| Trânsito, mídia e movimentos de moradia Por Destrhatto 20/12/2007 às 11:37 Na cidade de São Paulo, qualquer fato social relevante tem sido desprezado pela mídia quando esta pode tratá-lo como sendo apenas um obstáculo a ser vencido pelo trânsito de automóveis. Tal sentença midiática -- endossada pela maioria dos/as motoristas e passageiros de automóveis presos em engarrafamentos provocados pelos despejos -- esconde, no entanto, uma grande contradição do próprio discurso presente nas entrelinhas do texto jornalístico.  Trânsito bloqueado de um lado...  ponte sendo construída do outro. Na cidade de São Paulo, qualquer fato social relevante tem sido desprezado pela mídia quando esta pode tratá-lo como sendo apenas um obstáculo a ser vencido pelo trânsito de automóveis. Qualquer causa de luta social é tratada pela polícia como um atentato do direito de ir e vir se ela atrapalhar de algum modo o tráfego de veículos e qualquer conteúdo político é esvaziado ao serem tidos por simples problema de congestionamento. É assim também que, em dias de passeatas, o policial militar se transforma numa versão hardcore de um guarda de trânsito, pouco preocupado se terá ou não que espancar alguém para que as vias públicas permaneçam livres de pedestres e cheias de veículos engarrafados. Não apenas a morosidade social, geradora em dias úteis de cerca de 100km de engarrafamento, ganha destaque na mídia como sua visibilidade suplanta qualquer outro fato social de média e grande escala, efêmero ou não. O engarrafamento de automóveis é o símbolo da inação das pessoas, mais preocupadas com a manutenção dos seus pequenos feudos móveis do que com o problema coletivo do transporte, ao passo que outros fatos sociais em geral implicam em ações coletivas e conscientes. Ou seja, a opinião pública acaba se preocupando mais com sua inação do que com sua ação, uma clara característica do conservadorismo vigente. Quando, no entanto, o movimento é dos sem-teto e a luta é pela moradia, tal descaso, desprezo e intolerância com ações em prol do direito pela moradia apresentam certas nuances interessantes de serem explorados pelos movimentos sociais urbanos. Na mídia paulistana, movimentos de moradia apenas tem destaque na ocasião de despejos, desocupações e reintegrassões de posse. Mesmo assim, estes aparecem apenas como problemas de trânsito, quando o efetivo policial e o aparato estatal bloqueaiam as ruas ou quando o movimento decide ocupá-las. Na seção de política ou economia, no entanto, eles raramente aparecem. Vejamos algumas manchetes, como por exemplo as relacionadas ao despejo ocorrido na favela do Real Parque em São Paulo em dezembro de 2007: - Reintegração de posse pára as marginais do Pinheiros e do Tietê http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid93990,0.htm - Reintegração de posse atrasa por causa do trânsito http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2144318-EI998,00.html - Motoristas de SP enfrentam lentidão nas marginais Tietê e Pinheiros http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u353884.shtml Relegar os movimentos de moradia à seção de trânsito é uma forma da mídia desmerecer movimentos sociais legítimos, afinal, poucas são as pessoas que dispõem de morada própria. É elevar a saúde do trânsito na cidade a um patamar mais alto do que a importância de uma moradia digna na cidade. Tal sentença midiática -- endossada pela maioria dos/as motoristas e passageiros de automóveis presos em engarrafamentos provocados pelos despejos -- esconde, no entanto, uma grande contradição do próprio discurso presente nas entrelinhas do texto jornalístico. Podemos afirmar com segurança que ninguém gosta dos recordes de congestionamentos dia a dia conquistados por uma grande parte da população da cidade. Por outro lado, também com uma certa margem de segurança podemos dizer que uma boa fração da população paulistana --- oriunda especialmente das classes mais abastadas --- é contra uma reforma urbana que distibua habitações e terrenos improdutivos para movimentos como os dos/as sem-teto. Ora, não gostar de congestionamento e ao mesmo tempo ser contra uma reforma habitacional na cidade é o mesmo que afirmar que o trânsito em São Paulo não é gerado pelo efeito conhecido como "cidade pendular", causado pelo fato de que milhões de pessoas moram nas periferias e diariamente precisam atravessar a cidade para irem das suas casas para seus trabalhos pela manhã e do trabalho para casa durante a noite. O problema habitacional é, portanto, uma questão fundamental para a geração do trânsito, ao lado do sucateamento do sistema ferroviário, do aumento ridículamente pequeno da malha metroviária ao longo dos anos, da falta de investimentos na melhoria e aumento da frota de ônibus, sem mencionar é claro a questão do acesso aos meios de transporte e ao incentivo do uso de sistemas alternativos, como por exemplo a bicicleta ou o barco. Na verdade, a reforma urbana é a principal questão quando se discute trânsito na cidade, pois é a causa da necessidade da maioria das locomoções realizadas no município: mora-se na periferia e trabalha-se no centro. Todas as demais questões (sucateamento, falta de investimentos e políticas públicas) serão apenas paliativas se ignorarem a má distribuição espacial de domicílios na cidade. A mídia corporativa e os segmentos da sociedade com acesso ao automóvel negam, portanto, que a questão habitacional é a grande geradora do trânsito na cidade. Negam porque não querem dividir o centro expandido de São Paulo com os pobres, dos quais tanto dependem para realização dos serviços indispensáveis à existência da metrópole. Tal negação, no entanto, acaba por gerar um trânsito absurdo que apenas a nata da elite -- aquela que pode ir e vir de helicóptero -- pode fugir. Assim, mesmo que a mídia condene os movimentos de luta por moradia (sejam eles espontâneos ou não) a figurarem na seção de trânsito, por acidente ela acaba por colocar a questão do trânsito no lugar certo, que é da reforma habitacional. A mídia, portanto, não tem escapatória ao tratar esse tipo de pauta: ou coloca a moradia como questão política e econômica em seus cadernos de destaque ou coloca a questão do trânsito nas cidades como consequência da moradia -- seja pela luta por moradia, seja pela sua ausência. A mídia e a opinião pública não tem escapatória ao tratar de ambas as questões porque estão intimamente ligadas: trânsito, prejuízos financeiros a ele relacionados, moradia, qualidade de vida e justiça social. Essa inter-relação -- que na mídia tem apenas um aspecto esquizofrênico -- cria, portanto, inúmeras possibilidades para movimentos como o do Passe Livre trabalharem conjuntamente com os/as Sem-Teto e com participantes do Fórum Centro Vivo por uma agenda de lutas conjuntas. Termino aqui com um lembrete para refrescar a memória de muita gente que é contra a reforma agrária e urbana: você acha que não é sem-teto só porque consegue pagar aluguel?
>>Adicione um comentário Em primiro lugar , já esta mais do que provado que a grande maioria destes barracos no real parque eram só paredes erguidas por espertalhões de olho no Cheque Despejo de 3 a 5 mil reais pagos pela prefeitura .Em segundo lugar , quem lá ergueu o seu barraco , sabia que o terreno era particular , que já havia sido anteriormente reinmtegrado, seus antigos moradores deslocados para Cingapuras construidos pela prefeitura ao lado do terreno .Ou na primeira foto alguém identifica algum utensilio ou papel ou um pedaço de roupa ou qualquer outro objeto no chão que não seja a madeira das paredes.Afinal , os que reclamam da reintegração afirmam cabalmente que a policia chegou de manhã , sem aviso pévio e foi logo tirando os moradores , portanto só tiveram tempo de tirar o principal das casas . Só não ve o obvio quem não quer . Outro fator interessante é que este terreno se localiza em uma das areas mais caras e nobres de São Paulo . Ora , eu também gostaria de morar em uma casa em Pinheiro , ou na City Lapa ou na Granja Viana , mas nem por isso tenho o direito de invadir casas neste locais . Interessante frisar que ninguém invade terreno nas periferias deSão paulo, s´´o nas areas Filet Mignon . Por ultimo, temos de acabar com este dogma de que pelo fato de as pessoas terem menos recursos , elas automaticamente são umas incapazes de dicernimento , incapazes de decisão e incapazes de algum delito ou ato desonesto , e que a sua situação financeira seja um atenuante para espertezas e maracutaias .da mesma forma , não cabe a estas pessoas decidir que , por a proprietaria do terreno estar em atarso com o IPTU , isto valida a invasão . Ora , ninguém é bobo nesta história , muito pelo contrario , principalmente os que tentam de toda a froma ideologizar esta espeerteza e fazer chantagem emocional . Só resta mesmo a pergunta sobre que outro interesse tem os apoiadores e divulgadores desta espertaza além dos pessoais e ideológicos .  | Os caras invadiram o que não era deles. Isso é crime. Ponto final.
O trânsito ficou um caos, para as pessoas que não tem nada a ver com isso, inclusive TRABALHADORES que tentavam chegar em casa depois de um dia de trabalho.
Aliás, trabalhadores que moram na periferia, que compraram seu terreninho e construiram sua casa com o dinheiro suado de seu trabalho, mesmo com o governo lhes roubando via impostos inúteis.
Entretanto a lógica invertida das viúvas socialistas retrógradas prefere demonizar o mocinho e elevar o bandido ao cargo de santo.
Esse é o maior problema do Brasil. As pessoas como esse Beto consideram que alguns crimes são crimes e outros crimes não são crimes, de acordo com sua conveniência.
Todo crime deveria ser punido, desde a invasão de terras até o desvio de verbas públicas, aí te garanto que esse país seria bem melhor. Mas aí já é uma utopia maior que o funcionamento de um estado socialista...  | Ora, rapazes, vocês sabem que podem muito mais! Parece até que vocês estão com respostas pré-gravadas e nem se deram ao trabalho de ler todo o texto, cuja objetivo principal é mostrar a relação entre trânsito e moradia. Mas não! O primeiro de vocês apostou no desmerecimento das pessoas que ocuparam o Real Parque com finalidade única de se beneficiarem do "cheque despejo" e ainda desafia alguém a ver algum utensílio doméstico nas fotos, sem saber (ou não menciona porque é inconveniente) que grande parte das famílias vieram da favela da Berrini que pegou fogo nesse ano e que até a mídia corporativa afirma que haviam móveis e utensílios nos barracos (ver por exemplo http://g1.globo.com/Noticias/0,,PIO213376-5605,00.html). Já o segundo afirma que "crime é crime" mas esquece de se perguntar se a distribuição territorial atual não é produto de uma série de crimes históricos que remontam desde o Tratado de Tordesilhas, as Capitanias Hereditárias, as sesmarias, os ciclos coloniais, a grilagem e a moderna especulação imobiliária. Pessoal, só falta agora vocês dizerem que os pobres invadiram um terro de um bairro nobre para construir suas próprias mansões.  | Se a distribuição territorial atual não é produto de uma série de crimes históricos?
De maneira nenhuma.
Trabalho desde os 15 anos e só aos 33 consegui comprar um imóvel, sendo que hoje tenho 35. Isso é um crime histórico?
Eu tenho que pagar essa conta ou tenho algo a ver com isso?
Ou os (des)governos e a máquina estatal que deveria dar apoio a essa população?
Tanto os estados mais pobres, que acham mais fácil despachar sua população para centros urbanos, pois sobra mais grana pra dividir, quanto dos estados mais ricos, que recebem esse povo para construção civil, entre outros trabalhos, e depois não sabe o que fazer com eles.
Só não jogue o ônus disso em quem trabalha e paga impostos, aliás, é um desrespeito com os próprios trabalhadores que conseguiram suas coisas dentro da lei.  | capitalismo é assim, joga trabalhadores contra trabalhadores.
Enquanto a burguesia fica dando gragalhadas da classe média conservadora, que pensa que é burguesia quando não passa de peão (proletario), só que um pouco mais bem remunerado.
O capitalismo garante o direito de todos DESEJAREM a propriedade privada, mas só a garante realmente para uma infima minoria, reservando para o resto da população acesso a um pedaço insignificante de propriedade ou nem isso (geralmente nem isso).
E a tendência natural no capitalismo é de concentração sempre maior da propriedade nas mãos da grande burguesia e a classe média tende a ter cada vez menos acesso a ela.
Seus inimigos não são os favelados seus imbecis, ACORDEM, é a concentração da propriedade nas mãos de um infima minoria que causa todos esses conflitos.
O sr. pingo moraria em um BARRACO em "Pinheiro , ou na City Lapa ou na Granja Viana"? Hahaha!, conta outra. Não sei o que é mais patético , a currupatica repetição dos jurassicos chavões socialistas por parte do Capitalismo , ou o a falta deargumentos do fala sério . Que babacas , rsrs .
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