Na tarde do dia 29 de novembro cerca de 30 famílias, da Cooperativa Reciclo, foram violentamente reprimidas por policiais do batalhão de operações especiais ? BOPE, com a anuência da Secretaria de Fiscalização de Atividades Urbanas ? Sefau. Os agentes e policiais mandaram chamar a presidente da cooperativa, a catadora jaqueline, e deram 30 minutos para que retirassem tudo dos barracos, dizendo que 20 minutos já haviam passado.
Após alguns momentos começaram a agir com violência, empurrando e agredindo pessoas que não ofereciam a mínima resistência, insultando com xingamentos e soltando bombas de gás lacrimogêneo, o desespero foi total. Não houve reação, o clima era de desespero, mães com crianças no colo corriam para tentar salvar roupas, material escolares, alimentos e o próprio material da coleta feita por eles.
Segundo as autoridades presentes a ordem era para retirá-los dali de forma ordeira e não truculenta, pois inclusive, estavam ali, idosos, mulheres grávidas e crianças recém nascidas, mas nada segurou a sanha destruidora dos policiais. Os barracos de lona foram abaixo em minutos, documentos, cestas básicas, roupas, materiais escolares, utensílios domésticos, colchões, cobertores, medicamentos e tudo o que se encontrava pela frente foi soterrado pela patrola.
À noite a preocupação era que não chovesse, pois não tinham agasalho, improvisaram uma fogueira para tentar se aquecer do frio, e como a maioria dos colchões estavam enterrados, tiveram que dormir no chão, amontoados. Pela manhã policias passaram pela comunidade ameaçando alguns moradores e insultando com frases do tipo: ?vocês gostam mesmo é de apanhar, ainda não saíram?.
Realmente o local é impróprio para moradia, pois há risco de vida, devido aos fios de alta tensão que passam pela área. A intenção dos cooperados, que já estão prestes a conseguir seu CNPJ, não é de ficar ali indefinidamente, apenas enquanto estruturam a cooperativa e consigam financiamento de moradia popular junto aos órgãos de habitação. Há dois anos eles já contam com a ajuda da Pastoral da Evangelização e Construção Social, ligada a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em sua formação, acompanhamento de seus filhos na escola, no resgate de certidões de nascimento e na intermediação de negociações e parcerias. Desde o ano passado a comunidade conta com o apoio de funcionários da Caixa Econômica Federal e da ONG 100 dimensão, também criada por catadores de materiais recicláveis.
Em reunião no dia 06 de dezembro o administrador de Taguatinga, Márcio Guimarães, lavou as mãos com relação ao problema. Segundo ele, sua parte já havia sido feita, notificando as autoridades competentes sobre a situação e pedindo providências. No pedido o administrador deixa claro de que lado está, quando acusa os moradores de estarem causando transtornos e delitos como roubos e furtos. No final da carta salienta que os vizinhos da ocupação, Extra, Carrefour, Taguatinga Shopping e Leonardo Da Vinci, são grandes contribuintes e portanto a solicitação deve ser considerada como prioritária.
Uma reunião estava agendada para hoje, com o coronel Esmeraldo de Oliveira do Sistema Integrado de Vigilância e Uso do Solo (Siv-Solo), mas foi adiada para a próxima segunda 18/12, às 09:00 hs.