A Armadilha da Globalização
A sociedade dos dois décimos
"No Século XXI,para manter a actividade da economia mundial,dois décimos da população activa serão suficientes.«Não haverá necessidade de mais mão-de-obra»,estima o magnata Washington Sycip.Um quinto dos candidatos aos postos de trabalho bastará para produzir todas as mercadorias e para fornecer as prestações de serviços de grande valor que a sociedade mundial pode gozar.Estes dois décimos da população participarão assim activamente na vida,nos rendimentos e no consumo-seja em que país for.É possivel que este número cresça ainda 1 ou 2%,admitem os participantes no debate das elites económicas no hotel Fairmont em São Francisco(EUA),acrescentando-lhe por exemplo os herdeiros das grandes fortunas.
Mas e os restantes?Será possivel imaginar que 80% das pessoas que desejam trabalhar não vão encontrar emprego?«Não há dúvida de que os 80% restantes vão ter problemas consideráveis»,afirma o autor norte-americano Jeremy Rifkin,que escreveu o livro "The End Of Work".O gestor da SunSystems,Gage,retoma a palavra e cita o director da sua empresa,Scot Mcnaly,considerando que,no futuro,a questão será «To Have Lunch Or Be Lunch»,ou seja «Ter algo para comer ou ser devorado».Também a expressão Tittytainment,proposta pelo velho rezingão que é Zbigniew Brzezinski,faz carreira.Este nativo da Polónia foi durante quatro anos Conselheiro de Segurança Nacional junto do Presidente norte-americano Jimmy Carter.Desde então,tem vindo a consagrar-se às questões geo-estratégicas.Segundo ele,uma sábia mistura de divertimento estupidificante e de alimentação suficiente permitirá manter de bom humor a população frustrada do Planeta.Impassíveis,os gestores debatem as dosagens aconselháveis e perguntam-se como poderá o afortunado quinto da população ocupar o resto superflúo dos habitantes do Globo.Os participantes no Debate contam com outro sector para dar um sentido à existência e garantir a integração:o voluntariado a favor da colectividade,a participação nas actividades desportivas e nas associações de todo o tipo.«Poderia valorizar-se essas actividades mediante a atribuição de uma renumeração modesta,o que ajudaria milhões de cidadãos a serem conscientes do seu próprio valor»,opina o professor Roy.Os patrões dos grupos industriais estão à espera de que,a breve prazo nos países industrializados sejam postas pessoas a varrer as ruas por um salário praticamente nulo ou que haja quem aceite(vejam só)um emprego de criado a troco de um miserável alojamento.Segundo o futurólogo John Naisbitt,a era industrial com a sua prosperidade de massas,não passa ao fim e ao cabo de um «piscar de olhos na história da economia».Os participantes nestes três memoráveis dias do Fairmont crêem estar-se a caminho de uma nova civilização.Mas a direcção apontada por este areópago de especialistas provenientes das direcções das empresas e da investigação conduz-nos directamente às vésperas dos tempos modernos.Estamos já longe dessas sociedade dos 2 terços que os Europeus tanto temiam nos anos 80,uma sociedade em que a repartição da riqueza e da posição social respeitaria a proporção dois terços/um terço.O modelo mundial do futuro baseia-se na fórmula um quinto/quatro quintos.Estamos a assistir à emergência da sociedade dos dois décimos,a sociedade que terá que recorrer ao Tittytainment para que os excluidos prmaneçam tranquilos.Será tudo isto desmesuradamente exagerado?

A Democracia presa na armadilha:
A integração global anda a par com a difusão de uma doutrina politico-económica miraculosa,permanentemente instilada na vida política por uma legião de conselheiros económicos:o neoliberalismo.Simplificando,a sua tese fundamental é a seguinte:O MERCADO É BOM E AS INTERVENÇÕES DO GOVERNO SÃO MÁS.Baseando-se nas ideias do pricipal representante desta escola,o economista norte-americano e Prémio Nobel Milton Friedman,a maior parte dos Governos ocidentais inspirados pelo neoliberalismo económico faz deste dogma a linha directora da sua politica ao longo dos anos 80 e 90.Desregulamentação em vez da supervisão do Estado,liberalização do mercado e da circulação de capitais,privatização das empresas nacionalizadas:eram estas as armas estratégicas que se encontravam no arsenal dos governos que acreditavam no mercado e das organizações económicas internacionais por eles dirigidas:O Banco Mundial,O fundo Monetário Internacional(FMI)e a Organização Mundial do Comércio(OMC).A desagregação
das Ditaduras de partido único no Bloco de Leste deram a esta lei um novo impulso e novas forças.Uma vez afastada a ameaça da ditadura do proletariado,começa-se desde logo a edificar a Ditadura do Mercado Mudial.A Europa e o Japão,a China e a India estão igualmente a cindir-se numa minoria de vencedores,e numa maioria de derrotados.Para milhões de pessoas,o progresso globalizado em nada representa um avanço.OS PROTESTOS DOS DERROTADOS DESTE JOGO SÃO FEITOS PERANTE GOVERNOS CUJO PODER DIMINUI CONTINUAMENTE.E quando os governos já não podem responder a todas as questões existênciais referentes ao futuro senão evocando a inexorável condicionante da economia transnacional,toda a politica se transforma numa comédia de impotência e o Estado democrático perde a sua legitimidade.A mundialização transforma-se assim numa armadilha para a Democracia."

Retirado de um site português. Eu, pessoalmente, penso que um quinto é muito: as coisas estão mais para um décimo/nove décimos