O ônibus saiu da UFES – Universidade Federal do Espírito Santo - as 8 horas da manhã, do último sábado [28] e chegou na aldeia tupinikim guarani “Olho d´água” as 10 da manhã. Mais de 50 estudantes,simpatizantes pela causa indigena ,membros de ongs, estavam no ônibus.
Logo que descemos do onibus, fomos cercados por reporteres da imprensa local, que já haviam noticiado a presença dos estudantes, MST e MPA (movimento dos pequenos agricultores) e organizações não governamentais no multirão organizado para ajudar na reconstrução das aldeias destruídas pela policia federal e maquinas da aracruz celulose, uma semana atrás.
Segunda a assessora das comunidades indígenas, a comissão enviada pelo Ministério da Justiça, que chegou na manhã de sexta feira [27] em Vitória, se reuniu com as comunidades indígenas e tivemos a noticia de que em 90 dias a portaria será publicada, sobre o reconhecimento do territorio indigena pelo ministro da justiça, e dentro desse prazo a aracruz celulose poderá entrar com algum recurso, no entanto, a causa já esta ganha.
Foi triste ver as cinzas das casas e parte das plantações queimadas. As conversas com xs indixs giravam em torno do conflito com a pf, do medo, do desespero, do sentimento de impotencia, de se sentirem enganados, da injustiça cometida, da negligencia do Estado. Ao mesmo tempo felizes com a nossa presença, dos movimentos sociais, das organizações não governamentais unidos em apoio e solidariedade á causa indígena.
Parte do dia, sentadxs numa cabana, conversávamos com a índia Vilma sobre a cultura indigena e como aprendemos na escola e qual a visão que construimos a partir disso. Existem pessoas ainda que ficam surpresas quando ficam sabendo ou descobrem que há aldeias indigenas no nosso estado.Que ainda tem a ideia do indio selvagem, que anda nu, que a cultura indigena eh a mesma de todas as aldeias. E Vilma ressaltava que a cultura deles não é a mesma de 500 anos atras, assim como a nossa tb não é.
No final do dia, tres casas estava com a estrutura pronta, uma delas já com o telhado de palha.
Foi lido uma nota em solidariedade a causa indigena feito pela brigada indigena, todxs estavamos emocionados. O cacique Vilson agradeceu de coração tudo que fizemos e fazemos pelas comunidades, sobre o que representa a nossa presença nas aldeias, nossos esforços.
O índio Marcelo, em seguida, fez uma oração na lingua tupi, e nos despedimos.
