Quando Lula chegou ao poder levava consigo a esperança de mais de 60 milhões de brasileir@s que acreditavam que o Partido dos Trabalhadores poderia trazer a sonhada solução para a eterna crise social do país. As denúncias de corrupção em seu governo vem reafirmar o que muit@s já sabiam: que o governo Lula não está a serviço do povo. Mas devemos nos questionar se realmente algum dia houve ou haverá algum governo que atenda as verdadeiras demandas populares.
Vejamos o exemplo da nossa tão festejada democracia. Nós, @s dit@s cidadãos e cidadãs, pagamos uma das maiores cargas tributárias do mundo, mas não temos nem ao menos a chance de decidir onde será aplicado esse dinheiro que nos cobram. Somos obrigad@s pelas leis a cumprir nossos deveres, mas não temos reais instrumentos para cobrar aos políticos que cumpram com os seus. Somente em nossa recente história democrática foram tantos os casos de corrupção, que a descrença nos políticos já faz parte da nossa cultura. A corrupção no governo atual vem confirmar que a esquerda, que tanto prezava a ética na política, também não é capaz de vencer a estrutura, que é em si corrupta.
Desde o processo eleitoral a corrupção já está presente. Seja através dos caixas 2, que o secretário-geral do PT Delúbio Soares afirmou ser prática comum dos partidos, seja uma corrupção de princípios, quando partidos ligados a luta popular como o PT se aliam a partidos da burguesia como o Partido Liberal e o Partido Progressista. Resumindo: para chegar ao poder nesta democracia é necessário ter muito dinheiro, já que são necessárias grandes campanhas publicitárias, pagar cabos eleitorais, comprar aliados etc. No fim das contas, as propostas de governo são o que menos contam, até porque muitas vezes são ladainhas velhas há muito conhecidas pel@s eleitor@s. Mesmo sabendo disso continuamos votando e elegendo representantes para o governo e o parlamento.
Quando se chega ao poder, o governo tem que barganhar com as diversas forças políticas do parlamento para que seus projetos sejam aprovados. O parlamento brasileiro é constituído por 513 deputad@s federais e 81 senador@s, em sua maioria representantes dos partidos conservadores e de direita como PFL, PMDB, PSDB etc. Qualquer que seja o governo, terá que fazer pactos com essas forças políticas, que representam as elites, mesmo que muitas vezes sejam eleitos pelo voto popular. Esses pactos consistem em troca de favores, cargos no governo, licitações para obras públicas, concessões de rádio e televisão, e mesmo dinheiro vivo como nas denúncias do “mensalão”.
Será que para mudar toda essa estrutura bastaria um grande processo de moralização da política? Punir os culpados pela corrupção é suficiente? Teríamos então que condenar toda a classe de políticos? Punir @s culpad@s não será suficiente para resolver o principal problema : a falta de participação popular direta nas decisões que dizem respeito a tod@s nós. A política foi retirada da vida cotidiana e tornou-se uma profissão exercida por pouc@s, que decidem por tod@s. Não é por acaso que a principal prática da política brasileira é o fisiologismo, ou seja, viver em função de cargos nas instituições do poder.
E onde estão os movimentos sociais nessa história? Os maiores deles, MST, CUT e UNE são historicamente ligados ao PT e vem desde o inicio apoiando o seu governo. Diante da crise, preferiram apostar na idéia de que tudo na verdade se trata de um golpe da direita para tirar a esquerda do poder. Esses movimentos são incapazes de se desatrelar deste governo que não vem atendendo as demandas populares, atingindo-os diretamente com a lentidão da reforma agrária, com a perca da autonomia sindical posta pela proposta de reforma sindical e a privatização da universidade pelo projeto da reforma universitária.
O governo, que para esses movimentos está “em disputa” com as elites, mostrou ter escolhido seu lado ao defender a política econômica neoliberal ditada pela cartilha do Fundo Monetário Internacional e pelas grandes nações capitalistas. Algo que vem sendo feito desde o governo Collor e que em nome da “governabilidade” continuará sendo feito por tod@s que queiram chegar ao poder. Não é a toa que Lula vem sendo defendido até mesmo pelas elites, já que para elas a política econômica vai bem. O crescimento da economia sem que aja a distribuição da renda, não solucionará os problemas do país. O povo continuará na pobreza enquanto os ricos continuarão acumulando riquezas cada vez mais.
Essa crise deve nos levar a refletir sobre nosso papel na história do Brasil. Continuaremos sempre mer@s espectador@s passiv@s desta farsa das elites ou assumiremos nosso papel como protagonistas de nossa história? Caso não queiramos ser reféns da ditadura do capital, representado pelas elites agrárias, pelo grande empresariado nacional, pelas corporações transnacionais e pelo imperialismo capitalista, temos que construir uma verdadeira democracia, pautada pela participação direta de todas as pessoas oprimidas, construindo organizações populares nos bairros, nas escolas e no trabalho para que possamos tomar o que é nosso: nossas riquezas, nossos direitos e nossa autonomia de guiar nossas vidas da forma que acharmos melhor.
