Circulação econômica

Estagio numa ONG que trabalha com grupos urbanos e rurais e estamos tentando implementar uma relação comercial direta entre campo e cidade, eliminando o atravessador e valorizando a luta política cooperativa, além de escoar a produção da reforma agrária.

Para tentar entender/explicar melhor a circulação econômica para @s trabalhadoras/es do campo e da cidade, fiz este esboço que tem o meu senso comum sobre o assunto.

Gostaria de receber comentários e críticas de companheir@s que tenham compromisso com a luta @s trabalhadoras/es e tenham conhecimento em economia solidária ou saiba alguma coisa sobre os esboços que escrevi.

Como é um esboço, ainda não é a versão final para uma possível oficina conjunta que deveremos realizar em abril. Esse emaranhado de setas serão melhor utilizados. Espero críticas e sugestões quanto a metodologias a se trabalhar com a questão econômica.

Abraços,

Iuri

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Figura 1 - Explicações

- O dinheiro entra na família, e consequentemente na comunidade, através de salários, bicos, autônomo, venda da produção

- O dinheiro saí da família, e da comunidade, através dos gastos nas em empresas fora da comunidade. Só algum dinheiro fica na comunidade, mas em comércios e lojas que tem um dono, acumulando o dinheiro.

- Estas empresas ganham dinheiro pois pagam a seus trabalhadores um salário apenas para mantê-los vivos. E esses trabalhadores num dia de trabalho, por ex., criam um lucro para o patrão no valor de seu salário. Os outros dias todos o lucro vai para o bolso do patrão. E o valor do salário é bem pouco. Então o trabalhador ganha bem pouco por seu trabalho e os enormes lucros vão para o patrão, que está fora da comunidade;

- Estas empresas empregam as pessoas da comunidade, que recebem o salário e fazem essa mesma economia funcionar em novo ciclo.

- No Calabar (bairro popular de Salvador), por ex., circulam R$ 500.000 por semestre. A esmagadora parte deste dinheiro sai da comunidade para as empresas

Figura 2 Explicações:

- O dinheiro continua entrando na família, e na comunidade, através de salários, bicos, autônomo, venda da produção...

- O dinheiro só sai da família para gastos que não tem jeito, de preferência com empresas públicas.

- A comunidade organiza sua própria comercialização, e até alguma estrutura de produção. O dinheiro antes era gasto com empresas, que exploram o trabalho e enriquecem o patrão.

- Agora este dinheiro fica na comunidade. E a organização dessa comercialização e produção tem que ser COOPERATIVA. Assim, ninguém ganha mais que ninguém, não há acumulação em uma pessoa e o dinheiro tem que circular, gerando renda para todos.

- E cada pessoa que trabalha na cooperativa faz a RETIRADA, que significa a distribuição dos lucros da cooperativa entre todas as pessoas que trabalham nela. Não há chefe e todas as decisões são coletivas.

- Além disso, o produto pode ser vendido para pessoas de fora da comunidade, fazendo entrar mais dinheiro para o coletivo.

- Trabalhando assim, se fortalece o sentimento de comunidade e autonomia. E nasce a consciência de que todos estão no mesmo barco e que temos que nos organizar com todas as comunidades de trabalhadores (pois os trabalhadores constróem tudo neste mundo, mas a riqueza fica com os patrões)

- Mas nem tudo é um mar de rosas. Existem diversos fatoeres que não foram colocados ai. Cada uma das cooperativas vai precisar do capital inicial para criar a estrutura da cooperativa e compra da matérias-prima para a comercialização (o ideal é buscar estes produtos em outras cooperativas). Este dinheiro pode vir da economia da própria comunidade ou ser buscado junto a financiadores internacionais (doações) ou com Estado (doação ou empréstimo). Mas, além de ser uma forma de gerar renda, a cooperação é uma forma de vivência social e tem que ser exercitada. O ideal é que a comunidade faça sua economia para conseguir seus próprios recursos. E mesmo que vá pedir ajuda externa ou do Estado, que a comunidade entre também com uma parte (mesmo que pequena) do investimento.

- Há a questão do mercado, do Estado com seus impostos, da dificuldade de relacionamento, pois todos nos vivemos numa sociedade atual que prega o individualismo, onde todos querem sair como espertos e ganhar mais que os outros.

- Mas este é um possível caminho para a transformação da sociedade. E tem que ser estruturados com base em princípios que superem a sociedade atual. Ao invés do INDIVIDUALISMO, o COLETIVO. Ao invés de COMPETIR, COOPERAR. Ao invés de DESTRUIR o mundo, numa sede insaciável pelo lucro e pelo dinheiro que passa por cima das pessoas, PRESERVAR a ecologia e as pessoas. Ao invés de PRECONCEITOS, RESPEITO... Sem isto estaremos simplesmente reproduzindo, e consequentemente fortalecendo, o nosso inimigo, que será muito pior para nós.