21 de Janeiro de 2007. 17 horas. Estudantes protestam na rua contra o aumento da passagem de ônibus na capital baiana para dois reais. Após fecharem a estação da Lapa, maior central de transbordo da cidade, os estudantes seguem em direção a Avenida Djalma Dutra. Atrás, a Polícia Militar, a Tropa de Choque da PM, curiosos, simpatizantes pela causa e alguns jornalistas. Seria apenas mais um protesto de estudantes como os demais, mas o que se viu ontem foi uma verdadeira prova de selvageria e despreparo por parte da PM baiana. O uso desproporcional da força por parte desses que deveriam nos proteger, proporcionou um dos piores capítulos na história dessa cidade.
Agressão, terrorismo, covardia. Mais uma vez, a PM baiana age violentamente contra os estudantes dessa terra.
Após terem percorrido toda a Djalma Dutra, os estudantes seguem para a Barroquinha. Chegando lá a PM faz o cerco e novamente a PM da Bahia que deveria dar mais segurança aos bairros periféricos, a mesma que ao invés de está assegurando o monumento Luis Eduardo Magalhães deveria combater o tráfico de drogas na nossa cidade, a mesma que numa briga entre um branco e um negro no carnaval, prende o negro sem mesmo procurar saber o que aconteceu, agride mais de cem estudantes, cinegrafistas e fotógrafos que ali estavam trabalhando cobrindo o evento. A população perplexa olha a ação. Estamos na ditadura? Alguém perguntava.

Covardia

Era uma noite como na época da ditadura; se tinha mais de três estudantes reunidos, esses eram abordados, xingados e ameaçados. Na altura do shopping Baixa dos Sapateiros, os policiais colocaram na parede todos os estudantes que estavam protestando por uma causa que inclusive, afeta diretamente aqueles policiais: A maioria deles também é de origem pobre. Seus filhos, sua família e eles certamente pegam ônibus. Mas ali estavam eles, como bons capitães do mato que são, agredindo os estudantes com o famoso baculejo, anotando o nome de cada um, jogando spray de pimenta em quem ousasse dizer um ?desculpe, estamos lutando também por você!?. Eram muitos deles. Fotógrafos e jornalistas também foram agredidos e dele foi retirado todo o material de trabalho.

Não é essa a polícia que precisamos e nem é essa polícia que queremos! Não se trata só da incompetência dos testes psicológicos para entrar na PM, nem da incompetência dos psicólogos que ali trabalham. É um ciclo vicioso que está dentro da PM e que precisa ser quebrado. Existem até policiais honestos e de boa conduta, mas a grande verdade é que por trás das pichações que estão por toda cidade ?Segurança da Bahia, são os policiais os baianos?, por trás de episódios como esse aqui relatado, a maioria dos policiais parecem mesmo vir de uma jaula.
Existe também uma má preparação do profissional e uma forma de gestar a segurança pública não para a população, mas para quem o governa e para a burguesia. Isso tem que acabar! Chega de Polícia só para os governos, chega de polícia só para a burguesia, estamos em outra era na política baiana e precisamos para o bem da sociedade, nos livrar desses vícios da época do Carlismo e desses maus elementos que ao vestirem uma farda se acham no direito de estar acima do bem e do mal.

?Eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa...?
Raul seixas

Certamente esse episódio, ao invés de amedrontar os estudantes que lutam corajosamente por uma tarifa de ônibus mais justa, dando exemplo a toda sociedade de como se deve agir, reagirão de forma contrária, não só continuando nas ruas, mas aumentando a quantidade de pessoas, resistindo, protestando e levando consciência ao povo dessa terra que essa luta não é só dos estudantes, mas de todos.

Pela revogação do aumento abusivo da tarifa de ônibus, os estudantes continuarão na rua.