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| | Tráfico nada tem de revolucionário Por Marcelo Freixo 15/05/2006 às 12:29 O tráfico é uma empresa capitalista das mais eficientes e completamente adaptada à realidade neoliberal que se instalou no Brasil na década de 90. É uma empresa concentradora de renda, altamente lucrativa, que utiliza mão-de-obra barata. O tráfico é uma empresa capitalista das mais eficientes e completamente adaptada à realidade neoliberal que se instalou no Brasil na década de 90. É uma empresa concentradora de renda, altamente lucrativa, que utiliza mão-de-obra barata.
É uma empresa que se estabeleceu num espaço onde ela não tem nenhuma preocupação com exigências legais ou cobranças de impostos. É uma empresa com forte produção de alienação do trabalho, onde a mão-de-obra não tem a menor idéia do quanto rende a empresa. E o efeito social disso é terrível.
Você tem uma juventude que está completamente perdida, sem nenhuma expectativa de futuro, que segura em armas e que tem toda uma ilusão fortíssima de poder. Porque esse poder existe, mas é um poder local, limitado e finito. O futuro dessa garotada que está no tráfico não tem jeito: ou é a morte ou é a cadeia.
Não tem nada de revolucionário ou transformador no tráfico. Além de ter essas características capitalistas, ele é absolutamente opressor e se estabelece na favela através da construção de uma política de terror, onde jovens pobres matam jovens esfarrapados diante de facções que representam o que a opinião pública entende por crime organizado.
O crime é muito organizado no Brasil. É tão organizado que a sua real organização não é visível. O que boa parte da imprensa e da opinião pública entende como crime organizado é exatamente onde ele não se organiza _nos setores mais pobres, onde o que existe é o ponto final de um investimento absolutamente hierárquico, lucrativo e desigual.
O tráfico está entre os três comércios mais lucrativos do mundo. Se você entra em uma favela, vai ver muita arma, muita droga e muita miséria. Tem alguma coisa errada nesse elo. O dinheiro não fica ali. E aí entra toda uma hierarquia onde as investigações nunca chegam, porque também não interessa. A lógica da segurança pública construída no nível federal e estadual é a da repressão, ponto final. Porque, na verdade, a repressão não é à empresa capitalista. É ao setor pobre da sociedade. Caso existisse algum interesse em combater o tráfico se trabalharia muito menos com repressão e muito mais com inteligência _o caminho da droga, da arma, os fornecedores, uma integração dos governos.
Quem chamamos de grandes traficantes são pessoas que, na maioria das vezes, nunca saíram da favela. São pessoas que não têm acesso à internet, que não sabem onde ficam a Colômbia ou a Bolívia, que só conhecem as vielas daquele grupo que controla com arma. Conheço boa parte dos chamados grandes traficantes que estão presos, por trabalhar muitos anos nos presídios, e eles são pessoas que têm baixíssima escolaridade e não teriam a menor condição de estar à frente de um negócio sofisticado como é o comércio internacional de drogas. Numa escala de um a dez na hierarquia do controle do tráfico, eles não chegam a dois. E a gente insiste em achar que, combatendo esses setores, combate o tráfico.
Existe um problema maior. O tráfico tem que ser entendido dentro da lógica de exclusão social, que é muito profunda. O processo de exclusão é geográfico, é cultural, é ideológico.
Um programa de segurança tem que partir do princípio de se garantir segurança aos moradores da favela, combater o tráfico e não permitir que ele entre lá. Porque a principal vítima disso é o morador da favela. Não é a classe média. Quem perde seus filhos para o tráfico, seja pelo consumo ou pela morte, são os moradores.
O que mais impressiona no Rio de Janeiro, ao contrário do que se imagina, é o quanto a violência não cresce mais do que ela já existe. Porque é muito impressionante você entrar em uma favela do Rio e ver que menos de 1% daquela garotada se envolve no tráfico. Como é que tão poucos entram, diante de tanta exclusão? A Rocinha tem 180 mil moradores e você não tem 70 pessoas envolvidas no tráfico. Mas se você sair às ruas e perguntar qual o percentual de moradores das favelas envolvido com o crime, você vai ouvir que todos, ou uns 80% estão no crime.
Há um processo consolidado ideologicamente de criminalização da pobreza. Isso legitima toda essa lógica de segurança pública que opera exclusivamente na repressão e no controle aos guetos. E é ineficaz.
Marcelo Freixo, 39, é professor de História e pesquisador da ONG Justiça Global
>>Adicione um comentário Como explicar a violência em São Paulo? Podemos começar pasmando nossa ignorância, nosso alheamento a esta cidade. Não é assim que, diante da violência, digamos, na França ou no Iraque, podemos não concordar com os atos violentos em si, mas entendemos sempre que eles se ligam à pobreza e à exclusão social? Hábeis discursos podemos formar, baseando-nos em artigos e livros, sobre a situação destas realiades longínquas. Assim se passa com muitos de nós, que vem esperando avidamente por alguma forma de contestação social que tome corpo no Brasil. Mas, quando confrontados com a violência no Estado de São Paulo, quem não teve de vasculhar na sua cabeça os nexos que ligam , por exemplo, tráfico a pobreza? Os policiais não nos inspiram simpatia, porque aparato de repressão de um Estado anti-popular. Ainda assim, significa esta violência um cometa no céu em uma ordem que nos parece por demais conformada? A superesquerda de plantão, a procura do seu sujeito histórico, pode bradar: vejam, ali está ele, expressando-se por meio do terror em São Paulo. É uma forma esta, de estabelecer o nexo tráfico- pobreza, ele é direto, evidente. "Os inimigos dos meus inimigos..." Estejamos atentos a este raciocínio precipitado. Por isso o artigo se chama "o tráfico não tem nada de revolucionário". E se não este, mas também não o da solidariedade imediata com esta pacata polícia, executora das suas atribuições, que é absurdamente atacada, então qual, qual é o nexo que nos resta? Estamos crus. Não discutimos isto. O tráfico não é fundamental nos discursos dos jovens de esquerda. Mas ele se encontra lá, em algum lugar no meio do caminho em busca do nosso sijeito histórico. Se algum dia a população deste país se levantar, oxalá, como será com tráfico? Não será desastroso? Existem (no mínimo) dois mundos que dividem a consciência dos jovens de esquerda: aquele que fuma, e eventualmente cheira, sossegado, descontraído, cool, e o outro, que tece teorias sobre o levante social no Brasil, lendo o que se tem a dizer da França, do Iraque, de Israel. E, é claro, a partir do que projetamos sobre "o povo brasileiro". Marcelo achou um nexo interessante. Tortuoso. E ainda nos é pouco. Esperemos até que algum dia este país realmente pegue fogo. E então? Valeu, Marcelo.  | Como explicar a violência em São Paulo? Podemos começar pasmando nossa ignorância, nosso alheamento a esta cidade. Não é assim que, diante da violência, digamos, na França ou no Iraque, podemos não concordar com os atos violentos em si, mas entendemos sempre que eles se ligam à pobreza e à exclusão social? Hábeis discursos podemos formar, baseando-nos em artigos e livros, sobre a situação destas realiades longínquas. Assim se passa com muitos de nós, que vem esperando avidamente por alguma forma de contestação social que tome corpo no Brasil. Mas, quando confrontados com a violência no Estado de São Paulo, quem não teve de vasculhar na sua cabeça os nexos que ligam , por exemplo, tráfico a pobreza? Os policiais não nos inspiram simpatia, porque aparato de repressão de um Estado anti-popular. Ainda assim, significa esta violência um cometa no céu em uma ordem que nos parece por demais conformada? A superesquerda de plantão, a procura do seu sujeito histórico, pode bradar: vejam, ali está ele, expressando-se por meio do terror em São Paulo. É uma forma esta, de estabelecer o nexo tráfico- pobreza, ele é direto, evidente. "Os inimigos dos meus inimigos..." Estejamos atentos a este raciocínio precipitado. Por isso o artigo se chama "o tráfico não tem nada de revolucionário". E se não este, mas também não o da solidariedade imediata com esta pacata polícia, executora das suas atribuições, que é absurdamente atacada, então qual, qual é o nexo que nos resta? Estamos crus. Não discutimos isto. O tráfico não é fundamental nos discursos dos jovens de esquerda. Mas ele se encontra lá, em algum lugar no meio do caminho em busca do nosso sijeito histórico. Se algum dia a população deste país se levantar, oxalá, como será com tráfico? Não será desastroso? Existem (no mínimo) dois mundos que dividem a consciência dos jovens de esquerda: aquele que fuma, e eventualmente cheira, sossegado, descontraído, cool, e o outro, que tece teorias sobre o levante social no Brasil, lendo o que se tem a dizer da França, do Iraque, de Israel. E, é claro, a partir do que projetamos sobre "o povo brasileiro". Marcelo achou um nexo interessante. Tortuoso. E ainda nos é pouco. Esperemos até que algum dia este país realmente pegue fogo. E então? Valeu, Marcelo.  | Veja, há uma diferença entre tentar compreender um determinado comportamento e avaliá-lo do ponto de vista moral. É muito mais fácil quando lemos notícias da França, da Bolívia e do Iraque, compreender e até apoiar atos de violência. Quando a coisa acontece do nosso lado, eu entendo que algumas pessoas se sintam na "obrigação" de "vibrar" com o fato, mas é de chocar que pessoas que se considerem tão "esclarecidas" acreditem de fato na "salvação pelo tráfico" e no uso da força. Isso serve tanto para os comunistas, quanto para os anarquistas, apesar de se considerarem antagônicos no que concerne o Poder Político. Dito isso, é preciso diferenciar entre comportamento eminentemente político (que são conscientes) e comportamentos que refletem problemas sociais e têm conseqüências políticas. O advogado do PCC pode alegar questões político-sociais para explicar os acontecimentos desse fim de semana, mas, como bem lembra esse artigo, se a causa dos traficantes fosse social, o problema da pobreza no Brasil, em grande parte, já estaria resolvido. Sendo feita essa constatação, então cada um pode avaliar positiva ou negativamente o que vêm acontecendo em São Paulo, no Iraque ou na França. De minha parte, são revoltantes as reações da chamada "opinião pública" que pensa, de fato, que a questão político-social passa ao largo. Basta lembrar, para provar o contrário, que o governo de São Paulo, de olho nas eleições, se nega a aceitar ajuda do Governo Federal para "resolver" o caso.  | É verdade, o tráfico de drogas é uma mega empresa capitalista, quanto a isso sua análise vai direto ao ponto. Mas, você, prezado articulista, assim como muitos, idealizam a miséria. Não precisa ser nenhum conhecedor ou estudioso das favelas para saber que não se domina uma comunidade de 180 mil com 70 gatos pingados armados.
O tráfico tem sim uma base social, são soldados, olheiros, embaladores, armeiros, conzinheiras, lavadeiras, familiares e etc e tal. Quanto ao diheiro que entra na favela ele é suficiente para sustentar essa base social e provocar a sedução nos que estão de fora. Dinheiro e poder. As melhores roupas, os melhores artigos de consumo, as meninas mais gostosas da comunidade, estão nas mãos daqueles que militam no tráfico.
O tráfico nas favelas domina não só pela coerção, ele é hegemônico. Sua base social vai de 10 a 30% dessas comunidades, tem produção cultural,tem empresas, estão articulados com setores da polícia, políticos exploradores da miséria, além de contarem muitas vezes com a conivência de organizações ditas religiosas.
Essa constatação não significa jogar qualquer "culpa" nos favelados, que por sinal agora foram "descobertos" pela rede Globo. A barbárie avança porque estamos vivendo num sistema em degeneração, apodrecido. O pior é que não havendo alternativa, é natural que uma parcela da população, que vai muito além dos favelados, seja arrastada para o crime e o banditismo.
Os policiais que estão morrendo diariamente,são filhos do proletariado, estão servindo de bucha para a burguesia e seus sistema apodrecido, infelizmente enquanto não despertarem para essa realidade vão continuar tendo reações emocionais e desesperadas.
O inimigo está acantonado em seus condomínios de luxo, nas suas mansões, protegido por milícias mercenárias, assistindo de longe as consequências da sua dominação.  | Descobriu a pólvora, mas viajou na maionese. O tráfico é uma empresa capitalista? Ora, finalmente ele descobriu o óbvio! Acabou-se aquela fantasia criada há anos pela esquerda boboca, de que os traficantes seriam benfeitores encarregados de defender a população dos morros contra a violência da polícia, e prestar-lhes o auxílio negado pelas autoridades... eles viam os bandidos como proto-socialistas, a quem cabia dar a devida orientação marxista e tranforma-los em bons revolucionários. NÃO HOUVE UM ÚNICO CASO DE BANDIDO TRANSFORMADO EM GUERRILHEIRO. Mas em compensação, o lado prático dos ensinamentos foi bem assimilado... A primeira facção criminosa que apareceu, lembro-me bem, chamava-se FALANGE VERMELHA. Surgiu nos anos 70, pouco depois do contado entre bandidos e guerrilheiros presos na Ilha Grande. Será coincidência? Rendeu até um seriado da Globo, Os Bandidos da Falange... depois veio o Comando Vermelho, o Terceiro Comando, o PCC... mas por que raios esta predileção por nomes sugestivos, que lembram grupos guerrilheiros? Será coincidência? Ou vocês pensam que eu sou idiota?
Hoje, colhemos o fruto plantado pela idiotice dos presos políticos da Ilha Grande, no início dos anos setenta. É sabido que eles ministraram cursos de organização, guerrilha e terrorismo aos marginais comuns. Queria saber o que eles tinham na cabeça!
Mas como de costume, no raciocínio do esquerdista, a "culpa de tudo" é tirada de indivíduos concretos e lançada sobre um coletivo abstrato, no caso, uma classe social, a tal de "burguesia". Os chefões do crime não moram na favela? É claro que não! Eles não moram sequer no Brasil, pois é sabido que o tráfico é um negócio multinacional. Mas e daí? Quem tem as armas que efetivamente ameaçam nossa segurança não são os figurões, mas os bandidos da favela. Será possível que vocês acreditem mesmo que, se os figurões fossem presos, no dia seguinte os marginais pobres iam entregar suas AR-15 e voltar para as aulas da Escola Pública? Orra meu, ingenuidade tem limites! Isso é o mesmo que achar que o camelô ia mudar de profissão se o contrabandista fosse preso! Eles são criminosos profissionais, e os criminosos profissionais, quando seu chefe é preso, mudam de chefe ou organizam sua própria quadrilha. Vocês não sabiam disto?
Enquanto vocês insistirem em interpretar o fenômeno da criminalidade como uma Luta de Classes, vão continuar sem entender nada, chamando urubu de meu louro, até levar um tiro no meio da rua.  | Que saudades. O que estavas fazendo, coisa oca? Qual o motivo da retirada dos comentários sobre esse artigo? veja "o prisioneiro da grade de ferro" e "notícias de uma guerra particular". O sistema prisional também tem pontos de saturação. Drogas está em terceiro lugar em rantabilidade. Só perde ára armas e combustíveis. Marcelo,
concordo contigo e fico muito em dúvida até que ponto esses ataques não têm ligação com a pauta política nacional. Sabemos que políticos ligados à extrema direita (PFL e PSDB) têm fortes ligações com empresas de segurança privada, o que para eles é salutar reforçar o discurso da falta de segurança: é consumo para suas empresas. O problema não é repressão, mas estrutura social. Abraços Márcio Alan Fortaleza-Ce Impressionante, sumiram três comentários dessa página, dos quais apenas um era repetido e nenhum continha qualquer conteúdo passível de censura segundo a política editorial do CMI... sERÁ que ninguém percebeu que o CMI tá do lado da polícia? Caro Marcelo, Gostei muito do tom da sua discussão. Também me espanta a crescente criminalização da pobreza. Eu me permitiria discordar apenas em um ponto. Creio que há sim algo de revolucionário no narcotráfico. Pelo menos a forma como os presidiários conseguem driblar todo um sistema de vigilância e fazer uma revolução em conjunto apenas com celulares é algo novo, e que precisa ser profundamente compreendido. Aproveito para divulgar minha dissertação de mestrado recentemente defendida na USP, em que faço uma discussão entre Geografia e Violência. O endereço é http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-20032006-175842/ ou http://docentes.puc-campinas.edu.br/ceatec/lucasm/textos/ageografiadoatrito.pdf Cordialmente, Lucas Melgaço  | talvez se meu avô analfabeto que foi, mas honrado trabalhador honesto-até porque dizem que quem está no tráfico está "trabalhando"-, estivesse ainda por aqui, estaria se questionando: será que todo pobre excluido socialmente é marginal, e se não é o porque de querer generalizar de que a injusta distribuição de renda é a grande culpada disso tudo, seria como você tivesse uma doença, e não lutasse para enfrenta-la-até porque acho que injusta distribuição de renda é uma doença-, mas o que dizer dos pobres das "comunidades", que vão a luta pelo seu sonho e vencem na vida, será que não poderíamos incentivar que somos capazes de mudarmos para melhor, simplesmente alegar que há "meninos e "jovens" nas favelas sem ocupação? mas que não tem garra de acordar cedo e encarar uma jornada de trabalho de 8 horas para ganhar um salário, mas vivendo com dignidade, o tráfico é um dinheiro fácil, para pessoas que já tem distorção de caráter, e que um dia irão prejudicar e incomodar e as vezes até matar pessoas inocentes, ordeiras e corretas, dessas favelas, que infelizmente não olham o drama que essas famílias de bem vivem nesses lugares, sempre querendo por como culpada a tal "luta de classes". até quando?  | Eu,sinseramente acho que este tipo de organização não deve ter em nosso pais. por exemplo,hoje o que os policias estão fazendo ,é bom por um lado e ruim por outro,pois,tiram o trafico das favelas,mas cobram de moradores,vc achea que isso e certo?. realmente,os bandidos tem que ser banido deste mundo para que a nossa sociedade viva em paz,e so isso que o mundo de hoje em dia quer. por isso eu peço a todos da policia,todos os tipos de policas,lutem,batem de frente,e acabe com esta corja que e a bandidagem que tomam conta deste mundo. agradeço muito de coração. com o coração aliviado. de um cara que e doido para ser um policial e ajuda-los a acabar com tudo isso. silvio de sousa. morador da rua edigard romero,715/ bloco 02 / apto;801.em madureira. RJ. TEL P/ CONTATO:33910176.
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