A desigualdade entre o banqueiro e o bancário

Não existe banqueiro sem banco
O banco pode existir sem o banqueiro mas não sem bancários.
Não é sem causa, diz-se, o enriquecimento do banqueiro
A riqueza do banqueiro, diz-se, origina-se do seu árduo trabalho.
E o trabalho do bancário, que supera em muito o do banqueiro,
Porque não origina tanta riqueza?

Enquanto o banqueiro come caviar, toma whisky e fuma charutos cubanos, na maior orgia financeira
O bancário, diz Murilo Mendes, passa o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher
mas só ouve o tectec das máquinas de escrever.

Lá fora chove e a estátua de Floriano fica linda.
Quantas meninas pela vida afora!
E o bancário alinhando no papel as fortunas dos outros.
Se ele tivesse estes contos punha a andar
a roda da imaginação nos caminhos do mundo.
E os fregueses do Banco
que não fazem nada com estes contos!
Chocam outros contos para não fazerem nada com eles.

Também se o banqueiro tivesse a imaginação do bancário
o Banco já não existiria mais
e ele estaria noutro lugar.

A fortuna do banqueiro é fruto do seu trabalho. Tá muito bem explicada.
Só falta explicar porque o trabalho do bancário não frutifica tanto quanto o do banqueiro.