Tudo aconteceu, pouco depois das duas horas da tarde. O coral do Arsenal tinha começado sua apresentação de abertura do evento 24 horas do III Natal Solidário do Povo de Rua, no palco montado abaixo do Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú, que a GCM se achava no direito, o momento oportuno, o lugar apropriado, bem do lado do palco, para fazer uma vistoria ostensiva a alguns dos adolescentes alí domiciliados. Não deu em outra: os aproximadamente 400 presentes voltaram sua atenção para a (pouca) vergonhosa mostra de poder, que tinha tudo para ser provocativa: uma amostra de suas práticas rotineiras, mas agora à luz do dia, com um grande público ligado, oferecida pela GCM. Nada vitual ou teatral, tudo puramente real, a não ser ... Inicialmente chegando de moto, depois com o reforço de uma viatura, os meninos foram colocados contro o muro e vistoriados, pela GCM, como de praxe. Mas o público já foi se ligando e sentiu a provocação. Foi graças à organização e discipina do próprio povo de rua que a situação não escalou para algo pior. A GCM fez de tudo para tirar o maior proveito possível, desvolarizando mais um ato cívico (aliás este com o apoio da própria prefeitura, com patrocínio da Caixa Econômico Federal, alem de outros apoios, da Ocas, Sefras, Funcef, Cata Sampa, MNCR, etc.). Pelo ataque inesperado, deu-se um início de tumulto. Todos estavam despostos para enfrentar os guardas, em defesa dos adolescentes, em defesa de si mesmos, em defesa da própria vida, contra a arbitrariedade, aqui manifesta. Foi um impulso vital que deu que um povo se uniu (unido que estava) para reagir - uma reação justa mas também uma reação provocada, que - se for levado a cabo - só ía ajudar os da GCM e seus mandantes e levar a um desastre, do ponto de vista dos organizadores do evento. A GCM, com tudo em punha, de revolveres, cacatetes e gas de pimenta, deu um show. Um show algo infeliz, já que, no meio do tumulto não só tinha os de sempre, mas também o próprio secretário da assistência social da prefeitura, que teve a honra de receber uma bela dose de gas de pimenta. Chegaram mais umas quatro viaturas enquanto o dito secretário já tinha pego no celular e ligado pro prefeito Kassab para exigir a retirada da GCM, já! Ainda vouo bastante marmitex, arroz com pouco feijão, pedrinha, formou-se um cordão humano na tentativa de separar a GCM do povo provocado, cordão quebrado por uma viatura da própria GCM, que veio à alta velocidade do lado aposto, colocando a risco a vida daqueles que afinal estavam lá no Anhangabaú para participar de um Natal Solidário. A GCM foi se embora, com o dedinho médio levantado, de fora das janelas das viaturas, anunciando vingança, e ainda levou dois meninos. (Os dois foram devidamente agredidos mas no final da tarde liberados.) O evento, apesar da chuva que logo começou, passado o início inesperado, continuava ocorrendo bem, com bons shows no palco. Para quem estiver em São Paulo, o III Natal Solidário vai até amanhã a tarde. Confere!