1a BICICLETADA DE UBERLÂNDIA

Relato da Bicicletada:

Primeiro de Julho, 2005, 26 bicicletas se concentram às 16:30 na Praça Tubal Vilela de Uberlândia para fazer a primeira bicicletada da cidade. O ato, fusão de celebração e protesto é organizada em rede e de forma descentralizada por diferentes indivíduos, seguindo o conceito de "xerocracia", onde não há lideranças e sim colaboração espontânea, cada um faz o seu panfleto, ou xeroca o que tiver e passa para seus amigos e assim sucessivamente. Cada um dos participantes é livre para escolher os motivos que o levem a participar, mesmo assim, a bicicletada costuma ser um ato de crítica radical ao carro, meio de transporte poluente, icone do individualismo burguês, prolongamento fálico do patriarcado e do status quo, práxis dos valores e práticas capitalistas, maior responsável pelas mortes no mundo. Reivindica-se o direito dos ciclistas usarem as ruas, sem ter de estar sendo constantemente desrespeitados, esmagados, fechados e atropleados pelos veículos motorizados. O movimento contra o aumento das passagens colaborou com a bicicletada e compreendeu a sua luta como algo congruente, colaborou na sua divulgação e na hora da concentração apareceram alguns/algumas de seus/suas participantes, uma das quais, envolvida com um partido político não mostrou interesse na bicicletada, apenas chamou a mídia corporativa(rede globo) para dar entrevista e depois ir embora. A maior parte dos participantes da bicicletada não deram entrevista à mídia por compreender que esta está a serviço dos capitalistas e que esta não faría um relato positivo da bicicletada, porém a entrevista aconteceu para tentar explicar a proposta do movimento.

Antes de sair, se fez uma assembléia com todos os participantes para decidir qual sería o trajeto, optou-se por andar pela rua Afonso Pena até o Terminal Central, que sería invadido por todas as bicicletas para causar certo impacto nas pessoas e depois, pela rua João Naves se dirigiríam até a Prefeitura.

Perto das 17:30, as 26 bicicletas sairam da Praça pela Rua Afonso Pena, uma das principais da cidade em direção ao terminal, aos gritos de "A RUA É NOSSA", "A RUA É DAS PESSOAS, NÃO DAS MÁQUINAS" e impedindo a passagem de carros e motos que a toda custa tentavam forçar sua penetração no meio da massa crítica de ciclistas, ameaçando de atropelá-los, xingando e apitando de forma doentia, já que não aceitam a perda de sua hegemonía no uso das vías públicas. No terminal, os ciclistas foram recebidos pela polícia que já os aguardavam, porém, a entrada no Terminal não foi impedida nem o protesto dos ciclistas interrompido após a saída dele, continuaram seu trajeto até a Prefeitura pela Avenida João Naves, dinamizando o percurso, intercalava-se a obstrução da rua, sendo que as vezes se fechavam 2, 3, ou as 4 faixas. Até mesmo as churrascarias que ficavam no meio do percurso não foram poupadas, ao passar em frente delas alguns dos ciclistas gritaram repetidas vezes: "CARNE É ASSASSINATO!". O clima foi de empolgação, adrenalina e ousadía, já que esse acontecimento, inédito em Uberlândia, horrorizou aos motoristas que, indignados, xingavam os ciclistas, apitavam desesperadamente e tentavam quebrar a densidade do protesto forçando sua entrada pelo meio das biciletas, coisa que não lhes foi permitida. Houve algumas ameaças de tentativas de atropelamento, coisa que foi combatida pelos ciclistas ao colocar-se todos solidariamente diante dos carros e impedir sua passagem temporáriamente.

O ato se encerrou em frente à prefeitura onde se fez uma avaliação da bicicletada, considerou-se muito boa e ativa, lamentaram-se as agressões cometidas pelos motoristas e programaram-se as próximas para acontecer todos os meses, na primeira sexta-feira, para as quais todos se esforçaríam para fazer uma divulgação maior e trazer mais gente, BICICLETAR O MUNDO!

Após a assembléia queimou-se uma bandeira do Brasil (em cujo lema se lía: Estado fascista neoliberal. Miséria e regresso ) que tinha os dizeres: Esta bandeira representa os interesses da merda de burguesia. Esta bandeira quer um povo submisso e obediente. Liberte-se desta identidade hipócrita e sem sentido POR UM MUNDO LIVRE, SEM FRONTEIRAS NEM CARROS!