Judeus Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Trangêneros Brasileiros
Por quem acompanha os acontecimentos 01/08/2007 às 18:09


Os ensinamentos judaicos levaram o povo judeu a partilhar de um sentimento de união, baseado na fé. No momento achamos que é justamente, o que nós judeus(ias) homossexuais precisamos.


Grupo de Judeus Gays, Lésbicas, Bissexuais,
Travestis, Trangeneros e Simpatizantes Brasileiros

É um grupo que congrega Judeus Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Trangeneros e Simpatizantes Brasileiros, a esta comunidade, que se originou em 21-09-1999, com o objetivo de agrupar todos os judeus e judias homossexuais do Brasil que necessitam de um espaço para dialogar, sobre tópicos relacionados a Homossexualidade e sua interação com o judaísmo e a comunidade judaica.
No presente momento o grupo conta com 320 membros dos quais 60% vivem na cidade de São Paulo, 35% no Rio de Janeiro e os outros 5% em Porto Alegre, Curitiba e ainda contam-se membros vivendo em outros países. 70% dos membros são homens e 30% são mulheres.

O Grupo de Judeus GLBTS Brasileiros não é atualmente uma instituição oficial ou registrada em organismos oficiais, nem mesmo uma associação ou fundação. Trata-se apenas de um grupo de GLBTTs de judeus e judias brasileiros que decidiram reunir os seus esforços através da Internet, criando um local particular para expor suas opiniões, sentimentos. É uma ferramenta para aprender mais sobre temas judaicos relacionados ou não a homossexualidade, para discutir e juntar esforços na luta contra o preconceito, para apontar e reivindicar medidas contra abusos e preconceitos junto aos políticos e autoridades formais.

Os membros do grupo exercem diversas atividades econômicas, tais como: Atores, Produtores Teatrais, Psiquiatras, Psicólogos, Veterinários, Engenheiros de Sistemas, Enfermeiras, Especialistas em Marketing e Propaganda, Advogados, Web Designers e etc. Encontram-se no grupo pessoas de idades que variam dos 18 aos 60 anos.

Religião e Tradição Judaica X homossexualidade é um dos mais importantes assuntos e preocupações de todos os membros. Como judeus, como conciliar a religião "homófoba" com a fé judaica original? Como as diferentes comunidades judaicas brasileiras, de diferentes correntes, se posicionam face a homossexualidade?

Desde o início da existência do grupo, muitos Rabinos e comunidades judaicas foram questionados pelo grupo e suas respostas foram espalhadas aos membros da lista para auxiliá-los a identificar e melhor conhecer cada uma das comunidades e o seu comportamento face aos judeus e judias homossexuais.

Estas ações transformaram-se em um programa contínuo e permanente, tendo-se em vista a dimensão do Brasil e o número elevado de diferentes comunidades existentes dentro de suas fronteiras nacionais. Sentimos muito orgulho em sermos judeus, porque além de ser a religião ao qual fomos criados, ela faz parte do nossa identidade e de nossas raízes. Não saberíamos viver sobre outro conceito de vida.

A questão da abordagem sobre o assunto sexualidade, tanto no seio familiar ou ao nível de comunidade, esta correlacionada ao estigma de ser "O Povo do Livro". O que me faz pensar que nós judeus em certos aspectos vivemos mais na teoria. Apesar de conceitualmente a religião judaica afirmar que não possui "dogmas" e que adota a conduta do livre arbítrio, no entanto temos leis e conceitos de vida rígidos e imutáveis.Eles não evoluem com o tempo.

Existe aquela velha explicação: "Mãe dominadora e pai ausente". Achamos que isso se aplica perfeitamente a boa parte das famílias judias. Até onde sabemos a liberação sexual só começou com o advento do Movimento Sionista. Atrelado a isso a Tora, fala que "o homem não pode fazer as vezes de uma mulher". Entendemos que isso se refere única e exclusivamente a penetração. A proibição e a condenação nos parece que só se restringe a isso. Pois quando se fala no encontro de almas gêmeas não há uma referência ao sexo.

Aliás o termo "sexo" nem se encontra na Tora, sempre são feitas referências sugerindo o ato sexual. Toda questão sexual gira em torno da procriação e da transmissão de nossa cultura, como finalidade principal da união entre duas pessoas. O que a princípio nos exclui, já que é a mulher que passa a descendência aos filhos. Proibições como o casamento misto e a homossexualidade são altamente contraditórios no seu entendimento do que é realmente o conceito bíblico relata, já que a esposa de Moisés não era judia e há várias indicações de figuras eminentes da história do povo hebreu onde pode-se ficar em duvida sobre a sua orientação sexual.

Finalizando essa questão religiosa, quanto a relação a homossexualidade, existem outros pecados considerados abomináveis e com o mesmo grau, como por exemplo: masturbação, não respeitar o Shabat, usar certos tipos de roupa, não respeitar o casher e etc. Para os judeus homossexuais o livro "Cântico dos Cânticos" representa uma grande abertura, pois relata relações sem a finalidade de procriação, dando abertura para discutir uma reavaliação das interpretações rabínicas.

Pouco se relata a nível mundial sobre a existência de judeus homossexuais, pois demograficamente são em número inexpressivo. E a nível de movimento quase não se houve falar. Em certos países as mulheres homossexuais estão mais organizadas e com um grupo politicamente formado. Ou seja, tudo contribui para que a comunidade judaica negue a existência de judeus homossexuais.
Não é difícil imaginar, que nos sintamos triplamente marginalizados em função de:

Boa parte da população brasileira nem sabe o que é um judeu. Confundem religião com nacionalidade. O povo judeu não procurou fazer um intercâmbio cultural, como outros povos que vieram aqui no Brasil; Perante a comunidade judaica, ainda mais que a não judaica, temos que fingir ser aquilo que não somos; A nível espiritual sentimo-nos distantes, pois é difícil ir a uma sinagoga e correr o risco de ouvir "que o homem não pode fazer as vezes de uma mulher"; No dia a dia o convívio com pessoas de outras crenças, fica sempre aquela sensação de que falta alguma coisa; Muitos de nós financeiramente dependem da comunidade judaica, por serem seus principais clientes, sendo assim ficaria difícil se expor; Viver complemente fora da comunidade significaria quase uma perda da identidade.

Características do Grupo

Temática: Direitos Humanos, Cidadania, União Civil, Segurança, Judaísmo, Sionismo, Homossexualidade x Religião e outros assuntos que forem propostos pelos membros.
Objetivo: Construir e sedimentar um espaço onde possamos sentirmos seguros para: Dialogar; Trocar experiências e vivências; Criar vínculos de amizade e confiança; Fortalecer o processo de auto estima; Fortalecer o lado espiritual.
Finalidade: Achamos que é prematuro sermos taxativos numa definição única. Simbolicamente faremos um paralelo com uma área de plantio. Seguiremos essas metas: limpar o terreno; preparar o terreno; plantar as sementes.
Conquistas: Os vínculos de amizade estão se fortalecendo e com isso algumas pessoas do grupo estão se permitindo encontrar-se pessoalmente; Igualdade de participação tanto masculina, como feminina; Reunir pessoas de várias idades; Parcerias com outras comunidades virtuais; Parcerias com sites judaicos.

Os ensinamentos judaicos levaram o povo judeu a partilhar de um sentimento de união, baseado na fé. No momento achamos que é justamente, o que nós judeus(ias) homossexuais precisamos. Nos unir em função de um objetivo comum. Pois inexistindo esse processo demoraremos mais tempo para sair da obscuridade.

Achamos que deve haver um maior processo de politização e esclarecimento religioso. Pois ao nosso ver de nada adiantara continuarmos viver na obscuridade. Pois assim fortalecemos o conceito de que estamos fazendo uma coisa "abominável". Será que realmente isto foi o legado de Deus para nós homossexuais? Sermos considerados seres marginais?

Temos certeza que não! Novos estudos bíblicos estão sendo feitos e esperamos que em breve, a verdade apareça.
Achamos que o melhor caminho é o esclarecimento e a visibilidade gradativa. Mostrar que somos seres humanos iguais a qualquer um. E que todas formas de amor valem a pena.


URL::  http://www.jgbr.com.br



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Comentários




aviso aos amigos.
quem acompanha os acontecimentos. 01/08/2007 20:03


O CMI é um antro de racismo e intolerância, é provavél que escrevam muita besteira aqui nos comentários.
viúvas de hither e intolerantes não faltam no CMI.
E gostaria de vê-los ao meu lado nesta luta contra a intolerância que travo quase sozinho aqui no CMI, e quando chamo a atenção dos colaboradores, sou censurado.





Irmandade
PV 01/08/2007 20:35


É isso aí. Contamos com o apoio das colegas do CMI.