O aparelho de Estado brasileiro estava inchado de funcionários da repressão. Agentes dos diversos aparelhos de repressão (DEOPS, DOPS, SNI, DOI-CODI, CENIMAR, CISA, etc.) davam-nos a terrível sensação de éramos constantemente vigiados. Os famosos Censores de Diversões Públicas da Polícia Federal escolhiam o que podia ser visto, lido ou ouvido pela população e o que deveria ser censurado.

O Departamento de Censura da PF chegava a cometer coisas simplesmente absurdas, hilariantes quase. Ficou famoso o caso de um grupo de teatro que ao submeter à Censura o texto da peça Édipo Rei, não apenas teve o texto censurado, como também foi expedido um mandado de prisão para o autor da peça. O que os cultíssimos agentes da Polícia Federal não sabiam era que Sófocles, o autor da peça, havia falecido em Atenas do ano de 406 a.C.!

Em 1985 acabou-se a ditadura e, em 1988 aboliu-se a censura prévia no país. Entretanto nem por isto, o Brasil deixou de ser um país de tradição autoritária. A partir do final dos anos 80, começa a institucionalizar-se neste país uma forma muito mais insidiosa de censura. Não era mais aquela censura que havia até então, às claras, onde algum agente policial proibia algo, carimbava e assinava. Ocorre hoje um tipo de censura muito mais sutil, quase invisível, porém quase onipresente.

As emissoras de rádio e TV, as editoras e jornais, selecionam tudo aquilo que deve ser visto, ouvido ou lido. Obviamente são empresas pertencentes a uma classe social (a burguesia), e a seleção do que deve ser divulgado obedece obviamente à claros interesses de classe. Mas isto não é o pior. A atual onda do assim chamado politicamente correto, introduziu a mais sórdida rede de censura que este país conheceu.

Mas quem é que pode definir o que é politicamente correto ou incorreto? ... o assim chamado senso comum? ... o Estado? ... a Folha de São Paulo? ... a Igreja? ... o New York Times?

Esta onda surgiu nos EUA, mais precisamente no seio da elite liberal estadunidense e, amplamente divulgada por seus meios de comunicação em massa, particularmente o New York Times. Aqui em terras tupiniquins, a subdesenvolvida elite brasileira de forma simiesca rapidamente copiou a idéia. Ao longo dos anos 90 este conceito expandiu-se de forma assustadora, como que transformando cada cidadão em um Agente da Censura.

Hoje todos se policiam nas palavras, nas ações e até mesmo nos gestos. Todos, absolutamente todos, temem ser acusados de serem politicamente incorretos. Os covardes agentes voluntários da Censura pululam em todos os lugares. Eles estão nas ruas, nos bares, nas escolas e universidades ... eles patrulham o que se escreve, o que se fala, o que se faz. São covardes porque não estão abertos ao debate, ao diálogo e a divergência de idéias. As ameaças de denúncias ou de difamação são as suas principais armas de se utilizam em seu patrulhamento ideológico.

Os antigos agentes repressivos do tempo da ditadura eram ao menos, de alguma forma, mais honestos que os atuais. Colocavam-se claramente do outro lado da barricada e, ao menos, recebiam um salário para fazer o que faziam. Os atuais agentes voluntários da repressão, fazem isto gratuitamente, são os dedos-duro que trabalham por amor a deduragem. Nunca, como hoje em dia, a liberdade de expressão esteve tão ameaçada.

Pergunto novamente: Quem é que define o que é politicamente correto ou incorreto? ... como até hoje todas as pessoas a quem perguntei foram incapazes de responder, eu venho por meio desta decretar:

“Politicamente Correto é tudo aquilo com o qual eu, o grande Camarada Sádico , concorde; e Politicamente Incorreto é tudo aquilo de que eu, o mais sábio entre os sábios, discorde!”

Assim, venho por meio destas mal traçadas linhas, comunicar à toda a humanidade que, a partir desta data, fica finalmente definido o dilema em questão.

Cumpra-se;

Camarada Sádico.