FESTA NO MORRO SANTA MARTA
70 ANOS DE EXISTÊNCIA E RESISTÊNCIA
TEATRO LIBERTÁRIO
(“OS SALTIMBANCOS”)
OPERAÇÃO 81 (ANARCOPUNK)
GRUPO DE CHORINHO “FILHOS DE MARTA”
FORRÔ “SE RISCA PEGA FOGO”
E MAIS.... CAPOEIRA E APRESENTAÇÃO DE GRUPOS DE HIP-HOP
DIA 30 DE JULHO - SÁBADO
HORÁRIO: 15:00 HS
LOCAL: BAR DO JORGINHO
ENDEREÇO: FINAL DA RUA OSWALDO SEABRA (PICO DO MORRO SANTA MARTA) – BOTAFOGO
ENTRADA GRATUITA
ORGRANIZAÇÃO: ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO MORRO SANTA MARTA
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Saiba mais um pouco sobre a História/Geografia da Comunidade do Morro Santa Marta:
I – GEOGRAFIA-FÍSICA
Localização:
Bairro de Botafogo, na Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro.
Transporte:
Ônibus com direção à Zona Sul, parada na Rua São clemente logo após a praça Barão de Corumbá, antes da Rua Real Grandeza; sentido Centro o ponto mais próximo é em frente ao supermercado Sendas, na rua Voluntários da Pátria. O Santa Marta fica a pouco mais de meio quilometro da estação de metrô de Botafogo.
População:
Estimativas da Associação de Moradores: entre 9 e 10 mil pessoas, devido ao grande número de crianças no morro.
Domicílios:
Difícil é precisar o número de residências dentro do morro; segundo levantamentos oficiais, há pouco mais de mil domicílios no Santa Marta. A questão é o critério utilizado para se definir uma residência, pois de acordo com os moradores, uma mesma casa, construída com divisões independentes, normalmente abriga mais de um núcleo familiar. Deste modo, a Associação de Moradores, aponta existir perto de 2.500 domicílios na favela.
II. HISTÓRICO:
Dona Marta ou Santa Marta?
A ocupação da Área começou por volta de 1940, por famílias que vieram principalmente do norte fluminense e do sul de Minas Gerais.
Apesar de oficialmente o nome do morro enquanto localização geográfica chamar-se Dona Marta, existe sempre uma dúvida para as pessoas, em relação ao nome da favela; afinal das contas , seu nome é morro Santa Marta - como é chamado pelos moradores - ou Morro Dona Marta ? É na busca das origens do nome da favela, que confunde até aos moradores mais antigos, que encontramos a solução do impasse.
Existem duas versões mais popularizadas entre os moradores sobre as origens do nome da comunidade. A história mais citada relata que o assentamento passou a ser chamado de Favela Santa Marta, devido ao nome da igreja católica construída no local à época da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Outra história sustentada por moradores mais velhos, é de que antigamente toda a localidade pertencia à uma senhora fazendeira de nome Marta. A sua família, posteriormente ao início do assentamento, cedeu a terra aos novos ocupantes, pelo que é citada respeitosamente pelos moradores. As duas histórias fazem sentido; em mapas do final do século passado, já se lia o nome morro Dona Marta, referente ao maciço no qual a favela está encrostada hoje em dia, o que explica a versão de um possível "proprietária" de nome Marta. A herança do nome da igreja também é plausível, pois a população - historicamente de forte devoção católica - chama sua comunidade de "morro Santa Marta" . Assim, a confusão em relação ao nome da comunidade deve-se à junção de dois termos distintos e desconhecidos como tal para a grande maioria: o Morro Dona Marta referente à montanha que abriga a comunidade e favela Santa Marta, que diz respeito à favela propriamente dita.
A partir do início da década de 60, como em todo Rio de Janeiro, dá-se um grande fluxo de nordestinos em direção ao morro, especialmente paraibanos. A migração cessou juntamente com os limites geográficos da favela, e boa parte dos moradores, na maioria nascida no próprio local, não trocam sua residência da favela num dos lugares mais privilegiados e de fácil acesso da zona sul por outra casa no subúrbio.
III. ASPECTOS GERAIS
Habitação:
Em 1988, a cidade do Rio de Janeiro conheceu algumas das piores chuvas de sua história, o que ocasionou o desmoronamento de alguns barracos. Apesar da existência de palafitas, nos últimos anos percebeu-se um acentuado crescimento da reforma e construção de casas de alvenaria. É perceptível a mudança comparando-se lado a lado uma foto do morro hoje com outra de 10 anos atrás. A região alta do morro, próxima ao pico, é mais pobre e possui poucas biroscas e menos atenção por parte das instituições de auxilio.
Lazer e cultura:
Há a quadra do G.R.E.S. Mocidade Unida de Santa Marta, na rua Jupira nº 72, onde acontecem as principais atividades desportivas, culturais e sociais da favela, desde o ensaio da escola de Samba até o Baile Funk, um dos melhores de zona sul, que foi proibido pela Policia Militar. Poucos metros acima, está localizado o espaço onde improvisadamente, as crianças gostam de jogar futebol e taco, o Cantão.
No alto do morro, ou no pico, está o campinho, que é uma quadra de futebol de areia, porém é o campo do tortinho, localizado atrás do palácio da cidade que matem o gosto da comunidade como o mais tradicional da praça esportiva.
Violência:
Por ser íngreme, ter becos apertados que formam um grande labirinto e pelo menos dois pontos de fuga, o morro é ponto estratégico. O Dona Marta já presenciou famosas guerras do passado, como em 87, a guerra entre duas quadrilhas locais, que mobilizou praticamente toda a polícia civil e militar do Rio de Janeiro e deixou para a posteridade uma imagem que percorreu e se popularizou pelo mundo: a adolescente Ana Karla, de apenas 14 anos, drogada, com uma pistola 7,65 nas mãos. Segundo jornais da época, Ana era um dos soldados de "Cabeludo", o líder de uma das quadrilhas que mais tarde foi assassinado pelo grupo rival. Outro momento de projeção na "mídia", foi a gravação do clipe "They don't care about us" de Michael Jackson, em 1995. Na época, Spike Lee, o diretor do vídeo, disse ter negociado a segurança de sua equipe com "Verdadeiros donos do lugar", fazendo referência aos traficantes, uma pseudo-verdade que irritou profundamente as autoridades.

