São Paulo, 23 de novembro de 2006.

Hoje a Central de Movimentos Sociais (CMS) realizou pela manhã um ato contra o aumento das tarifas do transporte público.

O ato reuniu cerca de 250 pessoas, em sua maioria estudantes de escolas secundaristas. O carro de som repetia insistentemente que haviam 2.000 pessoas apesar de ser evidente que o número mal ultrapassava 200.

A manifestação começou na Praça da Sé e terminou em frente a prefeitura. Contou com um batuque do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), um boneco gigante, também do MTD, faixas, bandeiras e um carro de som.

Em frente a prefeitura houve um pequeno, rápido e estranho confronto dos estudantes com a guarda civil metropolitana. Apesar de algumas cacetadas e três esguichos de gás pimenta ninguém saiu ferido ou foi preso.

Após o tumulto o presidente da UNE, Gustavo Peta, convocou uma "ampla reunião na sede da UNE, sábado, as 14:00hs, visando estabelecer um calendário unitário de lutas pra impedir o aumento".

Curiosamente a reunião convocada pela UNE está marcada no mesmo dia e horário da reunião convocada pela Frente de Luta Contra o Aumento, composta pelo Movimento Passe Livre (MPL); CAs; DCEs; coletivos jovens; partidos politicos como o Humanista, o PSTU, o PSOL e o PCB; grupos de mídia independente; movimentos sociais; grupos de intervenção artística; grupos comunitários; indivíduos, etc etc. A reunião da Frente de Luta Contra o Aumento ocorrerá no mesmo sábado, às 14hs, porém no diretório acadêmico do curso de Direito da Universidade Mackenzie.

Tal coincidência está longe de ser acidental, haja visto que membros da UNE/UBES/UJS sabiam com antecedência da reunião da Frente de Luta Contra o Aumento, e ate então acompanhavam as reuniões da Frente.

Gustavo Peta prometeu para amanhã, sexta-feira, 24/11, atos descentralizados pela cidade, aonde cada escola bloqueará a avenida mais próxima. Já a Frente de Luta Contra o Aumento convocou um ato em frente ao teatro municipal, com concentração a partir das 17hs.

Fica evidente que a luta contra o aumento começa rachada, divida em dois pólos com táticas, estratégias e talves objetivos distintos. Qual o interesse da UNE/UBES/UJS ao rachar o movimento de frente única que vinha se estabelecendo?