Na tarde de hoje, chegou ao acampamento da juventude no FSM a informação de que a polícia estaria desocupando um prédio na cidade. Foi rápida a mobilizaçao das pessoas do acampamento até a Rua João Teles, bairro Bonfim, onde fica o "squat". Mesmo assim a maior parte chegou quando as pessoas já haviam sido detidas. Não se tem um número exato, mas se fala entre trinta e quarenta pessoas, entre elas alguns/mas estrangeiros/as. Sete menores também estavam no local e não foram levados ao departamento de polícia. Apesar de serem menores, a polícia civil permitiu que a imprensa os fotografasse.
Confirmando o relato acima, a vizinhança informou que a relação com os moradores e moradoras da ocupação é a melhor possível. O prédio (que, segundo informações, pertence a União) estava abandonado e foi ocupado há 7 meses, servindo de moradia e espaço cultural gratuito.
O único problema apontado pela vizinhança e confirmado pelos moradores e moradoras da ocupação, são ataques de skinheads a casa. No caso, a denúncia contra a ocupação é a de que haveria explosivos no local. A Polícia Civil encontrou pequenas quantidades de pólvora, provenientes de fogos de artifício como os que são vendidos aos milhares nas festas de fim de ano e algumas garrafas que, segundo a polícia, poderiam estar sendo usadas para fabricação de bombas caseiras. O material foi apreendido, junto com videos e livros (como "A Arte da Guerra" de SunTzu e "Os Anarquistas - A História Volume I" de George Woodcock) de uma biblioteca comunitária alimentada com doações da comunidade.
Até o momento, não foi provado nenhum ataque de explosivos a qualquer agência bancária, como teria sido informado por radios locais. Conversamos com os moradores/as da ocupação e a justificativa para o material apreendido era a utilização em peças de teatro. As pessoas detidas foram levadas para o Palácio da Policia. A palavra do delegado Paulo César Jardim foi que ficariam detidos apenas os que
eventualmente fossem foragidos. Ao fim, todas as pessoas foram liberadas.
