Com a pressão do setor imobiliário, @s proprietári@s da terra, tod@s da mesma família, conseguiram uma liminar de reintegração de posse. Mesmo assim, a desocupação foi adiada durante meses. Enquanto isso, vários candidatos, entre eles: Íris Rezende, Pedro Wilson, Sandes Junior (candidatos a prefeito) e o governador do estado Marconi Perillo incentivavam as e os ocupantes a permanecerem no local e construírem suas casas.
Em audiência com moradores e moradoras, o governador prometeu que não desocuparia a área e que não toleraria a ação de policiais na ocupação. Motivadas e motivados pelas promessas, @s ocupantes construíram por volta de 3 mil habitações, entre barracos e casas de alvenaria.
Após as eleições, a imprensa corporativa local começou a dar destaque ao caso. Notícias criminalizando a ocupação começaram a ser capa dos jornais. Na TV anhanguera, e em outras emissoras, várias reportagens sobre o caso foram construindo a opinião de que as pessoas que ocupavam o local não necessitavam de moradia, que se tratavam de aproveitadores e invasoras.
Os jornais publicaram cartas de Entidades ligadas as oligarquias empresariais, como CDL (Câmara dos Dirigentes Logistas) e CRECI (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis), cobrando a ação do Poder Público, exigindo a reintegração de posse e alegando o desrespeito ao direito de propriedade.
Pressionada pelo poder Judiciário e pelas imobiliárias (que lucram controlando e vendendo caro milhares de lotes vazios, e com medo de que a ocupação sonho real virasse exemplo para os cerca de 30% da população goianiense sem casa própria), durante cinco noites a polícia militar realizou uma operação de guerra chamada Inquietação, que consistia em ataques noturnos com bombas de gás e pimenta e armas com munição letal. Nessa operação da PM, uma pessoa foi atingida no braço e várias passaram mal pelo efeito das bombas, principalmente crianças e idosos.
A operação de desocupação, na qual foram gastos cerca de 1,5 milhões de reais, ou seja, pouco menos do que a proprietária devia em impostos, recebeu ironicamente, o nome de “Operação Triunfo” e reuniu cerca de 2 mil e quinhentos policias que em duas horas expulsaram de forma brutal mais de 10 mil pessoas de seus lares.
Essa operação foi extremamente violenta, duas pessoas foram assassinadas pelos policiais, uma ficou paraplégica e várias ficaram feridas. As e os ocupantes tiveram suas casas destruídas, e a maioria não teve tempo de resgatar seus pertences. As vítimas do massacre dormiram duas noites na porta da catedral de Goiânia. No velório das duas vítimas oficiais, Wagner e Pedro, policiais disfarçados dispararam com armas letais no meio da multidão.
Os sem-teto foram jogados em dois ginásios de esporte localizados nos bairros Capuava e Novo horizonte, onde foram submetidos a condições sub-humanas que facilitavam contaminações, o que proporcionou a morte de quatro pessoas e o adoecimento de outras, na sua maioria crianças e os idosos.
Após os três meses no ginásio, 2,5 mil famílias foram transferidas para uma área provisória de 22 alqueires no setor Grajaú. A promessa era que permaneceriam somente três meses nessa área, até que a infra-estrutura fosse providenciada na área definitiva. Mas, já se passaram nove meses e as famílias continuam na área provisória, morando em barracas de lona em condições precárias de moradia e saúde, inclusive com esgoto a céu aberto.
O secretário das cidades, Ademir Menezes, prometeu a instalação de água e energia definitivas no local, entretanto, cansados de esperar pelo poder público, os moradores fizeram as instalações elétricas por conta própria.
No acampamento provisório oito mulheres sofreram aborto e oito pessoas morreram, entre elas um recém nascido. Até agora mais de 20 pessoas já morreram.
A área permanente negociada com a prefeitura tem pouco mais de 30 alqueires, ruas já foram abertas, mas apenas 3 casas começaram a ser construídas. A parte central da área não foi negociada e certamente será vendida para empreendimentos comerciais.
O movimento fará um ato no dia 16 de fevereiro relembrando 1 ano de massacre e impunidade, já que os verdadeiros responsáveis Marconi, Íris, Pedro Wilson, o Judiciário, Jhonatas Silva e os comandantes da polícia nem foram citados no processo.
As eleições estão chegando e os candidatos já começam a utilizar em suas campanhas a história do Sonho real como uma estratégia marquetera para ganhar votos. Não podemos nos calar diante da barbárie que aconteceu em Goiânia, dizem que não vivemos mais em uma ditadura, porém o direito a propriedade irrestrito vale mais que nossas vidas. Exigimos a imediata punição dos verdadeiros culpados por essa atrocidade, soldados só cumprem ordens!
O ato de 1 ANO do Massacre será realizado, a partir das 8h30, na rua das Magnólias no Parque Oeste Industrial, seguirá até a Praça Cívica e posteriormente irá até a Catedral de Goiânia para realização de um ato ecumênico às 11h30. Depois às 20h haverá a exibição do documentário “Sonho Real, uma história de luta por moradia” na tenda central do Grajaú.

