| Racismo Policial - Quem policia a polícia? Por Mariana Cavalcante 08/05/2007 às 15:16 Sobre a atuação violenta e racista da Polícia Militar no show dos Racionais MC´s na praça da Sé. 30.000 PESSOAS DEVEM PAGAR POR 30?
POBRE = BANDIDO?
Mais uma vez a população pobre sofre o estigma generalizado e preconceituoso da bandidagem. Cerca de trinta mil pessoas foram alvo de bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha, atiradas indiscriminadamente contra o público do show do Racionais MC´s pela Polícia Militar e Batalhão de Choque, durante a Virada Cultural.
Ainda não posso acreditar no que vi e sofri, depois de passar algumas horas confraternizando com os manos na praça da Sé, entre jovens, idosos e crianças, moças e rapazes de todas as zonas da cidade. Estávamos tranquilos, cantando, quando a correria começou e bombas de gás começaram a explodir no meio da multidão!
A atuação da polícia foi sádica, perversa, nojenta!
Para quem chegou na praça durante o show da Nação Zumbi e viu a galera sobre bancas de jornais, postes e banheiros químicos, durante horas sem serem incomodadas pela polícia, ficou claro que a intenção era acabar com a festa na hora do show dos Racionais. Se o "motivo" do ataque foi o abuso da moçada, porque não os tiraram destes locais antes do show começar?
Porque o alvo eram os Racionais, que sistematicamente denunciam os abusos cometidos por estes bandidos fardados contra a massa da população que vive nas periferias, bandidos estes que invadem barracos de famílias, estorquem, espancam e matam centenas de jovens negros e pobres todos os anos. Quem é o crime organizado afinal?
O mais absurdo desta história é a reação do poder público, do Serra classificando a ação policial "de exemplar". Mas talvez tenha sido exemplar mesmo, exemplar de um sistema racista e assassino, que classifica toda a população pobre de "bandido", de "suspeito", e que a mantém confinada nas periferias para não ameaçar as classes privilegiadas, dignas de participarem da Virada Cultural sem levar bomba na cabeça.
E nós, classes privilegiadas, só temos uma mínima noção deste "sistema exemplar" quando nos prestamos a compartilhar espaço (nosso espaço?) com esta população que queríamos invisível, queríamos domada e amordaçada. Compartilhamos espaço, violência e discriminação, mas compartilhamos música e alegria até então, e eu não queria ter estado em outro lugar naquele momento.
Quem provocou a quebradeira e os saques foi a polícia, o ódio do estado sobre as 30.000 cabeças. Eu ví, eu respirei este ódio. Quando a praça de guerra já estava quase vazia e eu esperava por alguém em frente ao Corpo de Bombeiros com outras pessoas, já pronta para pular sobre o portão fechado enquanto as bombas explodiam cada vez mais perto, chegou uma tropa do Choque gritando para a gente "sair fora". Uma mulher disse que estava grávida ao policial, que gritou com ela "então você devia ter ficado em casa!".
Tivemos que correr para o meio do gás, a garganta fechando e os olhos ardendo, com a polícia atrás de nós. Quando chegamos na rua entre a praça e o Fórum João Mendes, outra tropa atirando bombas e uma multidão correndo em nossa direção. Entramos na rua a direita, seguindo sentido Pq. Dom Pedro. Corríamos sem ar e a galera começou a quebrar tudo, orelhões, cestas de lixo, vidros de carro. Se eu não tivesse tão preocupada em achar um lugar para me esconder eu tinha quebrado tudo também. Se eu não tivesse com tanto medo, se eu tivesse uma arma, talvez tivesse atirado na polícia.
Mas eu não ando armada porque eu não sou o alvo do sistema exemplar.
Quando eu consegui entrar em um estacionamento para esperar o tumulto passar, encontrei um menino de cerca de dez anos chorando muito. Seu nome é Eduardo, veio da zona sul, estava perdido dos amigos e com medo de voltar para casa. Levamos ele até o terminal Pq. Dom Pedro, ele não quis dinheiro para o ônibus, disse que "passava por baixo". Disse também que nunca mais iria em um show e que agora entendia, como todos devíamos entender, porque a molecada se juntava ao PCC. Dei um beijo e um abraço nele, disse para ele "ir com Deus". Mas eu não acredito em Deus...
RACISMO POLICIAL - QUEM POLICIA A POLÍCIA?
>>Adicione um comentário A parcela reacionária da sociedade, e aí incluídos o prefeito Kassab e o governador Serra, aprovaram a atuação policial. O argumento que mais tenho visto é simplesmente microscópico: "os Racionais MCs fazem música para a bandidagem, não deveriam ter sido convidados para a Virada e não aportam 'cultura', mas sim apenas ódio".
Talvez essa parcela da sociedade, reacionária e odiosa, não alcance - ou não tenha dados suficientes - para avaliar exatamente o que ocorre. Além de muitas vezes, agir de má fé.
Estamos em um país onde o Estado e suas instituições (que como todos sabemos são corruptas, sejam ligadas ao legislativo, ao executivo e ao judiciário, além de ONGs divensas) produzem mais presos do que postos de trabalho, mais celas do que salas de aula. Estamos em um país onde mulher negra e pobre que rouba um pote de margarina é condenada a ser trancafiada por três anos em alguma masmorra. E depois ser solta cega, sem pedidos de desculpas.
O aumento do número de presos é assustador e, se por um lado reflete o aumento da criminalidade, reflete também o fracasso do Estado em oferecer oportunidade de vida digna aos jovens da periferia, justamente as vítimas prediletas do preconceito, do racismo, da violência policial, da truculência e do autoritarismo.
O aumento da população carcerária, obviamente, cria uma cultura, digamos assim, dos detidos. Se no Estado de São Paulo temos cerca de 150 mil presos (muitos, talvez a maioria, presos por pequenos crimes), não fica muito difícil de se concluir que uma cultura dessa população se formará e se refletirá nas artes.
Os Racionais MCs são cultura sim. São arte sim. Intervêm na realidade. O problema a ser discutido é que a parcela conservadora e reacionária da sociedade pretende seqüestrar a cultura popular, a manifestação artística das minorias, das periferias, das criações desvinculadas dos padrões globais que defendem. E a polícia, assim como judiciário e o Estado como um todo, são os guardiões dos interesses dessas elites inconseqüentes.
Deu no que deu. O que vimos foi a violência, não da polícia, mas da sociedade sádica e canibal e a truculência do poder estatal.
Talvez desejem que a população carcerária, seus familiares, os moradores das periferias vítimas de racismo e truculência, os menores abandonados nas ruas leiam Caras, vejam novelas ou escutem Xitãozinho (cultura...) e não Racionais.
São irracionais. Ou mal intencionados. A se discutir...
 | Quer dizer q vc estava na praça com "os manos" assistindo o show dos adoradores do crime... E ainda diz q se não tivesse q correr tb quebraria tudo!!! É a verdadeira inversão de valores, o errado está certo e o certo está errado... bandido agora é heroi!!!!  | É parece que bandido agora é heroi mesmo. Vejam: Maluf - Bandido e eleito deputado federal, heroi? Deputados do Mensalao - Reeleitos, herois? ACM e sua podre familia - herois? Juizes corruptos e bixeiros - Herois? Banqueiros que nos sugam ate a morte - nossos herois? Kassab - secretario do corrupto Pita - Heroi? Serra - envolvido na mafia das ambulancias entre outros crimes, heroi? Policia - que ao inves de prender meia duzia de pessoas que estavam entrando nos predios, joga bomba e atira em pessoas inocentes que estavam calmamente assistindo um show e que depois em resposta a esta violencia sem cabimento, enfurecida, com medo e com raiva, sai quebrando tudo que ve pela frente, herois?
Agora vejamos. Pessoas pobres que estavam vendo um show - bandidos? Familias, mulheres e crianças participando de atividades culturais gratuitas raras na cidade - bandidos? Racionais - um gurpo que cante em suas letras as hipocrisias de nossa sociedade onde os "herois" acima estao soltos e roubando nosso dinheiro, e os "bandidos" (povo) esta sendo preso, torturado, morto, não tem saude, escola, dignidade, moradia em consequencia de nossos "herois", bandidos?
É parece mesmo que nossa sociedade esta com os valores trocados.
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