É fato que a colaboração dos dirigentes sionistas com os nazistas está amplamente documentada e que o exemplo mais revelador foi o de Rudolf Kastner, vice-presidente da Organização Sionista,que negociou com Eichmann. Que a Gestapo, em 1935, expediu uma circular à polícia alemã dizendo que os sionistas não deveriam ser tratados com o mesmo rigor de que os demais judeus. Que dirigentes sionistas romperam o boicote antifascista mundial contra Hitler, através das companhias Haavara e Paltreu, cujo empreendimento teve a participação de futuras autoridades de Israel como Ben Gurion, Moshé Sharret (ou Moshé Shertok), Golda Meir e Levi Eshkol.

O forte anti-semitismo da Alemanha nazista e suas políticas não impediu que houvesse colaboração entre o estado nazista e o sionismo. Adolf Hitler e seu grupo viam no sionismo como uma forma de resolver o problema judaico em seu país, de forma a esvaziar a Europa dos judeus. Muitos grupos e autoridades sionistas, em troca de ganhos políticos, estiveram indiferentes a tragédia de seu próprio povo.

ANTECEDENTES

Antes da Alemanha nazista os sionistas colaboraram com outro estado anti-semita, a Rússia czarista, poucos anos antes da Revolução Russa. Por volta de 1903 Theodor Herzl se encontrou com o ministro do interior Viatcheslav von Plehve, um dos grandes incitadores de pogroms da época. Segundo o próprio Herzl, 'os anti-semitas serão nossos amigos mais fiéis, e os Estados anti-semitas nossos mais firmes aliados' (Theodore Herzls zionistische Schriften, Leon Kellner, ed., ester Teil, Berlin: Judischer Verlag, 1920, p. 190). Em meio a Guerra civil russa, o líder sionista revisionista Vladimir Jabotinsky fez acordos com outro grande anti-semita da época, Symon Pletiura.

O SIONISMO E ASCENSÃO DO TERCEIRO REICH

Algumas organizações sionistas viram a ascenção de Hitler e o Terceiro Reich na Alemanha com bons olhos, chegando-o a elogiá-la como uma forma de renascimento da vida nacional alemã que os judeus deveriam se espelhar. Na época entre a ascenção de Hitler ao poder e a Segunda Guerra Mundial a Alemanha nazista ainda não cogitava o extermínio físico dos judeus que viviam sob seu domínio, e tentou a tática da 'dessamilição' cultural, de forma a acentuar a identidade religiosa dos judeus que viviam na Alemanha. Robert Weltsch, editor-chefe do jornal sionista Jüdische Rundschau, uma publicação voltada para a comunidade judaica alemã, incentivava entusiasticamente seus leitores a utilizarem a Estrela Amarela imposta por Hitler: 'Use-a com orgulho, a Estrela Amarela!'. Nessa mesma época a circulação do jornal de Weltsch subiu de por volta de 5 a 7 mil exemplares para 40 mil. Em 1935 atracou em Haifa um navio de passageiros vindo do porto alemão de Bremerhaven capitaneado por um membro do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães e com passageiros sionistas. Este navio tinha uma bandeira com a suástica nazista no mastro ao mesmo tempo que tinha no convés letras em hebraico dizendo 'Tel-Aviv'.

INCENTIVOS NAZISTAS

Enquanto o Terceiro Reich perseguia os judeus que viviam sob seu domínio, haviam campos especiais de treinamento para o trabalho agrícola na Palestina para jovens sionistas. Em agosto de 1933 foi firmado entre oficiais alemães e Chaim Arlosoroff (secretário político da Agência Judaica) o Acordo Ha'avara (palavra hebraica para transferência). Tal acordo era o cérebro da cooperação entre nazistas e sionistas.

Através de tal acordo incomum, cada judeu interessado em ir para a Palestina depositava dinheiro em uma conta especial na Alemanha, e tal dinheiro era utilizado para comprar máquinas, ferramentas, fertilizantes e outros materiais agrícolas feitos na própria Alemanha. Tudo isso era exportado para a Palestina e vendido pela companhia judaica Ha'avara em Tel-Aviv. Dinheiro das vendas era dado para os imigrantes judaicos quando chegavam na Palestina correspondente ao seu depósito na Alemanha.

COMO SE DEU ESSA COLABORAÇÃO ENTRE NAZISTAS E SIONISTAS?

Segundo o historiador Ralph Schoemnman: "Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o status quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários, como o dos mares na Rússia, que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas (...) Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, a Grã- Bretanha, o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas." (Revista Teoria e Debate, Fundação Perseu Abramo).

Outras fontes também analisam o caso com profundidade:

"A colaboração dos dirigentes sionistas com os nazis está amplamente documentada. O exemplo mais revelador talvez seja o de Rudolf Kastner, vice-presidente da Organização Sionista. Foi com ele que Eichmann negociou na deportação dos judeus da Hungria. Estes dois homens chegaram a um acordo no sentido de que Eichmann deixaria sair 'ilegalmente' alguns milhares de judeus 'de elite' ? sionistas ? com destino à Palestina (seus trens inclusive foram escoltados pela polícia alemã). Em troca disso, 'a ordem e a tranquilidade' reinariam nos campos de concentração desde onde estavam sendo conduzidos centenas de milhares de judeus em direção a Auschwitz. (...) Eichmann chegaria a ponderar que o Dr. Kastner havia sacrificado seus correligionários por um ?ideal'. Para conseguir o seleto direito a tal 'ideal' ? 1.685 judeus escolhidos pela Organização Sionista, 'úteis' para a colonização da Palestina ? Kastner garantiu a Eichmann que 470 mil judeus sairiam para os campos da morte sem opor resistência alguma, pois não lhes seria dito que estavam sendo conduzidos ao extermínio, lhes fariam crer que era um simples translado."(Mundo Obrero, de Leslie Feinferg, 2002).

"(...) Se o acordo (de Eichmann e Kastner) foi um ato desesperado, uma tentativa de salvar ao menos umas quantas centenas de judeus, então como se explica que, anos depois, a Corte Suprema de Israel santificasse a memória de Kastner com o argumento de que 'os judeus húngaros eram um ramo morto'?" (Revista Memoria, México).

"(...) Segundo o juiz Halevi, durante o julgamento de Eichmann, Kastner interveio para salvar um de seus interlocutores nazistas... Kurt Becher. O testemunho de Kastner, no processo de Nuremberg fez com que (Becher) escapasse do castigo. O juiz Halevi foi taxativo: 'Não houve nem verdade nem boa fé no testemunho de Kastner. Ele perjurou claramente ante este Tribunal, quando negou que intercedeu em favor de Becher. Além disso ocultou este importante fato: sua diligência em favor de Becher foi feita em nome da Agência Judaica e do Congresso Mundial Judeu... e foi por isso que Becher foi posto em liberdade pelos Aliados'."

Depois do julgamento, a opinião pública israelense se agitou. No jornal Haaretz, o Dr. Moshé Keren escreveu em 14 de julho de 1955: 'Kastner deveria ser condenado por sua colaboração com os nazistas'. E o vespertino Yediot Aharonoth (23 de junho de 1955) explicou porque isso não seria possível: ?Se Kastner for levado ao tribunal, o governo (israelense) como um todo correria o risco de desmontar-se totalmente ante a nação, como consequência daquilo que tal processo descobriria'.

O que corria o risco de ser descoberto era que Kastner não havia atuado sozinho, mas sim em combinação com outros dirigentes sionistas que naquele momento faziam parte do governo. A única forma de evitar que Kastner falasse e detonasse o escândalo era que desaparecesse. Efetivamente ele morreu, de forma providencial, assassinado na escadaria do Palácio da Justiça." (Les mythes fondateurs de la politique israélienne, Roger Garaudy).

"Em virtude do estatuto privilegiado do sionismo na Alemanha nazista, a Gestapo da Baviera, em 28 de janeiro de 1935, dirigia à polícia alemã a seguinte circular: 'Os membros da organização sionista, por sua atividade orientada à emigração à Palestina, não devem ser tratados com o mesmo rigor que... os membros das organizações judias alemãs (assimilacionistas)'.(Sionistes et non-sionistes sous la loi nazie dans les années 30, Kurt Grossmann)".

"Em agradecimento por serem reconhecidos oficialmente como únicos representantes da comunidade judia (na Alemanha) os dirigentes sionistas se ofereceram para romper o boicote antifascista mundial (contra Hitler). Assim, em 1933 iniciaram uma colaboração econômica, sendo criadas duas companhias: a Haavara Company em Tel-Aviv e a Paltreu em Berlim. (...) Vários futuros primeiros-ministros de Israel participaram do empreendimento da Haavara, concretamente Ben Gurión, Moshé Sharret (ou Moshé Shertok), a sra. Golda Meir... e Levi Eshkol, que era seu representante em Berlim. As operações eram vantajosas para ambas as partes: os nazis conseguiam romper o bloqueio (os sionistas faziam fortunas vendendo mercadorias alemãs inclusive à Inglaterra) e os sionistas realizavam uma imigração 'seletiva' tal e como desejavam. (...) Só os milionários podiam emigrar (aqueles cujo capital permitiria o desenvolvimento da colonização sionista na Palestina). De acordo com... o sionismo era mais importante salvar da Alemanha nazista os capitais judeus... do que as vidas dos judeus pobres, ou inaptos para o trabalho ou para a guerra, o que seria uma carga. Essa política de colaboração durou até 1941 (durante 8 anos após a chegada de Hitler ao poder)". (L'Accord de la Haavara, Ben Gourion e Shertok, citado por por Tom Segev; Les mythes fondateurs de la politique israélienne)".

SIONISMO E NAZISMO HOJE: "SIONISTAS E NEO-NAZISTAS ESTABELECEM ALIANÇA CONTRA ÁRABES". UM NOVO FENÔMENO?

A seguinte matéria saiu no jornal francês Reuters:

Neo-nazistas franceses formaram uma aliança com grupos judaicos extremistas na Internet para publicar uma torrente de mensagens de ódio dirigida diretamente contra árabes e muçulmanos, de acordo com um relatório de um importante grupo anti-racista.

Membros de grupos de extrema-direita se prepararam para deixar de lado seus sentimentos anti-semitas para dividir espaço na internet e técnicas com propagandistas extremistas pró-Israel, em meio a um aumento da violência no Oriente Médio, descobriu o estudo.

'Esse é um novo fenômeno', disse na quinta Mouloud Aounit, diretor do grupo MRAP que publicou o relatório de 170 páginas.

'Nós queríamos soar o alarme sobre o preocupante desenvolvimento dessa forma de racismo que não é apenas virtual, mas se espalhou pela vida cotidiana', disse.

O relatório disse que 26 sites, rastreados até grupos extremistas de extrema-direita e Judaicos na França, operaram do mesmo servidor nos Estados Unidos entre 1999 e março desse ano.

Membros dos grupos também compartilhavam conselhos sobre como enviar mensagens sem deixar rastros eletrônicos.

Os investigadores acreditam que os sites saíram do ar por causa de um desentendimento entre os grupos a respeito da guerra chefiada pelos Estados Unidos no Iraque, com extremistas judeus apoiando a ação mas alguns franceses de extrema-direita não.
A polícia francesa não teve nenhuma reação imediata ao relatório e a principal organização judaica, CRIF, não estava imeditamente disponível para comentários.

INCITAÇÃO

O relatório disse que entre 2001 e 2003, os grupos enviaram 1000 mensagens por dia, incluindo incitações para atacar mesquitas na esperança de desencadear uma guerra civil entre árabes e outros franceses.
Também incluíam mensagens pedindo o assassinato do Presidente Jacques Chirac, chamado ironicamente de 'Ben Shirak', que os extremistas acusam de conceder poder a interesses muçulmanos.

Um ano atrás, um membro do anti-estrangeiro Movimento Nacional Republicano (MNR) tentou atirar em Chirac na parada anual do dia da Bastilha, dias depois de ter enviado uma mensagem em um web site neo-nazista britânico alardeando que logo ficaria famoso.
Chirac pediu dureza contra o racismo após ataques anti-semitas e sinais de que a guerra no Iraque aumentou a tensão entre os judeus e muçulmanos da França.

Contudo, Aounit disse que o governo permanecia indiferente à enchente de mensagens de ódio despejadas na Internet.

'Há obviamente a questão da legislação, que deve ser tratada em nível europeu, mas se há a vontade política, se você der aos cybertiras os meios de investigar, você poderia rapidamente prender, identificar os autores', disse ele.