SHOPPING CURITIBA TRATA NEGROS COMO LIXO

No dia 12 de Outubro de 2004, no período da tarde, negros sofreram discrimina-ção e foram impedidos de entrar no Shopping Curitiba.

Por volta das 14 horas, Renato de Almeida Freitas Júnior, Cleverson Ramos Franco e Gênio foram ofen-didos por um dos seguran-ças, enquanto entravam pela porta principal do shopping. Ele comentou com seus co-legas: ?vocês vão deixar es-ses lixos entrarem?? Apesar disso, os rapazes fingiram não perceber e seguiram normalmente, subindo até o terceiro andar para olhar os cartazes do cinema.

Não bastando o ocor-rido, posteriormente um ou-tro segurança partiu para intimidação física. Ao se de-bruçarem sobre o corrimão do vão central, os amigos fo-ram logo repreendidos. A ?autoridade? se aproximou do grupo e segurou um de-les, dizendo: ?é melhor você ir desencostando?. Todos ? seguindo a ordem do segu-rança ? se desencostaram, mas ainda assim, a escolta do Shopping continuou a vi-giá-los e ameaçá-los.

Devido à perseguição sofrida, os garotos resolve-ram sair do local para evitar outros problemas.

Retornaram vinte mi-nutos depois, para entrar novamente no Shopping pelo mesmo local, quando foram barrados por uma fileira de seguranças, com a afirmação de que ?lixo não entra?. Fo-ram impedidos, até mesmo, de permanecer nas escada-rias do estabelecimento.

Então se dirigiram à Praça Oswaldo Cruz e, de lá, observaram. Pessoas que se enquadravam em uma mes-ma tipologia (ou seja, negros e vestindo roupas no estilo HIP-HOP) também estavam sendo impedidas de entrar no shopping. O que demons-tra que a ordem sobre quem é bem-vindo ou não no Shopping Curitiba vem de cima: dos chefes da empre-sa de segurança e do Shop-ping. Os seguranças apenas são designados a cumprir tudo o que seus superiores lhes ordenam.

Percebia-se claramente a distinção entre quem tinha acesso livre, os brancos, e aqueles que eram barrados, os negros. A equipe de se-gurança do Shopping sele-cionava ?este entra e este não entra?. Renato reuniu essas pessoas e disse que não deveriam se conformar com a discriminação; que não deveriam baixar a cabe-ça, porque ?hoje é no Shop-ping, mas amanhã será em outros lugares, ônibus, etc.?. Ele pediu a uma senhora que ali se encontrava com uma câmera de vídeo na mão, pa-ra que gravasse algumas cenas daquilo que estava acontecendo. Assim, dois dos amigos tentaram entrar pela terceira vez na edifica-ção, com o intuito de com-prar uma fita para a gravação. Apenas ?o bran-co? pode entrar. Uma vez entregue a fita à senhora, a gravação foi realizada.

A POLÍCIA

Prontamente, aparece-ram no local 3 viaturas da polícia militar, com cerca de 12 policiais. Dois deles já sa-íram das viaturas com a ar-ma em punho e disseram que tinham recebido uma queixa da segurança do Shopping de que uma gan-gue armada estaria tentando entrar no estabelecimento. Segundo um dos seguran-ças, eles possuíam pedras em suas mochilas. Armados com pedras?

O tom de voz dos poli-ciais era agressivo. Foi quando houve a intervenção do Professor da UFPR Pedro Bodê, que conseguiu acal-mar os policiais. Os quatro garotos coletaram uma lista com nomes de pessoas que foram barradas. Depois, to-dos foram embora pra casa. A polícia partiu sem dar im-portância e averiguar o ocor-rido, como caso de discriminação.

No dia 15 de Outubro, Renato prestou queixa no Ministério Público.

FAÇA A SUA PARTE

Não compre produtos em estabelecimentos que praticam discriminação. Boi-cote o Shopping Curitiba!

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA ? 20 DE NOVEMBRO

Nos dias 20 e 21 de Novembro acontecerão ati-vidades promovendo o Dia da Consciência Negra.

Dia 20 o evento será no Pátio da Reitoria da UFPR, localizado na Rua XV de Novembro, 1299, Centro. Contará com apresentações de Rap, Break, Graffiti, Reg-gae, Samba, DJs, Capoeira e muito mais. Início: às 14 ho-ras.

Dia 21 haverá panfle-tagem perto do Shopping Curitiba, informando os con-sumidores sobre a discrimi-nação sofrida por negros neste estabelecimento. A concentração está marcada para as 14 horas, na Praça Oswaldo Cruz. Compareça!