PRAÇA RODRIGUES DE ABREU

Praça Rodrigues de Abreu:
Vi um mendigo de certa idade
Quando a noite cai, eu sei,
Ele cria e liberdade,
Ali não é a liberdade,
É o Paraíso, pergunte a ele isso,
Se paraíso é a sua vida,
E se ele conhece a realidade.
A realidade da vida,
Se ele tem direção nessa cidade,
Se foi por vício ou vaidade,
Que caminha por solidão.
Praça Rodrigues de Abreu,
Um homem sujo, maltrapilho,
Imundo, intimida, mas é tímido
E eu não tenho intimidade,
Se es tivesse, perguntava.
Perguntava pra ele: Se Brigadeiro era doce
Se a Ana Rosa teria sido a sua esposa,
Se ele tinha uma Bela Vista,
E se suas roupas lhe davam uma boa Aclimção.
Praça Rodrigues de Abreu,
Se ele não soubesse o que me responder,
Eu lhe diria que os nomes citados
Eram bairros de São Paulo.
Bairros que tem ruas, tem Metrô,
Tem avenidas, bairros que tem praças,
Bairros que tem nome
E que nessas praças tem mais homens,
Que eu também não sei o nome,
Mais sei, tem coração!
Praça Rodrigues de Abreu,
Vi ali também uma árvore,
Testemunha destes fatos,
Que ajudou mais do que eu.
Companheira da paisagem
Contribuinte como sombra ,
Banheiro e alennto
À uma vida de sofrimento,
Que a cada jornada, vê poeira,
Carros e mais carros,
Tornando sua vista cansada.
Não me viu, também pudera,
Só parei por um minuto,
Mas tive vontade de ficar.
Era eu um passageiro,
Para ele um estrangeiro,
Que não passa devagar.
Praça Rodrigues de Abreu,,
Ele ficou ,eu parti,
Ele ficou gravado no papel, na mente,
E partiu meu coração ,
Saber que muita gente ,
Simplesmente,
Leva a vida como um cão.
Praça Rodrigues de Abreu,
Ah, Ele era um louco!
Mas eu queria tê-lo ajudado,
Queria ter sido mais louco,
Se é assim chamado,
Quem aqui ajuda os outros.
Ah, São Paulo, meu amor!
Mais uma vez me decepcionou
Quis até fazer loucura de amor,
Pra te fazer crescer em compaixão.
Praça Rodrigues de Abreu,
O que não fiz, redigi,
De lembrar: chorei, de rever: sofri,
Escrever, doeu, doeu, doeu...