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| | Digitalização de Rádio e TV
O Ministro das Comunicações - Helio Costa - anunciará na primeira semana de Janeiro de 2006 o modelo de TV digital a ser adotado no Brasil e seus possíveis desdobramentos politicos. A primeira exposição acontecerá em Julho do ano que vem, durante a Copa do Mundo. A mídia brasileira tem tratado o tema com superficialidade, o que impossibilita o debate e a participação da sociedade na implementação da TV digital. A digitalização tanto da Rádio quanto da TV amplia consideravelmente o espectro possibilitando o ingresso de novos canais e emissoras em um espaço historicamente caracterizado pelo monopólio. Porém, o Ministro das Comunicações, junto à Anatel e às empresas de comunicação, parece pretender perpetuar este quadro ao anunciar como "maravilhas" da TV digital, a alta resolução e a criação de serviços comerciais, em detrimento da multiprogramação. No caso da Radiodifusão, a falta de espaço no dial é hoje uma realidade apenas nas grandes cidades. Ainda assim, esse é o principal argumento utilizado pela Anatel para não disponibilizar mais canais para as Rádios Comunitárias. Com a digitalização da radiodifusão, além da melhoria da qualidade de som, a possibilidade de transmissão de diferentes dados via rádio, e a economia significativa de energia elétrica; a potencialização do espectro radiofônico abriria novos espacos para novas programações, e, no entanto, testes com o sistema americano IBOC (In-Band-On-Channel) já foram autorizados sem nenhuma discussão. Este sistema permite que ambos os sinais digital e analógico funcionem simultaneamente dentro da mesma banda alocada no dial hoje para o sinal analógico, assim, quando futuramente o sinal analógico for desativado, teremos as mesmas emissoras ocupando todo o espaco radiofônico. Links: O que é TV Digital A falácia da alta definição Comunicação Democrática - Tv digital Rádios Livres e a Digitalização SBTVD - Sistema Brasileiro de Televisão Digital Entrevista com o Hélio Costa Fora Hélio Costa! Editoriais Anteriores: Audiência Pública de Radiodifusão Comunitária: descaso do Governo Federal ao Direito à Comunicação
Comunicação é poder... O abandono das pesquisas que vinham sendo realizadas (e com grande êxito) sobre um padrão brasileiro de televisão digital e a proposta de adoção do padrão IBOC norte americano (ora, logo de quem, né?) são provas simples do poder da comunicação. Calma, eu explico isso bem devagar... Em um momento de crise e fragilidade do Governo Brasileiro (que apensar dos pesares ainda merece ser grafado com letras capitais, ao menos por determinação gramatical), em meio ao festival de petardos disparados contra, fez-se um novo loteamento de cadeiras de ministro para agregar aliados e agradar adversários. Nesta situação cai o antigo Ministro das Comunicações (que até onde sei, andava fazendo um trabalho no mínimo decente) e é empossado um ex-jornalista da Globo, maior empresa da área de comunicações e entretenimento (!?) da América Latina (esta sim merecedora das letras capitais, principalmente nestes últimos tempos). Hélio Costa não é um nome particularmente forte na esfera política nem um reconhecido tecnólogo das comunicações. O próprio fato da sua ascensão ao cargo já é uma evidência do poder de sua "base política", não um partido ou entidade de representação social, mas uma rede de televisão e rádio. Não se trata apenas de dar a chave do galinheiro das comunicações a um filhote de raposa midiática. É a demonstração do próprio poder que a referida rede de televisão possui. Neste cenário, as ações de Hélio Costa a respeito do abandono da pesquisa do padrão brasileiro de TV digital e a adoção do sistema norte americano (que aposta em alta definição em vez de aumento do "espaço" no espectro de transmissão) sugerem um esperável esforço para manter o poder conferido pelas telecomunicações na mão de poucos, principalmente de seus antigos chefes. Outras ações de Costa, como a tentativa de tomada de controle das iniciativas de inclusão digital do governo (e a quase discreta tentativa de sucateamento dos trabalhos de seu próprio ministério neste sentido) mostram este mesmo interesse de gerir as comunicações brasileiras com a intenção de perpetuar os presentes oligopólios da palavra e imagem e pensamento brasileiro. A nós, que por vezes mal sabemos o que fazer com nossos votos e não temos, pelo visto, o poder ou a organização para apitar na escolha de nossos ministros, resta tentar agir onde a raposa não enxerga. Por hora, as comunicações brasileiras vão mal, porque tem gente trabalhando em interesse próprio e quase ninguém para defender os interesses do povo, os nossos interesses. Só nos resta aquilo que sempre tivemos, a mídia alternativa... Política Levei um choque quando o Ministro Helio Costa informou que desistiria do projeto do sistema brasileiro de TV digital, sei que em pouco tempo depois ele voltou atrás e deu proceguimento ao estudo.
Não sei se este último fato é verdadeiro, agora o que maltrata a minha cabeça é o fato de que votei em Helio Costa, o imimaginava progressista, mas agora tenho minhas dúvidas (apesar de ler com muito sobre o assunto, as notícias não deixam claro se ele deixou continuar ou não os estudos). Penso que um estudo de tal magnitude só tem a contribuir com o desenvolvimento do país, mesmo que tenhamos que pagar alguns royalties a empresas estrangeiras, acredito que isso seja comum, não acredito que o sistema americano não pague em momento algum alguma espécie de direito a uma empresa japonesa. Espero que o Presidente Lula ajude na tomada dessa decisão tão importante.
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