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| | Até quando? Por Daniel Dalmoro 05/12/2004 às 15:54 Não conversei com as duas pessoas à respeito, mas desconfio que se eu falasse de revolução ou crise teriam medo: tão mal andam, mas ainda tem medo de perder o pouco que tem. Converso com o motorista do ônibus. Trabalha de segunda à sexta das 12h30 às 23h30, mais sábado pela manhã, recebe só uma parte das horas-extras que trabalha, mas não reclama: 'tem muita gente que gostaria de estar no meu lugar; o salário é razoável, o trabalho é sossegado, não tem trânsito, não tem risco de assalto'. Final de semana, se a empresa freta ônibus para algum lugar e escala ele, tem que ir; não gosta, preferiria ficar com a família, mas não reclama. Há pouco tempo cortaram o vale-refeição, mas também não reclama: 'fazer o que? Tem gente que gostaria de estar no meu lugar'. No ônibus para Osasco escuto duas mulheres conversando. Uma, 19 anos, criança de colo, conta do marido, que tem três empregos: 'das 6h às 8h trabalha numa academia de musculação. Até as 14h como pedreiro, e das 15h às 23h como porteiro'. Imagino que não deva morar do lado dos empregos, se assim fosse, na melhor das hipóteses fica em casa oito horas por dia, em que deveria dormir, comer, tomar banho, fazer a barba, e outros cuidados consigo. Quanto tempo sobra para aproveitar a mulher e o filho? Desconfio que pouco, mas sempre que a mulher fala do marido e dos seus empregos, em nenhum momento surge qualquer indício de revolta ou indignação, como se trabalhar 16 horas por dia fosse algo natural em pleno século XXI. E o pior é que é. Não conversei com as duas pessoas à respeito, mas desconfio que se eu falasse de revolução ou crise teriam medo: tão mal andam, mas ainda tem medo de perder o pouco que tem. E o sonho de que um dia poderá ser melhor? Devem ter, ou então não pensam nisso. Até quando vão resistir sem reagir? Campinas, 02 de dezembro de 2004
Email:: subterraneosdopop@yahoo.com.br URL:: http://www.grupos.com.br/grupos/alteraevoces/ >>Adicione um comentário Até Quando? de Gabriel Pensador Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve Você e pode e você deve, pode crerNão adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu Num quer dizer que você tenha que sofrerAté quando você vai ficar usando rédea Rindo da própria tragédia? Até quando você vai ficar usando rédea Pobre, rico ou classe média? Até quando você vai levar cascudo mudo? Muda, muda essa postura Até quando você vai ficando mudo? Muda que o medo é um modo de fazer censuraAté quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente Você tenta ser contente, não vê que é revoltante Você tá sem emprego e sua filha tá gestante Você se faz de surdo, não vê que é absurdo Você que é inocente foi preso em flagrante É tudo flagrante É tudo flagranteAté quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?A polícia matou o estudante Falou que era bandido, chamou de traficante A justiça prendeu o pé-rapado Soltou o deputado e absolveu os PM's de VigárioAté quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?A polícia só existe pra manter você na lei Lei do silêncio, lei do mais fraco: Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro sacoA programação existe pra manter você na frente Na frente da TV, que é pra te entreter Que pra você não ver que programado é vocêAcordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar E querem q'eu seja educado, q'eu ande arrumado q'eu saiba falar Aquilo que o mundo me pede não é mundo que me dáConsigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra darEscola, esmola Favela, cadeia Sem terra, enterra Sem renda, se renda. Não, não!Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando você vai ser saco de pancada?Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente A gente muda o mundo na mudança da mente E quando a mente muda a gente anda pra frente E quando a gente manda ninguém manda na genteNa mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura Na mudança de postura a gente fica mais seguro Na mudança do presente a gente molda o futuroAté quando você vai levando porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai ficar de saco de pancada? Até quando você vai levando?  | "Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem".Mateus (13:12) Alusão ao texto bíblico feita por um estudioso espanhol, Moreno, É o efeito Mateus, muitos setores se beneficiam do que seria para as classes mais empobrecidas. Agora se tem até hierarquia para a pobreza, é o indigente, o miserável, o pobre. O trabalhador se encaixa em qual categoria? Vulnerável a pobreza? A questão do trabalho no Brasil se apresenta de uma forma muito perversa. Se vê o trabalho como históricamente necessário para a dignidade humana. De fato o trabalho é uma das relaçoes mais importantes da reprodução social. O que não se percebe ainda claramente é que não há trabalho para todos. Por isso é perigoso dizer que alguém que trabalhe 16 horas por dia não se indigne por achar que a situação está bem do jeito que está. Se vive num país extremamente desigual em termos de equidade social e distribuição de renda. As pessoas mal conseguem comer o que dirá ler este interessante texto ao qual me remeto. Se analisarmos essa situação sob a luz do marxismo, chegamos a conclusão de que este trabalhador é apenas mais um explorado por este sistema que o aliena em todos os aspectos da vida. Mas se olharmos da ótica dominante, aquele trabalhador das 16 horas que deve curtir a família muito raramente, deve estar exatamente onde está, por que se estivesse estudado ou aproveitado as chances (nosso país oferece todas as oportunidades do mundo, ótimas escolas, ótimo sistema de saúde...)estaria num outro patamar da estratificaçao social. É ultrajante. É a lógica da meritocracia, da esperteza, do darwinismo social. Marx diz que os homens devem ter condições para fazer história, mas o que se vê é uma pobreza grassante que é imposta, que é colocada como natural. Não se tem um Estado que garanta nem o mínimo para a sobrevivência de um indivíduo e que ainda pune. Para se ter uma idéia ,uma das condicionalidades do Bolsa-Família é o ganho de até 100 reais para a concessão do benefício. Eu não saberia o que dizer àquele cidadão exposto pelo o autor do artigo. Vá estudar? E como ele iria manter sua família enquanto ele se especializasse? Procure o Ministério de Desenvolvimento Social? Se ele ganha mais de cem reais já não seria atendido pelo Bolsa- Família. Procure um emprego melhor. Ele poderia me responder que não possui as qualificaçoes necessárias. A única solução que vislumbro muito parcamente é a construção de um outro tipo de sociedade baseada em outros príncipios, uma revolução em todos os aspectos da sociedade principalmente no que tange à pobreza política.  | "Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem".Mateus (13:12) Alusão ao texto bíblico feita por um estudioso espanhol, Moreno, É o efeito Mateus, muitos setores se beneficiam do que seria para as classes mais empobrecidas. Agora se tem até hierarquia para a pobreza, é o indigente, o miserável, o pobre. O trabalhador se encaixa em qual categoria? Vulnerável a pobreza? A questão do trabalho no Brasil se apresenta de uma forma muito perversa. Se vê o trabalho como históricamente necessário para a dignidade humana. De fato o trabalho é uma das relaçoes mais importantes da reprodução social. O que não se percebe ainda claramente é que não há trabalho para todos. Por isso é perigoso dizer que alguém que trabalhe 16 horas por dia não se indigne por achar que a situação está bem do jeito que está. Se vive num país extremamente desigual em termos de equidade social e distribuição de renda. As pessoas mal conseguem comer o que dirá ler este interessante texto ao qual me remeto. Se analisarmos essa situação sob a luz do marxismo, chegamos a conclusão de que este trabalhador é apenas mais um explorado por este sistema que o aliena em todos os aspectos da vida. Mas se olharmos da ótica dominante, aquele trabalhador das 16 horas que deve curtir a família muito raramente, deve estar exatamente onde está, por que se estivesse estudado ou aproveitado as chances (nosso país oferece todas as oportunidades do mundo, ótimas escolas, ótimo sistema de saúde...)estaria num outro patamar da estratificaçao social. É ultrajante. É a lógica da meritocracia, da esperteza, do darwinismo social. Marx diz que os homens devem ter condições para fazer história, mas o que se vê é uma pobreza grassante que é imposta, que é colocada como natural. Não se tem um Estado que garanta nem o mínimo para a sobrevivência de um indivíduo e que ainda pune. Para se ter uma idéia ,uma das condicionalidades do Bolsa-Família é o ganho de até 100 reais para a concessão do benefício. Eu não saberia o que dizer àquele cidadão exposto pelo o autor do artigo. Vá estudar? E como ele iria manter sua família enquanto ele se especializasse? Procure o Ministério de Desenvolvimento Social? Se ele ganha mais de cem reais já não seria atendido pelo Bolsa- Família. Procure um emprego melhor. Ele poderia me responder que não possui as qualificaçoes necessárias. A única solução que vislumbro muito parcamente é a construção de um outro tipo de sociedade baseada em outros príncipios, uma revolução em todos os aspectos da sociedade principalmente no que tange à pobreza política.  | "Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem".Mateus (13:12) Alusão ao texto bíblico feita por um estudioso espanhol, Moreno, É o efeito Mateus, muitos setores se beneficiam do que seria para as classes mais empobrecidas. Agora se tem até hierarquia para a pobreza, é o indigente, o miserável, o pobre. O trabalhador se encaixa em qual categoria? Vulnerável a pobreza? A questão do trabalho no Brasil se apresenta de uma forma muito perversa. Se vê o trabalho como históricamente necessário para a dignidade humana. De fato o trabalho é uma das relaçoes mais importantes da reprodução social. O que não se percebe ainda claramente é que não há trabalho para todos. Por isso é perigoso dizer que alguém que trabalhe 16 horas por dia não se indigne por achar que a situação está bem do jeito que está. Se vive num país extremamente desigual em termos de equidade social e distribuição de renda. As pessoas mal conseguem comer o que dirá ler este interessante texto ao qual me remeto. Se analisarmos essa situação sob a luz do marxismo, chegamos a conclusão de que este trabalhador é apenas mais um explorado por este sistema que o aliena em todos os aspectos da vida. Mas se olharmos da ótica dominante, aquele trabalhador das 16 horas que deve curtir a família muito raramente, deve estar exatamente onde está, por que se estivesse estudado ou aproveitado as chances (nosso país oferece todas as oportunidades do mundo, ótimas escolas, ótimo sistema de saúde...)estaria num outro patamar da estratificaçao social. É ultrajante. É a lógica da meritocracia, da esperteza, do darwinismo social. Marx diz que os homens devem ter condições para fazer história, mas o que se vê é uma pobreza grassante que é imposta, que é colocada como natural. Não se tem um Estado que garanta nem o mínimo para a sobrevivência de um indivíduo e que ainda pune. Para se ter uma idéia ,uma das condicionalidades do Bolsa-Família é o ganho de até 100 reais para a concessão do benefício. Eu não saberia o que dizer àquele cidadão exposto pelo o autor do artigo. Vá estudar? E como ele iria manter sua família enquanto ele se especializasse? Procure o Ministério de Desenvolvimento Social? Se ele ganha mais de cem reais já não seria atendido pelo Bolsa- Família. Procure um emprego melhor. Ele poderia me responder que não possui as qualificaçoes necessárias. A única solução que vislumbro muito parcamente é a construção de um outro tipo de sociedade baseada em outros príncipios, uma revolução em todos os aspectos da sociedade principalmente no que tange à pobreza política.
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