Se a descriminalização do aborto vencer, não há problema. Em pouco tempo nós conseguiremos reverter a situação e criminalizar novamente. Quem quer matar bebês indefesos não possuem nenhum direito de reclamar da violência e do assassinato de familiares seus na porta de sua casa. A morte é a mesma. A violência é a mesma. Só muda o cenário e o tamanho do morto. Descriminalizar o aborto significa autorizar as mães a matarem seus filhos. E pior, se o Estado fizer isso em hospitais públicos estará ratificando uma política pública de extermínio. O próximo passo será criar uma câmara de gás para os deficientes físicos e para os idosos, sob o argumento de que eles causam prejuízo para a previdência social.

Começo esse texto dizendo que não faço parte de nenhuma corrente religiosa. Contudo, considero a religião, seja ela qual for, um elemento essencial na constituição do homem como ser humano. E digo, sem medo de errar: "O homem precisa de Deus, mesmo não acreditando Nele." Certamente, desconsidero aqui todos os desvirtuamentos que os homens fazem com a religião. Não é a religião que mata. São os homens, marcados por uma distorção fanática, que matam em nome da religião.

Além disso, informo que nesse texto os meus argumentos defendem a vida. Seja a vida da Mãe de um feto indesejado. Seja a vida do feto indesejado. Defendo a expectativa de vida que há na concepção para preservar a vida posterior, pois se matarmos todas as expectativas de vida na concepção exterminaremos completamente a espécie humana. Não há vida sem expectativa de vida. E para protegermos a vida temos que proteger a expectativa de vida.

Considero que a expectativa de vida começa na fecundação. As células fecundadas são vida e não são quaisquer células, como dizem e querem alguns. Se eu pego uma célula qualquer de outra parte do corpo, depois de 9 meses continuarei tendo a mesma célula, depois de 5 anos continuarei tendo a mesma célula com as mesmas características. Talvez um número maior de células, porém com as mesmas características. Se pego uma fecundação, depois de nove meses eu não terei as mesmas células com as mesmas características, mas sim um bebê, uma pessoa, um ser humano.

Portanto, não posso dizer que a fecundação são células comuns do corpo da mulher. Células que podem ser retiradas e destruídas a qualquer tempo. Contudo, alguém dirá: "Mas a ciência..." E antes que determine de dizer eu já respondo: Eu não gosto de argumentos científicos que buscam destruir a vida ou a expectativa de vida. Além disso, se levarmos as idéias científicas ao pé de letra vamos descobrir que somos apenas ligações químicas complexas, ou seja, somos apenas átomos. Mais do que isso, houve um tempo que a ciência dizia que o Sol girava em torno da Terra, que índios e negros não eram gente, etc. Enfim, os argumentos científicos de hoje podem ser completamente invalidados amanhã. Portanto, argumentos científicos genocidas devem ser desconsiderados.

Mas isso não resolve o problema em questão, ou seja, se por um lado a liberação do aborto significa a autorização para um genocídio, por outro lado eu tenho a questão da gravidez indesejada e das mães que correm risco de vida em decorrência disso. Assim, como há a questão da liberdade e da soberania da mulher sobre o seu próprio corpo.

A minha solução é a seguinte: o aborto continua proibido. Não podemos autorizar o genocídio. Contudo, o Estado deverá cuidar das mães que, por alguma fatalidade, tiveram uma gravidez indesejada. O Estado cuidará dessa mãe por nove meses, dando-lhe todas as condições necessárias para ter um bebê saudável. Repito: o Estado dá gratuitamente todas as condições necessárias. Quando o bebê nascer, desde que a mãe da criança não tenha mudado de idéia, ele deverá ser entregue para adoção. E a mãe da criança retornará para casa como se nada tivesse acontecido.

Se existem tantas pessoas querendo adotar bebês, ou seja, na fila de espera por um recém-nascido, por que é que vamos liberar o genocídio ? Não, não podemos fazer isso. Se por um lado existe a oferta e por outro temos a demanda, tudo o que precisamos fazer é ligar os pontos. Por um lado uma mãe que não quer um bebê, por outro lado um casal que não consegue engravidar e que quer um recém-nascido.Logo, o que temos que fazer é colocar é ligar as duas pontas, ou seja, dar os meios e as condições para que a mãe da criança tenha um bebê saudável e depois encaminhar o recém-nascido para uma família que espera ansiosamente pela adoção.

Certamente, a gravidez indesejada vai parar a vida dessa mãe por nove meses, mas depois disso tudo voltará ao normal.

Essa saída resolve a maioria dos problemas de gravidez indesejada, inclusive inibe os casos de bebês jogados em lagoa, saco de lixo, enterrados vivos, etc. Assim, todas as mães que engravidarem indesejadamente terão as condições necessárias, fornecidas gratuitamente pelo Estado, para terem bebês saudáveis que serão encaminhados, assim que nascerem, aos pais adotivos.

Isso também evitará um outro problema que a liberação do aborto não irá resolver, ou seja, a questão de se saber até quando pode ser realizado o aborto. Abortar um feto é uma coisa. Abortar um bebê de 8 meses é outra. Certamente, irá colocar uma barreira nos meses iniciais. Assim, a partir de tantos meses não poderão as mais abortarem mais. Logo, a gravidez indesejada continuará existindo e se a mãe não quer a criança, ela dará um jeito de se livrar dele, seja jogando em lagoa, colocando em saco de lixo, enterrando vivo, etc.

Portanto, adotando esse método do Estado assumir a responsabilidade pela gravidez, dando condições para que essas mães tenham bebês saudáveis, estará protegendo não só a vida da mãe, mas acima de tudo a vida da criança. Isso porque o bebê foi indesejado por nove meses, porém depois disso uma família irá adotá-lo e cuidar dele como se fosse um filho esperado a muito tempo.

Certamente, isso não resolve os casos de risco de vida, ou seja, aqueles casos onde os médicos terão de escolher entre o feto e mãe. Nesses casos a possibilidade do aborto deve ser considerada. Porém, todas as possibilidades de salvar ambas as vidas devem ser tentadas.

Contudo, os argumentos anteriores poderão ser rebatidos facilmente. Poderão dizer que o Estado não tem dinheiro para dar as condições às mães e que matar os bebês sai mais barato. Poderão dizer que as mães não querem os bebês porque não querem perder nove meses de suas vidas, assim como não querem ficar gordas, etc. Portanto, matar os bebês é mais fácil e rápido.

Não aceito nenhum desses argumentos porque a vida humana não tem preço e matar um bebê que não tem meios para se defender é muito fácil. Inclusive percebo que há um projeto do mal sendo implantado em dois níveis: um grupo que busca matar os bebês no aborto e outro que busca mandar para os presídios os adolescentes, ou seja, reduzir a maioridade penal. O que está acontecendo ? Será que resolveram destruir a criançada ?

Enfim, a questão do aborto é uma questão de saúde pública. E a solução adotada pelo Estado não pode ser de destruir a vida. O Estado não pode implantar uma política genocída, ou seja, uma política de extermínio da espécie humana. Inclusive eu não vejo diferença entre as câmaras de gás de Hitler que matava judeus indefesos e uma política estatal que mata bebê indefeso. Eu não vejo diferença porque não há diferença. Nos dois casos se elimina a vida para se satisfazer interesses pessoais. Nos dois casos o Estado age para eliminar vidas indesejadas.

Isso não é aceitável e isso não pode ser tolerado, pois nenhum Estado pode ter uma política pública de extermínio.

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A visão dos evangélicos sobre o aborto:

Pastor Silas Malafaia - o Padre Vieira dos evangélicos - demonstra com argumentos lógicos, em entrevista no Canal Livre da Band, que o aborto é inaceitável:


Clique aqui para ver os videos da entrevista no Youtube:

 http://xoomer.alice.it/direitousp/ini4-30.htm

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Textos meus que foram censurados pelo CMI (A censura no CMI consiste em impedir a visualização dos textos - textos escondidos):

Texto que critica a censura no CMI:

 http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/10/397815.shtml

Texto censurado no CMI e na USP:  http://prod.midiaindependente.org/es/blue/2007/10/397245.shtml