EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.
MÉXICO.
SEXTA DECLARAÇÃO DA SELVA LACANDONA.
Esta é nossa palavra singela que procura tocar o coração de gente humilde
e simples como nós, mas, também como nós, digna e rebelde. Esta é nossa
palavra singela para contar qual foi o nosso passo e onde estamos
agora, para explicar como vemos o mundo e nosso país, para dizer o que
pensamos fazer e como pensamos fazê-lo, e para convidar outras pessoas
que caminham conosco em algo muito grande que se chama México e algo
maior que se chama mundo. Esta é nossa palavra singela para dar conta aos
corações que são honestos e nobres, do que queremos no México e no mundo.
Esta é nossa palavra singela, porque é nossa idéia chamar a quem são
como nós e unir-nos a eles, em todas as partes aonde vivem e lutam.
I.- DO QUE SOMOS.
Nós somos os zapatistas do EZLN, ainda que também nos dizem "neo
zapatistas". Bom, pois nós os zapatistas do EZLN nos levantamos em armas
em janeiro de 1994 porque vimos que já está bom de tantas maldades que fazem
os poderosos, que só nos humilham, roubam-nos, encarceram-nos e nos matam,
e nada que ninguém diz nem faz nada. Por isso nós dissemos que "¡Já
Basta!", ou seja que já não vamos permitir que nos façam menos e nos
tratem pior do que como animais. E então, também dissemos que queremos a
democracia, a liberdade e a justiça para todos os mexicanos, ainda que
nos concentramos bem mais nos povos índios. Porque resulta que nós do EZLN
somos quase puros indígenas de aqui de Chiapas, mas não queremos lutar só
pelo nosso bem ou só pelo bem dos indígenas de Chiapas, ou só pelos povos
índios do México, senão que queremos lutar junto com os que são gente
humilde e simples como nós e que têm grande necessidade e que sofrem
exploração e roubos dos ricos e seus maus governos aqui no nosso México e
em outros países do mundo.
E então nossa pequena história é que nos cansamos da exploração que nos
faziam os poderosos e nos organizamos para defender e para lutar pela
justiça. A princípio não eramos muitos, apenas alguns que andavamos de um
lado para outro, falando e escutando a outras pessoas como nós. Isso
fizemos por muitos anos e o fizemos em segredo, ou seja sem fazer barulho. Ou
seja que juntamos nossa força em silêncio. Demoramos 10 anos assim, e já
depois crescemos e já éramos muitos milhares. Então nos preparamos bem com
a política e as armas e de repente, quando os ricos estão comemorando
festa de ano novo, caímos em suas cidades e aí nem as tomamos, e lhes
deixamos dito que aqui estamos, que têm que nos levar em conta. E então
que os ricos tomaram um bom susto e mandaram seus grandes exércitos para
acabar conosco, como assim fazem sempre que os explorados se rebelam,
mandam acabar com todos. Mas não acabaram conosco, porque nós nos
preparamos muito bem antes da guerra e nos fizemos fortes em nossas
montanhas. E aí andavam os exércitos nos procurando e atacando suas bombas
e balas, e já estavam fazendo seus planos de que de uma vez matassem todos os
indígenas porque bem não sabem quem é zapatista e quem não é. E nós
correndo e combatendo, combatendo e correndo, como assim fizeram nossos
antepassados. Sem entregar-nos, sem rendermos, sem nos derrotar.
E então pessoas das cidades saem às ruas e começa com sua gritadera de que
se pare a guerra. E então nós paramos nossa guerra e os escutamos esses
irmãos e irmãs da cidade, que nos dizem que tratemos de chegar a um
acerto, ou seja um acordo com os maus governos para que se solucione o
problema sem matança. E nós o fizemos caso à essas pessoas, porque elas
são como dizemos "o povo", ou seja o povo mexicano. Assim deixamos de lado
o fogo e sacamos a palavra.
E resultou que os governos disseram que sim vão estar bem comportados,
vão dialogar, vão fazer acordos e vão cumprir. E nós dissemos que está
bom, mas também pensamos que está bom que conhecemos essa gente que saiu
às ruas para parar a guerra. Então, enquanto estamos dialogando com os
maus governos, também falamos com essas pessoas e vimos que a maioria era
gente humilde e singela como nós, e ambos entendemos bem por que lutamos,
ou seja eles e nós. E a essa gente a chamamos "sociedade civil" porque a
maioria não era dos partidos políticos, senão que era gente assim comum e
corrente, como nós, gente singela e humilde.
Mas resulta que os maus governos não queriam um bom acordo, senão que
ainda por cima era sua manha de que vamos falar e fazer acordo, e estavam
preparando seus ataques para nos eliminar de uma vez. E então várias vezes
nos atacaram, mas não venceram porque nós resistimos bem e muita gente em
todo mundo se mobilizou. E então os maus governos pensaram que o problema
é que muita gente está vendo o que se passa com o EZLN, e começou seu plano
de fazer como que se não passasse nada. E enquanto, pois bem que nos
rodeia, ou seja que nos põe um cerco, e espera que, assim como nossas
montanhas estão isoladas, a gente se esquece porque está longe da terra
zapatista. E cada tanto os maus governos provam e nos tratam de enganar ou
nos atacam, como em fevereiro de 1995 que nos aventuraram uma grande
quantidade de exércitos mas não nos derrotou. Porque, como depois dizem,
não estávamos sós e muita gente nos apoiou e resistimos bem.
E já os maus governos tiveram que fazer acordos com o EZLN e esses acordos
se chamam "Acordos de San Andrés" porque "San Andrés" é o município
onde se assinaram esses acordos. E nesses diálogos não estávamos sozinhos
falando com os do mau governo, senão que convidamos muita gente e
organizações que estavam ou estão na luta pelos povos índios do México, e
diziam sua palavra e sacávamos o acordo de como vamos dizer com os maus
governos. E assim foi esse diálogo, que não só estavam os zapatistas por
um lado e os governos pelo outro, senão que com os zapatistas estavam os
povos índios do México e aqueles que os apóiam. E então nesses acordos os
maus governos disseram que sim vão reconhecer os direitos dos povos índios
do México e vão respeitar sua cultura, e tudo vai se fazer lei na
Constituição. Mas, já depois que assinaram, os maus governos fizeram
como que se esquecessem e passaram muitos anos e nada de se cumprir esses
acordos. Ao invés disso, o governo atacou os indígenas para fazer com que recuem na luta, como no 22 de dezembro de 1997, data que o
Zedillo mandou matar 45 homens, mulheres, anciões e meninos no povoado de
Chiapas que se chama ACTEAL. Este grande crime não se esquece tão fácil e
é uma mostra de como os maus governos não o coração para
atacar e assassinar os que se rebelam contra as injustiças. E enquanto
passa tudo isso, pois nós zapatistas estamos dá-lhe e dá-lhe que se
cumpram os acordos, e resistindo nas montanhas do sudeste mexicano.
E então começamos a falar com outros povos índios do México e suas
organizações e fizemos um acordo com eles, de que vamos lutar juntos
pelo mesmo, ou seja pelo reconhecimento dos direitos e a cultura indígena.
E bom, pois também nos apoiou muita gente de todo mundo e pessoas que são
muito respeitadas e que sua palavra é muito grande porque são grandes
intelectuais, artistas e cientistas do México e de todo mundo. E também
fizemos encontros internacionais, ou seja que nos juntamos para conversar
com pessoas da América e da Ásia e da Europa e da África e da Oceania, e
conhecemos suas lutas e seus modos, e dissemos que são encontros
"intergalácticos" nada mais que por fazer-nos engraçadinhos e porque convidamos
também os de outros planetas mas parece que não chegaram, ou talvez sim
chegaram mas não deixaram claro.
Mas como queira os maus governos não cumpriam, e então fizemos um plano de
falar com muitos mexicanos que nos apóiam. E então primeiro fizemos, em
1997, uma marcha à Cidade do México que se chamou "dos 1,111" porque iam
um companheiro ou companheira por cada povo zapatista, mas o governo não
fez caso. E depois, em 1999, fizemos uma consulta em todo o país e aí se
olhou que a maioria sim está de acordo com as demandas dos povos índios,
mas os maus governos também não fizeram caso. E já por último, em 2001,
fizemos o que se chamou a "marcha pela dignidade indígena" que teve muito
apoio de milhões de mexicanos e de outros países, e chegou até onde estão
os deputados e senadores, ou seja o Congresso da União, para exigir o
reconhecimento dos indígenas mexicanos.
Mas resultou que não, que os políticos que são do partido PRI, o partido
PAN e o partido PRD se puseram de acordo entre eles e nem reconheceram os
direitos e a cultura indígena. Isso foi em abril do 2001 e aí os políticos
deixaram claro que não têm nada de decência e que são uns sem-vergonhas
que só pensam em ganhar seus bons dinheiros como maus governantes que são.
Isto tem que se recordar porque já vão ver vocês que agora vão dizer que
sim vão reconhecer os direitos indígenas, mas é uma mentira que jogam para
que votemos neles, mas já tiveram sua oportunidade e não cumpriram.
E então aí ficou claro como sem valor foram o diálogo e a negociação com
os maus governos do México. Ou seja que não tem caso que estamos falando
com os políticos porque nem seu coração nem sua palavra estão certos,
senão que estão tortos e jogam mentiras de que sim cumprem, mas não. Ou
seja que esse dia que os políticos do PRI, PAN e PRD aprovaram uma lei que
não serve, mataram de uma vez o diálogo e claro, disseram que não importa o
que lembram e assinam porque não têm palavra. E já não fizemos nenhum
contato com os poderes federais, porque entendemos que o diálogo e a
negociação tinham fracassado por causa desses partidos políticos. Vimos
que não lhes importaram o sangue, a morte, o sofrimento, as mobilizações,
as consultas, os esforços, os pronunciamentos nacionais e internacionais,
os encontros, os acordos, as assinaturas, os compromissos. Assim que a
classe política não só fechou, uma vez mais, a porta aos povos índios;
também lhe deu um golpe mortal à solução pacífica, dialogada e negociada
da guerra. E também já não se pode crer que cumpra os acordos pelo os que
cheguem por qualquer um. Aí vejam para que saquem experiência do que nos
passou.
E então nós vimos tudo isso e nós pensamos em nossos corações que que
vamos fazer.
E o primeiro que vimos é que nosso coração já não é igual que antes,
quando começamos nossa luta, senão que já é maior porque já tocamos
o coração de muita gente boa. E também vimos que nosso coração está
mais magoado, mais ferido. E não é que está ferido pelo engano
que nos fizeram os maus governos, senão porque quando tocamos os corações
de outros pois tocamos também suas dores. Ou seja que nos vimos num
espelho.
II.- DE ONDE ESTAMOS AGORA.
Então, como zapatistas que somos, pensamos que não bastava deixar de
dialogar com o governo, senão que era necessário seguir adiante na luta
apesar desses parasitas vagabundos dos políticos. O EZLN decidiu então o
cumprimento, só e por seu lado (ou seja que se diz "unilateral" porque só
um lado), dos Acordos de San Andrés dos direitos e a cultura indígena.
Durante 4 anos, desde meados de 2001 até meados de 2005, dedicamo-nos a
isto, e a outras coisas que já vamos dizer-lhes .
Bom, pois começamos então a extimular aos municípios autônomos
rebeldes zapatistas, que é como se organizaram os povos para governar e
governar-se, para fazê-los mais fortes. Este modo de governo autônomo não
é inventado assim nem pelo EZLN, senão que vem de vários séculos de
resistência indígena e da própria experiência zapatista, e é como o
autogoverno das comunidades. Ou seja que não é que vem alguém de fora para
governar, senão que os mesmos povos decidem, entre eles, quem e como
governa, e se não obedece o tiram. Ou seja que se o que manda não obedece
ao povo, corrigem, sai-se da autoridade e entra outro.
Mas então vimos que os municípios autônomos não estavam iguais, senão que
tinha uns que estavam mais avançados e tinham mais apoios da sociedade
civil, e outros estavam mais abandonados. Ou seja que faltava organizar
para que fosem mais iguais. E também vimos que o EZLN com sua parte
político-militar estava se metendo nas decisões que tocavam às
autoridades democráticas, como quem diz "civis". E aqui o problema é que a
parte político-militar do EZLN não é democrática, porque é um exército, e
vimos que isso não está bem, de que como está segue o militar acima e abaixo o
democrático, porque não deve de ser que o que é democrático se decida
militarmente, senão que deve ser ao revés: ou seja que segue o político
democrático mandando e abaixo o militar obedecendo. Ou talvez é melhor do
que nada abaixo senão do que puro tudo igual tudo, sem militar, e por isso os
zapatistas são soldados para que não se tenha mais soldados. Bom, mas então,
deste problema, o que fizemos foi começar a separar o que é
político-militar do que são as formas de organização autônomas e
democráticas das comunidades zapatistas. E assim, ações e decisões que
antes fazia e tomava o EZLN, foram se passando pouco a pouco às
autoridades eleitas democraticamente nos povos. Claro que se diz fácil,
mas na prática custa muito, porque são muitos anos, primeiro da preparação
da guerra e já depois simplesmente da guerra, e se vai fazendo costume do
político-militar. Mas como queira o fizemos porque é nosso modo que o que
dizemos o fazemos, porque se não, então para que vamos andar dizendo se
depois não fazemos.
Foi assim que nasceram as Juntas de Bom Governo, em agosto de 2003, e
com elas se continuou com a auto-aprendizagem e o exercício de "mandar
obedecendo".
Desde então e até a metade de 2005, a direção do EZLN já não se meteu a
dar ordens nos assuntos civis, mas acompanhou e apoiou às autoridades
eleitas democraticamente pelos povos, e, ademais, vigiou que se informasse
bem aos povos e à sociedade civil nacional e internacional dos apoios
recebidos e em que se utilizaram. E agora estamos passando o trabalho de
vigilância do bom governo às bases de apoio zapatistas, com cargos
temporários que são rotativos, de modo que todos e todas aprendam e
realizem essa atividade. Porque nós pensamos que um povo que não vigia
seus governantes, está condenado a ser escravo, e nós brigamos por ser
livres, não por mudar de amoo cada seis anos.
O EZLN, durante estes 4 anos, também passou às Juntas de Bom Governo e aos
Municípios Autônomos, os apoios e contatos que, em todo México e no mundo,
conseguiram-se nestes anos de guerra e resistência. Ademais, nesse tempo,
o EZLN foi construindo um apoio econômico e político que permitia às
comunidades zapatistas avançar com menos dificuldades na construção de sua
autonomia e em melhorar suas condições de vida. Não é muito, mas é muito
superior ao que se tinha antes do início do levante, em janeiro de 1994.
Se você olha um desses estudos que fazem os governos, vai ver que as
únicas comunidades indígenas que melhoraram suas condições de vida, ou
seja sua saúde, educação, alimentação, moradia, foram as que estão em
território zapatista, que é como lhe dizemos onde estão nossos povos. E
tudo isso foi possível pelo avanço dos povos zapatistas e o apoio muito
grande que se recebeu de pessoas boas e nobres, que dizemos "sociedades
civis", e de suas organizações de todo mundo. Como se essas pessoas
tivessem feito realidade isso de "outro mundo é possível", mas nos fatos,
não no falatório.
E então os povos tiveram bons avanços. Agora há mais companheiros e
companheiras que estão aprendendo a ser governo. E, ainda que pouco a
pouco, há mais mulheres que estão entrando nestes trabalhos, mas ainda
segue faltando respeito às companheiras e que elas participem mais nos
trabalhos da luta. E depois, também com as Juntas de Bom Governo, melhorou
a coordenação entre os municípios autônomos e a solução de problemas com
outras organizações e com as autoridades oficiais. E também se melhorou
muito os projetos nas comunidades, e é mais igual a partilha de projetos e
apoios que vem da sociedade civil de todo mundo: melhorou-se a saúde e a
educação ainda que ainda falta um bom tanto para ser o que deve ser, igual
com a moradia e a alimentação, e em algumas zonas se melhorou muito o
problema da terra porque se repartiram as terras recuperadas com os
finqueros(trabalhadores rurais), mas há zonas que seguem sofrendo por
falta de terras para cultivar. E depois se melhorou muito o apoio da
sociedade civil nacional e internacional, porque antes cada um ia para
onde mais simpatizava, e agora as Juntas de Bom Governo os orientam aonde
é mais necessário. E, pelo mesmo, em partes há mais companheiros e
companheiras que estão aprendendo a relacionar-se com as pessoas de outras
partes do México e do mundo, estão aprendendo a respeitar e a exigir
respeito, estão aprendendo que há muitos mundos e que têm seu lugar, seu
tempo e seu modo, e assim há que se respeitar mutuamente entre todos.
Bom, pois nós os zapatistas do EZLN nos dedicamos esse tempo a nossa
força principal, ou seja aos povos que nos apóiam. E algo sim melhorou
na situação, ou seja que não há quem diga que de sem importância foi a
organização e a luta zapatistas, senão que, ainda que nos acabem
completamente, nossa luta sim serviu de algo.
Mas não só cresceram os povos zapatistas, senão que também cresceu o
EZLN. Porque o que passou neste tempo é que novas gerações renovaram nossa
organização. Ou seja que como lhe deram nova força. Os comandantes e
comandantas, quem estavam em sua maturidade no início do levantamento em
1994, têm agora a sabedoria do aprendido na guerra e no diálogo de 12 anos
com milhares de homens e mulheres de todo mundo. Os membros do CCRI, a
direção político-organizativa zapatista, agora aconselham e orientam aos
novos que vão entrando em nossa luta, e aos que vão ocupando cargos de
direção. Já tem tempo que os "comitês" (que é como lhes dizemos nós) têm
estado preparando uma nova geração de comandantes e comandantas que,
depois de um período de instrução e prova, começam a conhecer os trabalhos
de comando organizativo e a desempenhá-los. E passa também que nossos
insurgentes, insurgentas, milicianos, milicianas, responsáveis locais e
regionais, bem como as bases de apoio, que eram jovens no início do
levante, são já homens e mulheres maduros, veteranos combatentes e líderes
naturais em suas unidades e comunidades. E quem eram meninos/as naquele
janeiro de 94, são já jovens que cresceram na resistência, e foram
formados na digna rebeldia levantada pelos mais velhos nestes 12 anos de
guerra. Estes jovens têm uma formação política, técnica e cultural que não
tínhamos quem iniciou no movimento zapatista. Esta juventude alimenta
agora, cada vez mais, tanto nossas tropas como os postos de direção na
organização. E, bom, nós vimos os enganos da classe política mexicana e a
destruição que suas ações provocam em nossa pátria. E vimos as grandes
injustiças e matanças que faz a globalização neoliberal em todo mundo. Mas
disso lhes dizemos mais depois.
Assim o EZLN resistiu 12 anos de guerra, de ataques militares, políticos,
ideológicos e econômicos, de cerco, de hostilização, de perseguição, e
não nos venceram, não nos vendemos nem rendemos, e avançamos. Mais
companheiros de muitas partes entraram na luta, assim que, no lugar de que
nos fazemos mais fracos depois de tantos anos, fazemo-nos mais fortes.
Claro que há problemas que se podem resolver separando mais o
político-militar do civil-democrático. Mas há coisas, as mais importantes,
como são nossas demandas pelas que lutamos, que não se conseguiram
cabalmente.
Segundo nosso pensamento e o que vemos em nosso coração, chegamos a um
ponto em que não podemos ir além e, ademais, é possível que percamos tudo
o que temos, se ficamos como estamos e não fazemos nada mais para avançar.
Ou seja que chegou a hora de arriscar-se outra vez e dar um passo perigoso
mas que vale a pena. Porque talvez unidos com outros setores sociais que
têm as mesmas carências que nós, será possível conseguir o que precisamos
e merecemos. Um novo passo adiante na luta indígena só é possível se o
indígena se juntar com trabalhadores, camponeses, estudantes, professores,
empregados... ou seja os trabalhadores da cidade e do campo.
(Continuará...)
Das montanhas do Sudeste Mexicano.
Comitê Clandestino Revolucionário Indígena-Comandancia Geral do
Exército Zapatista de Libertação Nacional.
México, no sexto mês do ano de 2005.
