Analisar a hitória de um personagem como ACM é uma tarefa em que é possível chegar a extremos de maldade e bondade segundo uma ou outra ótica de quem escreve. Bastava dizer que ACM era filhote da Ditadura para uns expressarem toda a sua repulsa ao ex-senador baiano. O carlismo, certamente, não morreu e suas práticas continuam na sendo executadas por muitos brasileiros. Morreu o personagens, mas sua contribuição e exemplo de autoritarismo e um modelo de tomar decisões autocraticamente permanecem por todo o Brasil. Um modelo de gestão da coisa pública velha, uma política que ainda insiste em sobreviver.

Lembro de um vizinho na minha Bahia que tinha um retrato de ACM na parede de sua sala de estar. Aquele rosto bonito de um baiano ainda jovem escondia ao mesmo tempo que mostrava a face do personalismo e carisma com que cuidava de sua imagem pública. Era um político que morreu três vezes em vida, uma quando perdeu a eleição para o molenga do Waldir Pires, a outra morte do ex-senador baiano foi quando seu filho morrera de infarto fulminante e outra a mais recente a derrota que Lula impôs ao seu inimigo político na Bahia.

Acima de tudo ACM era um político, ninguém discordará dessa afirmação. Um personagem que enriqueceu na política. Numa distinção clássica weberiana ele era um político que não vivia para a política, viva de política. Um políco profissional que se distinguiu dos demais por sua habilidade em perseguir seus objetivos com tanta paixão quanto uma certa dose de perversão.
ACM era perverso. Era uma pessoa que perseguia seus desafetos com todas as armas possíveis.

Antônio Carlos Magalhães era um político baiano, brasileiro e um talento que pendia com muita facilidade para o bem e para o mal. Bajulou militares e também os enfrentou, esteve sempre presente em todos os governos, inclusive no atual governo lulista. Exemplo de amor ao poder, ACM morreu em virtude da batalha pela vida. A única que podia derrotá-lo.

Maurício Moura Costa Guimarães