| A respeito de posicionamento do Procurador do Estado de São Paulo, Cícero Hirata Por Heleieth I.B. Saffioti 02/01/2006 às 21:14 Manifestação da Professora Doutora, Heleieth I.B. Saffioti, a respeito de posicionamento do Procurador do Estado de São Paulo, Cícero Hirata, veiculado pelo mailing list da OAB/SP, em 26.12.2005. ( http://www.oabsp.org.br/main3.asp?pg=3.2-[1] Artigo - O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto), também republicado no JB comod e autoria de Ives Gandra Martins (!) dia 29 de dezembro de 2005... Manifestação da Professora Doutora, Heleieth I.B. Saffioti, a respeito de posicionamento do Procurador do Estado de São Paulo, Cícero Hirata, veiculado pelo mailing list da OAB/SP, em 26.12.2005. ( http://www.oabsp.org.br/main3.asp?pg=3.2-[1] Artigo - O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto) Dr. Procurador Cícero Harada Em primeiro lugar, nós, mulheres, não somos tartarugas. Tampouco as mulheres feministas. Não somos pró-aborto como método contraceptivo. O aborto constitui um último recurso, caso os métodos anticoncepcionais hajam falhado, a gestante rejeite a gravidez ou não tenha condições de criar seu rebento. São muitos os homens que, tomando conhecimento da gravidez de sua esposa/companheira, desertam, isto é, a abandonam. Esta constitui uma das razões pelas quais há um crescente percentual de famílias formadas de mães e seus filhos. O Dr. Procurador preferiu discutir a questão no campo religioso, tecendo loas ao Papa João Paulo II, o Papa da morte. Obviamente, na medida em que condenava o uso do preservativo masculino, permitindo apenas a abstinência (quem poria seu próprio pescocinho sob a guilhotina, apostando que os jovens se abstêm de sexo?), auxiliou o crescimento do contingente contaminado com HIV. João Paulo II conhecia bem a sociedade do espetáculo, tendo-o preparado para seu enterro. Irmão gêmeo, em idéias, do então presidente da congregação e hoje Papa Bento XVI, sabia sobejamente que sua obra teria continuidade por muitos e muitos anos. Com a primeira Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, em 1892, separaram-se Estado e Igreja. Portanto, a religião é uma questão de foro íntimo. A morte como decorrência de aborto mal feito, entretanto, não é, de modo algum, assunto afeto à instituição Igreja, quaisquer que sejam suas crenças e os controles que impõem a fiéis e a não-fiéis. Isto não é democracia. Ao contrário, é ditadura, uma vez que nem todas as religiões proíbem a Interrupção Voluntária da Gravidez, não havendo, a este propósito, consenso nem sequer dentre os católicos. Haja vista a organização Católicas pelo Direito de Decidir. Aí está mais um motivo para não situar a DESCRIMINAÇÃO (perdõe-me, Dr. Procurador, descriminilização e descriminilizar não são termos corretos) do aborto no terreno quer da religião, quer da instituição social Igreja. Mesmo porque, o livro SEXUALIDADE DA MULHER BRASILEIRA, de Rose Marie Muraro, revela que muitas católicas verbalizam sua discordância com a legalização ou com a descriminação do aborto, mas o praticam, sempre que um ou mais dos motivos acima mencionados se fizerem presentes. Não é a religião ou a Igreja que lhe provê o necessário à criação de seus filhos, mas a classe social em que ela, abandonada pelo marido/companheiro ou com sua família, se insere. Logo, Dr. Procurador, o objeto de nossa discordância situa-se na área das gigantescas disparidades socioeconômicas vigentes na sociedade brasileira. Mulheres ricas não morrem em decorrência de aborto realizado por curiosas ou de auto-aborto; nem sofrem em virtude de seqüelas provocadas por tais procedimentos. Há centenas de clínicas muito bem aparelhadas para fazer abortos em condições de total assepsia. É bem verdade que cobram caro, pois não deve ser barato um aparato de sucção para extrair um feto. Ademais, há o fator RISCO de se fazer um procedimento condenado pela ordem jurídica estabelecida em nosso país. Aliás, obra de homens, que sempre controlaram a sexualidade feminina e, no século XXI, ainda se dão o direito de decidir a respeito de nossos corpos. Já está nas livrarias, o livro da médica negra e feminista Fátima Oliveira, narrando, embora de forma romanceada, a fim de não permitir a identificação de padres e moças, engravidadas pelos primeiros, que as obrigaram a abortar. Também entre padres e freiras isto ocorreu muito, muito. Nestes casos, assim como nos de pedofilia, o que faz a Igreja? Simplesmente, transfere o padre para outra paróquia. É muito farisaísmo, Dr. Procurador! Prefiro a verdade, que meus pais me ensinaram. Para ser boa, para auxiliar a quem precisa, Dr. Procurador, não preciso desta Igreja. Bastam-me os ensinamentos cristãos que até hoje ainda recebo de minha mãe, uma senhora de 93 anos. Seguramente, seu Deus não é o meu. Enquanto procuro, é verdade que em escala individual, distribuir o que ganho com meu suor, a Igreja, exceto no início do cristianismo, sempre se alinhou com os poderosos. Ademais, Dr. Procurador, a história de sua Igreja revela que durante muitos séculos não proibiu o aborto. Só não lhe digo quantos séculos a Igreja aceitou o aborto para não enrubescê-lo. Heleieth I.B. Saffioti Socióloga, professora universitária em programas de estudos pós-graduados, professora titular de sociologia, aposentada pela UNESP, 12 livros publicados em Português, artigos publicados em inglês e espanhol, nos Estados Unidos, Europa e América Latina. ---------- Links: ------ [1] http://www.oabsp.org.br/main3.asp?pg=3.2- http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/12/340587.shtml Votação do aborto Ameaça à Soberania Brasileira 18/12/2005 21:08 naoconcordocomisto@yahoo.com.br O Projeto Matar e o Projeto Tamar: O Aborto Cícero Harada Advogado Procurador do Estado de São Paulo Conselheiro da OAB-SP Presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia-OAB/SP Artigo - Projeto Matar, e o Projeto Tamar: o Aborto Fonte: Assessorria de Imprensa – OAB SP 26/12/2005 http://www.oabsp.org.br/main3.asp?pg=3.2&pgv=a&id_noticias=3381 Centro de defesa da democracia e da cidadania, a OAB SP serve de palco de debates sobre o tema do aborto, sem ter posição oficial firmada, uma vez que recepciona todas as posições e argumentos. Este artigo reflete a posição pessoal do autor. O MESMO ARTIGO ASSINADO por Ives Gandra Martins no JB De 29.12.2005! http://www.jb.com.br/jb/papel/opiniao/2005/12/28/joropi20051228001.html O projeto Tamar IVES GANDRA MARTINS [29/DEZ/2005]
Email:: fatimarede@uol.com.br URL:: http://www.redesaude.org.br >>Adicione um comentário Qual a diferença entre quatro células e quatro trilhões delas? Nenhuma, ou melhor apenas o tempo. Nove meses. Nesta evolução, não existe marco divisório. Não acontece, nesta progressão, nenhum degrau. É contínua. E assim, até a morte do indivíduo. Concepção e morte. As únicas situações claras e definidas. Digamos que uma mulher resolva ter um filho, pois é seu desejo ter um, e então surjam problemas financeiros. O marido/companheiro, sabendo da gravidez, a abandonou (ou outro motivo qualquer). Então, deve ser possível ela abortar, com segurança, pois a vida será muito difícil, se não o fizer. Mas, se os problemas financeiros surgirem, somente um, dois ou cinco anos depois? Quando a criança já nasceu, engatinha, anda ou fala? Poderá a mãe ainda, se desfazer do motivo de sua penúria? E se não pode, qual é o argumento? Se uma mulher pode fazê-lo antes, qual a diferença, se fizer isso depois? Abortos sempre aconteceram e acontecerão, em todas as sociedades. E os motivos, para isso, são importantes sempre. Mas ninguém o faz com facilidade. É sempre uma decisão difícil, constrangedora e dolorosa a ser tomada. Para todos os envolvidos, familiares, o marido/companheiro também. Nunca o aborto será uma coisa tranqüila. Mesmo se legalizado. Sempre irá se pensar: “Como seria essa criança, se lhe fosse permitido viver?” Melhor nem pensar, esquecer o mais rápido possível. Até acontecer novamente, uma ausência prolongada da menstruação. Bem diferente é a prevenção, os contraceptivos, ligação de trompas e vasectomias. É uma questão social, arraigada no íntimo das pessoas. Sejam elas religiosas ou não. O aborto é interrupção da vida e ninguém, sente-se verdadeiramente tranqüilo, fazendo isso. Legalizá-los, muito mais do que proteger as mulheres que fazem abortos em condições inseguras, é desvalorizar a vida. É colocá-la em segundo plano. Valendo em primeiro lugar a situação financeira e outros motivos. Ou como querem muitos, que nenhum motivo seja necessário. É também covardia. Mata-se com o aborto, quem não pode se defender. E nem sequer opinar sobre isso pode. Com um feto, os abortistas, esbanjam coragem. Não fariam isso, a um adolescente crescido ou a um adulto. Pois ele poderia revidar, e pregar a mão na cara deles! Herdamos dos índios muitas coisas boas, uma delas é o tratamento carinhoso que damos aos nossos filhos. Bem diferente os europeus e estadunidenses. Eles não pensam duas vezes em condenar crianças a penas duríssimas. Assim, para eles o aborto, é coisa mais fácil e natural de se fazer, sem muitos constrangimentos. Mas nós somos diferentes, e muito! É só fazer um plebiscito sobre o assunto. Que seria o certo. Saberíamos então, o que é desejado, verdadeiramente, pelo brasileiro. Os abortistas, não querem. Tentam impor suas idéias, “por cima”, mudando a legislação. Falam em um milhão de abortos por ano e um milhão de filhos não desejados, no Brasil. A legalização do aborto resolveria, parcialmente esse problema. Não totalmente é claro. A dificuldade financeira, mesmo mais amena, normalmente deve persistir. Temos no Brasil cinqüenta milhões de miseráveis. Destes, a metade mulheres. Vinte e cinco milhões! Em que, a legalização do aborto, vai melhorar a vida delas? Qual é o empenho das pessoas que defendem a legalização do aborto, para resolver este gravíssimo problema, que é a desigualdade social no Brasil? A autora, fala em AIDS, que é disseminado, por falta de utilização da camisinha, que a igreja condena. Com a garantia de um aborto legalizado, será que a camisinha, não seria totalmente deixada de lado, piorando as coisas, e muito? A prostituição e a gravidez na adolescência, não aconteceriam muito mais, com a liberdade de engravidar sem preocupações? E as demais doenças, sexualmente transmissíveis, como ficam? A autora defende a Constituição no que se refere à separação Estado/Igreja. Acha isso certo. Entretanto a vida, o direito à vida, que também está na Constituição, acha que não precisa ser respeitado. Cita a autora ainda: “Já está nas livrarias, o livro da médica negra e feminista Fátima Oliveira, narrando, embora de forma romanceada, a fim de não permitir a identificação de padres e moças...” Ora, ora, um romance como argumento? Entretanto, arrisco dizer (estou chutando), que a médica, neste seu livro, comenta os abortos que fez ilegalmente. E romanceou, não deu nomes aos bois, não para proteger os envolvidos, mas sim para proteger-se, ela mesma. Para não ser incriminada. Abortos clandestinos, mesmo com a legalização, continuarão existindo. Justamente em casos assim. Que não podem aparecer, quando não é desejado a divulgação. A relação sexual de adulto com menor de idade, é crime. E o adulto, se for sabido quem é, fará das tripas coração, para que um aborto clandestino seja feito na menor que engravidou. Para não sujeitar-se à investigação policial, que poderia acontecer. Por que não evitar isto, legalizando também o estupro? Muitas mulheres, hesitarão em ficar horas e horas na fila do “Aborto Legal”, do SUS, para não “dar bandeira”. E também porque, uma consulta será marcada com um clínico geral, para daqui a um mês. Exames, para daqui a seis meses. A consulta com especialista, dentro de um ano. E a intervenção será marcada, para ser executada em dois anos ou mais. Quando então, o aborto já estará desmamado e quase na segunda dentição. Se o problema é melhorar a vida das mulheres, que se trabalhe para valorizar a família, de modo que elas não precisem criar os filhos sozinhas. O que sempre é um problema enorme. Que o trabalho dela e do marido/companheiro sejam bem remunerados. De modo que ter filhos, não seja um transtorno, empecilho e sim, alegria. Fernando Henrique Cardoso, sextuplicou o preço do gás de cozinha no Brasil. Não é preciso ser muito inteligente para saber o que será feito, quando acabou o gás e não se tenha os trinta Reais necessários. Vai-se ao mercadinho mais perto, compra-se por dois Reais uma garrafa de álcool. Com uma latinha, pedaço de tábua e três pregos, ou latinha e dois tijolos, improvisa-se um fogareiro. E pegam fogo o barraco, a casa e as pessoas. Holocausto, tochas humanas, em homenagem a Fernando Henrique Cardoso! Igualmente, um DOUTOR EM SOCIOLOGIA!  | Venho acompanhando com interesse e admiração o trabalho desenvolvido pelo Dr. Cícero Harada contra a liberação do aborto no Brasil, e aproveito o espaço deste site para cumprimentá-lo por sua coragem e clareza de argumentação, notadamente aquela exposta em seu brilhante e irrefutável artigo "O projeto Matar e o projeto Tamar". Parabéns, Dr. Cícero. Hermann Herschander Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de S. Paulo e professor de Direito Penal e Processual Penal.  | Tinha algumas perguntas a dirigir à Dra. Saffioti, cujo resumo autobiográfico é de si próprio impressionante e atrai indagações como as que dela, respeitosamente, peço resposta: 1. disse a nobre Dra. Saffioti que não é adepta do aborto como método contraceptivo? Pergunto-lhe então se, nos estudos acadêmicos a que procedeu, já encontrou alguém que espose o aborto como método contraceptivo. A indagação tem sua razão de ser: não consegui até agora imaginar como é que se fará um aborto sem anterior concepção; 2. ao sustentar que a separação entre Estado e Igreja implica o recolhimento da religião à esfera da privacidade, pensaria a Dra. Saffioti que a Sociedade Política se confunde, tout court, com o Estado? Pensaria, talevz, que nada há entre, de um lado, o indivíduo e, de outro, o Estado? 3. se não for demasiado, já que diz recebido ensinamentos cristãos da Sra. sua mãe, poderia a ilustre Dra. Saffioti dizer de que espécie confessional foram esses ensinamentos? 4. e, por fim, que bem faria à causa abortista se nos tivesse a bondade de indicar os documentos em que conste a Igreja Católica romana em apoio do aborto. Com a devida consideração, Prof. LUC REDESLOB  | Por favor, Professora, constranja o Doutor Cícero Hirata e ensine a todos nós quantos séculos foram que a Igreja defendeu o aborto. Indique-lhe as fontes, para que ele fique "hirato" de raiva. Por eu não ter boa formação acadêmica, acabo de consultar pacientemente o Denzinger e não achei bulhufas. Eles escondem bem as coisas, não é? Mas a Professora sabe melhor de tudo isso e vai fazer o Dr. Hirata enrubescer. Que beleza! Uma socióloga historiadora da Igreja e conservante de documentos sigilosos.  | Ao contrário do que equivocadamente diz a professsora abortista Heleieth I.B. Saffioti, o artigo assinado pelo Procurador Cícero Harada e o assinado pelo Jurista Ives Gandra da Silva Martins NÃO são o mesmo artigo. Como se pode constatar nas páginas indicadas abaixo, os dois artigos diferem, ainda que ambos comparem e contrastem o tratamento assombrosamente diferenciado dado, por alguns setores do Estado brasileiro, aos embriões de tartarugas e aos de seres humanos. ARTIGO DE CÍCERO HARADA: O Aborto, o Projeto Matar, e o Projeto Tamar Nome: Cícero Harada Enviada em: 30/11/2005 Local: SP, Brasil http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=politica&artigo=20051130153510&lang=bra «O Projeto Matar e o Projeto Tamar: O Aborto» Por Cícero Harada, Advogado, Procurador do Estado de São Paulo Código: ZP05120217 Data de publicação: 2005-12-02 SÃO PAULO, sexta-feira, 2 de novembro de 2005 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir artigo de Cícero Harada --Advogado, Procurador do Estado de São Paulo, Conselheiro da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), Presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia-OAB/SP-- sobre o tema do aborto. http://www.zenit.org/portuguese/visualizza.phtml?sid=81009 [em http://www.zenit.org , http://www.zenit.org/portuguese --- Bioética --- «O Projeto Matar e o Projeto Tamar: O Aborto» http://www.zenit.org/portuguese/visualizza_servizio_archivio.phtml?fecha=2005-12-2&idioma=6&giorno=2&mese_oggi=12&anno=2005 http://www.zenit.org/portuguese/visualizza.phtml?sid=81009 ] ARTIGO DE IVES GANDRA MARTINS: Sobre Seres Humanos e Tartarugas Ives Gandra da Silva Martins Revista Juristas - Ano I - Número 54 - ISSN: 1808-8074 30.12.2005 http://www.juristas.com.br/revista/coluna.jsp?idColuna=1088 O projeto Tamar Ives Gandra Martins Jurista [29/DEZ/2005] http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/opiniao/2005/12/28/joropi20051228001.html ARTIGO DE MARCELO FEDELI (2004): Também sobre o assunto, ver também o excelente artigo de Marcelo Fedeli: ''Embriões humanos e embriões de tartarugas marinhas, dois pesos e duas medidas'', por Marcelo Fedeli http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=ciencia&artigo=embrioeshumanos&lang=bra Embriões humanos e embriões de tartarugas, dois pesos e duas medidas Marcelo Fedeli Novembro de 2004 Fonte: Publicado no site www.montfort.org.br http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo293.shtml  | Concordante que estou em gênero, número e grau com o Procurador Doutor CÍCERO HARADA, decoto o excerto abaixo de acórdão do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo (Apelação 1.304.511), dando pistas sobre o progresso da ideologia animalista (quiçá, a esta altura, bestialista), ao passo que os direitos humanos são "selecionáveis": "Senhor Presidente, gostaria de desfiar umas tantas observações, à maneira de um pequeno excurso, daquilo que se pode extrair do cenário mundial das novas e ainda atuais tendências ecocêntricas, em particular no plano da ultimamente chamada ética zoocêntrica ou zootrópica. Porque, de legitimarem-se as atuações de salvaguarda do meio ambiente —o que me parece pacífico—, não com isso se podem justificar não importa quais maneiras de protegê-lo. Em outubro de 1978, na cidade de Bruxelas, a UNESCO —Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura—, considerando expressamente que “cada animal tem direitos”, proclamou a Declaração dos Direitos dos Animais. Entre esses “direitos” alistou o da existência (art. 1o), o de o animal ser respeitado (art. 2o-1), o direito que tem ele à atenção, aos cuidados e proteção do homem (art. 2o-3), o de ele viver livremente em seu ambiente natural e o de ele reproduzir-se (art. 4o-1), o “de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprios da sua espécie” (art. 5o-1). Por fim, a UNESCO prescreveu: “Os direitos dos animais devem ser defendidos pela lei como os direitos dos homens” (art. 14-2). Para bem ou para mal, isso foi uma novidade. A atribuição de direitos entendeu-se antes sempre como um conseqüente lógico da natureza social do homem. Afirmava-se, pois, o prius humano: já no direito romano firmara-se, a propósito, a regra hominum causa omne ius constitutum est. A idéia de direito sempre se relacionou a um suposto de natureza racional. Autores contemporâneos (entre outros: CHARLES STONE, FERNÁNDEZ BUEY, JESÚS MOSTERÍN, JORGE RIECHMANN, PAOLA CAVALLIERI, PETER SINGER), diversamente, propuseram uma nova “ética” com eixo na escala zoológica (ética zoocêntrica), quando não abrangendo mesmo todas as formas de vida (ética biocêntrica). Dessa maneira, o reino moral passaria a integrar-se de todos os animais (concepção mais lata), ou ao menos dos hominídeos (chimpanzés, gorilas e orangotangos), ou de toda a comunidade dos entes da biosfera (concepção latíssima: o que se designou como “comunidade biótica”). Essa nova ética guarda estreita correspondência com vários movimentos ecologistas e já se apodou de utopia verde. Conhecem-se variados episódios literários relativos a uma certa antropomorfização de animais, vegetais e entes inanimados: é falante a flor do planeta do petit prince de SAINT-EXUPÉRY; também falam as cartas de copas, na Alice… de LEWIS CARROLL. Predominam, contudo, na literatura, os animais antropomorfizados: p.ex., ao largo das fábulas de ESOPO e dos contos de GRIMM (o rei sapo, os músicos da cidade de Bremen, os sete cabritinhos, o lobo do Chapeuzinho Vermelho etc.), nas magníficas Crônicas de Nárnia de C. S. LEWIS e nas Camperas de LEONARDO CASTELLANI, no Felix de las Maravillas de RAMÓN LLULL, no Animal Farm de ORWELL. Vistoso nessa linha é o episódio do Livro do Gênesis, em que a serpente, encarnação do demônio, seduz Eva a cometer o primeiro pecado. Esse antropomorfismo literário dos animais é, todavia, preferentemente de cariz simbólico, não se aproximando do animalismo ético e jurídico de nossos tempos; já ao modo de uma exceção, no soneto A Árvore da Serra, AUGUSTO DOS ANJOS faz compartir a alma humana individual com um ente do mundo vegetal: “Deus pôs alma nos cedros… Esta árvore tem minh’alma”. Há quem sustente que o atual animalismo ético-jurídico tem um fato precursor na Alemanha: em meio à Segunda Guerra Mundial, espalharam-se ali cartazes com imagens de vários animais erguendo as patas direitas, com a típica saudação nazista, assim respondendo à saudação de HERMAN GÖRING, também retratado nos cartazes. Lia-se neles: Vivisektion ist verboten. Vale dizer, que se proibiam as experimentações com animais; não, porém, como se sabe —e a história registra amplamente—, as experiências com seres humanos! Nisso alguns encontram um sinal da aproximação do nacional-socialismo germânico com o mais amplo movimento ecologista e eugenésico, fortemente estabelecido em grupos tributários da influência especialmente de GALTON, todos ocupados das idéias de “raça pura”, “higiene”, “sadio sentimento” do povo etc. Claro que pode falar-se —e, seriamente, empenhar-se— numa ética e num direito relativos aos animais ou numa ética e num direito relacionados ao meio ambiente. Sempre, no entanto, considerada a primazia cósmica do homem, que ainda, parece, tem o direito de apresentar-se como imago Dei. Oxalá que os vários grupos de defesa da ecologia dirijam seus esforços a, o quanto possível, contribuir a uma existência melhor dos homens —não só física, mas também moral, intelectual e espiritualmente. Mas daí a exigir de um “catador de entulhos” que alimente seus animais com “refeições balanceadas” (está na moda dizê-lo), quando ele mesmo, por certo, e sua família não se podem entregar ao luxo desse tipo de refeição, vai uma distância imensa. Extrai-se até mesmo da própria normativa específica de regência, por força de compreensão, que inexiste ilícito na “alimentação incorreta” de animais, quando precária a situação econômica e financeira de seus donos: basta ver que, presente estado de necessidade, dispõe a Lei 9.605/98, pode mesmo abater-se animais “para saciar a fome do agente ou de sua família” (art. 67, inc. I). Na França, faz alguns anos, o “coletor de lixo” passou a designar-se como technicien de surface. Talvez sem levar de plus um único e miserável franco em seu salário mas certamente com um novo glamour nominal, esse technicien extérieur continuou a labutar, dia após dia, como o havia feito, dia após dia, ao tempo em que era um simples e antigo coletor d’ordures. Entre nós, noticiou-se recentemente que, em certa cidade, a Prefeitura do lugar propiciou a um amontoado de gente, que vivia da catação de lixo, agrupar-se como um “empreendimento autogestionário para a coleta de resíduos sólidos” (rectius: amontoado de gente para a catação de lixo). Para mim, Senhor Presidente, ainda que um “catador de entulhos” venha a designar-se como “purificador de ambiências” ou coisa que o valha, temo que dificilmente poderá alimentar seus cavalos e éguas com pão melhor do que aquele que ele come e faz seus filhos comerem. E esse pão, Senhor Presidente, esse pão que alimenta a nossa gente pobre, sabe-se que tem sido muitas vezes o pão que o diabo amassou…". Escusando-me da extensão do excerto, Atenciosamente, P.Z.G  | Peço licença para acrescentar um trecho de outro acórdão do TACRIM de São Paulo, exatamente na linha adotada pelo Procurador de Estado CÍCERO HARADA: “Quando afrontas a árvores e peixes são, numa sociedade civil, tratadas de modo equivalente às ofensas contra os homens, não se pode estranhar que a lex artis se perverta muito freqüentemente em mala praxis, e que um médico se veja sumariamente equiparado a um carpinteiro —para quem lenhas são apenas lenhas, entes comuns e fungíveis— ou a um afanoso pescador, atarefado em selecionar peixes pelo só vulto de suas polegadas. Para que haja alguma ilustração disso, tome-se o caso deste nosso pobre Brasil de hoje, em que as penas cominadas para o aborto humano provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124, CP) são iguais àquelas que se estatuem para quem provocar, por emissão de efluentes ou carreamento de materiais, o perecimento de espécies da fauna aquática (Lei 9.605, de 12-2-98, art. 33); penas também iguais às que se aplicam a quem pescar em época proibida ou lugar interditado (Lei 9.605/98, art. 34) ou a quem atentar contra a vida de uma árvore desde que gloriosamente situada em floresta que se considere de preservação permanente (Lei 9.605/98, art. 39). Já não parece pensar-se gravemente no fiel respeito à intangibilidade e irrepetibilidade de cada ser humano, antiga e sábia afirmação da antropologia filosófica que a ciência biológica dos nossos tempos, a partir da descoberta dos grupos HLA, por JEAN DAUSSET, confirma de maneira empírica” (Apelação 1.189.143). Com consideração, P.Z.G.  | Comentário de uma mãe de família Silvia Castro Sou antes de mais nada mãe de cinco filhos. Claro está que sou contra o aborto. Por isso saio em defesa do Dr Cícero Harada (não Hirata, como publicaram ironicamente alguns) e mais ainda, em defesa daqueles que ainda não nasceram e estão condenados à pena de morte. Aliás, referindo-me à pena de morte, se fizermos uma pesquisa creio que encontraremos em todos os abortistas muito bons pretextos para serem contra a pena de morte. E condenam um inocente à pior das mortes. Ou ele é esquartejado, ou sugado, ou queimado com uma solução ácida.Imaginem, voces que me lêem, a tortura deste pobre entezinho que não pediu para ser concebido. Imaginem também a incoerência dos abortistas quando dizem que "a mãe é dona do seu corpo". É sim, dona do seu corpo, mas não do corpo daquela criança que ela concebeu. Seja qual o motivo da concepção, é uma vida que está se desenvolvendo e tem que ser respeitada. Há alguns anos atrás, a Globo exibiu um filme que se chamava "Um grito no silêncio". Era a filmagem de um aborto: o feto se encolhe todo, tentando fugir do aparelho que o suga e no último momento abre a boca como num grito de socorro que ninguém ouve. Era horrível. No site da Provida de Anápolis, há dezenas de provas de como a criança que é sumetida ao aborto é maltratada. E àquela senhora professora da PUC, autora de doze livros, só tenho a dizer: "que pena sua mãe não ter pensado como a senhora! Estaríamos então livres de ler pérolas como as suas!"  | Estranhável o silêncio da socióloga SAFFIOTI. Postou no site uma carta contra o Dr. HARADA, encimando-a por um título em que lhe grafa o nome "HIRATA". Recebeu meia-dúzia de respostas avessas e o que faz é manter-se em compugente silêncio. Que espírito democrático! Quanto ânimo de diálogo! Se houvesse ela prestado um pouco mais de atenção às lições de Química e Física do Prof. Waldemar, se, em vez de impressionar-se com o fato de ter 12 livros publicados, pensasse um tantinho sobre o que estava a escrever, não incorreria no absurdo de aventar a hipótese de abortos contraceptivos (!). Seu silêncio parece bradar altissonante: xeque-mate. Mas como as companheiras resolveram pedir a cabeça do Dr. HARADA junto a uma importante entidade de classe, pode ser que haja algo mais no desfecho dessa polêmica. A verdade não é fácil de combater publicamente. Nem impunemente.  | A Dra. Saffioti, quase ao fim de sua carta contra o Dr. Harada, afirmou que não precisa da Igreja católica. Mas parece que precisa da Universidade que, em São Paulo, a duras penas é mantida pela Igreja católica, Universidade em que pode pregar suas posições em favor do aborto. Com a palavra o Cardeal-Arcebispo de São Paulo, Grão-Canhceler da PUCSP. LUC REDSLOB  | Parabéns Dr. Cícero Harada! Enquanto mulher, lamento profundamente a ignorância das ativistas feministas defensoras do aborto. Embasados numa monumental indigência intelectual, seus discursos, recheados de mentiras e meias verdades, encontram-se desgastados pela constante repetição. Sinto muita pena destas mulheres e nutro a esperança de que um dia possam acordar para a realidade, mudar seus pobres ângulos de vista, como fez Jane Roe, cujo nome verdadeiro é Norma McCorvey. Para os que não conhecem a história,(o famoso caso ROE X WADE)ela foi estimulada por advogadas inescrupulosas a lutar pelo direito de abortar no Texas. Ela chegou a inventar que havia sido estuprada, o que finalmente funcionara para lhe dar a vitória na Justiça, em janeiro de 1973, mas já era tarde demais para realizar o aborto. Hoje ela se regozija com o aborto não praticado, 25 anos depois: Jane abandonou sua militância de abortista e confessou corajosamente que havia mentido para acelerar o processo na Justiça. Mais corajosamente ainda, em janeiro de 2005, entrou com uma petição no Supremo Tribunal para pedir a reversão da sentença do caso, apresentando o testemunho legítimo de mais de mil mulheres abaladas psicologicamente pelo aborto e 5.300 páginas de evidências médicas. Ela conta isso tudo em seu livro Won by Love ("Vencida pelo Amor"). Voltando às ativistas do nosso debate, que freqüentam a academia, estudam, defendem teses e escrevem livros caso da Professora Doutora, Heleieth I.B. Saffioti e também da citada médica negra feminista e promotora do aborto Dra. Fátima Oliveira às quais, fazendo uma ginástica semântica descomunal para defenderem o indefensável, a legitimação do assassinato, o aborto, não conseguem porém enxergar a verdade mais óbvia, a preciosidade da vida humana. Por esta razão estão empenhadíssimas na batalha pela aprovação do PL 1135/91, em discussão no Congresso Nacional atualmente na CSSF. O projeto (substitutivo) da médica Jandira Feghali dá "a toda mulher o direito" de matar o nascituro, mulher ou homem até o nono mês. Parece incrível, mas é verdade. E mais: é chocante. Trata-se do direito de eliminar o ser humano mais indefeso e inocente. É a negação do direito humano mais fundamental: ver preservada a vida do começo de sua existência até a morte natural. A propósito do aborto legalmente permitido, chama poderosamente a atenção, a espantosa contradição em que incorrem os que são tão solícitos na defesa dos direitos humanos, contra a violência, a tortura material ou moral, o seqüestro e o assassinato, e por outro lado admitem o aborto, que custa a humanidade muito mais vidas que as ocasionadas pela violação dos mencionados direitos. Como se o nascituro não tivesse o direito de nascer, o direito à vida. Entendo a saída do aborto como uma saída fácil para um problema difícil, fruto de uma sociedade doente e confusa como todos nós sabemos que é a sociedade ocidental contemporânea. Existe um projeto cultural muito difundido, e em parte inconsciente, que se orienta a desconectar-se o mais possível do direito natural, fundamento dos direitos humanos. Se já não há um direito natural inalienável que garanta a igualdade dos seres humanos (por exemplo no que respeita ao direito à vida e à liberdade pessoal), tudo se transforma em negociável e relativo. Isto é relativismo ético: porém está claro que se trata de uma concepção que leva à destruição da idéia mesma dos direitos humanos. Históricamente, o direito à planificação familiar nasceu da pressão de poderosos lobbys antinatalistas internacionais, (por exemplo, Fundacão Rockefeller, Fundação Ford, Fundação Macarthur entre outras), ajudados pela vontade dos países desenvolvidos do ocidente, em exercer um controle demográfico sobre os países do terceiro mundo. O objetivo era impedir o aumento da população dos países pobres inclusive através da coerção. E o feminismo tem sido, paradoxalmente, uma máscara para realizar estas práticas de controle freqüentemente selvagens e violentas sobre os corpos das mulheres, em especial nos países pobres. Peço licença para transcrever abaixo, trechos de um belíssimo artigo que hoje tive a oportunidade de ler, escrito por Judie Brown que como eu, também é mãe de três filhos: http://www.all.org/news/060105.htm, com tradução livre da querida Sandra, que refletem inteiramente meus sentimentos sobre o tema. ""Eu também sinto pena da mulher que, na sua pressa de aplacar seus desejos, foge de seu filho deixando sua vida na mesa fria e dura do consultório do abortista, ou talvez ingerindo uma pílula que irá matar seu filho silenciosamente e sem muito sangue. Em qualquer dos casos, a mulher se tornou vítima da cultura da morte, a perseguição em busca da escolha, a corrida louca pela liberdade apesar do custo. Ela comprou a mentira de que a qualquer momento pode ter qualquer coisa que desejar simplesmente porque ela assim o quer, e que as consequências podem ir para o inferno. Enquanto o ego estiver satisfeito, a luxúria contentada ou o desejo preenchido, tudo está bem. Não é bem assim. Eu posso ser um pouco antiquada, mas me lembro de um tempo quando as meninas aprendiam que as mulheres foram criadas por Deus para serem mães porque elas possuíam instintos especiais, poderes especiais e características corporais únicas que as tornavam perfeitas para criar e cuidar dos filhos. E por isso, nos ensinavam, que as mulheres queriam ser cuidadas e amadas por um homem dentro do contexto do matrimonio ordenado e abençoado por Deus. A mulher que despreza um filho é uma mulher que jamais absorveu a lição valiosa sobre o por que Deus criou as mulheres. Para mim, o mundo é um lugar pesaroso por causa disso. Se vivêssemos numa sociedade sadia, não haveria lugar para bebês "tecno" ou bebês "lixo". Mas não vivemos neste ambiente - não vivemos já há muito tempo. O nosso ambiente é um caldeirão de lixo biológico cheio dos restos de bebês de procedimentos in-vitro fracassados, bebês mortos abandonados por suas mães que optaram pela morte ao invés da vida, e vidas arruinadas, devastadas pela compreensão - já tardia e sem importância - de que teria sido melhor se o sacrifício pessoal tivesse substituído a auto-gratificação. A promiscuidade sexual trouxe trágico pacote de doenças, mortes, abandono e tristeza incomensurável. O que as mulheres desejam? É uma questão complexa para um mundo saturado em sexo. Mas eu acho que existe uma cura para tudo isso. O antídoto pode ser encontrado num antigo adágio que ainda soa tão verdadeiro: jamais saberemos o significado do amor até aprendermos como amar alguém mais do que a nós mesmos. Foi assim que Deus nos fez, homens e mulheres."" Sonho com um mundo em que seja possível salvar a vida dessas crianças geradas por incidentes sem destruir a vida das mulheres vitimadas por esses mesmos incidentes. Caro Dr. Cícero, torçamos também para que estas moças ativistas feministas, a exemplo de Norma McCorvey, mudem de idéia e quem sabe um dia estarão ao nosso lado louvando e defendendo verdadeiramente a vida em toda a sua inteireza! Maria Rita Scavone Educadora - SP  | Eu fiz cinco mil abortos Dr. Bernard N. Nathanson Este texto é de uma conferência proferida pelo Dr. Bernard N. Nathanson no "Colegio Médico de Madrid", publicada pela revista FUERZA NUEVA, de onde se transcreveu. O testemunho é sumamente valioso tendo em conta a personalidade do autor, um dos mais importantes defensores do aborto em seu país (EE.UU.) É importante que vocês se dêem conta que fui um dos fundadores da organização mais importante que "vendia" aborto ao povo norte-americano. Havia mais outros dois membros: o Sr. Lawrence Lader e uma senhorita que pertencia ao movimento feminista. Em 1968, quando organizamos o movimento calcula-se que menos de 1% era partidário da liberação do aborto, ou seja, de 100 pessoas, 99 estavam contra e nosso orçamento era de 7.500 dólares anuais enquanto em 1982 já se aproximava de um milhão de dólares. Vou explicar-lhes como estabelecemos o plano para convencer essas 199 milhões de pessoas em um país de 200 milhões para que o aborto fosse aceito. As táticas que vou explicar são seguras e além disso são as mesmas que se estabeleceram em outros países e também as que se utilizam na Espanha e nas demais nações. Serviram-nos de base duas grandes mentiras: a falsificação de estatísticas e pesquisas que dizíamos haver feito e a escolha de uma vítima que afirmasse que o mal do aborto não se aprovaria na América do Norte. Essa vítima foi a Igreja Católica, ou melhor dizendo, sua hierarquia de bispos e cardeais. Quando mais tarde os pró-abortistas usavam os mesmos "slogans" e argumentos que eu havia preparado em 1968, ria muito porque eu havia sido um de seus inventores e sabia muito bem que eram mentiras. Falsificação das estatísticas É uma tática importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticavam um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam de cem mil, mas esse número não nos servia e multiplicamos por dez para chamar a atenção. Também repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número era muito pequeno para a propaganda. Esta tática do engano e da grande mentira se se repete constantemente acaba sendo aceita como verdade. Nós nos lançamos para a conquista dos meios de comunicações sociais, dos grupos universitários, sobretudo das feministas. Eles escutavam tudo o que dizíamos, inclusive as mentiras, e logo divulgavam pelos meios de comunicações sociais, base da propaganda. É importantíssimo que vocês se preocupem com os meios de comunicações sociais porque, segundo explicam os fatos, assim se infiltrarão as idéias entre a população. Se na Espanha esses meios não estão dispostos a dizer a verdade, vocês se encontram na mesma situação que criamos nos EE. UU.em 1968/69, quando contávamos através desses meios todas as mentiras que acabo de mencionar. Outra prática eram nossas próprias invenções. Dizíamos, por exemplo, que havíamos feito uma pesquisa e que 25 por cento da população era a favor do aborto e três meses mais tarde dizíamos que eram 50 por cento, e assim sucessivamente. Os americanos acreditavam e como desejavam estar na moda, formar parte da maioria para que não dissessem que eram "atrasados", se uniam aos "avançados". Mais tarde fizemos pesquisas de verdade e pudemos comprovar que pouco a pouco iam aparecendo os resultados que havíamos inventado; por isso sejam muito cautelosos sobre as pesquisas que se fazem sobre o aborto. Porque apesar de serem inventadas têm a virtude de convencer inclusive os magistrados e legisladores, pois eles como qualquer outra pessoa lêem jornais, ouvem rádio e sempre fica alguma coisa em sua mente. A Hierarquia Católica eleita como vítima Uma das táticas mais eficazes que utilizamos naquela época foi o que chamamos de "etiqueta católica". Isso é importante para vocês, porque seu país é majoritariamente católico. Em 1966 a guerra do Vietnam não era muito aceita pela população. A Igreja Católica a aprovava nos Estados Unidos. Então escolhemos como vítima a Igreja Católica e tratamos de relacioná-la com outros movimentos reacionários, inclusive no movimento anti-abortista. Sabíamos que não era bem assim mas com esses enganos pusemos todos os jovens e as Igrejas Protestantes, que sempre olhava com receio a Igreja Católica, contra ela. Conseguimos inculcar a idéia nas pessoas de que a Igreja Católica era a culpada da não aprovação da lei do aborto. Como era importante não criar antagonismos entre os próprios americanos de distintas crenças, isolamos a hierarquia, bispos e cardeais como os "maus". Essa tática foi tão eficaz que, ainda hoje, se emprega em outros países. Aos católicos que se opunham ao aborto se lhes acusava de estar enfeitiçados pela hierarquia e os que o aceitavam se lhes considerava como modernos, progressistas, liberais e mais esclarecidos. Posso assegurar-lhes que o problema do aborto não é um problema do tipo confessional. Eu não pertenço a nenhuma religião e em compensação estou lhes falando contra o aborto. Também quero dizer-lhes que hoje nos Estados Unidos a direção e liderança do movimento antiabortista passou da Igreja Católica para as Igrejas Protestantes. Há também outras igrejas que se opõem, como as Ortodoxas, Orientais, a Igreja de Cristo, os Batistas Americanos, Igrejas Luteranas Metodistas da África, todo o Islã, o judaísmo Ortodoxo, os Mórmons, as Assembléias de Deus e os Presbiterianos. Outra tática que empregamos contra a Igreja Católica foi acusar seus sacerdotes, quando tomavam parte nos debates públicos contra o aborto, de meter-se em política e de que isso era anticonstitucional. O público acreditou facilmente apesar da falácia do argumento ser clara. Dirigi a partir de 1971 a maior clínica de aborto do mundo Foi o Centro de Saúde Sexual (CRANCH), situado ao leste de Nova York. Tinha 10 salas de cirurgia e 35 médicos sob minhas ordens. Realizávamos 120 abortos diários, incluindo domingos e feriados e somente no dia de Natal não trabalhávamos. Quando assumi a clínica estava tudo sujo e nas piores condições sanitárias. Os médicos não lavavam as mãos entre um aborto e outro e alguns eram feitos por enfermeiras ou simples auxiliares. Consegui modificar tudo aquilo e transformá-la em uma clínica modelo em seu gênero, e como Chefe de Departamento, tenho que confessar que 60.000 abortos foram praticados sob minhas ordens e uns 5.000 foram feitos pessoalmente por mim. Lembro que numa festa que organizamos algumas esposas dos médicos me contaram que seus maridos sofriam pesadelos durante a noite e, gritando, falavam de sangue e de corpos de crianças cortados. Outros bebiam demasiadamente e alguns usavam drogas. Alguns deles tiveram que ser visitados por psiquiatras. Muitas enfermeiras se tornaram alcoólatras e outras abandonaram a clínica chorando. Foi para mim uma experiência sem precedentes. Em setembro de 1972 apresentei minha demissão porque já havia conseguido meu objetivo, que era colocar a clínica em funcionamento. Naquela época, digo sinceramente, não deixei a clínica porque estivesse contra o aborto; deixei-a porque tinha outros compromissos a cumprir. Fui nomeado Diretor do Serviço de Obstetrícia do Hospital de São Lucas de Nova York, onde iniciei a criação do serviço de Fetologia. Estudando o feto, no interior do útero materno, pude comprovar que é um ser humano com todas suas características a quem deve ser outorgado todos os privilégios e vantagens que desfruta qualquer cidadão na sociedade ocidental. Do estudo do feto vivo no interior do útero tirei esta conclusão Talvez alguém pense que antes de meus estudos devia saber, como médico, e além disso como ginecologista, que o ser concebido era um ser humano. Evidentemente sabia disso, mas não o havia comprovado, eu mesmo, cientificamente. As novas tecnologias nos ajudam a conhecer com maior exatidão sua natureza humana e não considerá-lo como um simples pedaço de carne. Hoje, com técnicas modernas, pode-se tratar no interior do útero muitas doenças, inclusive fazer mais de 50 tipos de cirurgias. Foram esses argumentos científicos que mudaram meu modo de pensar. O fato é que: se o ser concebido é um paciente que pode ser submetido a um tratamento, então é uma pessoa e, se é uma pessoa, tem o direito à vida e a que nós procuremos conservá-la. Gostaria de fazer um breve comentário ao Projeto de Lei sobre aborto apresentado na Espanha (Nota: esse projeto de lei já foi aprovado.) É a mesma que está em vigor no Canadá, ou seja, em casos de estupro, sub-normalidade e nos casos de risco à saúde da mãe. O estupro é sem dúvida uma situação muito dolorosa. Afortunadamente poucos estupros são seguidos de gravidez. Mas mesmo nesse caso, o estupro, que é um terrível ato de violência, não pode ser seguido de outro não menos terrível como é a destruição de um ser vivo. Portanto tratar de apagar uma horrível violência com outra também horrível não parece lógico; é simplesmente um absurdo, e na realidade o que faz é aumentar o trauma da mulher ao destruir uma vida inocente. Porque essa vida tem um valor em si mesma ainda que tenha sido criada em circunstâncias terríveis, circunstâncias que nunca poderiam justificar sua destruição. Posso assegurar-lhes que muitos dos que estamos aqui fomos concebidos em circunstâncias que não foram as ideais, talvez sem amor, sem calor humano, porém isso não nos modifica em absoluto nem nos estigmatiza. Portanto, recorrer ao aborto em caso de estupro é algo ilógico e desumano. Vou me referir à saúde da mãe. Sempre disse que defenderia o aborto se a saúde física da mulher estivesse em perigo imediato de morte caso continuasse sua gravidez. Mas hoje, com os avanços da medicina, esse caso praticamente não existe. Portanto o argumento é enganoso, porque simplesmente não é certo. Finalmente vou considerar o caso do feto defeituoso. Esse é um assunto muito delicado porque significa que aspiramos uma sociedade formada por pessoas fisicamente perfeitas, e sem medo de me equivocar posso assegurar que nesta sala não há uma única pessoa que seja fisicamente perfeita. É perigosíssimo aceitar esse princípio porque desembocaria num holocausto. Posso assegurar-lhes que inclusive as crianças mangólicas são queridas.` Vou contar-lhes uma história. Quando estive na Nova Zelândia com minha esposa, um dia almoçamos com o Sir William Lilley, que é um dos fetologistas mais importante do mundo e nos contou que tivera quatro filhos que já eram maiores, e ao ficar o casal sozinho adotaram uma criança mongólica, disse-me que esse filho adotivo lhes havia proporcionado mais alegria que qualquer um dos outros quatro filhos. Posso assegurar-lhes que se esse tipo de lei for aprovada na Espanha se abusará dela e será utilizada para justificar o aborto em todos os casos. Isso foi o que ocorreu no Canadá. Os médicos, simplesmente colocam uma etiqueta nos pedidos de aborto e todo mundo acha graça deles e da lei. Penso que quando se permite o aborto, permite-se um ato de violência mortal, um ato deliberado de destruição e portanto um crime. Posso assegurar-lhes que se a Espanha seguir o caminho do aborto, os três Selos do Apocalipse que são a delinqüência violenta, a droga e a eutanásia não tardarão de aparecer em seguida, como está se sucedendo na América. Quero terminar com estas palavras: Como cientista, não é que eu acredite, mas é que sei que a vida começa no momento da concepção e deve ser inviolável. Considere que não professo nenhuma religião, penso que existe uma Divindade que nos ordena por fim neste triste, inexplicável e vergonhoso crime contra a humanidade. Se não saímos vitoriosos e omitimos nossa completa dedicação a esta causa tão importante, a História nunca nos perdoará. (Traduzido pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família - PROVIDAFAMÍLIA do folheto "Yo practiqué cinco mil abortos" publicado por Vida Humana Internacional, 45 S.W. 71st Ave., Miami, Flórida 33144 - USA Tel: (305) 260-0560; FAX : (305) 260-0595; E-mail: latinos@vidahumana.org. Com autorização do editor.)  | Eu fiz cinco mil abortos Dr. Bernard N. Nathanson Este texto é de uma conferência proferida pelo Dr. Bernard N. Nathanson no "Colegio Médico de Madrid", publicada pela revista FUERZA NUEVA, de onde se transcreveu. O testemunho é sumamente valioso tendo em conta a personalidade do autor, um dos mais importantes defensores do aborto em seu país (EE.UU.) É importante que vocês se dêem conta que fui um dos fundadores da organização mais importante que "vendia" aborto ao povo norte-americano. Havia mais outros dois membros: o Sr. Lawrence Lader e uma senhorita que pertencia ao movimento feminista. Em 1968, quando organizamos o movimento calcula-se que menos de 1% era partidário da liberação do aborto, ou seja, de 100 pessoas, 99 estavam contra e nosso orçamento era de 7.500 dólares anuais enquanto em 1982 já se aproximava de um milhão de dólares. Vou explicar-lhes como estabelecemos o plano para convencer essas 199 milhões de pessoas em um país de 200 milhões para que o aborto fosse aceito. As táticas que vou explicar são seguras e além disso são as mesmas que se estabeleceram em outros países e também as que se utilizam na Espanha e nas demais nações. Serviram-nos de base duas grandes mentiras: a falsificação de estatísticas e pesquisas que dizíamos haver feito e a escolha de uma vítima que afirmasse que o mal do aborto não se aprovaria na América do Norte. Essa vítima foi a Igreja Católica, ou melhor dizendo, sua hierarquia de bispos e cardeais. Quando mais tarde os pró-abortistas usavam os mesmos "slogans" e argumentos que eu havia preparado em 1968, ria muito porque eu havia sido um de seus inventores e sabia muito bem que eram mentiras. Falsificação das estatísticas É uma tática importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticavam um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam de cem mil, mas esse número não nos servia e multiplicamos por dez para chamar a atenção. Também repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número era muito pequeno para a propaganda. Esta tática do engano e da grande mentira se se repete constantemente acaba sendo aceita como verdade. Nós nos lançamos para a conquista dos meios de comunicações sociais, dos grupos universitários, sobretudo das feministas. Eles escutavam tudo o que dizíamos, inclusive as mentiras, e logo divulgavam pelos meios de comunicações sociais, base da propaganda. É importantíssimo que vocês se preocupem com os meios de comunicações sociais porque, segundo explicam os fatos, assim se infiltrarão as idéias entre a população. Se na Espanha esses meios não estão dispostos a dizer a verdade, vocês se encontram na mesma situação que criamos nos EE. UU.em 1968/69, quando contávamos através desses meios todas as mentiras que acabo de mencionar. Outra prática eram nossas próprias invenções. Dizíamos, por exemplo, que havíamos feito uma pesquisa e que 25 por cento da população era a favor do aborto e três meses mais tarde dizíamos que eram 50 por cento, e assim sucessivamente. Os americanos acreditavam e como desejavam estar na moda, formar parte da maioria para que não dissessem que eram "atrasados", se uniam aos "avançados". Mais tarde fizemos pesquisas de verdade e pudemos comprovar que pouco a pouco iam aparecendo os resultados que havíamos inventado; por isso sejam muito cautelosos sobre as pesquisas que se fazem sobre o aborto. Porque apesar de serem inventadas têm a virtude de convencer inclusive os magistrados e legisladores, pois eles como qualquer outra pessoa lêem jornais, ouvem rádio e sempre fica alguma coisa em sua mente. A Hierarquia Católica eleita como vítima Uma das táticas mais eficazes que utilizamos naquela época foi o que chamamos de "etiqueta católica". Isso é importante para vocês, porque seu país é majoritariamente católico. Em 1966 a guerra do Vietnam não era muito aceita pela população. A Igreja Católica a aprovava nos Estados Unidos. Então escolhemos como vítima a Igreja Católica e tratamos de relacioná-la com outros movimentos reacionários, inclusive no movimento anti-abortista. Sabíamos que não era bem assim mas com esses enganos pusemos todos os jovens e as Igrejas Protestantes, que sempre olhava com receio a Igreja Católica, contra ela. Conseguimos inculcar a idéia nas pessoas de que a Igreja Católica era a culpada da não aprovação da lei do aborto. Como era importante não criar antagonismos entre os próprios americanos de distintas crenças, isolamos a hierarquia, bispos e cardeais como os "maus". Essa tática foi tão eficaz que, ainda hoje, se emprega em outros países. Aos católicos que se opunham ao aborto se lhes acusava de estar enfeitiçados pela hierarquia e os que o aceitavam se lhes considerava como modernos, progressistas, liberais e mais esclarecidos. Posso assegurar-lhes que o problema do aborto não é um problema do tipo confessional. Eu não pertenço a nenhuma religião e em compensação estou lhes falando contra o aborto. Também quero dizer-lhes que hoje nos Estados Unidos a direção e liderança do movimento antiabortista passou da Igreja Católica para as Igrejas Protestantes. Há também outras igrejas que se opõem, como as Ortodoxas, Orientais, a Igreja de Cristo, os Batistas Americanos, Igrejas Luteranas Metodistas da África, todo o Islã, o judaísmo Ortodoxo, os Mórmons, as Assembléias de Deus e os Presbiterianos. Outra tática que empregamos contra a Igreja Católica foi acusar seus sacerdotes, quando tomavam parte nos debates públicos contra o aborto, de meter-se em política e de que isso era anticonstitucional. O público acreditou facilmente apesar da falácia do argumento ser clara. Dirigi a partir de 1971 a maior clínica de aborto do mundo Foi o Centro de Saúde Sexual (CRANCH), situado ao leste de Nova York. Tinha 10 salas de cirurgia e 35 médicos sob minhas ordens. Realizávamos 120 abortos diários, incluindo domingos e feriados e somente no dia de Natal não trabalhávamos. Quando assumi a clínica estava tudo sujo e nas piores condições sanitárias. Os médicos não lavavam as mãos entre um aborto e outro e alguns eram feitos por enfermeiras ou simples auxiliares. Consegui modificar tudo aquilo e transformá-la em uma clínica modelo em seu gênero, e como Chefe de Departamento, tenho que confessar que 60.000 abortos foram praticados sob minhas ordens e uns 5.000 foram feitos pessoalmente por mim. Lembro que numa festa que organizamos algumas esposas dos médicos me contaram que seus maridos sofriam pesadelos durante a noite e, gritando, falavam de sangue e de corpos de crianças cortados. Outros bebiam demasiadamente e alguns usavam drogas. Alguns deles tiveram que ser visitados por psiquiatras. Muitas enfermeiras se tornaram alcoólatras e outras abandonaram a clínica chorando. Foi para mim uma experiência sem precedentes. Em setembro de 1972 apresentei minha demissão porque já havia conseguido meu objetivo, que era colocar a clínica em funcionamento. Naquela época, digo sinceramente, não deixei a clínica porque estivesse contra o aborto; deixei-a porque tinha outros compromissos a cumprir. Fui nomeado Diretor do Serviço de Obstetrícia do Hospital de São Lucas de Nova York, onde iniciei a criação do serviço de Fetologia. Estudando o feto, no interior do útero materno, pude comprovar que é um ser humano com todas suas características a quem deve ser outorgado todos os privilégios e vantagens que desfruta qualquer cidadão na sociedade ocidental. Do estudo do feto vivo no interior do útero tirei esta conclusão Talvez alguém pense que antes de meus estudos devia saber, como médico, e além disso como ginecologista, que o ser concebido era um ser humano. Evidentemente sabia disso, mas não o havia comprovado, eu mesmo, cientificamente. As novas tecnologias nos ajudam a conhecer com maior exatidão sua natureza humana e não considerá-lo como um simples pedaço de carne. Hoje, com técnicas modernas, pode-se tratar no interior do útero muitas doenças, inclusive fazer mais de 50 tipos de cirurgias. Foram esses argumentos científicos que mudaram meu modo de pensar. O fato é que: se o ser concebido é um paciente que pode ser submetido a um tratamento, então é uma pessoa e, se é uma pessoa, tem o direito à vida e a que nós procuremos conservá-la. Gostaria de fazer um breve comentário ao Projeto de Lei sobre aborto apresentado na Espanha (Nota: esse projeto de lei já foi aprovado.) É a mesma que está em vigor no Canadá, ou seja, em casos de estupro, sub-normalidade e nos casos de risco à saúde da mãe. O estupro é sem dúvida uma situação muito dolorosa. Afortunadamente poucos estupros são seguidos de gravidez. Mas mesmo nesse caso, o estupro, que é um terrível ato de violência, não pode ser seguido de outro não menos terrível como é a destruição de um ser vivo. Portanto tratar de apagar uma horrível violência com outra também horrível não parece lógico; é simplesmente um absurdo, e na realidade o que faz é aumentar o trauma da mulher ao destruir uma vida inocente. Porque essa vida tem um valor em si mesma ainda que tenha sido criada em circunstâncias terríveis, circunstâncias que nunca poderiam justificar sua destruição. Posso assegurar-lhes que muitos dos que estamos aqui fomos concebidos em circunstâncias que não foram as ideais, talvez sem amor, sem calor humano, porém isso não nos modifica em absoluto nem nos estigmatiza. Portanto, recorrer ao aborto em caso de estupro é algo ilógico e desumano. Vou me referir à saúde da mãe. Sempre disse que defenderia o aborto se a saúde física da mulher estivesse em perigo imediato de morte caso continuasse sua gravidez. Mas hoje, com os avanços da medicina, esse caso praticamente não existe. Portanto o argumento é enganoso, porque simplesmente não é certo. Finalmente vou considerar o caso do feto defeituoso. Esse é um assunto muito delicado porque significa que aspiramos uma sociedade formada por pessoas fisicamente perfeitas, e sem medo de me equivocar posso assegurar que nesta sala não há uma única pessoa que seja fisicamente perfeita. É perigosíssimo aceitar esse princípio porque desembocaria num holocausto. Posso assegurar-lhes que inclusive as crianças mangólicas são queridas.` Vou contar-lhes uma história. Quando estive na Nova Zelândia com minha esposa, um dia almoçamos com o Sir William Lilley, que é um dos fetologistas mais importante do mundo e nos contou que tivera quatro filhos que já eram maiores, e ao ficar o casal sozinho adotaram uma criança mongólica, disse-me que esse filho adotivo lhes havia proporcionado mais alegria que qualquer um dos outros quatro filhos. Posso assegurar-lhes que se esse tipo de lei for aprovada na Espanha se abusará dela e será utilizada para justificar o aborto em todos os casos. Isso foi o que ocorreu no Canadá. Os médicos, simplesmente colocam uma etiqueta nos pedidos de aborto e todo mundo acha graça deles e da lei. Penso que quando se permite o aborto, permite-se um ato de violência mortal, um ato deliberado de destruição e portanto um crime. Posso assegurar-lhes que se a Espanha seguir o caminho do aborto, os três Selos do Apocalipse que são a delinqüência violenta, a droga e a eutanásia não tardarão de aparecer em seguida, como está se sucedendo na América. Quero terminar com estas palavras: Como cientista, não é que eu acredite, mas é que sei que a vida começa no momento da concepção e deve ser inviolável. Considere que não professo nenhuma religião, penso que existe uma Divindade que nos ordena por fim neste triste, inexplicável e vergonhoso crime contra a humanidade. Se não saímos vitoriosos e omitimos nossa completa dedicação a esta causa tão importante, a História nunca nos perdoará. (Traduzido pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família - PROVIDAFAMÍLIA do folheto "Yo practiqué cinco mil abortos" publicado por Vida Humana Internacional, 45 S.W. 71st Ave., Miami, Flórida 33144 - USA Tel: (305) 260-0560; FAX : (305) 260-0595; E-mail: latinos@vidahumana.org. Com autorização do editor.)  | Sobre a polêmica do aborto, é preciso considerar que embora o direito da mulher (de conduzir até o final ou não a gestação) deva ser respeitado, acima deste há o direito do feto (como ser plenamente inocente e indefeso) de ver sua vida preservada. Mas, por ser um tema complexo, é preciso lembrar algumas das principais consequências nocivas provocadas pelo aborto. Paradoxalmente alguns pró-abortistas parecem esquecer tais dados, segundo o qual uma comparação entre as mulheres que levam a gravidez até o final com as que fazem aborto, as últimas, no ano anterior de sua morte foram: - 60% mais propensas a morrer por causas naturais; - 7 vezes mais propensas ao suicídio; - 4 vezes mais propensas a morrer em acidentes; - 14 vezes mais propensas a serem vítimas de um homicídio; (Fonte: Artigo "El aborto legal es cuatro veces más peligroso que el parto, demuestra estudio" (Aciprensa. 20 de junio del 2000. Publicado no Boletín nº 81, Enero - Febrero. 2001, in http://www.vidahumana.org ) Portanto, o importante é que a verdade se torne pública e transparente. E, só nessas condições seria possível respeitar a liberdade das pessoas em defesa ou contra o aborto. Por esses e outros motivos, continuo em defesa incondicional da vida Roberto Rocha Luzzi de Barros Bacharel em Direito  | A dra. deve sofrer do mesmo cacoete do velho batuta (e gagá) Alberto Dines: na falta do que responder, ataca a Igreja. A dra. mama na teta da PUC e acusa o conselheiro da OAB de farisaísmo! Por que ela e outros travestis (anti-cristãos travestidos de professores universitários) , ao invés de parasitarem uma universidade católica, não vão abrir uma universidade de acordo com os seus ideais ( o ódio, a apologia ao assassinato de seres humanos indefesos, etc.)? Todos contra o aborto têm tratado essa cretina com excessiva educação, típica atitude cristã, mas ela não paga na mesma moeda e acha que pode falar um monte de merda e mentiras sobre a Igreja e o Romano Pontífice. O que a sociedade não precisa é de uma fraude como esta senhora. Na condição de defensor da liberdade e dos direitos individuais, solidarizo-me com a posição da professora Heleieth I.B. Saffioti em repúdio a posição do senhor Harada.  | Sobre o comentário do sr. Roberto Barros, acima: Como o próprio bacharel diz, a questão dos direitos do feto é realmente um tema complexo. Até que ponto os direitos do feto (que é um ser sem capacidade cognitiva e, no início da gravidez, sem sequer um sistema nervoso) se sobrepõem aos da mãe? Em caso de risco de vida da mãe, *em geral*, se torna aceitável interromper a gravidez; isso parece indicar a ordem de prioridades de direitos. Sobre os dados citados a seguir, mencionando o maior risco de morte de mulheres que têm um aborto: assumindo que os dados sejam verdadeiros *e* que haja correlação entre os eventos (o que é complicado de provar e, pelo artigo original, parece pouco provável): não se proíbe qualquer comportamento arriscado. Mulheres que engravidam tem uma chance maior de morrer durante a gravidez e, principalmente, durante/logo após o parto do que mulheres que não engravidam. Mulheres que têm nenês têm mais chance de ficarem deprimidas do que mulheres que não engravidam. Proíba-se gravidez, portanto. Um outro detalhe é que o site mencionado é o de uma organização católica que é contra aborto, feminismo, homossexualismo, anticoncepcionais etc. etc. Não é exatamente uma fonte isenta; e o artigo original foi publicado pela agência de imprensa da igreja católica e não cita onde foi publicado o estudo original. Se houvesse uma fonte com o estudo original, seria mais crível porque permitiria que os dados fossem analisados pelos leitores e que as conclusões originais fossem lidas. Mas não tornaria os dados menos irrelevante para a questão do direito de escolha.  | Nós que somos contra o aborto provocado (entre outros assuntos que sabiamente nossa Santa Igreja Católica nos ensina), devemos agora nos preocupar com a maneira de chamar estes abortistas... perdão, nossos irmãos defensores do aborto... O que chama a atenção nos votos do relator e do vogal é o cinismo quando usam expressões como "o respeito e amor ao próximo" ou então "lhe provocara, irreversivelmente, abatimento psicológico e dor" (dor verdadeira é a que experimenta o ser abortado). Segue o texto disponível no site www.veritatis.com.br: "Só agora foi publicado o acórdão (decisão colegiada da 1ª Turma Recursal do DF) que condenou, em 16/08/2005 o Pró-Vida de Anápolis por ter usado o adjetivo "abortista". Tal palavra foi usada unicamente na legenda de uma fotografia, já publicada pelo jornal Correio Braziliense, em que figuravam várias pessoas (inclusive o sacerdote presidente da entidade condenda) debatendo sobre o tema "aborto e moral", em um evento público no auditório do Ministério Público do Distrito Federal. Publicado no Diário de Justiça de 1/12/2005 às folhas 311/325, o acórdão de 14 páginas (ver anexo) em momento algum diz qual outra palavra deveria ter sido usada para designar os defensores do direito de a gestante fazer aborto. A condenação atendeu ao valor máximo pedido pela autora (R$ 4.250,00 mais juros moratórios). Em momento algum a Turma Recursal mostrou-se sensibilizada pelo fato de o Pró-Vida de Anápolis ser uma entidade beneficente, sem fins lucrativos, que sobrevive à custa de doações, atendendo às gestantes e aos bebês. Pelo contrário, o valor fixado para os honorários advocatícios a serem pagos à parte vencedora foi o maior possível: vinte por cento (20%) sobre o valor da condenação. Resta agora um Recurso Extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Alguns trechos do acórdão: Voto do Relator: [O Pró-Vida de Anápolis] ...deveria pautar sua atuação pelos princípios que permeiam a doutrina cristã, notadamente a tolerância, o respeito e amor ao próximo, denotando que deveria simplesmente apontá-la como antropóloga que não se afina inteiramente com o posicionamento da entidade na sua ferrenha oposição ao aborto, independentemente da situação da gestante ou do feto que traz no ventre, está permeada por um expressivo ataque à honra da apelada, à sua moral e à sua reputação profissional e pessoal, haja vista a qualificação que lhe fora destinada e aposta abaixo da sua fotografia (“antropóloga abortista”). [..] Esse comportamento, evidentemente, não condiz com a salutar e irrenunciável liberdade de expressão, que deve vicejar e estar amalgamada como dogma constitucional no ordenamento jurídico de qualquer país que viva sob as bitolas dos enunciados que guarnecem o estado democrático de direito. [..] Desse modo, estando patente que a apelada fora indevidamente atingida em sua honra, decoro e dignidade pelas indevidas imputações que lhe foram endereçadas pelo apelante, sendo que a causa originária dos fatos lesivos fora o injurídico procedimento por ele adotado, o que lhe provocara, irreversivelmente, abatimento psicológico e dor, assiste-lhe o direito de ser indenizada quanto aos danos morais oriundos das ofensas que sofrera. [..] Voto do vogal É importante lembrar que [...] estamos diante de um caso de intolerância religiosa em pleno século XXI, em pleno ano 2005. Essa foi a expressão usada por S. Ex.ª, que ratifico integralmente e tomo a liberdade, concessa venia, de fazê-la minha também. [...] E espero, sinceramente, que, daqui para a frente, comportamentos intolerantes, que nos remetem aos tempos medievais da Santa Inquisição, não se repitam em novas ações que exijam a intervenção do Poder Judiciário, porque, no que depender particularmente de mim, e creio que de S. Ex.ª e da eminente Presidente, tais condutas serão severamente rechaçadas.  | QUE ÉTICA MALÍGNA!! Provavelmente TODOS já ouviram o slogan: «Toda a criança é desejada». Este slogan tornou-se conhecido em todo o mundo através da IPPF, um grupo pró-aborto (proprietário da maior rede de clínicas de abortos dos EUA) espalhado por todo o mundo . Eu gostaria que eles completassem a frase. Se eles fizessem isso, a frase ficaria: «Toda a criança é desejada… se não for, nós a matamos». A resposta que as pessoas dão a uma gravidez indesejada é matar o pequeno inocente. É comum, diante de uma análise superficial, algumas pessoas concordarem com o aborto diante de uma iminente pobreza, violência, sofrimento ou crime. Mas quem pode prever tudo isso? Desde quando o direito de alguém viver depende, ou não, de ser querido por outras pessoas? Desde quando resolvemos o problema de pobreza matando os pobres?  | Es mucho de admirar que se siga hablando con alguna gravedad de las críticas opuestas por la Señora Socióloga a la manifestación de prensa del Procurador Harada. Y lo es de mucho admirar porque es anedóctica la afirmación implícita de la Socióloga cerca del aborto como medio anticonceptivo. No me sorprenderá que, día más, día menos, la Socióloga recia el apoyo de algun grupo de mujeres titulado algo así "Alcohólicas por el derecho de dividir" (de dividir los católicos). Con atención, Dr. Juan Diego AMERIO  | A Professora Heleieth I.B. Saffioti, cuja ideologia marxista de base escancarou ao referir à classe social da mãe como aquilo que lhe provê o necessário à criação dos filhos (a tese é dura, convenhamos, mas ao menos deixa à mostra o que, sinceramente, pensa nossa autora), deveria protocolizar um pedido de exoneração junto à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em que, segundo se sabe, continua a lecionar. Não sei como, de fato, será possível à ilustre dama permanecer lecionando numa instituição ligada a um Pontificado que critica e a uma Igreja que não lhe faz falta e cujo Deus não é o seu. Sempre será melhor que se exonere do que aguardar, como efetivamente se espera (e já tarda), que o Cardeal de São Paulo tome as providências que no particular lhe correspondem. E como a conspícua socióloga, em sua carta, não pareceu muito íntima da língua de Camões, ponho-me à diposição para redatar sua cartinha de exoneração. Sem custo algum e até mesmo com vívidos sentimentos. A Igreja, a PUC, seus alunos, todos nós prestigiaremos o ato, com muita satisfação.
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