PERSEGUÇÃO AOS CAMELÔS NO CENTRO DE SÃO PAULO
A Prefeitura de São Paulo vem promovendo cenas de violência e perseguição aos trabalhadores e às trabalhadoras ambulantes.
O trabalho informal mostra-se como uma das únicas alternativas aos trabalhadores expulsos do mercado de trabalho. A questão em São Paulo, onde milhares de pessoas estão sem emprego e sem perspectivas de encontrar um, é antiga. As administrações municipais, incapazes de cumprir as atribuições delegadas pelo povo, como garantir o direito ao trabalho, executam uma única política: a perseguição e proibição do trabalho informal.
A repressão intensificou-se no centro da cidade a partir de abril de 2005, apesar de reunião entre o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, e os trabalhadores. Neste mês, operações apreenderam mercadorias e recolheram barracas na região da Rua 25 de março e no Terminal Barra Funda.
Em Maio, as operações passaram a acontecer também à noite. Ambulantes, guardas-civis e policiais militares se enfrentaram por diversas vezes na região da praça da República. Os camelôs revidaram à truculência e violência policial, e foram brutalmente agredidos. Bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e de pimenta foram usados, tiros foram disparados (em manifestações populares, policiais com arma de fogo em punho é absolutamente desaconselhado pelas Secretarias de Segurança), um trabalhador foi espancado por cerca de dez guardas-civis, que só interromperam o massacre quando a PM interviu.
Em agosto, a Subprefeitura da Mooca destruiu as ligações de energia e apreendeu centenas de barracas do largo da Concórdia, no Brás. Ainda em Agosto, camelôs da rua 12 de Outubro, na Lapa, foram impedidos de trabalhar. Nas duas regiões, houve protestos.
A Associação Paulista Viva - que reúne comerciantes, empresários e moradores da região da avenida Paulista ? encaminhou à prefeitura pedido de fiscalização do comércio ambulante na avenida, principalmente, dos camelôs que vendem yakissoba.
Apesar de todos os confrontos e protestos dos trabalhadores, a Prefeitura afirmou que irá ampliar as operações no centro da cidade. Segundo o sindicato da categoria, 8 mil ambulantes trabalham na região central de São Paulo.
Utilizando argumentos como o combate à pirataria e a valorização da paisagem da cidade, a prefeitura, mais uma vez, demonstra seu compromisso com o capital, as coorporações produtoras e distribuidoras de mercadorias e com a elite, e confirma seu desprezo àqueles que lutam pela sobrevivência, massacrando-os dia a dia.
A perseguição aos trabalhadores ambulantes faz parte do projeto em curso de "revitalização" do centro de São Paulo. Financiado por recursos do BID, o projeto vem sendo anunciado com estardalhaço pela mídia corporativa, que escamoteia a violência, o caráter sanitarista e as ilegalidades cometidas durante o processo - como o recolhimento de crianças das ruas sem o acompanhamento de assistentes sociais.
Quadro extra:
No dia 07 de setembro, livreiros ambulantes da rua Augusta foram impedidos de trabalhar, tiveram seus livros apreendidos e foram agredidos por policiais. Um trabalhador foi preso.
Os livreiros também não se calarão:
dia 17/05 ? 17:00 em frente ao Espaço Unibanco de Cinema (Rua Augusta, 1470)
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