![]() | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| | Arquitetos se recusam a debater com moradores; pressão agora é por audiência pública
Na abertura de debate sobre a Vila Itororó, em 28 de março, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, a arquiteta Nadia Somekh lembrou a importância da "construção social dos projetos urbanos" e falou da "necessidade de se superar a arquitetura tradicional, formal". "O que nós precisamos é desta arquitetura para transformar os espaços e melhorar a vida da população, ser construída socialmente. Este é o exemplo que a gente está dando aqui". Contrariando esta afirmação, os arquitetos Décio Tozzi, autor do projeto de recuperação da Vila Itororó, e José Eduardo Lefèvre, coordenador do projeto junto à Secretaria de Cultura, deram péssimos exemplos da profissão do arquiteto. Décio apresentou seu projeto e, logo após a fala da moradora Antonia Candido, que questionou o porquê dela não caber em seu projeto, o arquiteto se levantou e se retirou, afirmando que estava ali para discutir apenas com estudantes de arquitetura, não com moradores. Também logo após a fala de Antonia, Lefèvre disse: "Infelizmente, nós temos visões muito diferentes. Não vou entrar no debate. Sou técnico, não sou político". E deixou a sala. Antes, durante a exposição do projeto, Lefèvre já falava em "interesses antagônicos" entre "uma minoria contra o desejo de uma maioria". Ao contrário do que se pode imaginar, o que ele chamou de minoria foram as 70 famílias da Vila Itororó, diante de uma "maioria" de empresários interessados no rentável empreendimento: "aquele conjunto de casas, pela sua excepcionalidade, justifica perfeitamente que ali não exista, não permaneça uso habitacional". Ele destacou as características "cenográficas" da vila e finalizou: "Efetivamente, é um conjunto que apresenta uma singularidade e que portanto tem uma condição de utilização plena para toda a cidade, não apenas para um conjunto de moradores. Excepcional. É um equipamento que tem condições de ter uma utilidade a nível da cidade, a nível metropolitano, a nível estadual". A história é sempre a mesma: quando se fala nos interesses de trabalhadores, agricultores, mulheres, negros, índios, homossexuais, idosos, jovens e, no caso da Vila Itororó, 70 famílias de baixa renda, trata-se de "interesses de minorias". Quando o que está em jogo são os interesses de uns poucos empresários, dos habitantes ricos das cidades, os homens públicos representam "interesses municipais, estaduais, nacionais". Precisamente, a moradora Antonia lembrou que "nesses 25 anos que estou ali [na Vila Itororó] eu não vi o poder público mexer uma pedrinha. Nós não temos coleta de lixo, não temos pavimentação, não temos iluminação pública [no pátio central da vila] porque se trata de uma área particular, porque se trata de uma área tombada. Agora para se implantar um projeto pra poucos - porque é pra poucos, não é pra todos -, aparecem n possibilidades". Agora os moradores e as moradoras aguardam data de uma audiência pública na Câmara dos Vereadores, onde estarão presentes Carlos Augusto Calil, Secretário de Cultura e Orlando de Almeida Filho, Secretário de Habitação. A audiência foi conseguida pelo vereador Paulo Teixeira. leia a matéria completa:"Revitalização" da Vila Itororó: moradores são excluídos de projeto urbanístico da prefeitura editoriais anteriores (incluem áudios e vídeos):"Revitalização" da Vila Itororó | Pedido de solidariedade a arquitetos e urbanistas
|