Nesta sexta, 26 de janeiro, a Rádio Livre Filha da Muda , localizada na Universidade Federal do Acre (UFAC), teve seus equipamentos apreendidos pela polícia federal. Os policiais chegaram à paisana e sem carros oficiais, tentando não chamar a atenção dos acadêmicos. Encontraram a rádio fechada, e abordaram programadores que chegavam sem se identificar, para conseguir acesso ao estúdio. Cerca de 30 estudantes, professores e membros da administração foram ao local para tentar evitar a apreensão, ou que fosse levado apenas o transmissor. A PF, que chegou a reunir 9 homens incluindo o delegado, acabou resolvendo levar todos os equipamentos: transmissor, mesa de som, compressor e computador. Ação ilegal, pois a Constituição no artigo V impede a privação da liberdade e de bens sem o devido processo legal.
A polícia apresentou um mandado do juiz federal Alysson Maia Fontenele, alegando que foi registrada a denúncia de interferência em rádios patrulha e ambulâncias num raio de 8 km. O argumento causou estranheza em todos, já que o transmissor possui apenas 25 watts e é homologado pela Anatel, ou seja, possui qualidade técnica garantida pela agência, não podendo causar interferências. Além disso, não foi apresentado laudo técnico comprovando as alegações. Na ausência do reitor, quem autorizou a entrada da polícia federal foi a vice-reitora Olinda Batista, que se posicionou favorável ao fechamento da Filha da Muda até mesmo perante a grande mídia. O Conselho Universitário da UFAC reagiu com uma nota de repúdio à ação da PF e da Justiça Federal, na qual destaca que "É NOSSO DEVER NÃO NOS ESQUECERMOS JAMAIS DE QUE FOI PELA FALTA DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO QUE SE CONSTITUIU O AMBIENTE FAVORÁVEL AO GOLPE DE 1964".
A rádio vem funcionando desde março de 2006, sendo gerida pela participação direta, coletiva e horizontal de todos os programadores. Está aberta à entrada de qualquer pessoa, contando atualmente com cerca de 20 programadores e 10 programas, além das dezenas de pessoas que fazem participações esporádicas diariamente, usando os "microfones abertos à população". Desde que começou a funcionar, tem sido uma importante forma de comunicação na comunidade, ajudando ainda a aproximar a comunidade da Universidade, que assim se torna mais democrática.
Envie a nota de repúdio do seu coletivo para filhadamuda@riseup.net
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