A reintegração de posse da Ocupação João Cândido será efetuada na sexta-feira, dia 18 de maio. Por volta das 5 horas da manhã, as vias de acesso ao acampamento já serão interditadas pela polícia militar. A orientação do movimento é pela saída pacífica, mas despejos são sempre momentos tensos, especialmente pela presença da polícia.

O MTST lamenta que um latifúndio urbano que ganhou vida com a ocupação volte a ficar ocioso, servindo apenas para especulação imobiliária, enquanto há tantas famílias no entorno vivendo em condições precárias. Ao mesmo tempo, o movimento celebra as lutas e conquistas do acampamento.

Há dois meses, aproximadamente 3 mil famílias deram um basta à situação de não ter o que comer para pagar o aluguel, morar em favelas, áreas de risco ou casas de favor, e passaram a lutar juntas pelo direito à moradia digna, que está previsto na Constituição brasileira, mas, como tantos outros, não sai do papel sem mobilização.

Esses lutadores e lutadoras construíram um acampamento organizado, com trabalho coletivo e espaços comunitários e enfrentaram as dificuldades cotidianas com muita força e união. Nesse período, foram realizadas diversas marchas, manifestações e atos políticos, que chamaram a atenção da sociedade e pressionaram as três esferas de governo - municipal, estadual e federal.

O resultado dessa pressão foi o compromisso firmado pelos governos federal e estadual de construção de moradias populares para todas as famílias da ocupação, com recursos conjuntos da Caixa Econômica Federal e do CDHU, em uma integração inédita entre as duas instituições.

Enquanto as casas não forem construídas, as famílias que puderem voltarão para seus locais de origem, e as que não tiverem para onde ir ficarão acampadas em uma área provisória da prefeitura de Itapecerica da Serra, também conquistada com luta.

Mesmo sendo despejadas do terreno, as familias participarão de assembléias em local público e permanecerão mobilizadas para garantir que o acordo de construção das moradias seja cumprido.

O MTST agradece às pessoas e organizações que apoiaram a Ocupação João Cândido e conta com a solidariedade de todos nas próximas lutas.

MTST: a luta é pra valer

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