Baixe aqui : Quinta -feira 02 de junho
Dois de Junho de dois mil e cinco, mais de seis mil pessoas protestam contra ao aumento da tarifa no centro de Florianópolis.
Por volta das 16:45 desta quinta-feira cheguei na frente do TICEN, local para aonde estava marcado o ?grande ato ? contra o aumento de 8,8% das tarifas no transporte publico.Havia recebido a informação de que os estudantes da UFSC ( Universidade Federal de Santa Catarina ) haviam feito um ?catracasso? no principal ponto de ônibus do campus universitário, três ônibus lotados de estudantes saíram do campus em direção ao TICEN. As 5:15 da tarde a manifestação foi ?engrossada? pelos servidores federais que chegaram de uma passeata pelo centro da cidade, trazendo consigo a famosa ?banda parei? que animas todas as manifestações das greves da universidade federal.
O clima era de animação, um sentimento comum quando agente se encontra numa manifestação com um numero tão grande de pessoas, bate um sentimento que acho que tem a ver com esperança.
Houveram varias intervenções criativas de indignação contra o aumento da tarifa, um grupo de estudantes faziam manobras com skates, um grupo de maracatu tocava numas das bordas da multidão e o grupo teatral ?Artesões de Dionísio? fez uma apresentação fantástica de uma adaptação livre do poema ? operário em construção? de Vinicius de Morais.As únicas coisas incomodas eram: a presença massiva de P2, policiais infiltrados que eram identificados pelos manifestantes e a incomoda imposição do carro de som que tirou muito do brilho das manifestação a partir do terceiro dia. A democracia interna realizada através de assembléias populares, uma das mais marcantes características do movimento, deu lugar a briga politiqueira pelo uso da palavra no carro de som.
Já eram quase 8h da noite quando os manifestantes decidiram que iriam ocupar a ponte que liga a cidade ao resto do mundo. Os manifestantes saíram em passeata em direção a ponte, somente quando eu subi na passarela para fazer uma tomada geral que pude perceber a enorme quantidade de pessoas que haviam atendido ao chamado para o ?grande ato?.Numa tentativa de desviar dos policiais que certamente estariam trancando o acesso a ponte, um grande numero de manifestantes invadiu Rodoviária Rita Maria, mas não consegui realizar o seu objetivo. Ao dobrarem a rua que dá acesso a ponte a manifestação se encontra com um grupo de policiais do BOE (Batalhão de Operações Especiais da Policia Militar), os estudantes resolvem sentar na e começam a cantar o hino nacional.Um policial avança a frente do batalhão e atira uma bomba de efeito moral que explode entre os manifestantes sentados, imediatamente se inicia uma correria, uma menina fia desacordada na causada e é atendida por alguns do manifestantes que não correram .Um grupo de manifestantes indignados respondem a agressão policial arremessando pedras na direção dos pelotão. a policia faz uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha e com o auxilio da cavalaria e de cachorros avança até liberar totalmente a rua.
Ao retornar para a frente do terminal a manifestação tenta decidir o que seria feito a partir daquele momento, a falta de sintonia das pessoas que monopolizava a fala no carro de som e dos manifestantes era clara. Um grupo de manifestantes resolve invadir o terminal, os seguranças barram a entrada a um pequeno confronto e alguns manifestantes correm, um deles é alcançados e derrubado pelos seguranças do terminal, mesmo caído o rapaz é agredido com chutes. Mais este ato de agressão insuflou a população a responder com violência contra a estrutura do terminal (que é patrimônio privado) e da empresa COTISA ( empresa administradora dos terminais ). Depois do inicio do quebra-quebra o ?grosso? da manifestação se deslocou para o final do largo da alfândega. Quando a tropa de choque interviu se formou uma nuvem de gás lacrimogêneo entre o terminal e o largo da alfândega, os manifestantes que se encontravam mais a frente se dispersaram em grupos muito desorientados.
Tanto os manifestantes quanto a policia encontravam-se muito desorientados, um grande numero de pessoas se concentrou na praça XV em frente a Câmara dos Vereadores da cidade, um pequeno números de policiais se posicionou na entrada do prédio mas foi expulso pelos manifestantes, a porta foi arrombada, a Câmara foi tomada...
Os manifestantes indignados com a opressão policial e a omissão dos poderes estabelecidos depredaram a câmara dos vereadores, quebrando os vidros das janelas, um dos manifestante atirou um coquetel molotov para dentro do prédio, que apenas teve o papel de parede danificado.Após uns cinco minutos de quebra-quebra na Câmara municipal, um grande contingente policial intervil dispersando o grupo que atacava a câmara, na fuga o grupo promoveu um quebra-quebra por onde passou, depredando bancos e lojas no caminho, por alguns minutos o centro da cidade se tornou uma praça de guerra.
Depois deste episodio fui até a sede de um grupo de amigos ali perto para trocar a fita, deixando a fita com agressões policiais num lugar seguro.Quando voltamos o centro da cidade estava tomado por um forte aparato policial. Rodei durante alguns minutos procurando informações sobre conhecidos, estava crente de que a manifestação tinha acabado por ali. A cara das pessoas era a de quem ainda estava atordoada com o acontecido, um misto de surpresa, descrença, aprovação, reprovação... enfim.
Voltei para a frente do terminal e me surpreendi com as pessoas voltando a se aglomerar na manifestação, depois de alguns minutos um grupo de pessoas toma a iniciativa de organizar uma assembléia para decidir os rumos do movimento.Os cerca de 500 manifestantes decidem caminhar até a prefeitura e depois seguir pela Av. Beira Mar Norte.
As pessoas iniciaram a caminhada, o tradicional grito ?vem, vem, vem pra luta vem, contra o aumento? se transformou em ? vem, vem, vem pra luta vem , sem violência ?. A passeata caminhava tranqüilamente, as pessoas nos prédios acompanhavam as palavras de ordem quando a tropa de choque ataca os manifestantes atirando balas de borracha, bombas de efeito moral. Todos os manifestantes que foram alcançados pela policia foram presos sem esclarecimento sobre qual era a acusação .Acompanhei a prisão de 20 pessoas incluindo menores de idade. Um senhor que tinha a boca sangrando me pediu para que gravasse o seu relato, ele estava passando no centro na hora do ataque e foi ferido por estilhaços de uma bomba de efeito moral, logo depois outro homem indignado discutia com os policiais afirmando que estava indo em direção aos terminal buscar sua esposa quando foi alvejado por uma bala de borracha na perna.
Foram mais de 60 detidos, sendo que seis menores.Alguns manifestantes foram presos mais de 15 minutos após a ação policial e dispersão da caminhada.
Para assistir depois de baixar: Nós recomendamos o VLC, além de ser um ótimo programa compatível com quase todos os formatos de vídeo, inclusive arquivos .ogg, ele é um software livre. Você pode baixar versões para Linux , Mac OS X e Ruindows.
Assista a outros vídeos.
