Um organismo é considerado transgênico quando misturam a ele genes de outras espécies. Essa técnica foi apelidada de "recortar e colar" e desenvolve novas características aos organismos. Hoje é praticada com mais intensidade na agricultura com o fim de criar alimentos fortes que resistam aos herbicidas, pragas e ao clima e também para deixá-los mais nutritivos.

Existem duas formas de criar alimentos transgênicos:

Na primeira, recolhe-se um fragmento do DNA de um organismo e mistura com o fragmento de alguma outra espécie. Depois, esse novo fragmento é inserido na planta, atuando como o "transportador" das características dos DNAs.

A outra técnica parece ser mais simples. Ao invés de juntar DNAs de dois organismos, coloca-se o gene diretamente na planta. Esse gene vai se adaptar ao DNA gerando uma planta com novas características.

Mas um fato é omitido. Durante esse processo de mutação, ocorre uma reação química de conseqüências desconhecidas. Isso significa que não há certeza sobre os resultados da transformação de alimento convencional para transgênico.

Uma indústria japonesa, Showa Denko, utilizou um organismo geneticamente modificado em um suplemento alimentar e acabou criando uma toxina letal que matou 35 pessoas e deixou outras 1.500 permanentemente lesadas.


MEIO AMBIENTE AMEAÇADO

Mesmo ainda não tendo um resultado objetivo dos Estudos de Impacto Ambiental, podemos nos basear em alguns casos práticos do cultivo dos transgênicos em países onde ele é legalizado.

Os herbicidas usados em grandes quantidades contaminam os lençois freáticos e os solos. Nos lugares onde foram cultivados, segundo Rubens Nodari, da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), se observa resistência de plantas daninhas tradicionais à lavoura de soja.

A diversidade de sementes também está em risco. A campanha pela liberação dos transgênicos, financiada pelas empresas transnacionais que os produzem, dizia que as plantações seriam mais econômicas, pois as sementes seriam mais resistentes a certos herbicidas. Mas na prática elas desenvolvem imunidade, exigindo doses mais fortes, prejudicando mais o meio ambiente e levando a uma uniformização das sementes, que terão cada vez mais as mesmas características.

O mesmo herbicida da Monsanto, Roundup, utilizado no cultivo da soja Roundup Ready foi usado como uma arma do governo dos Estados Unidos na guerra do Vietnã. O herbicida era jogado na vegetação, impedindo que os vietnamitas se escondessem nela.

E mais: o órgão estadunidense que faz os testes nos organismos geneticamente modificados só tem acesso a dados que as próprias transnacionais cedem. Como confiar nisso?


A FOME MUNDIAL COMO UMA DESCULPA

Outro mito que utilizado para legimitar o mercado dos transgênicos é que o aumento de produção dos alimentos resolveria a fome. Não precisa ser nenhum economista pra saber que o problema da fome e da miséria não é a escassez de alimentos, mas a má distribuição de riqueza produzida. Ainda mais em um novo modelo onde você terá de pagar royalties e taxas paras poucas transnacionais que monopolizam o mercado.

De acordo com a Organização para Agricultura e Alimentação, órgão ligado a ONU, existem 826 milhões de pessoas que chegaram ao nível mais elevado de fome (a fome crônica), enquanto 32% da produção de alimentos cresceu nos últimos anos.


ROTULAGEM

No dia 24 de abril de 2004, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou o Decreto número 4.680. Este Decreto diz que todo alimento com mais de 1% de transgenia deverá ser rotulado para que consumidores possam decidir se querem ou não comprá-lo.

Essa ação foi tomada após a liberação da safra transgênica do Rio Grande do Sul em 2003, forçada pela Monsanto. Para não falir produtores/as gaúchos/as, o Governo Federal criou a Medida Provisória 113 liberando a safra. O Decreto veio, então, para informar os/as consumidores/as.

Mas até agora poucos alimentos foram vistos com a rotulagem nos supermercados. O Ministério da Agricultura, que deve fiscalizar o processo no campo, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que deve fiscalizar os produtos nos supermercados, não estão fazendo grandes esforços. A desculpa dada em 2004 é de que o Ministério da Justiça não regulamentou o Decreto. Mas a advogada do Instituto de Defesa do Consumidor, Andréa Salazar, rebate afirmando que o Decreto é autoaplicável. O Ministério da Justiça deveria apenas regulamentar o símbolo que iria para o rótulo. Nenhum dos três órgãos se manifestou para prestar esclarecimentos, até agora.

O Decreto diz que todo e qualquer alimento que contenha mais de 1% de organismos geneticamente modificados devem trazer essa informação em um rótulo destacado. Vale para produtos embalados, vendidos a granel e in natura. Também para alimentos provenientes de animais alimentados com ração transgênica. No rótulo deve vir, também, a espécie doadora do gene.