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| | Carta de Apresentação do Exército de Palhaços
O Exército Clandestino Insurgente de Palhaços Rebeldes e Revolucionários diz ao que veio.
Senhoras e senhores, respeitável público, palhaços ? pintados ou não ?, bípedes e quadrúpedes; O Exército Clandestino Insurgente de Palhaços Rebeldes e Revolucionários vem, com esta carta, se apresentar e fazer o possível para clarear as idéias que existem por trás de nossas brincadeiras. Afinal, pretendemos dar um significado àquilo que fazemos, o que não queremos é agir como os poderosos mal-humorados que fazem tudo para deixar o significado de seus atos cada vez mais misterioso. O Palhaço se cria a partir da necessidade de alegria daquelas e-n-o-r-m-e-s minorias oprimidas numa sociedade regida pela tristeza, onde os sorrisos infelizmente acabam se encontrando em pequenos acontecimentos nos quais sopram ares de liberdade. E libertamos com os nossos narizes grandes e vermelhos a infância que nos é arrancada lentamente à medida que se passam os anos; mostramos que ainda podemos pular, piruetar, cambalhotear, tocar, batucar num ritmo de esperança, arrancar um pequeno sorriso ? que seja!, não somos gananciosos... ? pra apreciar o momento: a vida é feita deles. O sorriso de quem suou o dia inteiro e tem tudo para estar com um olhar desiludido e cansado que alcança um horizonte de incertezas é, para nós, de fato algo delicioso. Nossas brincadeiras são prova de que a alegria, mesmo que momentânea, é possível diante do monstro ranzinza chamado dinheiro. Somos um exército que não precisa de uniformes, que as ordens do comandante são piadas, cujo poder bélico não vão além de balões, confetes e serpentinas ? não precisamos do poder fálico do cassetete. As nossas maquiagens são coloridas como pretendemos que seja o mundo, pra que uma cor entenda que completa a outra como em um arco-íris. O povo produz e consome cultura. Não aceitamos que a cultura consumida seja aquela que tem como principal objetivo o lucro, gerida por homens sérios e engravatados que tentam fazer a população pensar como eles querem. Admiramos a cultura verdadeira, feita na população, pela população e para a população. Não nos satisfazemos com palcos que nos distanciam do público ? o público é precioso para o espetáculo: nosso circo se faz na rua. Estamos cansados dos circos dos gabinetes e partidos ? as caras fechadas daqueles que freqüentam tais locais e organizações não nos agrada nem um pouco e todos eles só têm uma piada que nos fazem rir: a de que estão lá para nos representar. Declaramos mais uma vez que não seremos mais escravos da tristeza que nos empurra o sistema vigente. O mundo mais alegre que desejamos não é um sonho, mas uma construção, erguida a cada vez que brincamos, batucamos, piruetamos e flauteamos na rua. Cada rosto que se faz feliz naquele momento é um tijolo dessa casa que queremos construir: pequena, mas que caibam milhões, um mundo onde caibam todos os mundos. Subcomando Insurgente de Palhaços
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