Na próxima segunda-feira a Câmara de Graduação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), se reúne para discutir a implantação do sistema de cotas. O projeto da Comissão Pró-Cotas, que previa a implantação de 52% de cotas, foi rejeitado pela Câmara, por 21 votos a 17, em votação que aconteceu hoje (05/04).
A proposta da Comissão Pró-Cotas destinava 26% das vagas para afrodescendentes, 25% para egressos de escolas públicas e 1% para indígenas. Na semana passada depois de forte mobilização do Movimento Negro capixaba, o projeto havia sido aprovado em 1ª Instância na Câmara de Graduação.
Durante a votação de hoje, estudantes e militantes do Movimento Negro favoráveis às cotas fizeram uma manifestação em frente à Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), onde a Câmara se reunia. A chegada de estudantes de escolas privadas, que são contrários à adoção do sistema de cotas, deixou o clima ainda mais tenso. Alguns estudantes entraram em confronto direto, mas só houve um caso isolado de agressão física. Depois do resultado houve tumulto e parte das instalações do prédio da Prograd foram quebradas.
Um dos principais argumentos utilizados pelos defensores das cotas é de que as Universidades brasileiras não representam de forma equânime os vários seguimentos sociais, étnicos e raciais que compõem a sociedade brasileira. Só para ser ter uma idéia, dados do IBGE, mostrados pela pesquisa do Inep, mostram que 42,7% da população do Espírito Santo se declara branca. Mas dentro da Universidade esse número sobe para 67,3%. A diferença de 24 pontos é a sexta maior do país e revela que o número de brancos é maior nas universidades do que na própria sociedade.
Depois da reunião de segunda-feira, o projeto será encaminhado do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) que dará a decisão final sobre as cotas. O projeto original, apresentado pela Comissão Pró-Cotas, poderá sofrer alterações e outras 12 propostas de sistema de cotas serão avaliadas pela Câmara. Depois que o projeto for encaminhado ao Cepe, a perspectiva é de que a decisão final aconteça em no máximo 30 dias.
Enquanto a decisão não é tomada, movimentos sociais, em especial o Movimento Negro e Movimento Estudantil, preparam um calendário de mobilização e debates sobre o tema.
Eles não querem perder os privilégios
Na semana passada, após a aprovação das cotas em 1ª Instância pela Câmara de Graduação, estudantes de escolas privadas da Grande Vitória fizeram uma manifestação na Avenida Fernando Ferrari, em Frente a Ufes. Estimulados pelos donos dos cursinhos particulares, que chegam a cobrar R$ 1.400,00 de mensalidade do cursinho integral, os estudantes criticaram a adoção do sistema de cotas, principalmente as cotas para afrodescendentes.
Os estudantes das escolas privadas justificam sua posição contrária às cotas alegando que o ingresso de alunos negros ou de rede pública por sistema de cotas irá reduzir a qualidade das Universidades e que o sistema de cotas não é justo porque todos os candidatos deveriam competir com regras iguais no vestibular. Existem ainda, aqueles que alegam ser impossível definir quem é afrodescendente no Brasil.

