A IMPORTÂNCIA DOS TRANSPORTES NO E PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL


De acordo com o Dicionário Aurélio, transportar significa levar ou conduzir algo de um lugar para outro. De posse dessa afirmação e ao observar a história da humanidade desde os seus primórdios, pode-se ver que o transporte de coisas sempre esteve muito presente na vida de todos os animais e especialmente na do homem.

A compreensão dos processos históricos relacionados a determinados assuntos é possível quando se levam em consideração manifestações concretas que acontecem na vida das pessoas (neste caso, as brasileiras), contextualizando-as no espaço e no tempo. Assim sendo, é de suma importância relacionar fatos históricos brasileiros (principalmente) ao desenvolvimento dos meios de transporte para facilitar o entendimento da participação e importância destes na integração das Regiões brasileiras e no seu desenvolvimento sócio-econômico.

Tão antigo (ou mesmo mais antigo) quanto a sua própria existência é o desejo e necessidade humanos de se deslocar, de se mover, de transportar, enfim, de transitar: fato que mesmo se antecipa ao surgimento dos meios de transporte. Foi exatamente da necessidade de transitar que há 500 anos os europeus chegaram ao continente americano e fizeram do território que hoje se chama de Brasil, o seu espaço de exploração. Entretanto, para descobrir as potencialidades de um país com tamanha vastidão territorial e o conhecer em sua totalidade, desenrolaram-se muitas histórias.

Durante o período Pré-Colonial (1500-1530) quando os portugueses se viram ameaçados pelas atividades predatórias de corsários no Brasil, enviaram expedições a esta terra a fim de protegê-la e de explorá-la, a partir do quê se registram o embarque e desembarque de bens daqui extraídos com destino à Europa e de lá trazidos, respectivamente. Registram-se, desta forma, as primeiras viagens e transportes na história oficial do país, assim como o início de significativas mudanças na geografia brasileira provocadas pelo homem, que muito se intensificaram no Período Colonial (1530-1815).

Com relação a este período, alguns fatos mereceram destaque, como a introdução do gado e da cana-de-açúcar; o início da pecuária que abriu novos caminhos do litoral para o interior; o crescimento significativo da população e a fundação dos primeiros núcleos de povoamento; a União Ibérica responsável pela anulação da Linha de Tordesilhas que possibilitou por sua vez o alargamento da Colônia no sentido Leste-Oeste, as revoltas coloniais que levavam pessoas a intensificar seu deslocamento pelo território e o movimento de Entradas e Bandeiras que aumentaram a abertura de novos caminhos e o deslocamento de pessoas e produtos do litoral para o interior da Colônia e vice-versa. A chegada da Família Real ao Brasil em 1808 é um importante acontecimento que traz como conseqüências importantes mudanças para o Brasil nos campos político (como o ?fim do Período Colonial?), econômico, cultural e social.

Durante o Império se destacam a ?Independência do Brasil? propiciada por D. Pedro I em 1822; as últimas expansões territoriais que aconteceram com a anexação do Acre e do Amapá ao território brasileiro; a atuação do Barão de Mauá realizando inúmeros empreendimentos industriais de considerável importância para o desenvolvimento dos sistemas de transporte e, conseqüentemente, do Brasil. Este, ao longo de todo esse tempo e dos acontecimentos, dinamizava constantemente sua geografia. Assim, ao final do Império e início da República, já estava totalmente diferente do território encontrado pelos europeus em 1500, apresentando uma política nacional bastante forte e uma economia que não parava de ser dinamizada pela constante modernização dos meios de transporte. A Era Vargas (1930-1945) foi marcada por crises nos ramos econômico, político e social e por intensas revoltas em várias partes do território nacional como a Coluna Prestes e a Revolução de 1930. Também a Segunda Guerra Mundial foi um marco importante neste governo uma vez que, dificultando as importações, propiciou o significativo impulso na tecnologia e na indústria brasileiras. Foi aí que surgiu o automóvel o qual, devido à sua flexibilidade e outras características e motivos diversos, proporcionou a decadência da navegação a vapor e principalmente das ferrovias.

Durante a República Democrática (1946-1964) os governos enfrentaram crises nos planos econômico, político e social. Houve, porém, um grande desenvolvimento urbano e industrial, ao custo da permissão de penetração de capital estrangeiro. A este se devem a concretização de grandiosas obras como a pavimentação da rodovia Rio de Janeiro ? São Paulo, a abertura da rodovia Rio de Janeiro ? Bahia e a construção da CHESF durante o governo de Gaspar Dutra; a criação da Petrobrás em 1953 durante o governo democrático de Vargas; a construção de Brasília e das usinas hidrelétricas de Furnas e Três Marias, a instalação de fábricas de caminhões, tratores, automóveis e a pavimentação de milhares de quilômetros de estradas no governo de Juscelino Kubitschek. Foi a partir das grandiosas obras que se ?completou? o processo de integração (principalmente com o trabalho de ida e vinda dos caminhoneiros) e a construção de uma nova geografia do país.

O período das Ditaduras Militares (1964-1985) é marcado pelos governos autoritários, centralizadores, repressivos e violentos. Nesta fase os problemas econômicos herdados de governos anteriores se avolumaram. Contudo, foi nesse período que ocorreu a construção da via Transamazônica, a conclusão de várias hidrelétricas, o desenvolvimento do ?Programa Nacional do Álcool? (Proálcool - que buscava promover a utilização de uma fonte energética alternativa ao petróleo) e, entre outros, houve uma evolução na produção de navios, carros, aviões, implantação e aparelhagem de portos, recuperação de ferrovias e rodovias, provocando uma verdadeira revolução na geografia do país. Em relação a tais recuperações, é importante chamar a atenção para o fato de que durante o período da República Nova que vai do governo de José Sarney (1985-1990) até o duplo governo de Luís Inácio Lula da Silva (2002-2007...), quase não houve investimento na manutenção do patrimônio já existente. Não muito diferente de Sarney (que investiu na manutenção de pouco mais de quatro (4) mil km de rodovias), os governos de Collor (1990-1992) e de FHC deram prioridade a desestatizações de empresas de vários setores e a construções de novos trechos de rodovias sem se preocupar com a manutenção das já existentes. Tais ações desses governos, ao contrário do que se esperava, provocaram uma grande crise econômica e social e grande deterioração das rodovias já existentes.

Preocupado em reverter tais problemas, o governo atual (Lula) tem dado prioridade à recuperação das rodovias que já existem, na expectativa de que ao final de 2010 ? apesar das grandes dificuldades político-econômicas enfrentadas na administração do seu governo - já tenha conseguido completar a recuperação de toda a malha rodoviária federal.

Como se pôde observar, principalmente a partir da segunda metade do século XIX, foi conferida maior importância às rodovias em detrimento a que se dá às ferrovias ou hidrovias. Tal fato parece incompreensível em um país com uma extensão territorial como a do Brasil, pois em países com grandes áreas, os trechos de longo percurso a serem cobertos são inúmeros, onde a participação das ferrovias se mostra fundamental. Ademais, o Brasil apresenta, ainda, uma vantagem adicional sobre muitos países: a possibilidade de se associar a integração ferrovia-rodovia com as hidrovias que, dependendo do caso, poderiam estar integradas para complementar trechos de longo, médio ou pequenos cursos, dinamizando ainda mais a economia e desenvolvimento do país.
REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E ENSINO EM TRANSPORTES - ANPET. Especial Transportes no Brasil: que História Contar? Transportes, São Paulo: Escola Politécnica USP, v.9, p.88-105, 2001.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

RODRIGUES, Juciara. 500 anos de trânsito no Brasil: convite a uma viagem. Curitiba: Associação Brasileira dos Departamentos de Trânsito ABDETRAN ?, 2000.

RODRIGUES, Juciara. 500 anos de trânsito no Brasil: convite a uma viagem. Curitiba: Associação Brasileira dos Departamentos de Trânsito ABDETRAN ?, 2000.

 http://www.fab.mil.br/HTM/historia.htm

www.dep.ufscar.br/docentes/morabito/Transportes01

 http://www.psbnacional.org.br/listando.asp?sec=Artigos&auto=503