Estamos aqui. Ao lado de inúmeras outras pessoas vindas da Europa do Leste e do Oeste, da América do Norte e do Sul, da Ásia e também da África. Nós, os ativistas políticos da Europa do Oeste, manifestamos nas ruas de São Petersburgo contra o encontro do G8.
Porquê fazer uma viagem tão longa pra pertubar a cúpula-espetáculo de Poutin? Porquê não ficamos nas nossas casas, nos ocupando daquilo que é nosso? Que é esse G8 que provoca tanta agitação?
O G8 agrupa os países mais influentes do mundo no plano econômico (logo, também no plano político): Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Japão e Grã-Bretanha. Desde 1998, a Rússia participa dos encontros exclusivos, porém sem ter voz nos assuntos de política monetária e financeira. De todas as cúpulas internacionais, o encontro do G8 é o que melhor mostra quando as potências se unem para exercer o poder e dividir o planeta entre pobres e ricos, Norte e Sul, Leste e Oeste. Alguns chamam-no de "capitalismo", outros "imperialismo" ou "globalização neoliberal". O que nos une é a raiva face a essa separação. Estamos horrorizados com a opressão e exploração que todas as regiões do mundo estão submetidas, horrorizados por milhões de pessoas serem consideradas como perdedores, inúteis. Sempre foi assim, mas não deve continuar!
O projeto político do G8 é o neoliberalismo, não só após o desmoronamento da União Soviética: a privatização de bens coletivos como a água, eletricidade, saúde; aposentadorias baseadas no mercado financeiro, critérios de rentabilidade para todos os domínios da vida, da educação ao transporte e passando pela moradia. Nos países do Norte e, de uma outra forma, na Europa do Leste, isto significa o detrimento dos direitos sociais duramente adquiridos e uma relocação das riquezas de baixo para cima. O Sul - antes, falávamos de "terceiro mundo" - não tem escolha: no começo do século XX, estes países eram colônias que padeciam diretamente à exploração; hoje, os Estados orquestram a política mundial, impondo-na políticas estabelecidas durante os encontros internacionais - et se asseguram também de ótimas condições de acesso aos recursos naturais e a uma mão-de-obra mercantilizada.
A profundidade do abismo não é a mesma no Norte e no Sul: se as pessoas do Norte lutar para manter a gratuidade da educação e da saúde, para o seguro social, no Sul, o que está em jogo é na maioria das vezes a sobrevivência. No entanto, nos opomos ao mesmo projeto político: os encontros na cúpula como aqueles do G8 têm uma porcentagem política que não é somente simbólica. Os/as representantes dos países ricos e industrializados coordenam sua ação para impor sua visão neoliberal de um mundo onde somente o lucro de alguns conta.
Nós queremos combater o projeto neoliberal onde ele se manifesta e contrapor um claro "não". Nas nossas casas nós lutamos contra o desmantelamento dos direitos sociais; nas cúpulas internacionais, queremos unir nossas oposições cotidianas de rejeita em um grande "não".
Nós não nos deixaremos dividir. Mesmo com todas diferenças, queremos sublinhar aquilo que nossas lutas têm em comum. Nesse ano, o G8 é consagrado às políticas de educação, saúde e energia. As idéias dos líderes políticos não têm nada de brilhante: nesses assuntos, a palavra-chave são privatização e rentabilidade. Ao invés de promover o acesso aos medicamentos para todos/todas, eles/elas apóiam as patentes farmacêuticas. Só aqueles e aqueles que têm meios teriam acesso a uma educação de qualidade. E, para responder à crise energética mundial, elles/elas não optam pela utilização inteligente dos recursos e pelo apoio à pesquisa das energias limpas, mas sim para o desenvolvimento do nuclear civil, o qual conhecemos os perigos para a humanidade.
Temos uma outra visão de um mundo melhor. A saúde e a educação são direitos, e não mercadorias. À política migratória e restritiva na Europa Ocidental e na América do Norte, nos opomos com nossa reinvidicação de liberdade de locomoção e de estabelecimento para todos/todas e em qualquer lugar. Em uma palavra, queremos os direitos sociais globais para cada um e cada uma no mundo todo. Não temos idéia precisa do caminho que conduzirá a esse objetivo, não temos um projeto de sociedade pronto para a utilização. Os passos que nos levam a essa direção são a organização democrática na base, sem líder. Queremos fundar nossas relações na igualdade de direitos, rejeitando as diferenças baseadas na cor da pela, origem social ou sexo.
O mundo não pode continuar do jeito que está. É com uma idéia que sairemos do impasse.
Direitos iguais a todos e todas no mundo inteiro.
É nesse reinvidicação que se baseia a nossa reflexão e é essa que alimenta nossa oposição aos ilustres convidados de Poutin. É por isso que lutamos ao lado de vocês nas ruas de São Petersburgo.
