas a felicidade se misturava com um outro sentimento que doía, amargava a boca. É que esse assunto ainda revira na minha cabeça. Tenho a impressão de que estou sempre pensando nele, mesmo quando acho que o esqueci. Ah, a rádio no Campus! O meu sonho... Não sofro mais por causa de "algumas palavras duras, em voz mansa, que golpearam" a mim e a meus dois queridos amigos. Esse momento cicatrizou. Lembro é que a minha revolta tímida não resolveu coisa alguma, não deu em nada. Labutei nesse projeto um tanto que vocês nem sabem, e não consegui. Não conseguimos pôr a rádio no ar! Formei e desisti. Talvez fosse o caso de pedir perdão pelo meu exemplo de fracasso e de renuncia ao que me era importante. Carinhosamente, confesso essa derrota, a vocês. Também já participei de experiências de transmissão no Campus. Só que foi durante a greve, na Praça de Serviços. Não teve essa descontração de festa estudantil. Na minha época, nem pensei nessa possibilidade, a não ser para depois que tudo estivesse pronto, do jeitinho que, pensava, teria que ser. A seriedade e o formalismo sempre resultam inúteis. Quanto mais envelheço (ou "cresço", não sei que verbo usar) imagino que a vida tem um segredo engraçado. Nós todos poderíamos, com tranqüilidade, sermos bem mais ousados e irresponsáveis do que supomos. As penalidades, na maioria das vezes, não passam de ameaças ocas. Quantos cascudos deixei de dar nos filhos das clientes da minha mãe que aborreciam meus gatos? Protegia os bichanos, em silêncio, pois pensava que minha mãe se zangaria com qualquer briga que provocasse. Quem sabe se no fundo ela torcia para que eu desse um safanão naquelas crianças antipáticas? Briga entre meninos ficaria por nada mesmo... E na adolescência? Se tivesse viajado escondido, aceitado o lança-perfume, traído o namoradinho, andado de motocicleta: nada mais me aconteceria do que uma bronca. E tudo se perdoaria pelos meus 15 anos! Mas o medo de decepcionar paralisava, era a pior das punições possíveis. Hoje sei que tudo só resultaria em mais histórias para se contar. Na faculdade também me faltou essa consciência de que as regras, ou a reprovação de alguns, não impedem ninguém de nada. Deveria ter me concentrado em levar a rádio ao ar e pronto, sem conversa com ninguém que fosse contra, só me juntando aos interessados. Mas o meu "espírito conciliador" me conduzia. E os meus amigos também estavam perdidos. Fora isso, tinha a nossa gastura ao movimento estudantil, com sua mania de fazer lista de inscrição para todo bate-papo entre três ou mais pessoas, seu puxa-saquismo com relação a políticos e partidos, seu excesso de empoeirados modelos russos, seus comunistas em carros novos... Também tem gente bacana no movimento, eu sei. Fomos atrás destes e também dos marxistas enfadonhos. Estivemos várias vezes a ponto de sermos financiados na empreitada da rádio, mas perdemos a chance de saber se os representantes das entidades que lidávamos eram mesmo sinceros na intenção de colaborar ou nos embromavam na demagogia. Estratégias complicadas, purismo e ignorância técnica. Apego autoral e desgaste intenso e progressivo. Por fim: a culpa, a tão grande culpa. Muitos erros e uma forte intenção de acertar. Infelizmente, no caso, foi tudo o que construímos. Nesse fim-de-semana, quando vi os meninos (e as meninas!) brincando com a rádio experimental, reascendeu a minha esperança de ter uma emissora livre no Campus. Sim, o Elias é ótimo! Mas a iniciativa do Cedecom/Reitoria não suprirá, de jeito nenhum, a necessidade de uma rádio livre. (Se você não entende essa idéia, peça alguém, que está nessa "onda" agora, para lhe explicar). Naquela noite, fiquei nostálgica além do costume, tive saudades de mim mesma. Queria ter fôlego para participar deste novo levante para a rádio, mas não faz mais sentido. Fui a última de um grupo de três a sucumbir, e agora não tenho mais forças. Não para este sonho, que já deixei de herança. p.s. As citações são de Carlos Drummond de Andrade.  | sobre a rádio eu queria falar depois. primeiro eu queria comentar um comentário. sobre o campus da pampulha estar sofrendo com o aparato de sgurança montado pela reitoria. achei essa realmente a grande merda. eu, porto-alegrense, passei dias fundamentais nesse campus, durante um encontro de estudantes de história em 1998. a total liberdade que aquele lugar oferecia nos colocava -a mim e meus queridos camaradas que se aventuraram comigo naqueles dias- em outro tempo. estávamos com uma percepção das coisas MUITO estranha, e o culpado disso era aquele lugar, com certeza. uma das mágicas de minas era esse campus. eu começaria a quebrar as câmeras agora mesmo, de preferência com garrafas de cerveja. rodrigo  | Repete o erro não ô "quasi-desiludida". Cê ainda tá em tempo de ir participar, o aviso tá dado! Quinta 17h30. "Quanto mais envelheço (ou "cresço", não sei que verbo usar) imagino que a vida tem um segredo engraçado. Nós todos poderíamos, com tranqüilidade, sermos bem mais ousados e irresponsáveis do que supomos. As penalidades, na maioria das vezes, não passam de ameaças ocas." Não tem mais forças? Repete comigo: FODA-SE! e siga em frente, venha nos visitar. É o melhor que pode fazer para curar-se da sua nostalgia. Tamos esperando. Abraço, Daniel integrante esporádico do coletivo radiolalivre. No ENEB deste ano, ocorrido no Rio, conheci uma galera da Bio que estava a fim de montar uma radio por ai... Fico feliz pelo fato da parada estar se desenvolvendo... Boa sorte.
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