VEJA COMO ESTA HISTÓRIA É FÁCIL DE ENTENDER:
....a Multiaction (CNPJ 03.824.253/0001-78), que já contou com a presença do "laranja" Ricardo Penna Machado, o mesmo que encomendava as "garotas da Jeany" o nome de Marcos Valério aparece na companhia de Francisco Castilho e Margareth Maria Queiróz Freitas. E que Ricardo Penna Machado trabalhou Ministério dos Esportes / INDESP em 1995-1997 (governo FHC) no junto com Asfilófio de Oliveira Filho ("Filó"), e este foi presidente da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) no governo de Anthony Garotinho.
..... Margareth Maria Queiróz Freitas da DNA e da Multiaction é viúva de Daniel Freitas, sobrinho do vice Presidente, José Alencar. E, além disso, a sede da DNA fica em um prédio da Coteminas, de José Alencar, em Belo Horizonte.
.... a SMP&B, a DNA e a Multiaction trabalharam em governos estaduais fora de MG, como o do Distrito Federal, de Joaquim Roriz (PMDB).As campanhas para promover as ?grandes realizações? de Roriz, o maior distribuidor de terras públicas do hemisfério sul, e a campanha ?Brasília em Alta?, para promover as ?atrações turísticas da capital federal? ... Somente para jornais, foi criada uma série com mais de 20 anúncios. Há até um bal?o que sobrevoa Brasília, cidades-satélite e grandes municípios em Goiás, Tocantins e Minas Gerais ...A gigantesca campanha, digna de grandes multinacionais, tem gastos com 2 filmes para TV 6 jingles e 8 spots em rádio; peças de merchandising (front-light, back light, painel tri-face, display acrílico, etc), mídia aeroportuária, Jornal, Revista, Outdoors ... A campanha veiculou nas grandes cidades de Minas (Belo Horizonte e Triângulo), Goiás e Tocantins (Palmas).... O ?projeto de comunicação? tem, ainda, um conjunto de ?aç?es promocionais, culturais e esportivas? com uma ?temporada de eventos?, certamente conduzida pela Multiaction, com festas populares, shows, exposiç?es de arte, orquestras, danças, teatro, campeonatos esportivos de lutas, canoagem, vôo livre, corridas de carros e motocicletas e regatas no Lago Paranoá...
... a secretária de Turismo do Distrito Federal é a embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, irmã de um alto tucano, ex leiloeiro oficial, ex Secretário de Cultura de Minas (1995-1998), ex-presidente do PSDB mineiro, atual presidente da Fundação João Pinheiro, Amílcar Vianna Martins Filho. A aprovação foi do secretário estadual de Comunicação Social, Wellington Luiz Moraes e do secretário-chefe do ?Gabinete de Articulação Institucional?, o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, Hélio Marques Prates Doyle. Eles bolaram um modelo cartelizador sem divisão por lote de secretarias e órgãos públicos que são atendidos pelas agências. Assim, cada uma delas pode assumir, no máximo, 70% de todas as necessidades de criação de campanhas publicitárias, e no mínimo, 15%, por ano. Isto é muito bom em um orçamento de R$ 40 milhões, quase 30 % do orçamento do Banco do Brasil, o terceiro maior anunciante do país, que tem 4 mil agências, e 30 milhões de clientes.
... a "holding Marcos Valério" também trabalha para prefeituras: o deputado federal Geraldo Thadeu (PPS/MG), que foi prefeito de Poços de Caldas (MG), entre 1997 e 2000, durante o depoimento de Marcos Valério à CPI em 14/07, foi um dos que rememorou como Valério atuava. Depois de adquirir a Feeling Propaganda, o empresário convidou o prefeito para conhecer o escritório da empresa em Belo Horizonte e, na ocasião, se ofereceu para prestar ?serviços de arrecadação de dinheiro? para a campanha de 2000, no caso de Geraldo se candidatar à reeleição. O prefeito não aceitou a proposta e não se candidatou. O caso foi relatado à CPI dos Correios e levantou suspeitas sobre todas as outras prefeituras em que Marcos Valério e suas empresas atuaram. Em Governador Valadares, região leste, a 7ª. cidade do estado, a prefeitura também contratou os serviços da Feeling Propaganda. O contrato foi firmado em 1998 na administração de João Domingos Fassarella (PT) e teve validade até 2000. A empresa foi selecionada por meio de uma licitação e está sendo processada por ?não ter pago os impostos?. O processo começou na administração de João Domingos Fassarela (que saiu da prefeitura para a Câmara Federal, na legislatura 1999-2003), e segue com o atual prefeito Bonifácio Mourão. No catálogo de telefones de Belo Horizonte consta um endereço da Feeling Propaganda no popularíssimo bairro de Santo André, cercado de favelas, mas a informação no local é que o telefone é comercial e nunca funcionou por lá agência de publicidade.
... o contrato com o da DNA com o Banco do Brasil foi assinado em 23/09/2003, e dos R$ 262,8 milhões, R$ 25 milhões referem-se aos gastos com publicidade do Banco Popular do Brasil, criado em 2004, e dirigida antes pelo petista Ivan Guimarães, e agora pelo sindicalista petista derrotado por Joaquim Roriz nas eleições do Distrito Federal em 2002, Geraldo Magela.
....outros R$ 500 mil são da discreta Fundação Banco do Brasil, um histórico ?cabide de empregos? para políticos e seus protegidos que são funcionários do BB desde o governo Sarney, e que hoje é presidida por Jacques de Oliveira Pena, e onde é ?Diretor Executivo de Desenvolvimento Social? um conhecido petista histórico, o ex-deputado e ex-prefeito de Paracatu (MG), Almir Paraca. Sua esposa, Glória Paraca, é vereadora na cidade, eleita em 2004. Como Almir Paraca perdeu a vaga para a Assembléia Legislativa de MG em 2002, o seu cacife de 32.681 votos (97º. lugar) o "credenciou" a dirigir a FBB.
... o presidente da FBB, Jacques de Oliveira Pena é mais um representante da ?república sindical? com bons amigos no PT: funcionário do Banco do Brasil desde 1977, foi presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, em 2001 e 2002, e administrador regional nos anos de 1995 a 1998 (governo Cristóvão Buarque) de Samambaia - cidade-satélite-dormitório do Distrito Federal criada pela distribuição de terras de Joaqim Roriz. Enquanto isto, já andou em outras ?bocas?, como suplente do Conselho Deliberativo da PREVI, e membro da Diretoria Executiva do Sindicato Nacional das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Sindapp) e membro do Conselho de Administração da Tele Norte Celular.
... a DNA Propaganda era contratada pelo BB e pelos Correios mesmo constando da relação de clientes de uma certa Infotrading do Brasil, denunciada pelo Ministério Público Federal por simular importações e remeter ilegalmente para o exterior US$ 7 milhões entre agosto e dezembro de 2001. O caso é considerado uma das mais relevantes fraudes financeiras investigadas pelo Ministério Público Federal (MPF) em Minas. Os donos da Infotrading já foram denunciados: o processo tramita em segredo de Justiça na 4ª. Vara Criminal Federal (MG). A Polícia Federal concentra agora as investigações nos clientes beneficiados com o canal de evasão de dinheiro aberto pela importadora. A fraude foi descoberta pelo BC ao monitorar o mercado de câmbio em 2001 e verificar que a Infotrading celebrara contratos de câmbio para importações, com pagamento antecipado, de US$ 7 milhões. O montante causou estranheza aos auditores, já que contratos semelhantes anteriores envolviam valores significativamente menores. O BC constatou que a empresa, com capital social de apenas R$ 20 mil, registrara faturamento anual bruto de R$ 900 mil e que R$ 4,7 milhões estavam depositados na conta corrente para liquidação de operações de câmbio; isto levou o MPF a requerer o seqüestro dos valores e a solicitar à Receita informações sobre eventuais operações de importação da Infotrading, para lastrear supostos contratos de câmbio firmados por ela em 2001. O MPF constatou que a última importação fora em 1998, prova de que as operações foram para evadir divisas. Para facilitar as operações, a Infotrading teria captado laranjas em Betim, na Grande Belo Horizonte: moradores pobres do município, em 2004, procuraram um jornal local para denunciar que um vizinho recolhera seus CPFs a pretexto de um cadastramento. Mais tarde, surpreenderam-se ao descobrir que eram réus no processo da Infrotrading e apareciam como responsáveis por operações da importadora. No ofício Diret 2003-858, de 14/03/2003, enviado ao então procurador-chefe da Procuradoria da República em Minas Gerais Álvaro Ricardo de Souza Cruz, irmão de deputado estadual e ex secretário de Meio Ambiente Sávio de Souza Cruz, o BC informa a relação das empresas que depositaram dinheiro na conta da Infotrading no período, portanto clientes do esquema. Na página 3 está o nome da DNA, que depositara R$ 220 mil na conta da falsa importadora. Investigadores suspeitam que os valores representem uma pequena amostra de quantias enviadas ilegalmente para o exterior. O artifício de simular importações e antecipar o pagamento constatou a investigação, foi usado pela Infotrading para enviar dinheiro de procedência duvidosa de empresas que já tinham problemas com a polícia. Como a pernambucana Strada Ltda, envolvida em contrabando. Também aparecem como clientes a Duagro Participações, do advogado paulista Laodse Duarte, a Valmat do Brasil e a Yahweh Nissi Importações e Exportações, já investigadas por câmbios ilícitos. O Ministério Público já ofereceu denúncia contra Bruno Corrêa Lopes, Vagner Barros de Oliveira e Elvis Barbosa da Costa, representantes legais da Infotrading, pelo crime evasão de divisas.
....a agência DNA Propaganda contraiu um empréstimo de R$ 11,7 milhões no Banco Rural (CNPJ 33.124.959/0051-57), em Belo Horizonte. A agência de publicidade ofereceu como garantia os créditos decorrentes de contratos assinados com as secretarias de Estado de Comunicações e de Governo de Minas Gerais para a produção e a veiculação de peças publicitárias. A previsão era de que o empréstimo seria pago em 28/10/1998 (três dias depois do segundo turno das eleições), com juros de 1,55% ao mês. Logo em seguida, uma outra empresa de Marcos Valério, a SMP&B, repassou dinheiro para pelo menos 70 políticos ou pessoas ligadas a políticos mineiros que pertenciam à coligação que apoiava Eduardo Azeredo. Os repasses, somados, ultrapassam R$ 1,6 milhão. Constam da lista de beneficiados dez deputados estaduais de Minas, que tiveram mandatos nas duas últimas legislaturas, e dois prefeitos do interior do estado: Marcelo Gonçalves (Pedro Leopoldo) e Sebastião Navarro (Poços de Caldas). Na relação aparecem os deputados federais Romel Anizio Jorge (PP), que teria recebido R$ 100 mil; e o ?fiel escudeiro? de Itamar Franco em Juiz de Fora, Custódio de Mattos (PSDB), que teria ganhado R$ 20 mil. Custódio disse ontem que recebeu o dinheiro mas que seu "entendimento foi todo com a coordenação da campanha de Azeredo". Antônio Marum, assessor da ex-senadora Júnia Marise, que já foi do PMDB e do PDT, recebeu R$ 125 mil. Em 1998, Júnia foi candidata à reeleição pelo PDT em substituição ao candidato da coligação ao Senado na chapa de Hélio Garcia (PTB-PRS), que desistiu da candidatura. Dois atuais conselheiros do Tribunal de Contas de Minas Gerais, que na época disputavam vaga na Assembléia Legislativa, Elmo Braz e Wanderlei Ávila, também receberam dinheiro da SMP&B, segundo os documentos.
... a Multiaction tem um papel muito mais importante do que o visto até agora, porque era um "braço obscuro" para disputar concorrências e emitir notas superfaturadas de eventos.
... a MultiAction prestava ?costumeiramente? serviços ao PT. Cuidou, por exemplo, da campanha de seu candidato oficial à presidência da Câmara em 2005, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP). A tarefa custou R$ 191 mil e foi integralmente bancada pelo PT. Seu fecho foi um churrasco na casa de um filho do deputado Luiz Piauhylino (PDT-PE), do qual participaram 195 convidados, entre eles o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-secretário-geral Sílvio Pereira. Greenhalgh disse que não sabia o nome da empresa encarregada de sua campanha, porque "tudo era feito pela direção nacional do PT".
... a Multiaction já operacionalizou vários "eventos", não só para o BB como para outros ?organismos e entidades?. Um deles, promovido pela estranha ?Confederação Nacional dos Municípios?: a ?Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios?. E que a sétima edição, de 2005 (a sexta foi em 2003) aconteceu no mesmo Blue Tree Park, renomado e luxuoso hotel em Brasília onde se reuniam Marcos Valério, Delúbio Soares e outros, de 15 a 18/03/2004. ?Patrocinada? pelo BB, Caixa e Petrobras, estiveram presentes, além do Presidente da República, 14 ministros, 1.983 prefeitos, 392 deputados federais, 284 deputados estaduais e dois governadores.
... outro grande ?projeto? da Multiaction foi o chamado ?Sidney 2000?, para o Banco do Brasil, no qual foram distribuídas camisetas, bonés, bandeiras e brindes aos brasileiros durante os jogos de vôlei, vôlei de praia e tênis, além de ações promocionais e de marketing na TV e nas agências do próprio banco. Também foram criadas salas de bate papo na internet e um Cyber Café em Sidney. Também para o BB a empresa ?organizou? a Copa Davis de Tênis, em 2002, através da confecção de kit completo com 3 camisetas que davam acesso ao camarote VIP do Banco do Brasil (em tecido especial anti-transpirante, sendo uma cor diferente para cada dia do evento); e acessórios, como viseira e protetor solar. Em dezembro de 2003, ?organizou? a festa do BB Vôlei de Praia em Recife, com um evento para 450 convidados. O evento contou com a participação da Dani Monteiro e do mestre de cerimônias virtual, criado especialmente para essa premiação.
... Telma dos Reis Menezes Silva, a mulher de Marco Antônio da Silva, Diretor de Eventos da Secom (Secretaria de Comunicação de Governo, capitaneada por Luiz Gushiken), defende em Brasília interesses de Marcos Valério Fernandes de Souza em contratos com órgãos públicos e empresas privadas. Ela trabalha na Multi Action, empresa que realiza eventos para o Banco do Brasil e outros clientes (como governo do DF, t de Joaquim Roriz e o Ministério dos Esportes, antes com Pelé e agora com Agnelo Queiróz), sendo remunerada pela conta mantida pela DNA Propaganda, empresa registrada em nome da mulher de Marcos Valério, Renilda Santiago.
... o ?empresário? (?consultor? ?? ?lobbista? ??) Ricardo Penna Machado, das festas no hotel Grand Bittar em Brasília, ao longo de 2003 e 2004, foi "Diretor de Suporte Técnico" do Instituto Nacional para o Desenvolvimento dos Desportos ? INDESP entre 1995-1997 na gestão de Asfilófio de Oliveira Filho, quando o ministro dos Esportes era Edson Arantes do Nascimento (Pelé), e já foi condenado pelo TCU em 1996 e 2004. Até outubro de 2004 foi sócio de Marcos Valério Fernandes de Souza na empresa MultiAction, e hoje apresenta-se como ?consultor da CBF?.
... a DNA, a SMP&B e a Multiaction trabalham junto com a Estratégia Marketing e Promoção Ltda, criada em fevereiro de 2004, tendo Marcos Valério Fernandes de Souza como ?sócio minoritário?, trabalhou em pelo menos duas campanhas de candidatos petistas a prefeito: Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Itabira (MG) e Petrópolis (RJ).
....o outro sócio da Estratégia Marketing e Promoção Ltda é Marcio Hiran Guimarães Novaes; ele representou a DNA Propaganda na concorrência do Banco do Brasil que, em 2003, e que ele que é casado com Simone Freitas, uma outra sobrinha do vice José Alencar,
....no caso das "fazendas de gado" de Marcos Valério Fernandes de Souza e da DNA na Bahia, os representantes legais da DNA citados na escritura de venda são, além de Marcos Valério , o mesmo falecido Daniel da Silva Freitas, sobrinho do vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, ex-marido de Margareth Freitas, sócia da DNA.
... os membros da CPI identificaram também saques do ex-secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, o ex-deputado Paulo Roberto Menicucci, de ao menos, 205 mil reais. Embora ele seja visto como um ?auxiliar? do ex-prefeito de Belo Horizonte (1993-1994) e ex-ministro das Comunicações de FHC, o advogado (João) Pimenta da Veiga (Filho), ele foi presidente da Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais - CDI/MG, de 1983 a 1986 (governo Tancredo Neves-Hélio Garcia); é membro da Executiva do PSDB de Minas e um dos políticos mais próximos do ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga. Vale lembrar que a SMP&B foi uma das agências que fez tanto a campanha de Pimenta da Veiga em 1988 quanto as de Eduardo Brandão Azeredo, que era vice-prefeito de Pimenta da Veiga, e assumiu a prefeitura em 1990, quando este saiu da prefeitura para se candidatar ao governo mineiro. Quando Eduardo Azeredo deixou a prefeitura em 1994 para se candidatar ao governo em 1994 (e ganhou) também a SMP&B fez parte da campanha, e o ex-tesoureiro Cláudio Roberto Mourão da Silveira foi então nomeado secretário de Recursos Humanos e Administração para o mandato 1995-1998. Em sua gestão, Cláudio Mourão nomeou como uma das diretoras da Secretaria a ex-funcionária da Prodemge, Simone Reis Lobo Vasconcelos ? a mesma que se licenciou do serviço público ao final do mandato, quando Itamar Franco sucedeu a Eduardo Azeredo, para trabalhar na SMP&B. No entanto, Marcos Valério Fernandes de Souza e seu sócio na SMP&B Comunicação, Cristiano de Mello Paz, avalizaram um empréstimo de mais de R$ 200 mil efetuado em 2001, pelo Banco Rural a Cláudio Roberto Mourão da Silveira
....depois Paulo Roberto Menicucci trabalhou na coordenação da campanha eleitoral do atual prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), à Presidência da República, com Pimenta da Veiga, em 2002. Mesmo assim, o engenheiro, que tinha mandato como representante do poder executivo nos Correios e no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel até fevereiro de 2004, conseguiu a proeza de se manter na estatal por mais um ano e meio no governo Lula. Segundo pessoas ligadas ao Ministério das Comunicações, ele foi mantido nos Correios a pedido de Pimenta da Veiga e de Aécio Neves. Em dezembro de 2003, deixou a diretoria de Tecnologia e assumiu a diretoria Comercial dos Correios. Ele foi citado no relatório de Auditoria Especial feita pela Controladoria Geral da União - CGU (pág. 4), como tendo assinado para Pregão Eletrônico 25/2004 (depois revogado) para aquisição de 4.000 ?equipamentos portáteis? (?impressoras móveis?), pelo Sistema de Registro de Preços. O relatório aponta que ?não foi encontrada no processo a caracterização da vantagem econômica conforme determina o parágrafo único do artigo 2 do Decreto 3.931/01?.
,,,, Paulo Roberto Menicucci, que é filho do conhecido médico e ex-deputado estadual, Dr. Sílvio Menicucci, deixou os Correios em abril de 2004; foi trabalhar na campanha da sua irmã, a advogada Jussara Menicucci de Oliveira (OAB 75246-MG), para a prefeitura de Lavras (MG). Ela, que já tinha perdido uma vaga de Deputada Estadual em 1998 pela coligação PMDB/PST (teve 13.188 votos) e em 2002 pelo PTB (teve 27.407 votos, e foi a 8ª. suplente), ganhou a eleição e nomeou o irmão ?assessor de Planejamento Estratégico? da prefeitura.
... a figura central da área de comunicação do governo Aécio Neves (PSDB), por exemplo, o ?publicitário? e "jornalista" Sérgio Esser foi gerente do departamento de Marketing e Comunicação do antigo Banco do Estado de Minas Gerais - Bemge (privatizado em 1997), na mesma época de Marcos Valério trabalhou no Bemge; deois, foi diretor da SMP&B e diretor de marketing do Banco Rural, antes de assumir a função de secretário-executivo na pasta encarregada da verba e das campanhas publicitárias do governo mineiro.
...o envolvimento do ex-governador Eduardo Azeredo (atual presidente do PSDB), de dirigentes da SMP&B, do vice-governador mineiro Clésio Andrade com a SMP&B e Marcos Valério aparece um uma ação civil pública onde todos foram condenados junto com o então subsecretário estadual de Comunicação, Eduardo Pereira Guedes Neto. Eles foram acusados de improbidade administrativa por promoverem, em 1998, a transferência de R$ 3 milhões da Comig - Companhia Mineradora de Minas Gerais e da Copasa - Companhia de Saneamento de Minas Gerais para a SMP&B, com o fim de patrocinar, sem licitação, o Enduro da Independência, que funcionou durante 10 anos sem "patrocínios" estatais. E que a SMP&B participava quando recebeu os recursos, entre agosto a outubro de 1998, do financiamento da campanha eleitoral de Eduardo Azeredo e de Clésio Andrade, então candidatos a governador e vice. E que ao mesmo tempo, a agência produzia a campanha ?Balanço 98?, sobre as "realizações" de Eduardo Azeredo. Quem aprovou a campanha foi Eduardo Pereira Guedes Neto.
... até vinte dias antes da operação com a Copasa e a Comig, em setembro de 1998, Clésio controlava a Holding Brasil S/A ? CNPJ 38.582.904/0001-45 (antiga C.S. Andrade Participações S/A) que na prática detinha a maior parte do capital da SMP&B. O Ministério Público Federal suspeita de simulação na transferência das quotas da holding, que teve quebrados pela Justiça os sigilos fiscal e bancário. A aplicação de R$ 1,5 milhão da Comig foi decidida em Assembléia Geral Extraordinária que colocou em votação ofício, com a data da assembléia, enviado por Eduardo Pereira Guedes Neto, propondo o patrocínio do Enduro da Independência, a título de ?incrementar o turismo?. No mesmo dia, a SMP&B recebeu R$ 1,5 milhão da Copasa. O dinheiro foi depositado em conta da empresa, claro, no Banco Rural. O MPE pediu o rastreamento do dinheiro e o bloqueio cautelar de bens dos acusados em até R$ 12 milhões. Nos autos da ação civil pública, o atual vice-governador Clésio Andrade ?sustenta a legalidade da transferência de suas cotas da SMP&B? e nega que tenha havido simulação. Mas depois disso Clésio Andrade constituiu a Holding Latino Americana S/A (CNPJ 06.037.624/0001-60), que na prática passou a controlar o Instituto J Andrade e outros ?negócios? da família.
... a sombra discreta, porém eficiente de Clésio Soares de Andrade (CPF 154.444.906-25, RG 3.235.500 / MG) pode ser vista também em torno da edificação do seu ?feudo dos transportes? primeiro participou de ?construtivas? histórias em torno de uma antiga e igualmente obscura e pouco conhecida: Associação Nacional das Empresas de Transportes Rodoviários Interestaduais e Internacionais de Passageiros - RODONAL , uma das que mais ajudaram na transição do esquema Sarney / Murad para o esquema Collor / PC / Lafayette Coutinho. Esta associação empresarial foi fundada em 1976, com a ajuda de Benito Porcaro, sócio e diretor da Viação Barreiro de Cima Ltda, de Belo Horizonte, acionista e diretor superintendente geral da Cia. São Geraldo de Viação, de Caratinga (MG); de José de Paula Maciel, de Francisco (?Chiquito?) Lopes e seus filhos Maria Selma Lopes e Heloísio Lopes, diretores da São Geraldo e da Rio Doce ; de Abílio Gontijo, da Empresa Gontijo de Transportes. Ficou conhecida pela sua mui digna atuação na eleição de Collor e no ?esquema PC Farias?, e depois de certas "pesquisas CNT", feitas pelo igualmente obscuro até 1994 Instituto Sensus, uma empresa de pesquisas também de Belo Horizonte. Depois, a RODONAL transformou-se em Associação Brasileira das Empresas de Transportes Terrestres de Passageiros ? ABRATI (CNPJ 00.439.002/0001-81). Clésio Andrade figurou como sócio das empresas Viação Jabaquara Ltda (CNPJ 00.006.176/0001-50) e Itamaraty Transportes Urbanos Ltda; depois, a partir da RODONAL / ABRATI, ele foi fundador e ex-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos ? NTU (CNPJ 03.604.923/0001-40) , que desde a década de 1980 comanda o poderosíssimo lobby das empresas de transportes coletivos; na seqüência, consolidou definitivamente o domínio de seu grupo sobre o milionário ?feudo? dos transportes, ao dirigir a antiga Federação de Transportes Urbanos de Minas Gerais, e tornar-se em março de 2001 o presidente da riquíssima entidade sindical patronal que ele mesmo ajudou a criar em 1993: a Confederação Nacional dos Transportes - CNT (CNPJ 00.721.183/0001-34).
.. a "entidade" ("feudo" ??) de Clésio tem em sua estruturas o poderoso ?quinto pilar? do ?Sistema S? , o ?SEST / SENAT (Sest = CNPJ 73.471.989/0001-95), e uma certa ?Revista CNT? . E E que ele foi reeleito em março de 2005.
.. as outras ligações da SMP&B com os grupos políticos de Clésio Andrade e outros setores da máquina pública estadual e federal: veja-se que, em agosto de 1996, apenas dois meses após contrair o citado empréstimo no Credireal, a antiga SMP&B Publicidade, antes de se transformar em SMP&B Comunicação, propôs a entrega da ?fazenda?, o que foi aprovada pelo banco em outubro daquele ano. O MP de MG afirma que a empresa, por dois de seus sócios, Clésio Andrade e o pai, o ?pecuarista? Oscar Soares de Andrade, também prefeito (PL) de Juatuba, região metropolitana de Belo Horizonte, um dos proprietários da Coletivos Santa Mônica Ltda (CNPJ 17.263.948/0001-32), se aproveitaram da "iminente privatização do Credireal",-- que afinal ocorreu em 1997, sob a gestão (1995-1998) do atual Senador Eduardo Azeredo -- o que "camuflaria a transação fraudulenta".Clésio Andrade, que já esteve sob suspeita no caso da máfia dos combustíveis em Campos dos Goytacazes (RJ), seria até mesmo o verdadeiro proprietário do Instituto Sensus (Razão social: Data World Pesquisa e Consultoria S/C Ltda, CNPJ 86.849.395/0001-17), mas ele se utiliza dos chamados "laranjas", como Ricardo Guedes Ferreira Pinto. Ele também seria o real proprietário de uma obscuríssima Rede Mineira de Rádio, entidade que não possui CNPJ, mas que congrega mais de trinta emissoras FM e AM em Minas Gerais, cobrindo mais de 85 por cento do território mineiro. Ela usa a razão social da Magui Comunicação & Marketing Ltda (CNPJ 03.481.764/0001-34), que está registrada em nome de Geraldo Magno de Almeida (Rua Rosinha Sigaud, 654, Caiçara - 30770-560 - Belo Horizonte ? MG, fone 31-3413-4285). Geraldo Magno de Almeida é o ?diretor administrativo-financeiro?; o de comercialização?, Fabiano Sallum; e o diretor de programação, Luiz Carlos Gomes.
... o juiz Jorge Macedo Costa, da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte, determinou em 27/06/2004 a quebra de sigilo bancário do altamente suspeito IDAQ - Instituto de Desenvolvimento, Assistência Técnica e Qualidade em Transporte , ?entidade vinculada? à CNT, mas que não divulga endereços nem balanços, e também presidida por Clésio Andrade; o juiz também mandou investigar o faraônico Instituto João Alfredo Andrade (?J. Andrade?), também de Juatuba (MG), instituição de ensino superior cuja ?entidade mantenedora? (Fundação Maria Luzia de Andrade, CNPJ 00.834.567/0001-63) também é presidida pelo vice-governador / ?empresário? / ?sindicalista? Clésio Andrade, e onde trabalham seu filho, Eduardo Henrique Pereira de Andrade (CPF 012.766.786-57) Também é interessante olhar alguns negócios em nome da sua esposa, Vania Fátima Pereira de Andrade, e de sua irmã, Cléia Terezinha de Andrade (CPF 378.608.286-34), que é dirigente da faculdade e do Senat.
.. à época da ação da Justiça Federal, em junho de 2004, o pai de Clésio, Oscar Soares Andrade, era ainda candidato a prefeito de Juatuba, terra natal do vice-governador. Acabou ganhando com 4.652 votos . Segundo a Folha on Line e outros veículos divulgaram à época, operações de cerca de R$ 12 milhões realizadas pelo instituto do "poderosíssimo" município de Juatuba, com seus 12 mil habitantes teriam chamado a atenção do COAF. Questionada sobre a suspeita de uso do dinheiro para a campanha, a assessoria disse que o vice-governador na época "desconhecia essa versão". Mas é bom lembrar, como já tinha sido registrado à época, outra parente do vice-governador, Adriene Barbosa de Faria Andrade, prefeita de Três Pontas (MG) entre 2001-2004, e oficialmente proprietária de uma certa ?ABF Participações?, era presidente da Associação Mineira de Municípios - AMM, e dos dois institutos.
... Oscar Ilton Andrade (26/09/1957), o outro filho de Oscar Andrade, proprietário da Empresa de Transporte Coletivo Itamarati, ex-deputado federal por Rondônia (??), era também ?Diretor do Estado de Rondônia? da NTU, para o período de 1/4/2005 a 31/3/2008. Claro que o ?Diretor do Município de Belo Horizonte? é outro filho de Oscar, Albert Andrade, o qual também é Vice-Presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SETRA/BH). O Diretor da NTU para MG é Fábio Couto de Araújo Cançado. Estão em muito boa companhia, porque o ?Diretor do Distrito Federal? é nada menos que Wagner Canhedo Filho.... Seus grandes ?companheiros? são exatamente os dirigentes desses ?sub-feudos? ou ?vice-reinos? das entidades sindicais patronais (sindicatos, confederações, federações e associações do setor); e eles são vários. Outro ?fiel escudeiro? da CTN/NTU/Clésio é Waldemar Araújo, diretor do Estado de Minas Gerais da NTU e presidente da também obscura FETRAM - Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de Minas Gerais (Av. Brasil 691, 10º. andar - Santa Efigênia ?Tel. 31-3274-2727. Dentro de suas prerrogativas, a FETRAM participa das negociações coletivas apresentando defesa ou instaurando dissídio coletivo dentro de sua competência legal. Elege ou designa os representantes da categoria junto aos organismos públicos e privados; Estabelece e arrecada as contribuições das entidades sindicais, empresas e demais instituições que participam de seus quadros; Cria comissões de estudos sobre assuntos de interesse da categoria, com emissão de pareceres, que se tornam oficiais com a aprovação de sua Diretoria; Participa de conselhos, órgãos e comissões instituídos pelos poderes públicos ou entidades privadas, visando a discussão de assuntos de interesse do setor de transporte de passageiros.
....em 3/11/1997, Marcos Valério e Clésio Andrade criaram duas ?empresas de telecomunicação?: a Bras Telecom e a Brastev. Com capital social de R$ 1 milhão, cada, e com sede num mesmo endereço - uma sala comercial de menos de 50 metros quadrados, no centro de Belo Horizonte (MG). Elas nunca chegaram a atuar. Na época de abertura, funcionava no local o escritório do mesmo advogado Rogério Lanza Tolentino, o sobrinho-neto da avó de Aécio Neves que continua defendendo Marcos Valério e a SMP&B. A participação de Clésio Andrade no negócio se dá por intermédio da ex Holding Brasil. A holding, antiga CS Andrade Participações (abreviação de Clésio Soares de Andrade), atuava com ?participações em instituições financeiras? e pertencia ao atual vice-governador de MG. Os registros dessa empresa também têm pontos obscuros. Segundo os dados da Junta Comercial de MG, a Holding Brasil, apesar de ser controladora de uma faculdade em Juatuba e uma agência de publicidade em Belo Horizonte, funcionou em São Lourenço da Serra (SP). No endereço, no entanto, há uma casa de dois cômodos que está com uma placa de venda. A proprietária, pedindo para não ter o nome revelado, disse oma vez que "alugava o imóvel para empresas que querem pagar tarifas reduzidas de ISS (Imposto Sobre Serviços)" - prática conhecida entre os moradores e os próprios fiscais da prefeitura local. No entanto, não há nenhum registro da holding na prefeitura. A antiga inquilina do imóvel, Claudete Francisca da Silva, também disse que recebeu correspondências em nome da Holding Brasil e disse que "nunca ninguém veio buscá-las." No entanto, quando requereu um domínio na internet, a Holding Brasil declarou como endereço "Rua Petrópolis, 20", no paupérrimo município de Ribeirão das Neves, a 25 Km de BH, e como telefone (31) 3496-6363. Mas este prefixo pertence a uma casa na região da Pampulha, em Belo Horizonte. O ?contato? indicado para o registro do domínio foi o e-mail
dettemiranda@yahoo.com.br .... Alarico Naves Assumpção, que trabalhava na DNA em Brasília até 2002, mas foi contratado como assessor da Secom (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República) de Luiz Gushiken em 15 de agosto de 2003, segundo o "Diário Oficial" da União. Foi alocado na diretoria de mídia. Sua exoneração, assinada por Gushiken "a pedido", foi publicada em 30 de junho de 2004.
...a Graffiti Participações Ltda detém participação da DNA e funciona no mesmo endereço da outra agência de publicidade de Marcos Valério, a SMP&B Comunicação, no sétimo andar do prédio número 1190 da rua dos Inconfidentes - edifício Empresarial Inconfidentes, em Belo Horizonte.
...a Petros, fundo de pensão da Petrobras, era proprietário do prédio, que foi vendido em 1999, no governo FHC, para as empresas Consultatum e PLANEFIN - Serviços, Assessoria, Planejamento, Administração e Participações S/C Ltda, CNPJ 51.974.483-0001-66, que ocupavam duas salas em um prédio na alameda Santos, em São Paulo. A Consultatum era de propriedade de Ronaldo de Souza. A Planefin era de ninguém menos que um dos ?tesoureiros? do PSDB, o ex-Diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, o sr. Ricardo Sérgio de Oliveira.
...outros negócios do antigo esquema de financiamentos de campanha e de caixa 2 ?PSDB-Serra-Ricardo Sérgio? relacionam-se a um homem chamado Gregório Marin Preciado. Como representante da espanhola Iberdrola, Gregório Marin Preciado também teve apoio de Ricardo Sérgio de Oliveira para injetar dinheiro da Previ e do BB no consórcio montado pela empresa, que conseguiu comprar em 1997 as companhas de energia: Cosern (Rio Grande do Norte) e Celpe (Pernambuco), e, em 2000, a Coelba (Bahia). Para gerir estas empresas, o BB agrupou estas empresas em uma holding denominada Guaraniania (em 29/09/2004 a empresa mudou seu nome para Neoenergia). Antes das privatizações, em 1995, Gregório Marin Preciado foi contemplado com o "abatimento" de R$ 74 milhões de dívidas de suas empresas com o Banco do Brasil, que contou com a aprovação do então diretor Ricardo Sérgio de Oliveira. O escândalo da redução das dívidas de Gregório Marin Preciado veio à tona em 2002 e abalou a candidatura de José Serra à Presidência da República. Além de terem sido sócios em um terreno, uma empresa que José Serra nunca declarou à Justiça Eleitoral funcionava num imóvel pertencente a Gregório Marin Preciado. Espanhol naturalizado, Gregório Marin Preciado é casado com Vicencia Talan Marin, uma prima de José Serra.
.. a "atuação" de Ricardo Sérgio de Oliveira, o dono da Consultatum / Planefim, dono do prédio onde ficam a SMP&B e a Estratégia Comunicação, no caso da venda do ?sistema Telebrás?, vendido em partes em 1998, e que teve como um dos principais vencedores exatamente o ?consórcio Telemar?, que foi pressionada a pagar comissões "por serviços prestados no leilão": quem cobrava a propina eram o lobbista e colecionador de arte José Brafman, e o ex-diretor da Caixa Econômica Federal e amigo de José Sarney, e Miguel Ethel; estes dois são os mesmos que faziam a ?ponte? entre Ricardo Sérgio de Oliveira e Benjamin Steinbruch na privatização da Cia Vale do Rio Doce, e que passaram a agir dentro da empresa com poderes de diretor. José Brafman tinha sala, secretária, assessores e cafezinho na Vale, e instalou um ramal telefônico da mineradora em sua empresa, a desconhecida Única Negócios Corporativos.
... quando depois foi transferida para Carlos Jereissati, do grupo La Fonte e da Telemar, uma das empresas de Ricardo Sérgio de Oliveira, a Rivoli Participações teve seu capital aumentado para R$ 32 milhões. Em 26/07/1999, a Rivoli passou 3,3% das suas cotas para as outras três sócias privadas da Telemar (Andrade Gutierrez, Macal e Inepar). Na mesma data, Luiz Rodrigues Corvo advogado de Ricardo Sérgio de Oliveira, foi nomeado procurador da Rivoli. Com apenas 0,27% de participação no consórcio Telemar, a empresa foi incorporada pelo grupo La Fonte, em abril de 2000.
... José Brafman e Miguel Ethel têm em comum muito mais do que uma eventual participação na propina cobrada durante o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce: eles se conheceram em posições opostas durante o governo de José Sarney (mar-1985/mar-1990). José Brafman trabalhava para o empresário Sérgio Dourado, um dos maiores empreendedores imobiliários do Rio de Janeiro nos anos 80. Endividado, Sérgio Dourado designou José Brafman como negociador de suas dívidas perante a Caixa Econômica Federal. José Brafman encontrou Miguel Ethel na diretoria de habitação da Caixa Econômica Federal, indicado para o cargo por Jorge Francisco Murad Júnior, marido da governadora do Maranhão Roseana Sarney e na época secretário particular do então presidente José Sarney. A construtora Sérgio Dourado acabou falida, mas José Brafman e Miguel Ethel permaneceram amigos. Depois, José Brafman foi voltar à vida de ?consultor?, e trabalhou para a Eletricidade de Portugal ? EDP. Vale lembrar que a EDP tem como um dos sócios principais a mesma Iberdrola, do Gregório Preciado, amigo dileto de José Serra, e é sócia do grupo Opportunity, de Daniel Dantas, na gestão da Calibre, subholding que controla a Escelsa e a Enersul, sociedades que atuam no setor de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no Brasil, dentro da holding Neoenergia (ex Guaraniania), em sociedade com a Previ. A tanto a EDP como a Previ são sócias da CPFL Energia[3], que tem como conselheiro o Diretor do BB, Adésio de Almeida Lima.
... uma procuração registrada no 16º Cartório de Ofício de Notas de São Paulo relata que Ronaldo de Souza é sócio da Antares Participações Ltda., uma empresa do ramo imobiliário, que atua na incorporação, compra, venda e aluguel de imóveis. Ela foi criada em 9/09/1998, pouco mais de um mês depois da privatização das empresas do sistema Telebrás, com capital social de R$ 2 milhões. Vera Regina Freire de Souza, a mulher de Ronaldo de Souza, também era sócia. Ela detinha a maior participação: R$ 1,98 milhão. O marido possuía apenas R$ 20 mil. Em 15/12/1999, o capital da Antares foi ampliado para R$ 5 milhões, seis dias depois de Souza nomear Ricardo Sérgio de Oliveira para administrá-la. Nesse momento, a empresa sofreu sua mais importante mudança: ela se tornou subsidiária da Antar Venture Investments, para a qual vendeu a maior parte das suas cotas. Vera Regina Freire de Souza retirou-se do negócio e as cotas do marido na Antares Participações foram reduzidas para R$ 50 mil, exato 1%. A off-shore passou a deter, assim, R$ 4,95 milhões do capital existente na Antares (99%).
... a Antar Venture Investments, sediada em Road Town, nas Ilhas Virgens, participou em 2001 como sócia da construção de um prédio no bairro Morumbi, em São Paulo, de 52 casas de padrão médio e alto, com quatro quartos e duas suítes, de R$ 600 mil a R$ 700 mil cada, dependendo do modelo. O empreendimento total foi de R$ 50 milhões. Um sócio de Ricardo Sérgio de Oliveira era José Stefanes Ferreira Gringo e suas empresas: a construtora Ricci Engenharia e a Real Park Participações e Investimentos (11- 3168-6116). A Real Park Participações e Investimentos construiu o Residencial Real Park Tietê, localizado na região próxima a São José dos Campos, mais precisamente na divisa de Mogi das Cruzes com Suzano, e a Ricci Engenharia, a empresa responsável pelo projeto de U$ 600 milhões das torres de escritórios do Centro Empresarial Água Branca, um projeto arquitetônico elaborado em 1995 pelo escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos que surgiu em 2001 na Av. Água Branca (SP), onde no passado funcionaram os galpões das Indústrias Matarazzo. Depois de pronto, a empresa de consultoria imobiliária americana CB Richard Ellis efetuou 100% da venda para do Centro Empresarial Água Branca para a PREVI e sua locação para o Grupo Abril.
... certos "negócios" de Ricardo Sérgio de Oliveira, Sérgio Motta e José Serra no exterior constam também de documentos do 3º Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo. Mostram que no dia 19/02/1998 Ricardo Sérgio de Oliveira e seu outro sócio, Roberto de Castro Visneviski, compraram um escritório em São Paulo da Andover Nacional Corporation, empresa instalada em Tortolla, nas Ilhas Virgens. Para especialistas em operações de lavagem, a transação é suspeita porque o responsável pela Andover é o próprio Roberto de Castro Visneviski. O tal escritório acabou se transformando na sede da Westchester, uma das ?consultorias? do ex-diretor do BB. Freqüentada pelo ?alto tucanato?, a empresa foi fechada em 1998, depois que Ricardo Sérgio de Oliveira deixou o governo como pivô do escândalo em torno do processo de privatização da Telebrás. Vítima de um grampo, Ricardo Sérgio de Oliveira cunhou uma frase para a história: ?Estamos no limite da irresponsabilidade.? Já o encerramento da parceria de José Serra e Vladimir Antônio Rioli na empresa de consultoria confirma a proximidade entre tucanos de alta plumagem. O documento que selou o fim da empresa foi assinado dentro do escritório da Hidrobrasileira, empreiteira que pertenceu durante 20 anos a Sérgio Motta. No dia 28/01/1995, dias depois de José Serra assumir o Ministério do Planejamento no primeiro governo FHC, Vladimir Antônio Rioli nomeou Dellinger Mendes, sócio de Sérgio Motta na Hidrobrasileira, como seu procurador para providenciar o encerramento das atividades da consultoria.
... Roberto de Castro Visneviski, o amigo de José Serra, Sérgio Motta e Ricardo Sérgio de Oliveira, é dono da Roberto Visneviski Incorp. e Construções Ltda - ROVIC (Rua João Cachoeira, 488 - 10º andar - Cj. 1001, Itaim Bibi, SP, Fone 11-3168-7228, CNPJ: 14.549.737/0001-72). A empresa iniciou suas atividades no setor imobiliário em 1978, destacando-se na construção de edifícios comerciais e residenciais de alto padrão nos bairros nobres de São Paulo. Até hoje, já entregou 2.926 unidades, o que representa 292.850 metros quadrados de área construída. Em 17/02/2005, ocorreu o julgamento do Processo Administrativo CVM Nº 04/00. Nele, Roberto de Castro Visneviski, a RMC S/A Sociedade Corretora, a Agropastoril Ricci Ltda e diversos outros foram julgados por ?realização de práticas não eqüitativas em operações realizadas no mercado de valores mobiliários, na forma do item II, letra "d", e vedadas pelo item I, ambos da Instrução CVM nº 08/79?; estas operações envolviam o fundo de Pensão Postalis, dos funcionários dos Correios. A RMC S.A. Sociedade Corretora, foi condenada a multa pecuniária no valor de R$ 234.071,95, equivalente a 15% sobre o valor total das operações realizadas.
... há também uma operação de internação de dinheiro a transferência do controle acionário da mesma empreiteira Hidrobrasileira S.A, que ficou mais de 20 anos sob o comando do ex- Ministro das Comunicações de FHC, Sérgio Motta, para a empresa PDI (Project Development International Coorporation), instalada em Luxemburgo. A PDI não passa de um escritório especializado em abrir empresas e contas de pessoas que preferem ficar no anonimato. Um mês antes de adquirir a Hidrobrasileira e se cadastrar na Associação Comercial de Luxemburgo, a PDI simulou um empréstimo de U$ 4,5 milhões com a Albion, instalada num paraíso fiscal qualquer, com juros de 4% ao ano ? longe dos 11% ao ano cobrados pelas instituições financeiras da Europa. A simulação do empréstimo é uma operação já conhecida das Unidades de Inteligências Financeiras criadas em todo mundo para rastrear operações de lavagem.
.. um dos advogados de Ricardo Sérgio de Oliveira, e de bancos e empresários brasileiros nos EUA, era o americano David Eric Spencer, que foi acusado ? em um laudo pericial da Polícia Federal ? de ter ajudado a transformar a mesma agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado) em Nova York numa ?megalavanderia mundial?, investigada pela mesma ?CPI do Banestado? que descobriu as conexões deste banco com o Banco Rural, com dirigentes da Previ, com o doleiro Alberto Youssef, com a SMP&B, e com a Esfort Trading (que transferia os recursos para o PL e para o deputado Waldemar da Costa Neto). David Eric Spencer concentrava seus "negócios caribenhos" na caixa postal 662 do Edifício Citco, em Road Town, nas Ilhas Virgens Britânicas, endereço do escritório da Citco, especializado na abertura de empresas offshore. Foi lá, por exemplo, que o advogado abriu em 1996, em nome de Alberto Youssef, doleiro do Banestado e do Banco Rural, a empresa June International Corporation, que movimentou US$ 650 milhões na conta número 1461-9 do Banestado. Desse total, US$ 56 milhões foram transferidos para a conta ?Tucano?, número 31003-5, no então Chase Manhattan Bank (hoje JP Morgan Chase) de Nova York, movimentada, segundo a PF, por João Bosco Madeiro da Costa, ex-chefe de gabinete de Ricardo Sérgio de Oliveira no BB, e ex diretor da PREVI.
...Alberto Youssef, doleiro preso pela Polícia Federal em 2000, revelou relações com o Rural e citou contatos com executivos do banco, como José Augusto Dumont e o ex-diretor de câmbio José Roberto Salgado, que, com a morte de Dumont, Salgado, assumiu a vice-presidência de Operações. Segundo o Valor Econômico apurou no Banco Central, no fim de 1993 duas ações do Ministério Público Federal - uma cível contra o banco e outra criminal, contra acionistas e dirigentes - estavam ?prontas para ser impetradas?. Mas as informações teriam vazado para Sabino Rabello, abrindo espaço para que ele articulasse o ?desarme da operação?. Políticos e ex-funcionários do BC foram convocados para as ?negociações?. Segundo fonte que participou das conversas, a diretoria de fiscalização do BC concordou em dar uma ?segunda chance? ao banco, para evitar prejuízos ao sistema financeiro. Com uma exigência: o afastamento de Sabino da presidência executiva. Dirigentes do BC tentaram impor outros nomes, mas acabaram concordando com a nomeação da filha do fundador, Júnia Rabello; e a nomeação para diretor do economista e professor universitário (UFMG), João Heraldo dos Santos Lima (RG 1.494.803). Detalhe: ele foi ex secretário da Fazenda de Belo Horizonte (governo Pimenta da Veiga, 1989-1990); foi também ex diretor de Política Monetária do BC (01/12/1992 ? 06/04/1993, governo Itamar Franco, gestão no BC de Gustavo Jorge Laboissière Loyola - 13/11/1992 a 29/03/1993), e ex secretário estadual da Fazenda (governo Eduardo Azeredo, jan-1995-dez-1998), quando o governo de Minas Gerais fechou com a União e o BC contrato de renegociação da dívida estadual de R$ 14,2 bilhões, e a venda do BEMGE e do Credireal. Ou seja: ele comandava a Fazenda Estadual em MG em 1997 e 1998, quando o Credireal aceitou receber a ?fazenda? da família de Clésio Andrade em troca da dívida da SMP&B, e quando Marcos Valério e Sérgio Ésser trabalhavam no BEMGE. João Heraldo dos Santos Lima responde a um inquérito (processo 002401094259-7, 11ª. Vara Criminal) por crime contra a ordem tributária.
... No fim de 2000, ainda no meio do segundo mandato de FHC, fiscais do Banco Central abriram uma investigação para averiguar a suposta participação acionária do Banco Rural na Rede TV!. As regras do BC obrigam os bancos a informarem ao órgão sempre que adquirirem ?participação acionária relevante? em instituição financeira ou empresa não-financeira. No caso, o órgão federal não teria sido comunicado sobre o assunto. A então diretora de Fiscalização do BC, Tereza Cristina Grossi Togni, disse que os fiscais da instituição souberam da suposta participação acionária em agosto de 2000. A suposta participação acionária do banco Rural na Rede TV! foi apontada por Rogério Gallo, ex-superintendente artístico da emissora, conhecido por ter sido um dos 116 namorados de Adriane Galisteu nos últimos dez anos. Em entrevista a Mônica Bergamo e Laura Mattos, o próprio Rogério Gallo disse que no ano de 2000, ?as coisas só melhoraram depois que o Banco Rural entrou na jogada (em agosto de 2000, ao renegociar uma dívida de R$ 40 milhões, conseguindo novo empréstimo, de R$ 12 milhões)?. Quando chegou a um ponto de ruptura, em 2000, o proprietário Amílcare Dallevo Jr comunicou que o banco ia participar da TV, como 9,99% da rede. Nos primeiros meses, a TV faturava só R$ 3 milhões e gastava R$ 7 milhões, por conta do Rural, que entrou e nomeou um superintendente financeiro, Luciano Curvello. O próprio Gallo admitiu o Rural controlava o fluxo do dinheiro, como tinha dito o próprio José Dumont, vice-presidente do banco
...em 1999 um delegado da Polícia Federal em Foz de Iguaçu (PR) Davi Makarausky, foi pego pelos seus próprios colegas ao jogar de cima de um edifício na avenida Paulista, em São Paulo, um computador que continha informações sobre as movimentações do doleiro Silvio Roberto Amnspach. A manobra do delegado, que depois foi condenado a oito anos de prisão e expulso da PF, não teve, no entanto, o resultado esperado. Depois de juntar as peças do computador, os peritos conseguiram recuperar os arquivos que continham uma classificação misteriosa: ?MTB, Banestado II.? O mistério somente começou a ser desvendado em março deste ano, quando o chefe da Promotoria Distrital de Nova York, Robert Morgenthau, enviou à CPI do Banestado um CD com informações sigilosas do antigo MTB Bank de Nova York. Os arquivos do MTB Bank, hoje absorvido pelo Hudson Bank, reúnem 750 mil operações de contas de passagem abertas por um grupo de 22 doleiros. São contas usadas para levar e trazer de paraísos fiscais dinheiro obtido por narcotráfico, corrupção e terrorismo. Ou seja, o MTB Bank foi apelidado pelos doleiros de ?Banestado II? porque substituiu o banco estadual do Paraná a partir de 1999, quando o organismo estatal foi fechado. A análise dos arquivos do MTB Bank traz revelações ainda mais explosivas do que as contidas no antigo Banestado. Em suas milhares de planilhas, a base de dados do MTB Bank contém 1,5 milhão de operações financeiras clandestinas que comprometem milhares de empresários, criminosos de vários calibres e pessoas públicas do País. Alertado por sua assessoria desse poder destruidor, o relator da CPI do Banestado, mesmo deputado José Mentor (PT) que recebeu através de seu escritório de Advocacia depósitos via Banco Rural da Tolentino & Melo Assessoria Empresarial, com a cumplicidade de governistas e oposicionistas, escondeu os registros do banco americano durante quatro meses. Mas, alguém quebrou o sigilo.Os dados do CD mostram que Ronaldo de Souza, o sócio de Ricardo Sérgio de Oliveira, e oficialmente proprietário do Edifício Inconfidentes, onde fica a SMP&B, a Consultatum e a Franton movimentaram por intermédio dos doleiros do MTB Bank US$ 1,35 milhão de dólares em bancos americanos entre 1997 e 2002. No caso da Consultatum, da Franton e de Ronaldo de Souza, as operações aparecem em detalhes na base do MTB Bank. No centro das movimentações das duas empresas está a Kundo, uma off-shore aberta pelo doleiro paranaense Alberto Youssef e que movimentava a conta número 00030101301 no MTB Bank. No dia 28/11/2000, por exemplo, Ronaldo de Souza enviou por intermédio da conta da Franton International Bank de Miami US$ 100 mil dólares para a conta da Kundo. Na operação, a própria Franton International Bank aparece como beneficiária da transação. No dia 21/10/1997, a Consultatum manda, por intermédio da Kundo, US$ 800 mil para Ronaldo de Souza na mesma conta da Franton International Bank no banco de Miami. As provas contra o ex-diretor do BB são irrefutáveis: o nome de seu testa-de-ferro sempre aparece nas duas pontas da transação ao lado do nome da Franton International Bank ou da Consultatum, cujo endereço em São Paulo também é detalhado. A Consultatum tem o mesmo endereço da Planefin, uma das empresas de Ricardo Sérgio de Oliveira. O mesmo esquema do MTB Bank foi utilizado por Sérgio Luiz Augusto Bragança, sócio do ex presidente do BC, Francisco Lopes, acusado de vender informações para o mercado financeiro. Segundo os dados armazenados no CD, o sócio de Francisco Lopes enviou por intermédio da conta de doleiros cerca de U$ 350 mil para uma conta no banco de Nassau, nas Bahamas. Toda dinheirama passava pela conta da General Star, uma off-shore que recebia repasse de vários doleiros do Banestado. No dia 01/01/ 2001, por exemplo, a General Star enviou US$ 40 mil para a conta de Sérgio Luiz Augusto Bragança.
... a Tolentino & Melo Assessoria Empresarial, que fez depósitos via Banco Rural para o deputado federal José Mentor (PT-SP) da CPI do BANESTADO, fez em maio de 2005 uma transferência eletrônica de R$ 500 mil para uma conta bancária no BankBoston da qual o procurador da Fazenda Nacional Glênio Sabbad Guedes é co-titular, juntamente com a mãe, Sami, e o pai, Ramon Guedes (este é o titular da conta). A operação integra um conjunto de dados enviados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) à Procuradoria Geral da República e à CPI dos Correios. É também a Tolentino & Melo a fonte de uma outra transferência eletrônica, de R$ 782 mil, destinada à mesma conta no BankBoston no final de 2003. A conta, que segundo Guedes é utilizada pela sua família conforme declarou ao jornal "O Globo", recebeu no final daquele ano um crédito em espécie de R$ 120 mil. O advogado Rogério Lanza Tolentino disse que as remessas eletrônicas, "se estão lá [no relatório do Coaf], é por conta" de serviços de assessoria prestados por Ramon Guedes à empresa.
... nesta banca de advocacia trabalham Eloá Cunha Veloso, o superintendente jurídico do Cruzeiro Esporte Clube, Dr. Ildeu Cunha Pereira Sobrinho (OAB 48521) e Dr. Rogério Lanza Tolentino. Este último, ex-Juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, aparece como sócio de Marcos Valério na empresa Tolentino & Melo Assessoria Empresarial. Consta que Rogério Lanza Tolentino teria sido apresentado a Marcos Valério pelo deputado federal do PT, Virgílio Guimarães.
... estes advogados, que ao mesmo tempo são sócios de Marcos Valério da empresa DNA Propaganda, possuem ligações com família do governador Aécio Neves, por parte dos pais e avôs: o ex-governador é neto de Tristão Ferreira da Cunha, quatro vezes deputado federal e ex secretário de Agricultura de Juscelino Kubitschek; é filho do ex-deputado Aécio Ferreira da Cunha e de Inês Maria Neves Cunha, filha do ex-governador e presidente Tancredo Neves; portanto, sua outra avó era Risoleta Tolentino Neves, esposa de Tancredo Neves. O outro irmão de Aécio Ferreira da Cunha era o lingüista e jurista Celso Cunha (1917-1989). A filha de Celso Cunha, a professora Cilene da Cunha Pereira casou-se com o também professor Paulo Roberto Dias Pereira. O primo de Tristão Ferreira da Cunha era Vasco Tristão Leitão da Cunha, ex-Ministro da Justiça de Getúlio Vargas (1941-1942), das Relações Exteriores de Castelo Branco (1964-1966) e ex-embaixador brasileiro em Washington sob Costa e Silva (1966-1968).
...o sócio de Marcos Valério na empresa Tolentino & Melo Assessoria Empresarial, Rogério Lanza Tolentino (OAB 21.092) indicado que foi pela OAB MG, antes presidida pelo outro advogado de Marcos Valério, o Sr. Marcelo Leonardo, integrou a Corte do TRE-MG de 5/08/1998 a 4/08/2000; e que neste período, foi um dos responsáveis pelo ?julgamento? das prestações de contas das eleições de 1998, não só das campanhas de Eduardo Azeredo e do PSDB como de outros partidos. Quatro meses antes de deixar o cargo e voltar à advocacia assumiu um processo no qual o senador e presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, e o atual vice-governador de Minas, Clésio Andrade, eram acusados de fazer propaganda eleitoral com verbas públicas e antes do período permitido por lei nas eleições de 1998. Sua atuação no meio jurídico e nos tribunais mineiros é conhecida exatamente por essa ?versatilidade?, já que defende tanto Eduardo Azeredo, como Marcos Valério, como a SMP&B; e em um mesmo processo (002403922383-9, 28ª VARA CÍVEL BH), é advogado tanto dos autores (o extinto Banco Nacional) como de Cristiano de Mello Paz. Já no processo 002497093216-6, da 1ª Vara da Fazenda Municipal, ele advoga para a Fazenda Pública do Município de Belo Horizonte contra..... a SMP&B Publicidade !!
... um sujeito chamado Cristiano Paiva Neves, que tirou R$ 300 mil da conta da SMP&B, é concunhado do ex-prefeito e cunhado de Vanessa Lucas, esposa do ex-prefeito de Contagem (MG), Ademir Lucas (PSDB) e atual deputada estadual também pelo PSDB. Cristiano Paiva Neves é também assessor parlamentar de Vanessa Lucas, e que é o segundo integrante da família a fazer parte da lista de nomes que receberam dinheiro das agências. Walquíria de Oliveira Rios, mulher de Cristiano e irmã de Vanessa, pegou R$ 210 mil em um caixa do Banco Rural, de acordo com a primeira lista do Coaf. O casal que aparece na lista mantém uma mistura de ?relações familiares e trabalhistas? com Ademir Lucas: o assessor Cristiano Paiva Neves é filho de Antônio Braz Neves, que foi procurador-geral de Contagem na administração do tucano. Quando Ademir Lucas era prefeito, ganhou um cargo de confiança na Fundação de Saúde de Contagem (Famuc). Depois, quando foi assessorar o governador Aécio Neves (PSDB) - e ganhou um gabinete no Palácio de Governo - Cristiano Paiva Neves passou a trabalhar no gabinete da cunhada. Sua mulher, Walquíria de Oliveira Rios, também costuma trabalhar por perto da família. Foi secretária de Ademir Lucas em 1998 e, quando ele chegou à prefeitura pelo PSDB, assumiu uma vaga na PAI/Contagem, entidade assistencial denunciada pelo Ministério Público da cidade por desvio de verbas. Hoje, trabalha no gabinete da irmã.
...para além dos ?esquemas publicitários? e ?documentais? do PT e do PP e PL, com a ajuda de seus ?laranjas?, mesmo o PTB e o PSDB não podem alegar que seu relacionamento com a SMP&B e a DNA sejam novos. Há diversos exemplos tanto no âmbito público, como, já em 1995, as campanhas "Minas Mostra o Caminho", ou em 1997, ambas no governo Eduardo Azeredo (PSDB), onde a SMP&B trabalhou nas campanhas aprovadas pelo então secretário de Estado da Casa Civil (1997/98), o deputado estadual Agostinho Patrus: ?Fim de Ano 97 - C", "Minas Trabalha e Faz Acontecer"; ?A Gente Faz é Pra Valer"; Série "Minas Comemora os Cem Anos".Além desse cargo, Patrus foi 1º-secretário da Assembléia Legislativa (1991/93, governo Hélio Garcia - PTB-PRS); presidente da Assembléia Legislativa (1995/1997, governo Eduardo Azeredo), e secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas (a partir de 3/1/2003, governo Aécio Neves).
...no setor público federal, DNA ganhava desde 1995, por exemplo, com a campanha dos correios "Endereço Certo Não Tem Erro", aprovada por Maria Stela de Oliveira, a "Cobrança BB", da DNA para Banco do Brasil, aprovada por Antônio Mozer; ou em 1998, com a campanha "Alcoolismo" do Governo da República do Brasil, aprovada por José Abrão (PSDB-SP).
...a DNA também atendeu a vários clientes "privado"s. Um deles é exatamente o Pré-Vestibular Pitágoras. Só que o cursinho, como o colégio e a faculdade do mesmo nome pertencem ao agora Ministro Walfrido Mares Guia, quando ele era vice-governador de Eduardo Azeredo e acumulou também a secretaria de Planejamento e Coordenação Geral. Em 1995, a DNA fez as campanhas ?Passa Lá", ?Chegou A Turma do Funil".
... saindo um pouco do núcleo que gravita em torno de Marcos Valério, mesmo o primeiro acusador, o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) e outros luminares do seu partido ainda poderiam ter ? se fossem instados a tal -- muitas explicações a dar, mesmo que tenha dado muitas demonstrações de habilidade para fugir delas. Conforme a IstoÉ de 14/09/1996 divulgou, o empresário José Roberto Di Francisco, 45 anos, antigo dono da indústria de fantasias infantis Disttoys e da factoring Bettel, especializada em financiar capital de giro para empresas em dificuldades, preparou, em 03/01/1996, um depoimento secreto a ser enviado à diretoria do Banco do Brasil, em Brasília. Numa mensagem ao seu advogado, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, o mesmo que defendeu Paulo César Farias durante as investigações que levaram ao impeachment de Fernando Collor, José Roberto Di Francisco revelou que em 1994, US$ 6 milhões retirados do BB foram investidos na campanha do então senador Antônio Valmir Campelo Bezerra (PTB) ao governo do Distrito Federal. Em carta com firma reconhecida em cartório e obtida por ISTOÉ, ele relata que foram gastos US$ 5 milhões no primeiro turno e US$ 1 milhão no segundo. Segundo seu depoimento a ISTOÉ, com o mesmo teor da carta manuscrita entregue ao advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, o então candidato recebeu os dólares embalados em camisetas da campanha, numa mansão no Park Way, um bairro nobre da cidade. A idéia de financiar a campanha de Valmir Campelo partiu de outro empresário, Domingos Rosolia Neto, dono da Standard Construções, que, ao lado de José Roberto Di Francisco, é um dos pivôs de fraudes cometidas no BB Jundiaí em 1994-1995. Em troca, os dois teriam o direito de indicar quatro diretores, inclusive o presidente da Companhia de Águas e Esgotos de Brasília (Caesb). "Vi o Domingos pagar ao ex-diretor de operações bancárias do Banco do Brasil Cláudio Dantas de Araújo uma comissão por intermediação de empréstimos de cerca de R$ 350 mil. Dantas recebeu US$ 10 mil na casa do empresário Osório Gatto, em São Paulo", Valmir Campelo perdeu para Cristóvão Buarque, e Cláudio Dantas abriu uma factoring, em sociedade com Osório Gatto, e responde a processo cível em Brasília por operações irregulares cometidas enquanto esteve à frente da Diretoria de Operações Bancárias (Diban). Ele confirma o encontro na casa do empresário Osório Gatto, mas nega que tivesse recebido qualquer comissão por intermediação de empréstimos.
.... no ano de 1997, no governo de Eduardo Azeredo em Minas Gerais, hoje presidente do PSDB, que recebeu doações da SMP&B, sob o comando do então vice-governador Walfrido dos Mares Guia, hoje ministro do Turismo, e do então secretário da fazenda João Heraldo dos Santos Lima, hoje diretor do Banco Rural, ocorreu um negócio até hoje pouco explorado e dimensionado com as ações da Companhia Energética de Minas Gerais - Cemig. A operação foi fechada em maio de 1997, e envolvia a venda de um bloco minoritário de ações para as empresas americanas Southern Electric e AES, em consórcio com mesmo Banco Opportunity, controlador da Telemig Celular e da Brasil Telecom, grandes abastecedoras das contas da DNA e da SMP&B. A operação foi financiada com recursos a juros baixos do BNDES então presidido por Luiz Carlos Mendonça de Barros, envolvido no caso de um grampo telefônico feito pela ABIN ? Agência Brasileira de Inteligência. Já as vantagens administrativas ao sócio minoritário ficaram por conta de um acordo de acionistas oferecido pela administração do então governador Eduardo Azeredo. Conforme relatado por diversos repórteres, como Estela Caparelli (Isto É Dinheiro, 13/10/1999), o consórcio privado não pagou nenhum centavo à vista pela empresa, que adquiriu em leilão por US$ 1,1 bilhão. A primeira metade desse montante foi liquidada apenas um ano depois, sem juros ou correção monetária, por meio de uma nota promissória. A outra foi financiada pelo BNDES em dez anos com juros de 3,5% ao ano. Nesse intervalo, os sócios privados receberam dividendos da empresa que ajudaram na quitação da transação. Os sócios privados receberam então R$ 500 milhões com a reaplicação dos dividendos. Causou indignação também o fato de a Southern Electric ter influenciado diretamente, com sugestões por escrito, a forma final do acordo de acionistas que a beneficiaria posteriormente. O advogado Eduardo Grebler, cujo escritório Grebler, Pinheiro, Mourão & Raso foi contratado sem licitação para preparar a operação de venda de ações da Cemig recebeu um fax sobre o novo acordo de acionistas com os dizeres ?Texto a ser incluído no Edital?.Entre outros itens, o acordo previa o aumento dos dividendos distribuídos aos acionistas de 25% para 50% dos lucros da empresa. Sabe-se, porém, pela correspondência entre um escritório de advocacia comandado por Eduardo Grebler e o governo, que mesmo o advogado foi contra a duplicação dos dividendos prevista pelo acordo. Essa sugestão e a insistência em que ela fosse aplicada vieram diretamente da Secretaria da Fazenda, cujo titular era João Heraldo dos Santos Lima.A revista Isto É - Dinheiro teve acesso à carta enviada pelo escritório de Eduardo Grebler a João Heraldo dos Santos Lima, datada de 20/01/1997. Na carta, Eduardo Grebler advertiu o governo de que ?o aumento não é uma prática comum no mercado? e que poderia ?implicar a menor capacidade da companhia de reinvestir seus lucros?. No início de fevereiro de 1998, a Secretaria da Fazenda respondeu, dando a entender que seguiu o conselho de Eduardo Grebler de manter a distribuição de lucros de 25%. Mas, no dia 25/02/1997, o governo volta a mudar de idéia: uma carta redigida à mão pelo então procurador-geral, Humberto Rodrigues Gomes, indica a Eduardo Grebler que ele ?deve aumentar o percentual para 50%, sim, mas apenas quando o patrimônio líquido da Cemig fosse superior ao de dezembro de 1996?. Foi essa última versão que passou a constar hoje do acordo de acionistas.
... o hoje ministro e ex-vice governador Walfrido dos Mares Guia, um dos responsáveis pela condução da privatização, disse na época que a idéia de alterar a distribuição de dividendos partiu pessoalmente de Luiz Carlos Mendonça de Barros, o mesmo do grampo no BNDES: ?Luiz Carlos foi um grande incentivador. Uma das idéias sugeridas por ele foi o aumento de dividendos de 25% para 50%?. Walfrido Mares Guia também faz um ?desabafo?: ?Se eu soubesse que tudo isso iria acontecer, não contrataria o escritório de advocacia. Chamaria um agente externo, por meio de licitação, para fazer todo o processo?. O ex-governador Eduardo Azeredo, sob cuja gestão fechou-se o negócio, admitiu à revista Isto É Dinheiro, ?desconhecer muito dos aspectos cruciais do processo que Itamar move na Justiça contra a venda da Cemig? classificado por ele como ?mais uma confusão, depois da moratória?.
Por fim, em 2003, já com Lula no Planalto, com José Serra na Prefeitura de SP, com Sérgio Motta morto, com a Telemar sócia do filho de Lula, com o Banco Rural na REDE TV! e dentro do PT, com o PT no comando da Previ e da Petros, com a Previ tendo comprado da Ricci e da RMC Corretora parte do Centro Empresarial Água Branca, com o BB instalado lá uma agência, com Marcos Valério no prédio de Ricardo Sérgio, e com este ?sumido?, as movimentações de Marcos Valério através de suas empresas, como a Tolentino & Melo Assessoria Empresarial, a Esfort, a 2S e a Graffiti explodiram. Segundo o levantamento da Receita Federal, feito com base no pagamento de CPMF, as movimentações financeiras nesse ano representaram quase dez vezes o volume das transações registradas nos três anos anteriores. Só na sua conta no Banco Rural de Belo Horizonte, a Graffiti movimentou em 2004 R$ 53,4 milhões, mais do que o dobro do ano anterior.
No entanto, não se sabe porque a Polícia Federal, a CVM, a ABIN, o COAF, o Banco Central, o TCU, a Secretaria de Previdência Complementar, a Controladoria Geral da União, o Ministério Público Federal e a Receita Federal não souberam de nada disso antes.
Na verdade toda essa situação vem expor a sociedade hipócrita em que vivemos. Políticos que abastecem seus caixas de campanha com dinheiro alheio e fazem da vida pública uma esteira de corrupção, lama e deixam expostos os mais baixos instintos, procurando despudoramente o enriquecimento ilícito dos seus. Quando observamos a periferia das grandes cidades nos perguntamos se estes senhores (se ainda merecem esta abordagem respeitosa), pensam por apenas alguns instantes no quanto são responsáveis por tanta miséria, à medida em que o dinheiro subtraido como diz a própria palavra, de forma rasteira, rapinosamente lesando cidadãos que laboriosamente e penasomente tentam sobreviver.Sabemos que a frase "A justiça é cega" procurou caracterizar a imparcialidade do julgamento envolvendo várias pessoas, mas o que parece é que as trevas que a envolvem são tão palpáveis que o que lhe falta mesmo é a luz tão facilmente é identificada pelo cerébro, formando as imagens que lhe estão à frente. Neste caso as imagens formadas retratam a miséria à que está submetida um povo. Quando vemos que o Sr. Salim, mesmo envolvido em tanta corrupção ainda consegue se eleger chegamos a pensa na velha máxima "Cada povo tem o governo que merece".