Como não é o fim do mundo? E a contagem regressiva? E as matérias especiais do jornal nacional? E os bastidores? E os telões nas ruas, e os feriados nacionais? E as câmeras exclusivas? E todo o comércio? E as bandeiras? E tudo e todos loucos pelo Brasil?

A Rede Globo e todos seus agregados me provaram por a + b que minha vida estava em jogo, que nada mais importava se não viesse da Alemanha via Fátima Bernardes. Tentei ver o jornal depois da partida de terça e todas as manchetes eram a vitória da seleção brasileira. Você queria que eu não deduzisse que mais nada que estava acontecendo valia a pena saber? Que pelo visto mais nada estava acontecendo? Que o meu mundo agora estava parado esperando meus heróis decidirem tudo jogando futebol?
Tantas vezes ouvi da sua boca que era “o Brasil em campo” quando aqueles onze jogadores estavam lá. Colocaram uma chuteira no meu pé, e de tantos outros, sem sermos consultados. Você e tudo a minha volta me fizeram ter certeza de que aquilo era o real, aquilo era a minha vida, e agora diz que não é o fim do mundo? Não acha muito tarde? Só agora se sentiu responsável por cada mundo caído?

Impagável. Sem volta. Centenas de horas, milhares de cenas e bilhões de dólares não serão apagados com uma única frase, Galvão Bueno. Tarde demais. O mundo que me construíram acabou de despedaçar na minha frente, dentro da minha televisão. Minha vida ficou naquele gramado. Vou tomar cachaça, espancar meus filhos, chorar pelos cantos e dormir tendo a certeza que sou um merda, um derrotado.

Não sei aí em cima, mas aqui em baixo sim, é o fim do mundo.