ESCOLA MUNICIPAL FAUSTO PEREIRA
4º DISTRITO ? LUANDA- SERRA TALHADA-PE





ARNALDO GOOTTMBERGUE MANGUEIRA









OS TEXTOS JORNALÍSTICOS NA SALA DE AULA E A FORMAÇÃO DO ALUNO-LEITOR E PRODUTOR DE TEXTOS













SERRA TALHADA-PE
2007

ARNALDO GOOTTMBERGUE MANGUEIRA




















OS TEXTOS JORNALÍSTICOS NA SALA DE AULA E A FORMAÇÃO DO ALUNO-LEITOR E PRODUTOR DE TEXTOS













SERRA TALHADA ? PE
2007

Introdução

A leitura e a produção de texto são de grande importância na vida dos indivíduos. Elas se constituem fontes inesgotáveis de prazer e interação constante com o mundo. As práticas da boa leitura e da produção de texto de qualidade possibilitam, respectivamente, uma melhor compreensão da realidade e produz uma participação social mais efetiva.

Daí a importância da leitura e da produção de texto, pois sem esses engajamentos não haverá compreensão crítica e consciente desse universo alienante e dominador.

Com relação à leitura, Silva diz:(1992), o ato de ler é, fundamentalmente, um ato de conhecimento. E conhecer significa perceber mais contundentemente as forças e as relações existentes no mundo da natureza e no mundo dos homens, explicando-as.

Ler criticamente e escrever com qualidade são condições para uma educação libertadora, para a verdadeira ação cultural que deve ser implementada nas escolas. Um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria, é capaz de selecionar, dentre os textos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a uma necessidade sua ( Parâmetros Curriculares Nacionais/PCNs 1998).

Um competente produtor de textos consegue convencer, persuadir ou influenciar o leitor ou ouvinte. Este convencimento se organiza pela apresentação de razões, de evidências de provas e à luz de um raciocínio coerente, consistente e relevante. Sem essa capacidade de organização das estruturas lingüísticas e textuais não se é possível construir bons textos, sejam orais ou escritos, portanto, aprimorar essa capacidade do nosso aluno é fundamental e urgente.

Tendo em vista o valor da utilização dos diferentes gêneros textuais, seja produzindo ou lendo vi como imprescindível a elaboração desse projeto para ser vivenciado em uma das turmas de 6ª série da Escola Municipal Fausto Pereira, para a ampliação do conhecimento desses alunos com relação ao uso adequado de variados textos. O aluno-leitor, através do contato direto com os variados gêneros textuais, adquire habilidades complexas, fazendo-o pensar em sociedade.
Preparar os indivíduos para a efetiva participação social requer intervenção no sentido de construir um novo perfil do professor formador de leitores.

Criar mecanismos eficazes para que nossos alunos leiam e escrevam bons textos é um desafio que me deixa inquieto, que me faz buscar, a cada dia, novos paradigmas de trabalhos que realmente produzam resultado nessa direção, no intuito de colaborar para que as mazelas relacionadas ao ensino-aprendizagem da leitura e produção de texto deixadas ao longo do tempo em nossas salas de aulas sejam esquecidas e nossos alunos possam desfrutar de estratégias de leitura capazes de ajudá-los a interagir com o mundo e compreendê-lo melhor- condição relevante para sua sobrevivência social.

























Objetivo geral

Levar para sala de aula, através do suporte jornal, os diversos gêneros discursivos, suas características, especificidades e situações de uso, dando ênfase principalmente aos textos opinativos e informativos, a fim de que nossos alunos possam ter um contato maior com outros textos que não sejam apenas os já cristalizados no livro didático que de tão batidos, muitas vezes não conseguem despertar no aluno o interesse pela leitura.

Objetivos específicos
 Fornecer à escola um recurso pedagógico dinâmico, permanentemente atualizado e viável na sala de aula;
 Promover a leitura crítica do aluno e maior proximidade com o jornal impresso;
 Promover a utilização do jornal como veículo de formação de cidadania;
 Promover maior proximidade do aluno e do professor com o veículo jornal;
 Incorporar novos conhecimentos via leitura de matérias jornalísticas;
 Incentivar a prática da reflexão, comparação, análise, síntese e conclusão das informações e conhecimento adquiridos;
 Democratizar as informações e gerar ações sociais mais freqüentes nas escolas;
 Conhecer o processo de produção de jornal regional;
 Desenvolver no aluno o gosto pela leitura e produção de texto.







Justificativa

Um dos grandes desafios da escola nos dias atuais é criar mecanismos eficazes para que o aluno possa assumir os diversos tipos de discursos e consequentemente produzirem textos de qualidade. Tenho percebido ao longo da minha experiência como professor de Língua Portuguesa, que as estratégias de leitura e produção de texto adotadas pelos educadores da área, não têm sido suficientes para atingirem uma dimensão plena, ou seja, contribuir para que o aluno adquira competência comunicativa que lhe permita argumentar com clareza e segurança, e que esse possa, efetivamente, colaborar para construção de uma sociedade melhor, mais justa e mais produtiva para todos.

Dessa forma, faz-se necessário ampliar o significado da leitura e conseqüentemente o da produção de texto, rompendo com os paradigmas tradicionais e acabando com os equívocos consagrados pelo uso, que em nada contribuem para amadurecer o senso crítico do leitor que tanto lhe é indispensável para compreensão do mundo.
Orlandi apud Geraldi (2002:106) diz: ?a leitura de um texto não é mera decodifição de sinais gráficos, mas a busca de significações marcadas pelo processo de produção desse texto e também pelo processo de produção de leitura?

Escolhi o jornal para trabalhar com os alunos de uma das 6ª séries da Escola Municipal Fausto Pereira pelo fato de nele conter textos escritos autênticos e não adaptados somente para uso didático, além da diversidade de tipologias e gêneros discursivos que esse suporte traz, como: notícias, reportagens, entrevistas, notas, artigos de opinião, editorial, propagandas, carta do leitor, charge, cartum e outros, distribuídos em textos informativos e opinativos.

A maioria dos textos jornalísticos desperta o interesse do leitor por apresentarem fatos novos ocorridos na sociedade em todos os seus segmentos.
Nesse sentido, Souza (2002:58) diz: ?por dar prioridade aos fatos sociais que ocorrem em determinada sociedade, o jornal constitui excelente material didático para o ensino de leitura e produção de texto.
Por esses e outros fatores, o jornal se transforma numa ponte entre os conteúdos teóricos dos programas escolares e a realidade social.


Fundamentação teórica

A base teórica que assumi em relação à linguagem que perpassa para leitura e produção textual, concentra-se na abordagem enunciativo- discursiva de Bakhtin (1929/1923), que dá ênfase ao processo de interação verbal e ao enunciado. As interações referem-se não àquelas que acontecem face a face, os processos interativos decorrem de uma compreensão ativa em que o leitor aceita, reformula, contrapõe, contempla as informações do texto conforme seus conhecimentos e experiências. Na produção do texto de opinião, o escritor expõe seu ponto de vista, reformula-o, reporta-se a diferentes vozes de textos lidos e ouvidos para fazer valer seu ponto de vista. Esse conceito de interação fez com que eu percebesse a importância do aluno interagir com determinado gênero de texto para o ensino de leitura e de produção escrita; por isso decorreu a eleição de determinados gêneros jornalísticos para realizar este trabalho.
A interação verbal efetiva-se por meio de enunciados considerados relativamente estáveis, chamados de gêneros, embora essa estabilidade deva ser examinada com palavras porque os gêneros estão em constantes transformações. Se, de um lado, os enunciados são variados, de outro, eles têm formas típicas que se adaptam às múltiplas situações, tanto orais, quanto escritas.

Além do mais, Bakhtin (1929/1953) assinala duas características do enunciado ? a dialogia e a polifonia. A percepção da dialogia levou-me a ver o texto não como um produto fechado, em si e único, porém em suas relações com o contexto social, com os textos já lidos pelo leitor e suas experiências de vida, com ligações feitas com as diversas áreas do conhecimento. A dialogia está também diretamente relacionada ao processo de leitura e produção de texto, visto que o leitor ou escritor estabelece um diálogo com o texto, nesses dois processos.
Já o conceito de polifonia levou-me a perceber que um texto não é constituído da voz do escritor, pelo contrário, é repleto de outras vozes. Nesse tipo de texto, o produtor, para convencer seu interlocutor, tem às vezes que se reportar a outras vozes, a dizeres dos outros para demonstrar a veracidade da sua voz. Assim, os textos de opinião estão sempre repletos de vozes que se cruzam, se contrapõem, concordam e discordam entre si.

Ao definir tarefas exeqüíveis, plausíveis, significativas e deixando claro para o aluno a natureza da atividade da qual está participando,discutindo e buscando o sentido do que foi lido e escrito, o professor estará atuando como mediador e construindo um contexto de aprendizagem mediante a interação, possibilitando o diálogo com os conhecimentos prévios dos alunos, uma vez que, o ato de ler, no sentido pleno da palavra vai além da decodificação e o da produção textual, além do domínio do sistema convencional da escrita.

















SEQÜÊNCIA DIDÁTICA



COMPETÊNCIA/ CONTEÚDOS


OBJETIVOS

ESTRATÉGIAS
DIDÁTICAS
MATERIAL DIDÁTICO
ESTRATÉGIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
OBSERVAÇÃO
Produção dos textos jornalísticos Ampliar a competência textual do aluno para que ele possa ler e produzir com autonomia textos jornalísticos e outros gêneros que são veiculados no jornal impresso.

Desenvolver procedimentos de revisão de texto intensificando os conhecimentos sobre linguagem escrita.

Promover discussões sobre temas sociais atuais

Criar textos jornalísticos a partir de fotos.







Orientar o aluno a revisar o texto do outro indicando o que eliminaria e o que mudaria na produção do colega

Socializar informações sobre o que foi produzido nos textos jornalísticos ou para veiculação em jornal. ? Fotos de jornais e revistas;

? Fotos de acontecimentos das festividades escolares;

? Papel tamanho duplo para que sejam montados os textos.

? Uso de DVD/ título: o que acontece quando lemos? ? Identificação de marcas discursivas para reconhecimento de intenções veiculadas no discurso;

? Explicitação de expectativa quanto à forma e ao conteúdo do texto em função das características dos gêneros e do suporte.

? Estabelecimento da progressão temática em função das marcas de segmentação textual Segundo mês/julho



COMPETÊNCIA/ CONTEÚDOS


OBJETIVOS

ESTRATÉGIAS
DIDÁTICAS
MATERIAL DIDÁTICO
ESTRATÉGIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
OBSERVAÇÃO
Produção do jornal Produzir textos informativos considerando seus propósitos.


Aprender a selecionar, organizar e registrar informações.

Utilizar título, subtítulo, imagens e legendas como recursos de texto informativo.

Formar leitores autônomos de jornais.

Desenvolver hábito de pesquisa coletiva

Selecionar textos jornalísticos;




Planejar trabalhar e decidir em grupo;



Criar jornal com textos jornalísticos relacionados à comunidade escolar em que vivem os alunos envolvidos no projeto.



? Fotos

? Painel para exposição dos jornais produzidos pelos alunos
Produzir textos escritos nos gêneros jornalísticos considerando às suas especificidades.


Revisar os próprios textos com o objetivo de aprimorá-los Terceiro mês/agosto
SEQÜÊNCISA DIDÁTICA

Referências Bibliográficas


1. ORLANDI apud GERALDI, O texto na sala de aula. São Paulo: editora Ática,
2002.p 106

2. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS-PCN: Ensino de 1ª a 4ª série: Língua Portuguesa/ Secretaria de Educação Fundamental: MEC.

3. SILVA, Ezequiel Teodoro da. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. São Paulo: Cortez, 1992

4. SOUZA, Lusinete Vasconcelos de ?gênero jornalístico no letramento esclar inicial.?. In Ângela Paiva Dionísio, Anna Raquel Machado e Maria Auxiliadora (orgs). Gêneros Textuais e Ensino. 2ª ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. p 57