Há poucas semanas, diversos cartazes em que se via um enorme sigma, símbolo adotado pelos integralistas, tomaram a cidade, anunciando o 1° Congresso do Movimento Integralista para o Século XXI, que ocorreu nos dias 04 e 05 de dezembro em São Paulo.
O Congresso se deu na sede da UND ? União Nacionalista Democrática, localizada na Rua Cajuru, 860, no bairro do Belém, zona leste, cedido pelo advogado Antônio Ribas Paiva. O Encontro, de nível nacional, contou com o inexpressivo número de cerca de 25 pessoas, em grande parte trajadas com camisas verdes e sigmas, que se saudavam com o ?Anauê?, uma saudação semelhante ao ?Heil Hitler? nazista. Estavam presentes o deputado federal Elimar Máximo Damasceno, do Prona, e também alguns Skinheads que puderam ser observados.
O local do encontro amanheceu com os dizeres ?Fora Fascistas! Cuidado!? pichados na porta de entrada, os quais Antônio Ribas tentou insistentemente encobrir com tinta branca. Outra surpresa foi a presença de divers@s manifestantes anti-fascistas em frente ao local, em ato de repúdio à tentativa de reorganização integralista, que vieram armad@s de panfletos, uma faixa com os dizeres Fascismo Nunca Mais, e apitos, que tornaram difícil a comunicação dentro do local, apesar da aparelhagem de som.
Além dos panfletos, distribuídos às pessoas que passavam a pé e de carro, @s manifestantes também dialogaram e receberam apoio da população local, alertando sobre a reagrupação do grupo de extrema direita, com ideais xenófobos, intolerantes e discriminatórios. Morador@s da região deixaram claro seu repúdio ao Encontro e disseram ter problemas com os integralistas que ali se reúnem, sendo tratad@s de forma diferenciada e constrangedora.
As atividades, que deveriam se iniciar às 8 horas da manhã, só começaram às 11 horas, sob portas fechadas. Algumas viaturas da Polícia Militar passaram pelo local no decorrer do evento, após incessantes ligações d@s integralistas, incomodad@s com @s manifestantes que questionavam a ideologia integralista, inspirada no Fascismo italiano, relembravam o episódio ocorrido em 1934 na Praça da Sé, que ficou conhecido como a ?Revoada dos Galinhas Verdes? (leia mais no texto em anexo), e cantavam e gritavam palavras anti-fascistas e canções anarquistas.
Os policiais nada puderam fazer, tendo em vista o caráter pacífico da manifestação, mas pediram aos manifestantes que se retirassem, pois ?os integralistas iam ficar chamando a todo o momento? e os policiais queriam continuar seu trabalho, considerando ?perda de tempo? deixar duas viaturas paradas no local.
O ato durou cerca de duas horas, tempo estipulado pel@s manifestantes para o mesmo.
No dia seguinte, domingo, estava sendo planejado mais um dia de combate. O Congresso Integralista prosseguiria para a Praça da Sé, onde os organizadores pretendiam tirar uma fotografia em demonstração de força. Manifestantes Anti-Fascistas estiveram a postos no local no horário marcado, 11:30, porém, até as 13 horas os integralistas ainda se encontravam na sede da UND, com a programação inteiramente atrasada, como havia ocorrido no dia anterior.
Percebendo a falta de organização dos mesmos e com a certeza de que o combate anti-fascista não acabaria por aí, @s manifestantes se retiraram do local.
Avante Anti-Fascistas! Não permitamos que o fascismo tome conta das ruas e de nossos destinos!
Por Imprensa Marginal ?
imprensa_marginal@yahoo.com.br Anexo 1 ? Panfleto distribuído durante o ato
ALERTA!
INTEGRALISMO, UMA AMEAÇA À NOSSA LIBERDADE
Temos recebido, nos últimos tempos, uma série de notícias e denúncias de atos de intolerância e preconceito vindos de indivíduos que se autodenominam CARECAS, SKINHEADS, WHITE POWERS, etc., e defendem posições discriminatórias de extrema-direita que se aproximam muito de ideologias fascistas, nazistas e integralistas.
Por detrás de toda a violência cada vez mais explícita por parte destes grupos intolerantes, estão outras organizações, que dão apoio financeiro e teórico para que os mesmos continuem atuantes. Grupos estes que envolvem autoridades governamentais, judiciais, militares, religiosas, entre outras pessoas de influência. Negam seu envolvimento com o nazismo, porém as ligações são muito claras. No Brasil, se assumem como INTEGRALISTAS.
Mas afinal, o que é isso?
O Integralismo é um conjunto de idéias que se desenvolveu no Brasil a partir da década de 30, inspirado por regimes adotados em outros países, como o fascismo italiano e o nazismo alemão, que deixaram milhares de mortes e exterminaram populações inteiras, motivados por uma suposta superioridade destes povos sobre todos os outros. Seguindo estes modelos, criaram símbolos e saudações que os identificassem, se reunindo sob a liderança de Plínio Salgado na AIB ? Aliança Integralista Brasileira.
Defendem um nacionalismo exagerado, que busca transformar o Brasil na mais poderosa potência mundial em todas as áreas, massacrando todos os outros povos com sua xenofobia ? ódio a tudo o que é estrangeiro. Sua discriminação a todas as diferenças passa também pela questão religiosa: são cristãos e acreditam na existência de um único Deus, excluindo e oprimindo todas as outras crenças populares e religiões milenares. Prova disto é a discriminação gritante contra judeus e outras minorias. Não toleram diferenças culturais, ideológicas, políticas e sexuais.
Por detrás de seus belos discursos de ?amor à pátria? e defesa da democracia se encontra um mesquinho sentimento de superioridade sobre os demais países através da demarcação de fronteiras que respondem a interesses políticos, econômicos e militares da burguesia e que nada tem a ver com nossas características culturais e étnicas.
É nosso papel, enquanto indivíduos que acreditam na liberdade e na diversidade de culturas, pensamentos e povos e no respeito às diferenças, DENUNCIAR e manifestar nosso REPÚDIO à tentativa de reorganização da AIB e do INTEGRALISMO, através do Congresso Integralista Nacional, nos dias 04 e 05 de dezembro, na cidade de São Paulo.
Não podemos permitir que isso continue!
PELO RESPEITO ENTRE TODOS OS POVOS E ÀS DIFERENÇAS,
COMBATAMOS A INTOLERÂNCIA!
JUVENTUDE ANTI-FASCISTA
Anexo 2 ? A Batalha Anti-Fascista na Praça da Sé
No dia 7 de outubro de 1934 em São Paulo, na Praça da Sé, anarquistas, entidades sindicais e as classes trabalhadoras, os que eram os antifascistas de $P colocaram para correr embaixo de balas um comício realizado pela AIB Ação Integralista Br$ileira, uma instituição totalmente nazi-fascista. O Integralismo tentou criar uma doutrina que pretendia ?abrasileirar? o Fascismo Italiano e o Nazismo Alemão e empregá-lo como sistema sócio político por aqui, nessa época desde o início dos anos 30, o fascismo estava num de seus pontos de maior alta pelo mundo, na Espanha, na Itália, na Alemanha, na Polônia, na Hungria e em outros locais, em maior grau nos países atingidos após a 1º guerra mundial, assim como no Brasil, era até certo ponto fácil encontrar publicações desse caráter de modo geral, sedes, realizações de comícios, tentativas de demonstração de força como desfiles, aliás, desfiles estes que eram marcados pelos uniformes verde-oliva e por estandartes do SIGMA (símbolo Integralista), também não podemos nunca nos esquecermos que esse período também marca o auge da LUTA ANTIFASCISTA no mundo encabeçado pelos movimentos operários/populares, aos quais @s Anarquistas sempre estiveram ligad@s.
Os integralistas, assim como os nazistas, criaram milícias armadas, uniformizadas e treinadas para a destruição/aniquilação dos seus inimigos, e esses inimigos evidentemente eram encabeçados pelos Anarquistas, por toda a sua história de luta contra todas as formas de poder totalitário/centralizado, além de todas as ?alas de esquerda?, os integralistas eram totalmente Anti-Socialistas, Anti-Comunistas, e contra toda e qualquer livre associação operária/popular. Nessa época (anos 30) o Bra$il sofria nas mãos do regime ditatorial de Getúlio Vargas, que como seu antecessor na presidência Arthur Bernades (1922-1926),
cassou incessantemente o movimento libertário/operário livre, criando inclusive campos de concentração como o do oiapoqui (Crevelândia) e para lá foram enviados grande número de anarquistas, que ali infelizmente morreram...
Voltando ao dia 7 de outubro de 1934... Para aquela data havia sido convocado um comício para demonstração de força Integralista, nessa época era imenso o combate contra o fascismo/integralismo por aqui, eram realizados comícios antifascistas aos quais o CCS de São Paulo sempre se fez presente ao lado de inúmeros e valorosos companheir@s anarquistas que estavam dispost@s a lutar contra os camisas-verdes com a própria vida se preciso fosse... Pois bem, os antifascistas sabendo do comício Integralista, marcaram um contra comício ou contra manifestação para o mesmo dia e local... e esse dia ficou conhecido como ?a batalha da Praça da Sé?. Os grupos antifascistas se distribuíram nas intermediações da Praça da Sé, os principais pontos eram o Largo João Meneses, o pátio do convento do Carmo, no início da Avenida Rangel Pestana, o largo de são Bento e a Praça Ramos de Azevedo; os camisa-verdes deviam ser mais de três ou quatro mil, e era grande o contingente de integralistas que desembarcavam de trem vindos de cidades do interior como: Bauru, Jaú, Sorocaba, Campinas, Santos e outras. A Praça da Sé contava com 400 homens dos bombeiros e da cavalaria da polícia, havia também a guarda civil armada, logo as ruas que davam acesso à Praça da Sé estavam policiadas, quando os integralistas acharam que as provisões policiais eram suficientes, iniciam sua manifestação enviando moças e crianças (de propósito) uniformizadas com bandeiras com o sigma e se destinam para as escadas da catedral, onde já se encontram alguns integralistas. Nesse momento @s antifascistas já estão a postos na praça, assim que as moças chegam, são recebidas com gritos de ?morras?, ?fora os galinhas-verdes? e outras qualificações... Alguns integralistas buscam reagir, e começa um princípio de tumulto com alguns tapas e safanões, logo acontecem alguns tiros sem que saiba de onde vem. Cerca de dez minutos depois o grosso das suas formações entram na praça ao seu hino oficial e
dando ?anauês?(saudação integralista tal qual Heil Hitler). A praça ecoava gritos contra os integralistas e seus hinos... Na seqüência dos fatos, uma rajada de tiros é disparada acertando em cheio a três guardas civis, há versões de que esse disparo fora intencional ou acidental, para @s antifascistas e para a população presente que não sabiam da acidentalidade ou não dos disparos, seus autores eram os integralistas, o ódio
popular foi despertado e, daí a pouco, mostrou como é perigoso dispertá-lo...
Após 10 ou 15 minutos dessa confusão, os integralistas refeitos do pânico dos disparos começam a lotar as escadarias da catedral, esse foi o inicio da contra-manifestação, algumas breves palavras foram pronunciadas: ?Companheir@s antifascistas, viemos a praça para não permitir que o fascismo tome conte da rua e dos nossos destinos...?, logo após esse pronunciamento começou um intenso tiroteio, por todos os lados os
fascistas e @s antifascistas trocando tiros... nesse momento muitos integralistas fugidos se retiram da praça, um último grupo de galinhas verdes continua a lutar contra os antifascistas, mas logo saem em revoada... a maioria dos ?gloriosos? integralistas fogem à toda a velocidade da praça para todas as direções, nos dias seguintes são recolhidas as camisas verdes abandonadas pelos seus covardes donos que as abandonaram na fuga que passou a ser conhecida como : ?A revoada dos galinhas-verdes? , é sempre bom lembrarmos que Plínio Salgado, ?chefe maior? da AIB não arredou pé da proteção de sua sede...
Na troca de tiros dezenas tombaram feridos de ambos os lados com alguns desses feridos sendo fatalmente atingidos... A Contra Manifestação de 7 de outubro de 1934, deu um duríssimo golpe nos fascistas fazendo com que eles abaixassem a bola, até quase que total desaparecimento!!!
Esse texto tem como objetivo demonstrar que a nossa história social vai muito além do que o ?nossa? historiografia oficial, ou poderia dizer a estoriografia oficial nos ensina... e 69 anos após essa brava demonstração de força do operariado, nos estamos aqui, Anarquistas e antifascistas dando o nosso grito de que a luta não acabou, e só acabará quando vencermos, e venceremos!!! Assim como ontem, hoje e sempre, combatemos e combateremos o fascismo com todas as nossas forças e com todos os nossos corações!!!
Compilação de informações realizado por MAP Movimento Anarco Punk CX POSTAL 3297 CEP.: 01060-970 $P./$P
Fontes: Cadernos CEIMAP: 7 de outubro de 1934 ? 50 anos, por Fúlvio Abramo
Documentos: Edgar Rodrigues e o movimento anarquista no Brasil; FASCISMO E ANTI-FASCISMO NO BRASIL (Edgar Rodrigues); HISTÓRIA DO MOVIMENTO ANARQUISTA NO BRASIL (Edgar Rodrigues); Jaime Cubero e o Movimento Anarquista no Brasil; Indicação para leitura o livro "A Batalha da Praça da Sé" (de Eduardo Maffei)







Manifesto de Outubro - 