A manifestação da Frente de Luta Contra o Aumento das Passagens,coalizão convocada pelo Movimento Passe Livre de São Paulo (MPL-SP) composta por organizações estudantis, grupos de jovens e movimentos sociais, começou com uma concentração nas escadarias do Teatro Municipal às 17hs. Após um rápido aquecimento da bateria e performances do Exército Insurgente dos Palhaços Rebeldes a manifestação de 800 pessoas começou a tomar seu rumo, seguindo pro Largo do Paissandu.

Após passar pelo Paissandú a manifestação passou pelo terminal Bandeira, pelo Vale do Anhangabaú (aonde foi realizada uma tumultuada assembléia pra decidir qual o próximo rumo), Largo São Francisco, Sé e depois começou a descer em direção ao Terminal Parque Dom Pedro, aonde ocorreria um mutirão pra abir as portas dos ônibus e a população entrar de graça em ato de desobediência civil, como foi decidido na assembléia do Vale do Anhangabaú.

Durante o trajeto o apoio da população era evidente, com pessoas saindo às janelas gritando as palavras de ordem puxadas pelos manifestantes. Do teatro municipal até o terminal a manifestação só aumentava, contando com a adesão de diversos transeuntes de todas as idades e e classes sociais; de senhoras que estavam voltando pra casa a pessoas em situação de rua.

A bateria do MPL estava de parabéns, irradiando energia pros lutadores e lutadoras presentes. Participação fundamental teve o Exército Insurgente dos Palhaços Rebeldes, que mostraram que a população paulista está sendo feita de palhaça mas que não deixará passar mais um aumento de passagens.

A participação dos palhaços rebeldes foi fundamental pro clima positivo e rebelde que predominou durante o ato. Além disso havia diversas iniciativas individuais como faixas caseiras, pessoas vestidas de bilhete único, passes de integração pintados em papelão, palhaços autônomos, malabares, diversos panfletos, gente com frases de protesto escritas no caderno da escola. Era evidente que aquilo era um protesto legítimo e não uma ?pseudo-micareta? estudantil.

Durante a marcha o principal inconveniente foi um pequeno grupo isolado, que estava tumultuando o protesto, tentando leva-lo pra rumos diferentes do que foi definido nas reuniões preparatórias e na assembléia do Anhangabaú. Durante a assembléia do Anhangabaú esse mesmo grupo tentava impor suas colocações com atitudes anti-democráticas, típicas de movimento estudantil viciado, com vaias pra quem fosse contra eles e palmas pra quem era do grupo deles. Também se aproveitaram da euforia e ingenuidade de uns cinco punks pra tentar impor suas propostas na base do berro.

Suspeita-se que é o mesmo grupo que deu entrevista a Folha de São Paulo, definindo-se como super-ativistas que vieram de Florianópolis para organizar os atos de São Paulo. Vale lembrar que o MPL-Floripa e o MPL-São Paulo desconhecem esse suposto coletivo, auto-intitulado Instituto do Motim Libertário (IML). Felizmente, mesmo naquela situação de ânimos exaltados, a manifestação decidiu rumar para o Terminal Parque Dom Pedro de forma pacífica.

Chegando ao terminal houve uma certa confusão pois não se sabia direito como organizar aquela quantidade enorme de pessoas pra operação ?portas abertas?. Porém, com um certo grau de improviso, a operação seguiu conforme o planejado; resultando na liberação de oito ônibus e centenas de passageiros felizes aderindo a esse ato de desobediência civil.

O clima de rebeldia festiva durou até a chegada da Força Tática e da Tropa de Choque, que usando bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e spray de pimenta, dispersaram a manifestação. Dois manifestantes foram detidos ao acaso e lhes foi imputada diversas acusações. A violência policial durou até a madrugada, pois um dos detidos foi espancado por um policial dentro do hospital aonde estava sendo atendido devido à um braço quebrado e escoriações. O pai do detido, inconformado com a violência cometida contra seu filho, exigiu que fosse trocado o policial que o acompanhava. A resposta da polícia foi uma voz de prisão, e o pai do manifestante foi detido por desacato a autoridade. Felizmente a solidariedade se manifestou na forma de dezenas de colegas chegando a delegacia e ao hospital, com o intuito de monitorar a ação da polícia. Até a diretora de pós-graduação da faculdade aonde o detido estuda compareceu pra acompanhar a ação policial.

Às cinco da manhã todos estavam liberados, mas respondendo a diversos inquéritos como desacato, resistência e destruição de patrimônio público, mesmo com o motorista do ônibus depredado não reconhecendo nenhum dos dois como os autores da depredação e testemunhas afirmarem que eles foram presos ao acaso.

A Frente de Luta Contra o Aumento das Passagens, em reunião realizada no dia seguinte a manifestação, decidiu continuar com sua jornada de lutas durante essa semana. Quinta-feira, 30/11 está previsto mais uma mega-manifestação contra o aumento da passagem, com concentração em frente ao Teatro Municipal a partir das 16:00hs e saída prevista para as 18:hs. Será uma manifestação pacífica, com as pessoas usando de sua criatividade levando faixas, apitos, narizes de palhaços e maquiagem. A Frente também re-organizou sua comissão de segurança pra prevenir a ação de agitadores infiltrados. A UNE, em um movimento paralelo, também fez um calendário de lutas com uma marcha marcada para terça-feira, às 9hs da manhã em frente ao MASP.