Me pediram para falar sobre o que eu considero ser o maior desafio que a humanidade está encarando, e eu tenho uma resposta fundamental. O maior desafio que encara a humanidade é o desafio de distinguir a realidade da fantasia, a verdade da propaganda. Perceber a verdade sempre foi um desafio para a humanidade, mas na era da informação (ou, como eu penso, a era da desinformação) ela toma uma especial urgência e importância.
Nós devemos diariamente decidir se as ameaças que enfrentamos são reais, ou se as soluções que nós oferecemos fazem alguma coisa, ou se os problemas que nos dizem existir são de fato problemas reais ou não-problemas. Cada um de nós tem um senso do mundo, e todos nós sabemos que esse senso é em parte dado a nós pelo que outras pessoas e a sociedade nos dizem; em parte gerada por nosso estado emocional, que projetamos para fora; e em parte por nossas genuínas percepções da realidade. Resumindo, nossa luta para determinar o que é verdade é a luta para decidir qual de nossas percepções são genuínas, e quais são falsas porque são dadas, ou vendidas, ou geradas por nossas esperanças e medos.
Como um exemplo deste desafio, eu quero falar hoje sobre ambientalismo. E para não ser mal entendido, quero que fique perfeitamente claro que eu acredito que seja nossa incumbência conduzir nossas vidas numa maneira que leve em conta todas as conseqüências de nossos atos, incluindo conseqüências para outras pessoas, e conseqüências para o ambiente. Eu acredito que é importante agir de formas que são simpáticas ao ambiente, e acredito que isto vai sempre ser preciso, daqui para o futuro. Acredito que o mundo tem problemas genuínos e acredito que pode e deve ser melhorado. Mas também penso que decidir o que constitui uma ação responsável é imensamente difícil, e as conseqüências de nossas ações são difíceis de prever. Eu penso que nosso passado sobre ação ambiental é desencorajante, para falar com eufemismo, porque até nossas melhores intenções geralmente acabam mal. Mas eu acredito que nós não reconhecemos nossas falhas passadas, e as encaramos mal. E acho que sei porque.
Eu estudei antropologia na faculdade, e uma coisa que aprendi foi que certas estruturas sociais humanas sempre reaparecem. Elas não podem ser eliminadas da sociedade. Uma dessas estruturas é a religião. Hoje é dito que vivemos numa sociedade secular na qual muitas pessoas ? as melhores pessoas, as mais inteligentes ? não acreditam em nenhuma religião. Mas eu acho que você não pode eliminar a religião da psique da humanidade. Se você a suprime numa forma, ela meramente re-emerge noutra. Você pode não acreditar em deus, mas você ainda tem que acreditar em algo que dá sentido a sua vida, e forma seu senso do mundo. Tal crença é religiosa.
Hoje, uma da mais poderosas religiões do Ocidente é o ambientalismo. Ambientalismo parece ser a religião de escolha dos ateístas urbanos. Porque eu digo que é uma religião? Bem, apenas olhe para as crenças. Se você olhar cuidadosamente, verá que o ambientalismo é de fato o perfeito re-mapeamento das tradicionais crenças Judaico-Cristãs no século 21.
Há um éden inicial, um paraíso, um estado de graça e unidade com a natureza, há uma queda para o estado de poluição como resultado de comer da árvore do conhecimento, e como resultado de nossas ações há um julgamento vindo para todos nós. Somos todos pecadores da energia, destinados a morrer, a não ser que procuremos a salvação, que agora é chamada de sustentabilidade. Sustentabilidade é a salvação na igreja do ambientalismo. Assim como a comida orgânica é a comunhão, que a água livre de pesticidas que as pessoas corretas com suas crenças corretas oferecem.
Éden, a queda do homem, a perda da graça, a vinda do apocalipse --- estas são estruturas míticas profundamente mantidas. Elas são crenças profundamente conservadoras. Podem até estar no funcionamento do cérebro, pelo que eu sei. Eu certamente não quero convencer ninguém contra elas, assim como não quero convencer ninguém contra a crença que Jesus Cristo é o filho de deus e ressuscitou dos mortos. Mas a razão porque não quero convencer ninguém contra essas crenças é porque sei que eu não posso convencer ninguém contra elas. Estes não são fatos que podem ser discutidos. São artigos de fé.
E assim também é, infelizmente, com o ambientalismo. Cada vez mais parece que fatos não são necessários, porque o ambientalismo é todo sobre crenças. É sobre se você irá ser um pecador ou ser salvo. Se você vai ser uma das pessoas no lado da salvação ou do lado da perdição. Se vai ser um de nós, ou um deles.
Estou exagerando para fazer sentido? Temo que não. Porque sabemos muito mais sobre o mundo que sabíamos quarenta ou cinqüenta anos atrás. E o que sabemos agora não combina com certos mitos centrais do ambientalismo, ainda assim os mitos não morrem. Vamos examinar algumas dessas crenças.
Não há Éden. Nunca houve. Que Éden foi esse do maravilhoso passado mítico? Era o tempo quando a mortalidade infantil era 80%, quando quatro crianças em cinco morriam de doença antes dos cinco anos? Quando uma mulher em seis morria no parto? Quando a expectativa de vida era de 40 anos, como era na América a um século atrás. Quando pragas varriam o planeta, matando milhões de uma vez. Era quando milhões morriam de fome? Era assim quando havia o Éden?
E sobre os povos indígenas, vivendo em um estado de harmonia com o ambiente do tipo Éden? Bem, eles nunca viveram. Neste continente, os povos recém chegados que cruzaram a ponte de terra quase imediatamente saíram limpando milhares de espécies de animais grandes, e fizeram isso muitos milhares de anos antes do homem branco aparecer, para acelerar o processo. E quais eram as condições de vida? Amorosas, pacificas, harmoniosas? Dificilmente: os povos mais antigos do novo mundo viviam num estado de guerra constante. Gerações de ódio, ódios tribais, batalhas constantes. As tribos guerreiras deste continente são famosas: Os Comanche, Siox, Apache, Mohawk, Aztecs, Toltec, Incas. Alguns deles praticavam infanticídio, e sacrifício humano. E aquelas tribos que não eram ferozmente guerreiras eram exterminadas, ou aprendiam a construir suas vilas altas nos penhascos para alcançar alguma medida de segurança.
E sobre a condição humana no resto do mundo? Os Maori da Nova Zelândia cometiam massacres regularmente. Os dyaks de Borneo eram caçadores de cabeças. Os Polinésios, vivendo num ambiente tão próximo do paraíso quanto podemos imaginar, lutavam constantemente, e criaram uma sociedade tão insidiosamente restritiva que você poderia perder sua vida se pisasse nas pegadas de um chefe. Foram os Polinésios que nos deram o próprio conceito de taboo, assim como a própria palavra. O nobre selvagem é uma fantasia, e nunca foi verdade. Que qualquer um acredite nela, 200 anos depois de Rousseau, mostra a tenacidade dos mitos religiosos, sua habilidade para se manter em face dos séculos de contradição factual.
Havia mesmo um movimento acadêmico, durante o fim do século vinte, que reivindicou que canibalismo era uma invenção branca para demonizar os povos indígenas. (Só acadêmicos lutariam tal batalha.) Isto foi uns trinta anos antes dos professores finalmente concordarem que sim, canibalismo realmente ocorria entre seres humanos. Enquanto isso, povos de Nova Guiné no século vinte continuavam a comer os cérebros de seus inimigos até que finalmente foram levados a entender que se arriscavam a contrair kuru, uma doença neurológica fatal, quando o faziam.
Ainda mais recentemente os gentis Tasaday das Filipinas vieram a ser um golpe de publicidade, uma tribo inexistente. E pigmeus africanos têm um dos mais altos níveis de assassinatos do planeta.
Em resumo, a visão romântica do mundo como um abençoado Éden só é mantida por pessoas que não tem experiência real com a natureza. Pessoas que vivem na natureza não são românticas sobre ela. Elas podem manter crenças espirituais sobre o mundo que as cerca, elas podem ter um senso da unidade da natureza é a vida que existe em todas as coisas, mas ainda matam os animais e colhem as plantas para comer, para viver. Se não fizessem, morreriam.
E se você, mesmo agora, fosse colocado na natureza mesmo que por uma questão de dias, seria rapidamente destituído de todas suas fantasias românticas. Pegue uma trilha pelas selvas de Borneo, e em pouco tempo você terá um festim de feridas em sua pele, você terá insetos por todo corpo, mordendo seu cabelo, rastejando pelo seu nariz e pelas suas orelhas, você terá infecções e doenças e se você não estiver com alguém que sabe o que está fazendo, você irá rapidamente morrer de fome. Mas as chances são que mesmo nas selvas de Borneo você não experimentará a natureza tão diretamente, porque você terá coberto seu corpo inteiro com repelente e vai fazer tudo que puder para manter aqueles insetos longe.
A verdade é, quase ninguém quer experimentar a natureza real. O que as pessoas querem é passar uma semana ou duas numa cabana na floresta, com telas nas janelas. Querem uma vida simplificada por um tempo, sem todas as suas coisas. Ou um belo passeio de barco no rio por uns dias, com outra pessoa cozinhando. Ninguém quer voltar para a natureza de verdade, e ninguém volta. É tudo conversa ? e enquanto os anos passam, e a população do mundo cresce cada vez mais urbana, é conversa desinformada. Fazendeiros sabem do que estão falando. Pessoas da cidade não. É tudo fantasia.
Um meio para medir a prevalência da fantasia é notar que o número de pessoas que morrem porque não têm o menor conhecimento de como a natureza realmente funciona. Elas ficam do lado de animais selvagens, como o búfalo, e são atropeladas até a morte; escalam uma montanha em clima gelado sem o equipamento necessário, e congelam até a morte. Se afogam no surf de fim de semana porque não compreendem o verdadeiro poder do que brilhantemente chamamos de ?força da natureza?. Eles viram o oceano. Mas não estiveram nele.
A geração da televisão espera que a natureza aja da maneira que eles querem que seja. Acham que todas as experiências de vida podem ser televisionadas. A noção de que o mundo natural obedece a suas próprias leis e não dá a mínima para suas expectativas vem com um choque massivo. Pessoas educadas em seus ambientes urbanos experimentam a habilidade de moldar suas vidas diárias como desejarem. Compram roupas que combinam com seus gostos, e decoram seus apartamentos como querem. Dentro dos limites, podem viver num mundo urbano diário que os satisfaça.
Mas o mundo natural não é tão maleável. Ao contrário, irá exigir que você se adapte a ele ? e se você não fizer, você morre. É um mundo duro, poderoso e sem perdão, que a maioria dos ocidentais urbanos nunca experimentaram.
Muitos anos atrás eu estava fazendo uma trilha nas montanhas Karakorum ao norte do Paquistão, quando meu grupo chegou a um rio que tínhamos que atravessar. Era um rio glacial, gelado, e estava correndo muito rápido, mas não era profundo --- talvez três pés no máximo. Meu guia preparou cordas para as pessoas segurarem enquanto cruzavam o rio, e todo mundo o fez, um de cada vez, com extremo cuidado. Eu perguntei ao guia qual era o grande problema em cruzar um rio de três pés. Ele disse, bem, supondo que você caia e sofra uma fratura exposta. Estamos agora a quatro dias da ultima cidade grande, onde havia um rádio. Mesmo que o guia voltasse na metade do tempo para pedir ajuda, levaria pelo menos três dias antes que pudesse voltar com um helicóptero. Isto se um helicóptero estivesse avaliável. E em três dias, eu provavelmente estaria morto pelos meus ferimentos. Então era apor isso que todo mundo estava cruzando cuidadosamente. Porque na natureza um pequeno escorregão pode ser fatal.
Mas vamos voltar para religião. Se o Éden é uma fantasia que nunca existiu, e a humanidade nunca foi nobre e gentil e amorosa, se não perdemos a graça, e quanto ao resto das afirmações religiosas? E sobre a salvação, sustentabilidade, e o dia do julgamento? E sobre a vinda da perdição ambiental dos combustíveis fósseis e aquecimento global, se todos nós não nos ajoelharmos e conservarmos a cada dia?
Bem, é interessante. Você pode ter notado que algo foi deixado de fora da lista do apocalipse, ultimamente. Apesar de que os pregadores do ambientalismo tenham gritado sobre população por cinqüenta anos, nas ultimas décadas a população mundial parece ter tomado uma virada inesperada. Índices de fertilidade têm caído em todo lugar. Como resultado, durante o curso de uma vida as inspiradas predições para uma população mundial total foram de 20 bilhões, para 15 bilhões, para 11 bilhões (que foi a estimativa das nações unidas em 1990) para agora 9 bilhões, e logo, talvez menos. Há alguns que acham que a população mundial vai ter um pico em 2050 e então começar a cair. Há alguns que dizem que teremos menos pessoas em 2100 do que temos hoje. Isto é uma razão para celebrar, para dizer aleluia? Certamente não. Sem uma pausa, nós agora ouvimos sobre a vinda de uma crise econômica mundial pela diminuição da população. Ouvimos sobre uma crise da população mais velha. Ninguém em qualquer lugar dirá que os medos centrais expressos pela maior parte da minha vida não se tornarão verdade. Enquanto nos movermos para o futuro, estas visões apocalípticas sumirão, como uma miragem no deserto. Elas nunca estiveram lá ? ainda que apareçam, no futuro. Como as miragens fazem.
Tudo bem, então os pregadores cometeram um erro. Eles erraram uma previsão; eles são humanos. E daí? Infelizmente, não é só uma previsão, é toda uma carga delas. Estamos ficando sem petróleo. Estamos ficando sem recursos naturais. Paul Ehrlich: 60 milhões de americanos vão morrer de fome no anos 80. Quarenta mil espécies são extintas por ano. Metade de todas as espécies do planeta serão extintas até o ano 2000. E assim por diante. [1]
Com tantos erros passados, você poderia pensar que as predições ambientais se tornariam mais cuidadosas. Mas não se for uma religião. Lembre-se, o maluco com o cartaz que anuncia o fim do mundo não desiste quando o mundo não acaba no dia que ele esperava. Ele apenas muda o cartaz, ajusta um novo dia do juízo final, e volta a andar pelas ruas. Uma das características definidoras da religião é que suas crenças não são abaladas por fatos, porque não tem nada a ver com fatos.
Então eu posso contar alguns fatos. Eu sei que você não tem lido sobre nada do que vou dizer nos jornais, porque jornais literariamente não reportam isso. Eu posso dizer que DDT não é tóxico e não fazia os pássaros morrerem e nunca deveria ter sido banido. Eu posso dizer que as pessoas que baniram o DDT sabiam que ele não era tóxico e baniram mesmo assim. Eu posso dizer que o banimento do DDT causou as mortes de dezenas de milhões de pessoas pobres, na maioria crianças, cujas mortes são diretamente atribuídas a uma sociedade tecnologicamente avançada que promoveu a nova causa do ambientalismo empurrando a fantasia sobre um pesticida, e assim irrevogavelmente ameaçaram o terceiro mundo. Banir o DDT é um dos episódios mais desgraçados na história do século vinte na América. Nós sabíamos o que ia acontecer, e fizemos mesmo assim, e deixamos pessoas pelo mundo morrerem e não demos a mínima.
Eu posso dizer a você que a fumaça de segunda mão não é um perigo a saúde de ninguém e nunca foi, e o EPA[2] sempre soube disso. Eu posso dizer a você que a evidência de aquecimento global é muito mais fraca do que seus proponentes seriam capazes de admitir. Eu posso dizer a você que a porcentagem de terra usada pelos EUA para urbanização, incluindo cidades e estradas, é 5%. Eu posso dizer a você que o deserto do Saara está encolhendo, e o total de gelo da Antártica está aumentando. Eu posso dizer a você que a revista Science concluiu que não há tecnologia conhecida que nos fará cortar pela metade o aumento de dióxido de carbono no século 21. Nem vento, nem Sol, nem mesmo nuclear. Concluiu que uma tecnologia totalmente nova ? como fusão nuclear ? era necessária, de outra forma nada poderia ser feito e enquanto isso todos os esforços seriam perda de tempo. Eles disseram que quando a UN IPCC reportou que existiam tecnologias alternativas que poderiam controlar o efeito estufa, a UN estava errada.
Eu posso, com bastante tempo, dar a você as bases factuais para essas visões, e eu posso citar os artigos apropriados não em revistas quaisquer, mas em publicações cientificas prestigiadas como a Science e a Nature. Mas tais referências provavelmente não teriam mais que um pouco de impacto em você. Porque as crenças de uma religião não são dependentes de fatos, mas sim questões de fé. Crença inabalável.
Muitos de nós tivemos experiências com fundamentalistas religiosos, e nós entendemos que um dos problemas com fundamentalistas é que eles não têm perspectiva de si mesmos. Eles não reconhecem que sua maneira de pensar é apenas uma de muitas outras possíveis maneiras de pensar, que podem ser igualmente úteis ou boas. Ao contrário, eles acreditam que seu jeito é o jeito certo, todo o resto está errado; eles estão no negócio da salvação, e querem te ajudar a ver as coisas do jeito certo. Eles querem te ajudar a ser salvo. São totalmente rígidos e totalmente desinteressados em pontos de vista opostos. Em nosso complexo mundo moderno, fundamentalismo é perigoso por causa de sua rigidez e sua impermeabilidade a outras idéias.
Eu quero argumentar que agora é tempo de nós fazermos uma grande mudança no nosso jeito de pensar sobre o ambiente, similar a mudança que ocorreu no primeiro Dia da Terra em 1970, quando esta percepção foi primeiramente elevada. Mas nesses tempos, precisamos tirar o ambientalismo da esfera da religião. Precisamos parar com fantasias míticas, e precisamos parar com as previsões do juízo final. Precisamos começar a fazer ciência séria ao invés.
Há duas razões porque eu acho que todos nós precisamos nos livrar da religião do ambientalismo.
Primeiro, precisamos de um movimento ambientalista, e tal movimento não é muito efetivo se é conduzido como uma religião. Sabemos da história que a religião tende a matar pessoas, e ambientalismo já matou mais ou menos 10-30 milhões de pessoas desde 1970. Não é um bom histórico. Ambientalismo precisa ser absolutamente baseado em ciência objetiva e verificável, precisa ser racional, e precisa ser flexível. E precisa ser apolítico. Misturar preocupações ambientais com fantasias que as pessoas tem sobre um partido político ou outro é perder a fria verdade --- que há pouca diferença entre partidos políticos, exceto pela diferença de retórica. O esforço para promover uma legislação ambiental efetiva não é ajudada pensando que Democratas irão nos salvar e Republicanos não. A história política e mais complicada que isso. Nunca se esqueça que presidente começou o EPA: Richard Nixon. E nunca se esqueça que presidente vendeu liberações de petróleo federal, permitindo a drenagem de petróleo em Santa Bárbara: Lyndon Johnson. Então tire a política fora do nosso pensamento sobre ambientalismo.
A segunda razão para abandonar a religião ambientalista é mais apressada. Religiões pensam que elas sabem de tudo, mas a triste verdade do ambiente é que estamos lidando com sistemas incrivelmente complexos e evolutivos, e geralmente não estamos certos de como melhor proceder. Aqueles que estão certos estão demonstrando seu tipo de personalidade, ou seu sistema de crença, não o estado de seu conhecimento. Nosso histórico do passado, por exemplo, gerenciando parques nacionais, é humilhante. Nossos cinqüenta anos de esforço para suprimir queimadas é um bem intencionado desastre do qual nossas florestas jamais se recuperarão. Precisamos ser humildes, profundamente humildes, em face do que estamos tentando fazer. Precisamos tentar vários métodos de fazer as coisas. Precisamos ser abertos sobre acessar resultados de nossos esforços, e precisamos ser flexíveis sobre balancear necessidades. Religiões não são boas para nenhuma dessas coisas.
Como iremos fazer para tirar o ambientalismo das garras da religião, e de volta para a disciplina científica? Há uma resposta simples: precisamos instituir requerimentos muito mais estritos sobre o que constitui conhecimento no reino do ambientalismo. Eu estou cansado de politizados assim-chamados fatos que simplesmente não são verdade. Não é que estes ?fatos? estejam exagerando uma verdade subliminar. Nem que certas organizações estão enrolando seu caso para apresentá-lo da forma mais forte. Nada disso --- o que mais e mais grupos estão fazendo é colocando mentiras, pura e simplesmente. Falsidades que eles sabem serem falsas.
Este assunto começa com a campanha de DDT, e persiste até hoje. Até este momento, o EPA está politizado além da esperança. No despertar de Carol Browner, é provavelmente melhor fechá-la e começar de novo. O que precisamos é uma nova organização muito próxima da FDA[3]. Precisamos de uma organização que será dura em adquirir resultados verificáveis, que irá fazer todo mundo neste campo ficar honesto rapidamente.
Porque no fim, a ciência oferece a única saída da política. E se permitimos que a ciência se politize, estamos perdidos. Iremos entrar numa versão para Internet da idade das trevas, uma era de medos variados e muitos prejuízos, transmitida por pessoas que não sabem de nada. Isto não é um bom futuro para a raça humana. Este é nosso passado. Então é tempo de abandonar a religião do ambientalismo, e retornar para a ciência do ambientalismo, e basear nossas decisões públicas firmemente nisto.
Muito Obrigado.
[1] Apesar disso, atualmente metade da biomassa do planeta é de uso exclusivo da raça humana. (NT)
[2] Agência de proteção ambiental. (NT)
[3] Food and Drugs Administration. (NT)
