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| | As Veias Abertas da América Latina Por Eduardo Galeano - Postado por: Brasileiro 31/12/2006 às 23:29 CENTO E VINTE MILHÕES DE CRIANÇAS NO CENTRO DA TORMENTA
Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os. São muito mais altos os impostos que cobram os compradores do que os preços que recebem os vendedores; e no final das contas, como declarou em julho de 1968 Covey T. Oliver, coordenador da Aliança para o Progresso, "falar de preços justos, atualmente, é um conceito medieval. Estamos em plena época da livre comercialização..." Quanto mais liberdade se outorga aos negócios, mais cárceres se torna necessário construir para aqueles que sofrem com os negócios. Nossos sistemas de inquisidores e carrascos não só funcionam para o mercado externo dominante; proporcionam também caudalosos mananciais de lucros que fluem dos empréstimos e inversões estrangeiras nos mercados internos dominados. Ouve-se falar de concessões feitas pela América Latina ao capital estrangeiro, mas não de concessões feitas pelos Estados Unidos ao capital de outros países... "É que nós não fazemos concessões", advertia, lá por 1913, o presidente norte-ameiricano Woodrow Wilson, Ele estava certo: "Um país - dizia - é possuído e dominado pelo capital que nele se tenha investido." E tinha razão. Na caminhada, até perdemos o direito de chamarmo-nos americanos, ainda que os haitianos e os cubanos já aparecessem na História como povos novos, um século antes de os peregrinos do Mayflower se estabelecerem nas costas de Plymouth. Agora, a América é, para o mundo, nada mais do que os Estados Unidos: nós habitamos, no máximo, numa sub-América, numa América de segunda classe, de nebulosa identificação. É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano, e como tal tem-se acumulado e se acumula até hoje nos distantes centros de poder. Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas, ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar têm sido sucessivamente determinados, de fora, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo. A cada um dá-se uma função, sempre em benefício do desenvolvimento da metrópole estrangeira do momento, e a cadeia das dependências sucessivas torna-se infinita, tendo muito mais de dois elos, e por certo também incluindo, dentro da América Latina, a opressão dos países pequenos por seus vizinhos maiores e, dentro das fronteiras de cada país, a exploração que as grandes cidades e os portos exercem sobre suas fontes internas de víveres e mão-de-obra. (Há quatro séculos, já existiam dezesseis das vinte cidades latino-americanas mais populosas da atualidade.) Para os que concebem a História como uma disputa, o atraso e a miséria da América Latina são o resultado de seu fracasso. Perdemos; outros ganharam. Mas acontece que aqueles que ganharam, ganharam graças ao que nós perdemos: a história do subdesenvolvimento da América Latina integra, como já se disse, a história do desenvolvimento do capitalismo mundial. Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia, nossa riqueza gerou sempre a nossa pobreza para alimentar a prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos. Na alquimia colonial e neo-colonial, o ouro se transforma em sucata e os alimentos se convertem em veneno. Potosí, Zacatecas e Ouro Preto caíram de ponta do cimo dos esplendores dos metais preciosos no fundo buraco dos filões vazios, e a ruína foi o destino do pampa chileno do salitre e da selva amazônica da borracha; o nordeste açucareiro do Brasil, as matas argentinas de quebrachos ou alguns povoados petrolíferos de Maracaibo têm dolorosas razões para crer na mortalidade das fortunas que a natureza outorga e o imperialismo usurpa. A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem-estar de nossas classes dominantes - dominantes para dentro, dominadas de fora - é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga. A brecha se amplia. Em meados do século passado, o nível de vida dos países ricos do mundo excedia em 50% o nível dos países pobres. O desenvolvimento desenvolve a desigualdade: Richard Nixon anunciou, em abril de 1969, em seu discurso perante a OEA, que no fim do século XX a renda per capita nos Estados Unidos será quinze vezes mais alta do que esta mesma renda na América Latina. A força do conjunto do sistema imperialista descansa na necessária desigualdade das partes que o formam, e esta desigualdade assume magnitudes cada vez mais dramáticas. Os países opressores tornam-se cada vez mais ricos em termos absolutos, porém muito mais em termos relativos, pelo dinamismo da disparidade crescente. O capitalismo central pode dar-se ao luxo de criar e acreditar em seus próprios mitos de opulência, mas os mitos não são comíveis, e os países pobres que constituem o vasto capitalismo periférico o sabem muito bem. A renda média de um cidadão norte-americano é sete vezes maior que a de um latino-americano, e aumenta num ritmo dez vezes mais intenso. E as médias enganam, pelos insondáveis abismos que se abrem, ao sul do rio Bravo, entre os muitos pobres e os poucos ricos da região. No topo, com efeito, seis milhões de latino-americanos açambarcam, segundo as Nações Unidas, a mesma renda que 140 milhões de pessoas situadas na base de pirâmide social. Há 60 milhões de camponeses, cuja fortuna ascende a 25 centavos de dólares por dia; no outro extremo, os proxenetas da desgraça dão-se ao luxo de acumular cinco milhões de dólares em suas contas privadas na Suíça ou nos Estados Unidos, e malbaratam na ostentação e luxo estéril - ofensa e desafio - e em inversões improdutivas, que constituem nada menos do que a metade da inversão total, os capitais que América Latina poderia destinar à reposição, ampliação e criação de fontes de produção e de trabalho. Incorporadas desde sempre à constelação do poder imperialista, nossas classes dominantes não têm o menor interesse em averiguar se o patriotismo poderia ser mais rentável do que a traição ou se a mendicância é a única forma possível de política internacional. Hipoteca-se a soberania porque "não há outro caminho"; os álibis da oligarquia confundem interessadamente a impotência de uma classe social com o presumível vazio de destino de cada nação. Josué de Castro declara: "Eu, que recebi um prêmio internacional da paz, penso que, infelizmente, não há outra solução que a violência para América Latina." Cento e vinte milhões de crianças se agitam no centro desta tormenta. A população da América Latina cresce como nenhuma outra; em meio século triplicou com sobras. Em cada minuto morre uma criança de doença ou de fome, mas no ano 2000 haverá 650 milhões de latino-americanos, e a metade terá menos de 15 anos de idade: uma bomba de tempo. Entre os 280 milhões de latino-americanos há, atualmente, cinqüenta milhões de desempregados ou subempregados e cerca de cem milhões de analfabetos; a metade dos latino-americanos vive apinhada em moradias insalubres. Os três maiores mercados da América Latina - Argentina, Brasil e México - não chegam a igualar, somados, a capacidade de consumo da França ou da Alemanha Ocidental, mesmo que a população reunida de nossos três grandes exceda de muito a de qualquer país europeu. A América Latina produz, hoje em dia, em relação a sua população, menos alimentos do que antes da última guerra mundial, e suas exportações per capita diminuíram três vezes, a preços constantes, desde a véspera da crise de 1929. O sistema é muito racional do ponto de vista de seus donos estrangeiros e de nossa burguesia de intermediários, que vendeu a alma ao Diabo por um preço que teria envergonhado Fausto. Mas o sistema é tão irracional para com todos os demais que, quanto mais se desenvolve, mais se tornam agudos seus desequilíbrios e tensões, suas fortes contradições. Até a industrialização dependente e tardia, que comodamente coexiste com o latifúndio e as estruturas da desigualdade, contribui para semear o desemprego ao invés de tentar resolvê-lo; estende-se a pobreza e concentra-se a riqueza, que conta com imensas legiões de braços cruzados, que se multiplicam sem descanso. Novas fábricas se instalam nos pólos privilegiados de desenvolvimento - São Paulo, Buenos Aires, a cidade do México -, porém reduz-se cada vez mais o número da mão-de-obra exigido. O sistema não previu esta pequena chateação: o que sobra é gente. E gente se reproduz. Faz-se o amor com entusiasmo e sem precauções. Cada vez mais, fica gente à beira do caminho, sem trabalho no campo, onde o latifúndio reina com suas gigantescas terras ociosas, e sem trabalho na cidade, onde reinam as máquinas: o sistema vomita homens. As missões norte-americanas esterilizam maciçamente mulheres e semeiam pílulas, diafragmas, DIUs, preservativos e almanaques marcados, mas colhem crianças; obstinadamente, as crianças latino-americanas continuam nascendo, reivindicando seu direito natural de obter um lugar ao sol, nestas terras esplêndidas, que poderiam dar a todos o que a quase todos negam. Em princípios de novembro de 1968, Richard Nixon comprovou em voz alta que a Aliança para o Progresso havia cumprido sete anos de vida e, entretanto, agravaram-se a desnutrição e a escassez de alimentos na América Latina. Poucos meses antes, em abril, George W. Ball escrevia em Life: "Pelo menos durante as próximas décadas, o descontentamento das nações pobres não significará uma ameaça de destruição do mundo. Por mais vergonhoso que seja, o mundo tem vivido, durante gerações, dois terços pobres e um terço rico. Por mais injusto que seja, é limitado o poder dos países pobres". Ball encabeçara a delegação dos Estados Unidos na Primeira Conferência de Comércio e Desenvolvimento em Genebra, e votara contra nove dos doze princípios gerais aprovados pela conferência, com o objetivo de aliviar as desvantagens dos países subdesenvolvidos no comércio internacional. São secretas as matanças da miséria na América Latina; em cada ano explodem, silenciosamente, sem qualquer estrépito, três bombas de Hiroxima sobre estes povos, que têm o costume de sofrer com os dentes cerrados. Esta violência sistemática e real continua aumentando: seus crimes não se difundem na imprensa marrom, mas sim nas estatísticas da FA O. Ball diz que a impunidade é ainda possível, porque os pobres não podem desencadear uma guerra mundial, porém o Império se preocupa: incapaz de multiplicar os pães, faz o possível para suprimir os comensais. "Combata a pobreza, mate um mendigo!", rabiscou um mestre do humor-negro num muro da cidade de La Paz. O que propõem os herdeiros de Malthus senão matar a todos os próximos mendigos, antes que nasçam? Robert McNamara, o presidente do Banco Mundial, que tinha sido presidente da Ford e secretário da Defesa, afirma que a explosão demográfica constitui o maior obstáculo para o progresso da América Latina e anuncia que o Banco Mundial dá prioridade, em seus empréstimos, aos países que realizam planos para o controle da natalidade. McNamara comprova, com pesar, que os cérebros dos pobres pensam cerca de 25% a menos, e os tecnocratas do Banco Mundial (que já nasceram) fazem zumbir os computadores e geram complicadíssimas teses sobre as vantagens de não nascer. "Se um país em desenvolvimento, que tem uma renda média per capita de 150 a 200 dólares anuais, consegue reduzir sua fertilidade em 50% num período de 25 anos, ao cabo de 30 anos sua renda per capita será superior pelo menos em 40% ao nível que teria alcançado mantendo sua fertilidade, e duas vezes mais elevada ao fim de 60 anos", assegura um dos documentos do organismo. Tornou-se célebre a frase de Lyndon Johnson: "Cinco dólares investidos contra o crescimento da população são mais eficazes do que cem dólares investidos no desenvolvimento econômico." Dwight Eisenhower prognosticou que, se os habitantes da Terra continuassem multiplicando-se no mesmo ritmo, não só se intensificaria o perigo de uma revolução, mas também se produziria "uma degradação do nível de vida de todos os povos, o nosso inclusive". Os Estados Unidos não sofrem, dentro de suas fronteiras, o problema da explosão demográfica, mas se preocupam, como ninguém, em difundir e impor, nos quatros pontos cardiais, a planificação familiar. Não somente o governo; também Rockefeller e a Fundação Ford sofrem pesadelos com milhões de crianças que avançam, como lagostas, partindo dos horizontes do Terceiro Mundo. Platão e Aristóteles haviam-se ocupado do tema antes de Malthus e McNamara; contudo, em nossos tempos, toda esta ofensiva universal cumpre uma função bem definida: propõe-se justificar a desigual distribuição de renda entre os países e entre as classes sociais, convencer aos pobres que a pobreza é o resultado dos filhos que não se evitam e pôr um dique ao avanço da fúria das massas em movimento e em rebelião. Os dispositivos intra-uterinos competem com as bombas e as metralhadoras, no Sudeste asiático, no esforço para deter o crescimento da população do Vietnã. Na América Latina é mais higiênico e eficaz matar os guerrilheiros nos úteros do que nas serras ou nas ruas. Diversas missões norte-americanas esterilizaram milhares de mulheres na Amazônia, apesar de ser esta a zona habitável mais deserta do planeta. Na maior parte dos países latino-americanos não sobra gente: ao contrário, falta. O Brasil tem 38 vezes menos habitantes por quilometro quadrado do que a Bélgica; Paraguai, 49 vezes menos do que a Inglaterra; Peru, 32 vezes menos do que o Japão. Haiti e El Salvador, formigueiros humanos da América Latina, têm uma densidade populacional menor do que a Itália. Os pretextos invocados ofendem a inteligência; as intenções reais inflamam a indignação. Afinal, não menos da metade dos territórios da Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai e Venezuela está habitada por ninguém. Nenhuma população latino-americana cresce menos do que a do Uruguai, país de velhos; entretanto nenhuma outra nação tem sido tão castigada, por uma crise que parece arrastá-la aos últimos círculos dos infernos. O Uruguai está vazio e seus campos férteis poderiam dar de comer a uma população infinitamente maior do que a que hoje sofre, sobre seu solo, tantas penúrias. Há mais de um século, um chanceler da Guatemala tinha sentenciado profeticamente: "Seria curioso que do seio dos Estados Unidos, de onde nos vem o mal, nascesse também o remédio." Morta e enterrada a Aliança para o Progresso, o Império propõe agora, com mais pânico do que generosidade, resolver os problemas da América Latina, eliminando de antemão os latino-americanos. Em Washington, já há motivos para suspeitar que os povos pobres não preferem ser pobres. Mas não se pode querer o fim sem querer os meios: aqueles que negam a libertação da América Latina, negam também nosso único renascimento possível, e de passagem absolvem as estruturas vigentes. Os jovens multiplicam-se, levantam-se, escutam: o que lhes oferece a voz do sistema? O sistema fala uma linguagem surrealista: propõe evitar os nascimentos nestas terras vazias; diz que faltam capitais em países onde estes sobram, mas são desperdiçados; chama de ajuda a ortopedia deformante dos empréstimos e à drenagem de riquezas que os investimentos estrangeiros provocam; convoca os latifundiários a realizarem a reforma agrária, e a oligarquia para pôr em prática a justiça social. A luta de classes não existe - decreta-se -, mais que por culpa dos agentes forâneos que a fomentam; em troca existem as classes sociais, e se chama a opressão de umas por outras de estilo ocidental de vida. As expedições criminosas dos marines têm por objetivo restabelecer a ordem e a paz social, e as ditaduras fiéis a Washington fundam nos cárceres o estado de direito, proíbem as greves e aniquilam os sindicatos para proteger a liberdade de trabalho. Tudo nos é proibido, a não ser cruzarmos os braços? A pobreza não está escrita nos astros; o subdesenvolvimento não é fruto de um obscuro desígnio de Deus. As classes dominantes põem as barbas de molho, e ao mesmo tempo anunciam o inferno para todos. De certo modo, a direita tem razão quando se identifica com a tranqüilidade e a ordem; é a ordem, de fato, da cotidiana humilhação das maiorias, mas ordem em última análise; a tranqüilidade de que a injustiça continue sendo injusta e a fome faminta. Se o futuro se transforma numa caixa de surpresas, o conservador grita, com toda razão: "Traíram-me". E os ideólogos da impotência, os escravos, que olham a si mesmos com os olhos do dono, não demoram a escutar seus clamores. A águia de bronze do Maine, derrubada no dia da vitória da revolução cubana, jaz agora abandonada, com as asas quebradas sob o portal do bairro velho de La Habana. A partir de Cuba, outros países iniciaram, por vias distintas e com meios distintos, a experiência da mudança: a perpetuação da ordem atual das coisas é a perpetuação do crime. Recuperar os bens que sempre foram usurpados, eqüivale a recuperar o destino. ______________________________________________________________________________________________________________ Esta é a introdução do livro As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, escrito em 1978. Eduardo Galeano é historiador, escritor e escreve atualmente para um jornal na Espanha. O e-book (livro eletrônico) encontra-se disponível gratuitamente em: http://www.todososlinks.com.br http://www.todososlinks.com.br/eduardo_galeano_as_veias_abertas_da_america_latina.zip .
URL:: http://www.todososlinks.com.br >>Adicione um comentário A pobreza da América Latina nada tem a ver com os EUA. E só com muita cara-de-pau podemos ainda continuar atribuindo-a a Espanha e Portugal, que já se foram há quase 2 séculos. A culpa é nossa mesmo, em razão de nossa incapacidade de proceder racionalmente no terreno da economia.
Galeano é um refinado vigarista, e seu livro, As Veias Abertas da América Latina, uma coleção de fraudes intelectuais. Mas uma frase dele eu assino embaixo: "Uns se especializaram em ganhar, outros se especializaram em perder". De fato, nós nos especializamos em perder. Não gosto do Diogo Mainardi, mas ele estava certíssimo quando diagnosticou nosso mal: "Unimos o espírito mercenário à mais completa falta de aptidão para os negócios".
Por que nos especializamos em perder? Porque perdemos o trem da História. Enquanto outros entravam no capitalismo, nós insistíamos em permanecer no Mercantilismo. O Mercantilismo, para quem não sabe, foi o sistema econômico que precedeu o capitalismo até o século XVII, e que se caracterizava pela ausência do livre empreendorismo e da livre concorrência, sendo toda atividade econômica possível apenas mediante a concessão de monopólios que o rei concedia aos amigos do rei: senhores de engenho, comerciantes, mineradores, bandeirantes, etc. Toda a produção da colônia só podia ser vendida à metrópole, e todo o consumo da colônia só podia ser comprado na metrópole. Com a abertura dos portos, em 1808, o Mercantilismo começou a morrer no Brasil, mas o caráter patológico de nossa economia - hiperinflação até recentemente, as mais altas taxas de juros do planeta, imensas dívidas, pesada burocracia, etc. - deixa claro que nossa adesão ao capitalismo não foi completa: continuamos com um pé no Mercantilismo.
De fato: nossas empresas vivem a clamar pela "proteção" do Estado, porque não querem enfrentar a concorrência - tal como nos bons tempos do Mercantilismo, quando a concorrência era proibida. Quando o empresário, precisando de capital, busca o Estado ao invés do banco da esquina, ele está com saudades do Mercantilismo, quando era o rei que autorizava e tornava possível todos os empreendimentos. Quando se clama pelo monopólio estatal do petróleo, da telefonia, do subsolo e demais setores "estratégicos", revela-se uma nostalgia dos tempos do Mercantilismo, quando o rei concedia monopólios a cada setor da economia. Quando se condena a produção voltada para a exportação, a pretexto de defender o mercado interno, o que se quer é voltar aos bons tempos anteriores à abertura dos portos, quando não havia comércio exterior. Presos a este anacronismo, não é surpresa nenhuma que sejamos totalmente incapazes de concorrer com o Primeiro Mundo e terminemos sempre em situação de dependência econômica. E vocês, esquerdistas, ao defenderem estas idéias "nacionalistas", não estão sendo revolucionários, mas reacionários: propõem nada mais que a volta ao Mercantilismo, naturalmente sem percebê-lo, pois são ignorantes em História. Ah, sim: e nos tempos do Mercantilismo a Igreja era uma potência política e econômica, de modo que não estranho que os bispos da CNBB vivam dando palpites pedindo a reestatização das empresas privatizadas, para que se convertam em sorvedouros de dinheiro público para as ONG's por eles controladas.
Temos que seguir o exemplo de Japão, Taiwan, Coréia e Cingapura: romper com o passado Mercantilista e rumar ao Capitalismo, ainda que com 200 anos de atraso.  | Quando Portugal e Inglaterra proibiram o Brasil colonia de desenvolver a indústria manufatureira a culpa foi do Brasil. As metrópoles proibiam o desenvolvi8mento da indústria nas colonias. A culpa é das colonias. Esse Mundim é tapado. Ignora a História. Portugal proibiu a instalação de manufaturas nas colônias no século XVIII. Se não tivemos indústrias no século XVIII, realmente foi culpa de Portugal. Só que agora estamos no século XXI. Não tivemos temos bastante para resolver nossos problemas?  | Pedro Mundim, por acaso vc sabe com se originou a dívida externa brasileira? Eu te gigo.
Quando D Pedro I, proclamou a independência do Brasil, os os portugueses que já deviam para a Inglaterra, tomaram mais dinheiro emprestado para financiar a guerra CONTRA O BRASIL, mais adiante, para evitar derramamento de sangue, D Pedro I, fez um acordo com Portugal. Sabe qual era o acordo? O Brasil teria que pagar as dívidas de Portugal com a Iglaterra, dívida esta, contraída para fazer a guerra contra nós mesmos.
Mundum, não quero te ofender, mas... se liga pô!
Eduardo Galeanao não é nenhum curioso da internet como vc!
Esse cara já escreveu muitos livros e é conceituado mundialmente. E vc? É um munduim... Lambe saco de estadounidense.
Entre ele e vc eu acredito nele!  | Desculpe, mas a dívida de Portugal que assumimos por ocasião de nossa independência já tem 182 anos. Não é tempo suficiente para termos pago?
O seu patrão aceitaria como justificativa para você faltar hoje ao trabalho um resfriado que você teve 10 anos atrás?  | Esse negocio de culpar os EUA e a Europa pelos atrazo do Brasil, ja esta fora de moda. Quem manteve esse Brasil no atrazo foram os coroneis dos engenhos, das capitanias, das charqueadas, que mantiveram o povo na ignorancia para poder explora-lo. E quanto aos negros escravos, os libertaram por dois motivos. Todos os paises ja tinham libertados seus negros, e no Brasil a populacao de negros nas fazendas crescia assustadoramente e consumia parte do lucro para alimenta-los, ai gentilmente deram um pe no Rabo deles colocando-os no olho da rua, ignorantes analfabetos, sem profissao. Dai, deu no que deu. Mas os filhos dos Coroneis que iam estudar na Franca, quando voltaram nao quizeram mais saber das fazendas, foram na capital arrumar emprego publico, viraram uma elite burocrata-politica que escraviza o pais ate hoje. O Brasil so cresceu com a vinda de imigrantes Italianos e Alemaes no Sul e Sudeste do Brasil, que promoveram a industrializacao do Pais, mas debaixo do mando politico dos herdeiros dos filhos dos retrogrados e atrazados CORONEIS. O advento das esquerdas no Brasil, foi de certa forma interessante para essa elite, eles podiam roubar o Erario, que a esquerda liderada por seus filhos batavam a culpa das mazelas do Brasil nos Outros, principalmente EUA, e Europa. Mas a elite nunca permitiu que a esquerda tomasse o poder. O exemplo e o governo LULA, que e um faz de conta de esquerda-socialista, que na verdade e uma continuacao do governo FHC. Foi uma parceria que ate hoje rende dividentos. BOTAR A CULPA DAS MAZELAS DO BRASIL NOS OUTROS. E dai servir-se do erario, e pro povo esmolas..... Eita Brasil ate quando isso....  | Digamos que Mundim seja aleijado de uma de suas pernas e caminhe com certa dificuldade. Suponhamos que o Valdemar tenha pernas e braços saudáveis. Eles vão disputar uma corrida de 200 metros. Como o Mundim é aleijado, a ele é dado uma vantagem de 190 metros. Quem chegará primeiro ao ponto de chegada, o Mundim ou o Valdemar?
A Inglaterra é o Mundim e o Valdemar representa o Brasil. O ponto de partida não foi o mesmo para Brasil e Inglaterra. Será que essas toupeiras não conseguem enxergar isso? Se Portugal e Inglaterra sugaram toda a riqueza do Brasil como é que o Brasil pode se desenvolver? Depois, Portugal e Inglaterra foram substituídos pelos EUA. Somos sugados por todos os lados. Se não tomarmos vermífugos não temos como superarmos a míséria. O que importa não é o tempo em que o débito foi contraído. No caso do Brasil, o importante é que os credores reduziram o Brasil á insolvência/falência.  | O Metchuen, nao sabe que quando um negociador de outro Pais vem ao Brasil para fazer um negocio com o Governo, ele o negociador Ingles, Americano e outro , tem que manter contato com um representante do Governo do Brasil. O Brasil foi e e explorado por maus Brasileiros, que assinaram contratos lesivos aos interesses do povo Brasileiro, durante seculos. O negociador extrangeiro quer levar vantagem no seu negocio. O Metchuen nao sabe das propinas que sao pagas para que contratos lesivos sejam assinados o ou foram, por representantes de sussessivos governos no Brasil. Hoje vivemos um arroxo infindavel para tentar sanear as financas publicas. Ou entao segundo a visao do Mechthen o extrangeiro vem aqui monta uma industria, faz emprestimos, a revelia da fiscalizacao do Governo do Brasil. Eu reitero a conviccao de que fomos e somos roubados e expoliados, pelas oligarquias-politicas atrazadas, que mandam no Brasil. Vejam o nosso Congresso Nacional, totalmente desmoralizado, e nem tao ai para o povo. Depois de totas as denuncias, no apagar de 2006, deram de presente para eles mesmos um aumentinho de 91%. Para o salario-minimo so 9%,. Sem falar no mensalao, nos desvios de verba de obras publicas, nos sangessugas, na faltade recursos para a saude, educacao, seguranca, nos vergonhosos super-salarios,e por ai vai. Entao tudo isso e culpa dos Ingleses, e dos Americanos. Abra os olhos cara......  | As riquezas do Brasil foram a base da Revolução Industrial? Orra meu, que sandice! Vocês não sabem nada de História! O único efeito que o ouro da América causou na Europa do século XVII foi arruinar Portugal e Espanha, que tiveram que pagar uma quantidade cada vez maior de ouro em troca da mesma quantidade de produtos manufaturados da Inglaterra. O ouro não é riqueza coisa nenhuma, o ouro apenas REPRESENTA a riqueza, ou seja, o ouro é uma MOEDA. O que acontece quando há moeda em abundância para comprar a mesma quantidade de mercadoria? Acontece a INFLAÇÃO que destrói a economia! A causa de nossa pobreza não foi a perda de nosso ouro para Portugal; riqueza não é ouro, riqueza é capital humano, cultura, ciência, tecnologia!
A verdadeira base da Revolução Industrial foram o ferro e o carvão, ambos existentes nas Ilhas Britânicas. Esta disponibilidade de ambos no mesmo território foi essencial, porque do contrário se faria necessário transporta-los através dos oceanos, e para transportar a quantidade necessária na rapidez necessária seriam precisos navios a vapor e estradas de ferro, e então se cairia no dilema do ovo e da galinha: sem Revolução Industrial, não haveria navios a vapor nem estradas de ferro, e sem estes, não se faria a Revolução Industrial. Foi por este motivo que a Revolução Industrial eclodiu primeiro na Inglaterra, onde o acaso colocou ferro e carvão, e só foi eclodir décadas depois na França (que tinha muito ferro mas pouco carvão) e na Alemanha (que tinha muito carvão mas pouco ferro) após a construção da malha ferroviária. Enquanto isto, no Brasil, o Barão de Mauá estabeleceu em Ponta de Areia (Niterói) o primeiro estaleiro para a construção de navios a vapor. Todo o ferro vinha da Inglaterra: Mauá tinha que pagar o transporte em estrada de ferro até o porto de Plymouth, mais o transporte marítimo até o Rio de Janeiro, mais as taxas de alfândega. Ué, mas a poucas centenas de milhas dali não havia as jazidas de ferro de Minas Gerais, que estão entre as maiores do mundo? Sim, havia. Mas na falta de uma malha ferroviária, o único meio de transportar o minério seria no lombo de burros, e jamais se poderia obter a quantidade necessária para produzir em escala industrial. Estão vendo como o buraco é mais embaixo?
Orra meu, se quiserem continuem esquerdistas, mas ao menos ESTUDEM HISTÓRIA!  | Se ouro não é riqueza, como é que Portugal e Espanha se arruinaram, pagando uma quantidade cada vez maior de ouro em troca da mesma quantidade de produtos manufaturados da Inglaterra?
Se ouro não é riqueza, porque a Inglaterra trocava por ouro seus produtos manufaturados?
Mais Burro que a Inglaterra é o Mundim. Mundim Poupe seu ATP explicando História e conceito de Economia para quem nem entende o que vc quis dizer que "OURO não era RIQUEZA". "O que seria a sabedoria se não fosse a ignorância. Deus fez coisas insanas para confundir a sabedoria do mundo" Obs.: ATP : adenosina trifosfato- moeda energética do corpo, mas não é riqueza.  | Querer culpar o Brasil por todos os problemas economicos em que nos encontramos é um absurdo. Como já mensionaram aqui, o ponto de partida entre Brasil e Inglaterra não é o mesmo. Enquanto o Brasil lutava para sair da crise em que se encontrava, a Inglaterra já estava evoluindo. Como grande parte do continente Europeu. Desde aquela época, esses grandes paises assumiram o 'controle do mundo' e la permanecem até hoje. Querer que o Brasil, de uma hora para outra, melhore e chegue ao nivel deles é querer algo impossivel. Já tivemos, realmente, muito tempo para nos recuparar da péssima influencia durante a colonização. Mas não podemos esquecer que, fora todas os problemas vindos daquela época, o páis teve novos problemas. Tudo se tornou uma bola de neve. Existem feridas que demoram anos para melhorar. Mas melhoram. Existem outras que ficarão abertas por muito mais tempo...  | Aos que pensam da mesma maneira que Mundim, um conselho... Leiam o livro do Galeano primeiro e depois opinem novamente. Quando digo ler, estou dizendo, ler na completa acepção da palavra. É uma vergonha o tipo de comentários que li nesta página. Vergonha intelectual para quem os escreveu. Demonstra uma total falta de conhecimento de História e economia, para se dizer o mínimo. Um pouquinho de bom senso, visão crítica (e olha que não precisa ser muito) e menor grau de alienação já auxiliariam bastante na compreensão do texto.  | Alguém que está comentando por acaso, LEU o livro????
O livro NÃO coloca dos nossos problemas em nenhuma potência dominante da vez.
Muito pelo contrário - o livro chama os latino-americanos a ASSUMIREM RESPONSABILIDADE pelo estado no qual as coisas se encontram.
Ele descreve muito bem as técnicas usadas para explorar as riquezas da América Latina deixando muito claro que tudo o que foi feito foi feito porque poderia ter sido feito. E tudo o que pode ser feito, o foi por completa ignorância e falta de organização dos latino-americanos.
Ele mesmo diz, logo no início!!! A américa latina se especializou em perder. A responsabilidade é 100% nossa.  | É verdade! Leiam o livro COMPLETO, não apenas a introdução.
O autor É claro no que diz. E prá quem não compreendeu bem, acessem www.cartamaior.com.br, pois ele está sempre escrevendo matérias para o citado site, e sempre sob a ótica latino-americana.
Não há discussão, apenas distorções. E... extremamente mal feitas, diga-se de passagem.
Sabe o que me lembrei com toda distorção efetuada sobre um livro tão humanitário? Das eternas discussões dos culturalistas de plantão de que os escravos eram os responsáveis pela sua escravidão, bem como os judeus responsáveis pelo próprio extermínio. Absurdo extremamente desumano à meu ver, mas... tem gente que afirma isso. Bem como afirma que a América Latina perde por não assumir suas responsabilidades. A solução então é se fazer de vítima e obrigar os "opressores" a repor o que nos tomaram?
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