por John Tarleton
Indypendent: Qual é a situação atual?
JDB: Atualmente, há uma 'calmaria preocupada' enquanto os négocios lutam para re-abrir. Mesmo assim Raila Odinga e seu Movimento Democrático Laranja prometeram que acontecerão demonstrações por todo o país na terça-feira. O governo no entanto as tornou ilegais, então um confronto maior é provável. Ambos partidos concordaram em ter John Kuffour, presidente de Gana e atual presidente da União Africana, como mediador.
Indypendent: Há muitos grupos como o de vocês trabalhando para unir o povo e acabar com a violência?
JDB: Há três grupos principais: um é conhecido como Concerned Citizens for Peace (cidadãos concernados pela paz). Ele é provavelmente o grupo mais importante por estar trabalhando com os negociadores de paz preeminentes do Quênia cujo trabalho foi instrumental para conquistar a paz no Sudão e na Somália. Há também um grupo de alguns músicos quenianos importantes que se uniram para usar a música como um instrumento para concretizar a paz. E há um outro grupo de mulheres que também se uniu para um motivo similar. A Cruz Vermelha está liderando esforços de socorro e está sendo apoiada por mídias locais, dentre outros.
Indypendent: O que eles estão fazendo? E, quais são suas chances de sucesso?
JDB: Exceto a Cruz Vermelha, a maioria dos outros grupos ainda estão buscando uma estratégia coerente. Por enquanto eles estão, de uma maneira geral, pedindo paz mandando mensagens de paz.
Indypendent: Qual é o papel do Indymedia Quênia nesse momento?
JDB: O trabalho do Centro de Mídia Independente Quênia nesse momento pode ser dividido em dois pontos: permitir que centenas de quenianos por todo o país possam dar voz a seus pensamentos, medos, aflições e aspirações; Usar essa informação vinda dos quenianos da forma que torne possíveis ações concretas em busca da paz.
Indypendent: Por que a identidade tribal continua sendo tão forte no Quênia?
JDB: Há muitas raízes tribais pós e pré-independência no Quênia. O observado e atual domínio econômico e político exercido por certas comunidades gerou uma medida de desconfiança que foi sabiamente explorada por políticos, exacerbando mais adiante a situação.
Indypendent: Por quê os Kikuyu são o alvo de tanto ressentimento?
JDB: Os Kikuyu são a comunidade dominante na demografia, política e economia. Um dos pontos principais de disputa é por eles terem exercido tal dominância explorando sistematicamente outras comunidades. As eleições recentes pareceram validar esse ponto. O presidente, que é Kikuyu, só recebeu enorme apoio dos Kikuyu. Mesmo com os resultados disputados, a oposição tem três vezes mais membros do parlamento do que o partido do presidente.
