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| | LIMITES DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Resenha do livro de Guillermo Faladori, que critica os danos ambientais provocados pelo capitalismo e omite as desgraças ecológicas produzidas pelos marxistas.
Partindo do pressuposto que o regime capitalista de produção é o maior, senão o único, responsável pela aceleração da degradação ambiental porque depende do crescimento ilimitado à custa da redução de custos, e, portanto, da super exploração da natureza, Guillermo Faladori escreveu “Limites do Desenvolvimento Sustentável”. Um livro para justificar seus preconceitos marxistas e que esconde vários problemas lógicos e teóricos. O principal problema lógico do livro decorre de sua proposta inicial. Na primeira parte da sua obra, Faladori procura convencer o leitor a considerar uma escala geológica ao referir-se à naturalidade das extinções na história da vida. Nas demais, recusa-se a admitir como natural á extinção da espécie humana em virtude da superexploração da natureza. Além disto, ao adotar uma perspectiva geológica o antropólogo ignorou que a própria geologia é uma ciência nova. E mais, que não conhecemos suficientemente o planeta para, com segurança absoluta, fazer previsões geológicas catastróficas em virtude da poluição. Faladori afirma que “A crise ambiental reviveu formas de pensar místicas, contemplativas, românticas, de “volta ao passado”, todas expressões pseudo-religiosas, que podem se apoiar nas idéias prevalecentes sobre a origem do universo e da Terra.” Esta afirmação pode ser aplicada ao seu próprio referencial teórico. Afinal, o socialismo pode muito bem ser considerado como uma espécie de religião anticapitalista concebida por profetas ociosos como Marx e Engels em meados do século XIX para, através da revolução social e da supressão das classes, proporcionar a redenção da humanidade pela justiça social para todo sempre. Nesse sentido, ninguém deve estranhar o fato de Faladori defender o marxismo ignorando deliberadamente a hecatombe ambiental que ocorreu na URSS em virtude das experiências do regime socialista de produção. Por mais que o capitalismo seja predatório, o socialismo superou-o em seu desrespeito pela natureza. Num regime ditatorial repressivo como o soviético não havia espaço para qualquer tipo de denuncia ou de ação que pretendesse frear o ímpeto poluidor dos agentes econômicos. Segundo o autor “... tudo tende a indicar que a linguagem, que é o instrumento do pensamento, foi um resultado derivado da fabricação de instrumentos...”. Como bom marxista, Faladori pressupõe que toda cultura humana tem por base a economia. Entretanto, antes produzir ferramentas, nossos ancestrais foram caçadores coletores nômades obrigados a competir entre si por territórios de caça e coleta. É lamentável que um antropólogo ignore a importância da guerra para o desenvolvimento da cultura e da linguagem. De que outra maneira os grupos humanos poderiam coordenar as ações durante uma batalha primitiva senão através de algum tipo de comunicação? Para Guillermo os limites físicos do desenvolvimento sustentável inexistem, porque toda vez que uma matéria prima se torna escassa e, portanto, cara, outra mais abundante e barata passa a ser utilizada em sua substituição. Isto pode até ser considerado verdadeiro. Entretanto, a história depende menos da verdade e da física do que da ideologia. A ideologia não move montanhas, mas certamente desencadeia a maioria das guerras pelo controle ou acesso a matérias primas consideradas escassas. Mesmo que os limites físicos para o desenvolvimento sejam inexistentes, os EUA invadiram o Iraque por causa do petróleo e dos negócios que esta matéria prima é capaz de sustentar no planeta. O autor de “Limites do Desenvolvimento Sustentável” defende a tese de que “A base da poluição está na lei da entropia: a energia tende a se degradar, de energia útil a energia não aproveitável.” Contudo, a lei da entropia se aplica às fontes de energia e não ao homem que as utiliza. Aliás, ela própria é uma criação humana. Existe apenas como expressão da maneira particular como o homem encara a natureza. Faladori coloca no mesmo saco de gastos os economistas tradicionais e os defensores da economia ecológica. Os planejadores soviéticos não mereceram uma linha de repreensão em seu livro. Entretanto, foram os economistas socialistas que destruíram o Mar de Aral, provocaram a salinização de milhares de hectares de terras férteis e degradaram a vida de milhões de uzbeques em decorrência da superexploração socialista do algodão. Mas tudo isto foi conscientemente ignorado por Guillermo. Porque acredita que “Toda história do capitalismo é a de apropriar-se de recursos naturais virgens com o propósito de utilização privada.” Guillermo Faladori não se interessa pela história do socialismo. Caso tivesse coragem de abordar um tema tão espinhoso para sua tese, poderia afirmar que a utilização predatória da natureza pelo regime soviético também produziu efeitos colaterais não em virtude do caráter predatório do socialismo, mas em razão da ignorância de socialistas inautênticos. Mas Guillermo não teve a honestidade intelectual suficiente para sacrificar alguns socialistas a fim de preservar sua religião. Preferiu passar ao largo da questão e pronto. Caso se interesse pelo assunto, o leitor deverá formar sua opinião com base em elementos que ele desprezou porque não está interessado no assunto ou não pretende despertar o interesse do leitor para os danos ambientais provocados socialismo. Não deixa de ser uma ironia o fato de que sua crítica ao regime capitalista de exploração da terra possa ser aplicada à produção de algodão no Uzbequistão durante os anos dourados do regime stalinista. Faladori assevera que “Os livros de agronomia estão repletos de explicações detalhadas de como se deve trabalhar a terra para não levar os solos à degradação. O problema não é técnico, ou de desconhecimento. É social, derivado da vigência da aplicação do capital na terra.” Seguindo o mesmo raciocino do autor e conhecendo a história recente da agricultura uzbeque, podemos concluir que o regime socialista soviético era capitalista e, portanto, que os EUA tinham mais aliados do outro lado da cortina de ferro do que no mundo livre. A tese acerca da exploração capitalista do solo como agente da degradação ambiental em virtude da utilização de pesticidas e da irrigação despreza duas tendências contemporâneas: 1º- a supervalorização dos produtos livres de pesticidas estão invertendo a relação lucro x produtividade e criando um novo mercado para os velhos produtores despreocupados com problemas ambientais; 2º- a irrigação por gotejamento maximiza a utilização da água, reduz a degradação do solo e acarreta uma redução dos preços agrícolas que obriga os produtores e reverem suas práticas e custos. Mas Faladori só critica o capitalismo. Procura ignorar, portanto, os benefícios que a competição pode proporcionar. É por isto, aliás, que antes de terminar sua obra ele revela estar preocupado com as novas tecnologias, que seriam responsáveis pela redução da diversidade cultural e não instrumentos para preservá-la. É verdade que o capitalismo gera desemprego como observa Guillermo, mas também produz tributos que podem ser empregados pelo Estado para minimizar os efeitos perversos do sistema econômico. Os recursos gerados pelo socialismo eram empregados para construir armas nucleares, manter os líderes de um partido político e os oficiais de um exército corrupto na paz e covarde na guerra. Apesar de antropólogo, parece que Guillermo Faladori não percebeu que a revolução socialista é desnecessária e se tornou uma impossibilidade histórica e teórica. História porque o apelo a um regime de justiça social absoluta perdeu seu atrativo diante da derrocada do regime soviético, que além de truculento era ineficiente. Teórica porque o regime capitalista carrega dentro de si seus males econômicos e seus remédios políticos. Por mais que critique o capitalismo a partir de um referencial marxista, Faladori deve se curvar a uma verdade inquestionável: em razão de suas características o capitalismo é perfeitamente capaz de conviver com seus críticos. Isto é demonstrado pela própria edição e circulação de seu livro. “Limites do Desenvolvimento Sustentável” foi publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em parceria com a Unicamp, duas instituições mantidas com tributos derivados do sistema capitalista de produção brasileiro. O livro foi editado em 2001 e adquirido em perfeitas condições num SEBO por R$ 8,00 (oito reais) em novembro/2003. Se vivesse na URSS e pretendesse criticar hecatombe ambiental decorrente da produção socialista, Guillermo não seria premiado, mas encarcerado pelo Estado. Caso seu livro fosse impresso a maioria dos volumes seria apreendida e os que conseguissem escapar à censura seriam vendidos no Mercado Negro a preços exorbitantes. Em virtude de todos seus méritos “Limites do Desenvolvimento Sustentável” deve ser lido como um livro de ficção científica. O eloqüente Faladori é, sem dúvida alguma, um excelente ficcionista. Fábio de Oliveira Ribeiro
Da derrocada da economia de mercado Realmente quem olhar um pouco para a História poderá perceber a ferocidade com que o socialismo soviético explorou os recursos humanos e naturais, na sua competição desenfreada com o ocidente.Mas o que foi o socialismo real se não um capitalismo de estado?O próprio Lênin disse isto.O socialismo real foi apenas uma economia de modernização recuperadora.Sua derrocada mostra mais os limites e contradições do próprio capitalismo do que sua vitória.
Quem observar a atualidade Européia, com aumento do desemprego, da xenofobia e diminuição dos subsídios estatais, pode perceber que o declínio desta economia está claro e que ao contrário do que foi citado no texto, que apesar de produzir desemprego o capitalismo gera tributos para amenizar esse problemas, a financeirização do sisitema e o avanço da microtecnologia impedem a regulação estatal. Os empregos tomados por computadores não voltam mais e a massa de capital, mobilizado no cassino das bolsas de valores não gera nada além de vcalores abstratos. A crise de 2000 das bolsas asiáticas tranformou muitos trilhões me pó, e é consenso entre os economistas críticos que uma segunda vem aí e sabe-se lá com que intensidade.
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