| ANARQUISTAS NO CONGRESSO DE ESPERANTO Por Fenikso Nigra 17/05/2006 às 19:56 Acontecerá em Campinas, a partir do dia 15 de julho de 2006, o Congresso Brasileiro de Esperanto. E lá, nosso grupo apresentará duas palestras. Compareçam e prestigiem, saúde e anarquia a tod@s! Saluton geamikoj, Acontecerá em Campinas, o 41 Congresso Brasileiro de Esperanto, do dia 15 a 19 de julho de 2006. Lá contaremos com duas palestras: - Discussão sobre dominação curltral; - Anarquia e esperanto, história, com a partcipação de Edgar Rodrigues; Também haverá a partcipação do músico esperantista JOMO (com versões em esperanto da Las Barricadas e Maknovtchina). Local: BI Eventos, R: José Paulino, 1369 - Centro. Entrada: Em nossas palestras é livre, respeitando a capacidade do local. Mais informações: feniksonigra@yahoo.com.br Gxis revido, sano kaj anarkio!
Email:: feniksonigra@yahoo.com.br URL:: http://geocities.yahoo.com.br/feniksonigra >>Adicione um comentário Antes de comentem, quero deixar claro: A ENTRADA EM NOSSAS ATIVIDADES (ANARQUISTAS) É LIVRE E ABERTA A TOD@S! O RESTO DO CONGRESSO É OUTRA HISTÓRIA $$$$$! GHIS REVIDO, SANO KAJ ANARKIO! Bem que eu gostaria de participar desse congresso, a umas três semanas comecei a estudar esperanto e fiquei sabendo do congresso, queria poder ir, mas não tenho grana e ainda não falo muito bem esperanto...mas todo apoio ao congresso, espero que haja algum mais pertinho daqui pra que eu possa ir e é isso ai ANARKIO JAM!!!!!!!!!!!!  | Devemos esclarecer que este 41° Congresso Brasileiro de Esperanto é organizado pela Liga Brasileira de Esperanto, ou seja, do movimento pequeno burguês esperantista. Este Congresso tem portanto um perfil pró-capitalista, pequeno burguês, sendo que as taxas de participação chegam a 288 reais. Não haverá alojamento gratuito, mas a página do congresso dá dicas de hoteis chiques que cobram diárias em torno de 100 reais. Portanto não é um congresso para a classe trabalhadora, estudantes ou desempregados. Reunião de anarquistas num congresso pequeno burguês?? ha ha ha.... Haverá excursões...palestras chatas, baile (?!) Sinceramente não recomendo à ninguém participar deste evento. Use melhor seu dinheiro. É necessário um novo movimento esperantista no Brasil que não seja o tradicional, fundamentado em ONGs (no pior sentido que esta expreessão possa ter) que só pensam em cobar tarifas, taxas, adesões, vender livros...e ganhar $$$$$$$$$. Lucro.... Este congresso parece um misto de algo como uma mini-reunião do FMI, um encontro do Lions, um encontro de escoteiros, ou a festa da entrega do Oscar. Sugiro a criação de coletivos de falantes do esperanto no Brasil.  | Ao contrário do que possam afirmar aqueles que, não conhecendo quem faz parte do LKK (Loka Kongresa Komitato - Comite Local de organização do Congresso), e nunca tenha solicitados quaisquer informações às pessoas que se esforçam para que o 41º Congresso Brasileiro de Esperanto se realize da melhor maneira possível, haverá sim alojamento gratuito. Já conseguimos um local, no centro da cidade, com capacidade para alojar, pelo menos trinta pessoas gratuitamente. Existem outras opções que serão analisadas amanhã (20/05/06), em reunião do LKK, às 15hs., na Rua Antonio Alvares Lobo, 775, Botafogo, em Campinas, SP. Estudamos ainda outras possibilidades de alojamento comum. Com relação aos hotéis, fizemos um grande esforço para encontrar hotéis próximos ao local onde será realizado o congresso, e mais esforço ainda para conseguirmos descontos para os participantes. Graças a estes esforços conseguimos preços e condições melhores. O LKK é constituído por poucas pessoas que se empenharam muito para que o 41º BKE seja realizado em Campinas. Quanto às palestras e demais eventos, lembramos que além dos anarquistas, que apresentarão discussões sobre anarquia e esperanto e dominação lingüistica, qualquer pessoa pode procurar o LKK (Caixa Postal 1097 - Campinas-SP - 13012-970, ou 41bke@esperanto.cc) e propor outras palestras e/ou atividades a serem desenvolvidas no Congresso. Por fim, quanto ao valor cobrado pela Liga Brasileira de Esperanto, não há nada que o LKK possa fazer. De fato o Congresso é um evento da Liga Brasileira de Esperanto. Porém, as atividades culturais serão abertas a todos. Eduardo R. Dezena Kultura Centro de Esperanto (membro do LKK)  | A informação que não haveria alojamento estava no site por um longo tempo. 39 lugares não dá para nada Vocês poderiam se este lugar: na Rua Antonio Alvares Lobo, 775, Botafogo, em Campinas, SP é sede de alguma organização religiosa? E a neutralidade do movimento esperantista onde fica; vejam: http://www.aleph.com.br/useic/soc-cps.htm A informação que até agora não há solução para o alojamento comunitário para o Congresso está na página oficial do evento ainda hoje a noite dia 19 de maio, conforme abaixo. Faltando 2 meses para o evento... "ALOJAMENTO COMUNITÁRIO Ainda não conseguimos chegar a uma solução definitiva, portanto não é possível informar se teremos essa alternativa, mas a C.O. não desistiu de continuar tentando oferecer este serviço." fonte: http://www.esperanto.cc/bke/ correções: onde escrevi 39, altero para 30 onde escrevi "Alojamento em lugar religioso?" altero para "LKK Loka Kongresa Komitato - Organização do Congresso se reune em lugar religioso?" "Ainda assim, tem quem o associe a uma religião ou outra. No Brasil, chegou a receber o rótulo de "coisa de espírita". Como muitos seguidores dessa religião o consideram a língua do terceiro milênio, que unirá as pessoas no ideal de fraternidade, editam obras e mantêm no site da Federação Espírita Brasileira uma versão do conteúdo em esperanto". (do Jornal "Estado de São Paulo)  | DIÁSPORA E SECTARISMO RELIGIOSO NO MOVIMENTO ESPERANTISTA A imprensa corporativa e todo mundo já sabe: pessoas que não são espíritas não se sentem confortáveis no movimento esperantista. Há uma diáspora (êxodo) no movimento esperantista no Brasil de pessoas que não são espíritas. Reuniões e encontros do movimento esperantista são realizados em centros espíritas ou locais espíritas. Deu no Estadão no dia 26/3/2006 e é um fato irrefutável: “tem quem o associe (o esperanto) a uma religião ou outra. No Brasil, chegou a receber o rótulo de "coisa de espírita". Como muitos seguidores dessa religião o consideram a língua do terceiro milênio, que unirá as pessoas no ideal de fraternidade, editam obras e mantêm no site da Federação Espírita Brasileira uma versão do conteúdo em esperanto. Pois não é que um grupo de evangélicos desistiu de um dos cursos oferecidos na Capital mal soube que o dicionário era editado pela Federação? Talvez o nome do autor na capa tenha contribuído para a diáspora: Allan Kardec Afonso Costa.” -------------------------------------------------------------------------------- Muitos esperantistas (espíritas) afirmam que o esperanto não foi criado por Zamenhof, mas pelos espíritos no mundo espiritual. Zamenhof seria apenas uma espécie de profeta que teria reencarnado para divulgar o esperanto. Como uma língua que tem pretensões de ser internacional pode ter um movimento sectário que exclui pessoas de outras religiões?  | Sua bichinha feiosa, está no cio, Sr. João Manoel Aguillera Júnior? não é este mesmo o seu nome? suas frases já estão pra lá de batidas, nem seus companheiros acreditam mais em você, ha ha ha . só otários acreditam em vc!!@#$#@$%#$ HA HA e você ainda tem que explicar para o pessoal porque você já deu palestra em centro espírita, que você tanto critica!!! É ISSO MESMO, PROCUREM E VCS ACHAM!!! Ou será que apenas anarquistas gays tem direito de usar o Esperanto? Isso seria neutro? Deixa os espíritas em paz, eles já tem muitos espíritos para atormentá-los. no Esperanto pelo menos eles fazem um bom trabalho, é uma vergonha que outros grupos não fazem metade do que eles fazem. E desde quando você defende crente? é ridícula sua argumentação quanto ao estadão! E desde quando o que aparece no estadão está certo para você? EXTRA EXTRA Aguillera recomenda: leia estadão e vote nos partidos de religião!! 3 -8 pra vc!  | Carta aos religiosos (Janos Biro) Por Janos Biro 31/05/2006 às 01:39 Carta endereçada a todos os líderes religiosos e pessoas que acreditam neles. Algumas pessoas consideram uma perda de tempo discutir religião. Elas acreditam que religião é uma questão de opinião, que discussões desse tipo não serão produtivas porque no final cada pessoa continuará acreditando no que quiser. Isso porque ninguém pode provar nada, apenas ter fé. Mas parece que além de fé a religião também envolve moralidade, e discussões sobre moralidade nem sempre são inúteis e não podem ser reduzidas a meras opiniões pessoais. A religião de alguém é um sistema de crenças que determina sua visão de mundo e seu campo moral de atuação. Seria tão incoerente dizer que as pessoas podem acreditar em qualquer coisa quanto dizer que as pessoas podem ter qualquer valor moral. Com certeza não podemos admitir como justificativa para o nazismo o fato de que os nazistas acreditam na própria superioridade. Religião não é uma simples questão pessoal, ela influencia as idéias e ações de grandes grupos sociais. O conceito de religião sendo criticado aqui é conceito das religiões salvacionistas, ou seja, as religiões que existem para salvar o homem de alguma falha ou maldade natural da qual ele não pode se livrar completamente neste mundo. Essa crença não é do mesmo tipo que uma crença sobre coisas mundanas e passageiras. Uma crença sobre quem vai ganhar um jogo, por exemplo, não vai determinar valores para ação das pessoas em todos os aspectos de suas vidas. Em segundo lugar, as crenças religiosas são divulgadas por pessoas instruídas para uma multidão de pessoas menos instruídas, altamente influenciáveis, desejosas de alguém que lhes mostre a direção que suas vidas devem seguir. Sob a alegação de conhecer um método de salvação, líderes religiosos detêm grande poder político e são formadores de opiniões sobre os todos os tipos de assuntos, dos mais cotidianos aos mais importantes, inclusive no campo da moral. Fica assim descartado o argumento contra a crítica à religião que diz que todas as pessoas têm religião porque todas as pessoas acreditam em alguma coisa que não podem explicar racionalmente. Nossas religiões são muito mais que isso, porque todas concordam que o homem precisa ser salvo de alguma coisa. Se alguém apresenta uma doutrina qualquer para outras pessoas, dizendo que essa doutrina é a verdade absoluta, e ao mesmo tempo não puder provar o que está dizendo, essa pessoa é um demagogo. Deixaria de ser demagogo apenas se admitisse que o que ele diz não é uma verdade absoluta nem necessária e que não representa a maneira absolutamente correta de conduzir a sua vida, mas apenas mais uma entre outras igualmente possíveis. Deixaria de ser demagogo se confessasse que o que ele tem a dizer é uma idéia a ser discutida e questionada e não a única verdade que pode salvar nossas almas do tormento eterno. Penso que exigir isso não é algo ridículo, é um direito de todo ser racional. As pessoas têm o direito de acreditar no que quiserem, conquanto essa crença não interfira na vida daqueles que não acreditam no mesmo. Por exemplo, uma pessoa tem o direito de não ser aterrorizada a amar um ser desconhecido acima de tudo que exista realmente, especialmente se essa pessoa se preocupa com a vida do planeta. Se você afirma em público uma série de coisas sobre o funcionamento do cosmos em nome de uma instituição qualquer; faz multidões acreditarem e viverem de acordo com aquilo e deriva um status social elevado por causa disso, é meu direito exigir que você prove que o que diz é verdade. Uma omissão pode ser considerada um ato suspeito. Se um político pode ser considerado um demagogo quando se aproveita da crença popular para ganhar poder político, porque líderes religiosos são diferentes? O argumento é que eles lidam com o plano espiritual e o plano espiritual depende de fé. Mais do que isso: depende de substituir as questões de verdade por meras questões de fé. Isso tem um limite, e as pessoas que acreditam que precisamos de mais que fé para sobreviver estão cada vez mais irritadas com os caminhos que a comunidade religiosa tem conduzido a humanidade. O conflito está crescendo, é possível que ele se torne violento, e precisamos saber o que fazer para evitar uma catástrofe. Sangue infiel A primeira coisa que nos vêm à mente é o sangue derramado em nome das religiões. O argumento é que os homens são falhos, mas isso não atinge a doutrina sagrada. Isso poderia ser aceito, caso a doutrina sagrada fosse realmente divina, e não apenas produto humano. Até que ponto a palavra pode ser interpretada para justificar os mais diversos fins? Quem pode nos garantir que a interpretação atual é mais confiável que as interpretações “errôneas” do passado? Por outro lado, imaginamos que se as doutrinas fossem realmente de autoria divina, não deixariam margem para outras interpretações. Mas como nem todas as pessoas são iguais em bondade, algumas interpretam erroneamente porque estão cegadas pela sua maldade. Esse argumento finaliza a discussão para os que crêem na palavra. Não passa de uma estratégia retórica, uma vez que não é possível ter saber o quão boa é uma pessoa, continuamos com o mesmo problema, delegando a instituições religiosas a responsabilidade de escolher quem é bom o bastante para interpretar corretamente a palavra, o que leva ou a um controle fechado da doutrina ou a um relativismo extremo. A impossibilidade lógica da coexistência entre monoteísmo e tolerância religiosa Existiram diversos deuses na história humana, muitos foram adorados por milênios e depois esquecidos. Os deuses mais adorados e conhecidos no mundo hoje são aqueles divulgados por homens que apoiaram as grandes conquistas políticas e militares. Mera coincidência? Muitos cultos a deuses diferentes conviviam entre si no passado, mas então houve o surgimento do monoteísmo. O deus monoteísta não admite outros deuses, para ele todos os outros deuses são malignos. O monoteísmo é uma idéia inseparável da idéia de que só existe uma maneira correta para se viver. A evolução do monoteísmo envolve considerar o deus monoteísta como a própria essência da bondade e da verdade. Ou seja, todas as outras crenças são malignas e falsas. O monoteísmo, assim como qualquer totalitarismo, se mostrou uma grande estratégia de conquista, aniquilação, assimilação e submissão de outros povos e culturas. Além de uma forma de manter a coesão social de grandes nações e impérios. Mas em tempos recentes a opinião pública mudou. Passou a exigir maior tolerância e convivência pacífica entre culturas e povos diferentes. Algumas autoridades religiosas então declararam que era preciso tolerância entre religiões diferentes, mas ao mesmo tempo não se desfizeram do monoteísmo. É um paradoxo que para ser tolerante com todas as religiões devemos aceitar uma religião que acredita que é a única verdadeira, e que todas as outras são falsas. Não vejo maneira de resolver esse paradoxo senão negando todo e qualquer monoteísmo. Ser monoteísta e não negar outras crenças é impossível. Tolerar diferentes crenças e não negar o monoteísmo é igualmente impossível. Há argumentos que defendem que todas as religiões têm pontos em comum, e que todas adoram o mesmo deus. Mas isso leva novamente a um extremo relativismo no qual a religião perde o sentido, se torna desnecessária e indistinguível de pura opinião pessoal. A palavra de Deus As religiões dependem de autoridades para as quais a doutrina é revelada, mesmo que essas autoridades sejam todo e qualquer fiel. Se eles se equivocam, eles chamam isso de erro humano. Mas antes de perceber o erro, chamam de palavra de Deus. Obviamente o conceito de “palavra de Deus” é ambíguo. Ela não pode ser o que Deus disse num momento, e deixar de ser o que Deus disse em outro, mesmo que esse deus seja mutável. A negação de trechos de antigos textos sagrados é uma atitude altamente suspeita, por mais que saibamos que seria imoral ou impraticável continuar dando a mesma validade à “ex-palavras” de Deus. Outra questão é que as pessoas consideram algumas passagens mais passíveis de interpretação ou tradução errônea e outras menos. Se um texto sagrado diz que se deve cortar a própria mão se ela o faz pecar, os fiéis recorrem a uma interpretação menos literal. Mas se o mesmo texto diz que devemos amar uns aos outros, o trecho deve ser entendido literalmente. É uma atitude tendenciosa, que parece estar sendo guiada mais por um bom senso situacional que por revelação divina. Se todas as pessoas, crentes ou não, têm o mesmo acesso à palavra divina, então caímos no extremo relativismo novamente. Mas se não têm, ficamos à mercê das instituições religiosas novamente. As religiões que recentemente pararam de matar hereges não o fizeram porque as pessoas que as compõem se tornaram mais esclarecidas sobre a verdadeira palavra de deus ou porque ficaram mais bondosas, mas sim porque sofreram pressões econômicas e políticas exteriores ao próprio culto. Elas dominaram os sistemas de ensino formal, dominaram os meios de comunicação e são onipresentes na nossa cultura. Não é preciso mais sujar as mãos de sangue, assim como alguns líderes políticos de hoje não são grandes militares, mas sim bons propagandistas. Separação entre ciência e religião Alguns religiosos dizem que a consciência humana se constitui de duas partes distintas: o lado espiritual e o lado racional. Eles dizem que um lado não influencia o outro, e que os líderes religiosos são as autoridades máximas quando se trata do lado espiritual, assim como os cientistas são autoridades no outro lado. Este argumento é fácil de ser refutado porque incorre num problema de dualismo. Não pensamos de maneiras completamente distintas quando nos envolvemos com uma questão de crença e com uma questão de verdade. Uma questão de verdade é também uma questão de crença, uma questão de crença nem por isso pode ser absolutamente desprovida de conexão com o mundo real e com a lógica. O papel da ciência não é colocar em dúvida as questões de fé, assim como as questões de fé não existem para explicar o que a ciência não pode explicar. Mesmo em questões de fé é possível chegar a contradições, incoerências e proposições inválidas. Ao apontar a invalidade de um sistema de crenças eu não tenho obrigação de dar uma resposta válida sobre todas as questões que ela abarca. Por exemplo: Não faz sentido dizer que alguém não pode questionar minha crença absoluta de que irei ganhar uma determinada aposta apenas porque não pode dizer quem vai ser o ganhador. Da mesma forma, não faz sentido dizer que não posso questionar a existência de um criador do universo apenas porque não sei como o universo começou. Argumento da ignorância Há um argumento usado para negar a validade de questionar as religiões. Refere-se a dizer que não podemos questionar as afirmações religiosas porque alguns fiéis não são capazes de compreender completamente esse questionamento e se sentiriam perdidos. Diz-se que, como alguns crentes não têm capacidade crítica aprofundada, ninguém pode exigir que as autoridades religiosas se retratem publicamente, pois as pessoas mais simples seriam prejudicadas. A falha do argumento está em considerar essas pessoas como incapazes de viver sem uma estrutura de crença absoluta apenas porque elas não são capazes de compreender a crítica que se faz delas. Mas elas também não precisam compreender profundamente o próprio sistema de crenças para se considerar crentes, se limitando a repetir rituais como forma de manter a coesão social. Se isso é verdade, então nenhum tipo particular sistema de crenças é necessário para manter uma coesão social, nesse caso, as religiões salvacionistas. O sistema de crenças salvacionista pode ser substituído por um sistema de crenças não salvacionista. O principal fator que impede que isso aconteça é que o os sistemas de crença em questão se fecham sobre si mesmos, não permitindo qualquer outro sistema, qualquer crítica estrutural, e instigando o preconceito contra qualquer outra forma de ação moral. Embora isso não seja culpa de cada um dos fiéis, deveria ser uma acusação pesada contra o instigador da fé popular que é o líder religioso. Se ele se protege na ignorância do povo, ele também afirma que “ignorância é bênção”. Nós mesmos estaríamos agindo de maneira imoral se a aceitássemos, por maior que fosse o benefício a terceiros, que a ignorância das pessoas seja usada como justificativa para uma doutrina totalitária. Seria o equivalente moral a dizer é aceitável que um marido engane sua esposa, conquanto ela prefira a ignorância como forma de manter a família unida, e que questionar a moralidade do marido é errado porque levaria ao sofrimento da esposa. Mas um ato imoral não deixa de ser imoral apenas porque ele mantém a coesão social. Seja qual for o sofrimento causado pela retratação dos responsáveis, esse dano não é culpa de quem exige a retratação, mas de quem deixou de fazê-la por si mesmo. Além disso, foi argumentado no parágrafo acima que a coesão social não precisa se manter necessariamente sob bases de um sistema de crenças salvacionista e absoluto, logo o fim deste tipo de sistema de crenças não representaria uma perda irreparável, mas sim um ganho de transparência para toda a humanidade. Esta é minha carta aos líderes religiosos. Que eles não mais se omitam sobre essas questões, e que respondam se puderem. Janos Biro Goiânia, 31 de maio de 2006 Email:: janosbiro@yahoo.com.br URL:: http://www.largue.cjb.net
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